José Sócrates
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, mais conhecido por José Sócrates é um político português. Nasceu no Porto mas foi registado em Vilar de Maçada, Alijó, a 6 de Setembro de 1957. Filho de Fernando Pinto de Sousa e de Maria Adelaide de Carvalho Monteiro, Sócrates tem dois irmãos mais novos, António Carvalho Pinto de Sousa e Ana Maria Carvalho Pinto de Sousa, falecida em 1988.
José Socrates Antes e Depois – 1986 e agora

José Sócrates passou a infância e a adolescência na Covilhã, onde ficou a viver com o seu pai depois deste se separar de sua mãe. Frequentou a Escola Secundária Frei Heitor Pinto e posteriormente prosseguiu os estudos no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, onde fez o bacharelato como engenheiro técnico civil. Esteve depois matriculado durante cinco anos na Universidade Lusíada, em Direito, mas optou por desistir do curso.
Nos anos 80, Sócrates começou a exercer a função de Engenheiro Civil, trabalhando em diversos projetos privados. Nesta fase trabalhou sobretudo com emigrantes e as construções concentravam-se, sobretudo, na zona da Covilhã. O seu trabalho não era grandemente apreciado pelos serviços camarários e chegou a ser alvo de duas repreensões por unanimidade por parte da Câmara Municipal da Covilhã, para além de ser ameaçado com a possibilidade de sofrer sanções legais. Depois de se ter tornado deputado, assinou pelo menos 21 projetos, quando ilegalmente já estava impedido de o fazer.
Entretanto, já se havia iniciado na vida política, tendo sido um dos fundadores da Juventude Social Democrata da Covilhã. Deixaria a estrutura um ano após a sua criação, devido à sua mudança para Coimbra. Em 1981, decidiu deixar o Partido Social Democrata e filiar-se no Partido Socialista (PS). Dois anos depois tornou-se presidente da concelhia socialista da Covilhã e presidente da federação distrital de Castelo Branco, cargo que manteve até 1995.
Entretanto tornou-se ainda Engenheiro Técnico para a Câmara Municipal da Covilhã, cargo que manteve até 1991, data em que foi afastado devido à fraca qualidade dos seus projetos e ao não acompanhamento das obras de construção. Em 1987 foi eleito deputado à Assembleia da República, pelo círculo eleitoral de Castelo Branco. Curiosamente, a sua primeira intervenção de relevo no parlamento foi em defesa de um projeto-lei que tinha como objetivo permitir a prática do nudismo em Portugal.
No período entre 1989 e 1996 foi membro da Assembleia Municipal da Covilhã. Em 1991, ganhou maior importância na estrutura do Partido Socialista, ao ser designado porta-voz das questões ambientes e ao passar a integrar o Secretariado Nacional do Partido Socialista.
Com a chegada ao poder de António Guterres, ocupou o cargo de secretário de Estado Adjunto do ministro do Ambiente. Dois anos depois, tornou-se ministro-adjunto do Primeiro-Ministro, tendo sob a sua tutela as pastas da Toxicodependência, Juventude e Desporto. Sócrates seria um dos responsáveis por conseguir trazer a realização do Campeonato Europeu de Futebol de 2004 para Portugal.
No segundo mandato de Guterres, assumiu o cargo ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. O seu mandato ficaria marcado pela questão da coincineração e mais tarde, pelo licenciamento do Freeport. Com a chegada ao poder do Partido Social Democrata, Sócrates voltou a ocupar o seu lugar no parlamento, ao mesmo tempo que se tornou comentador político na Rádio Televisão Portuguesa (RTP).
Em 2004, Ferro Rodrigues abandonou o cargo de secretário-geral e Sócrates candidatou-se ao lugar, tendo como oposição dois nomes fortes do partido, Manuel Alegre e João Soares. José Sócrates acabou por ser eleito com grande vantagem, tendo mais de 80% dos votos. Apenas um ano depois realizaram-se eleições legislativas, e Sócrates conseguiu conduzir o PS a uma vitória expressiva, alcançado mais de 45% dos votos, contra apenas 28% do PSD. José Sócrates tornou-se assim no Primeiro-Ministro de Portugal.
Já nas eleições legislativas de 2009, o PS logrou conseguir manter-se no poder, mas viu a sua margem de vitória reduzir substancialmente. O PS obteve 36,55% dos votos e o PSD, 29,11%. O governo de Sócrates tentou introduzir reformas e reduzir a burocracia, através da implementação de programas como a Empresa na Hora, o PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado) e o Simplex (Programa de Simplificação Administrativa e Legislativa).
Outra das bandeiras de Sócrates foi a introdução do Plano Tecnológico, que visava tornar o país mais competitivo, modernizando a economia. Este pressuposto assentava em três traves mestras: conhecimento, tecnologia e inovação. Uma das faces mais visíveis deste programa foram os portáteis para crianças “Magalhães”, assim batizados em honra do navegador português Fernão de Magalhães.
Foi também durante o governo de Sócrates que foram aprovadas leis que geraram amplos debates a nível nacional. Um dos exemplos foi a legalização do aborto. Depois de ter sido efetuado um referendo, em que a maioria dos votantes se mostrou favorável à lei, mas que não teve a participação necessária para ser juridicamente vinculativo, o governo decidiu avançar mesmo com a alteração. Foi também o governo de Sócrates que aprovou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A 22 de Março de 2011, o IV Programa de Estabilidade e Crescimento foi rejeitado na Assembleia da República e o governo viu-se obrigado a pedir ajuda ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. No dia seguinte José Sócrates apresentou o seu pedido de demissão. Foram então marcadas novas eleições legislativas. Sócrates voltou a candidatar-se, mas foi derrotado por Pedro Passos Coelho.
José Sócrates é bastante discreto na sua vida familiar. Casou-se com Sofia Costa Pinto Fava, engenheira de profissão, de quem se divorciou no final da década de 90. O casal tem dois filhos adolescentes, José Miguel Fava Pinto de Sousa e Eduardo Fava Pinto de Sousa.
Em 2011 passou por momentos familiares difíceis. O seu pai faleceu em Julho, aos 84 anos de idade, vítima de uma hemorragia cerebral. Poucas semanas depois, foi António, o seu irmão que faleceu, enquanto esperava para receber um transplante de um pulmão compatível. Sócrates esteve na Corunha, onde o seu irmão estava internado, a acompanhá-lo durante as suas últimas semanas de vida.
Sócrates é também conhecido por ser um amante de jogging, já tendo participado em provas como a Meia Maratona de Lisboa.
Jerónimo de Sousa
Jerónimo Carvalho de Sousa nasceu a 13 de Abril de 1947, na pequena localidade de Pirescoxe, freguesia de Santa Iria da Azóia. Ainda hoje reside naquela localidade. Filho de António de Sousa e de Olímpia Jorge Carvalho, as suas origens foram humildes, tendo estudado até aos catorze anos de idade no antigo Curso Industrial. Com essa idade começou a trabalhar como como operário metalúrgico, mais precisamente como afinar de máquinas, na MEC – Fábrica de Aparelhagem Industrial.
Jerónimo de Sousa Antes e Depois

Ainda durante a década de 60 teve os seus primeiros contatos com a estrutura do Partido Comunista Português (PCP), assumindo um cargo de chefia na Colectividade 1º de Agosto de Santa Iria. Foi no interior dessa associação, que Jerónimo de Sousa despertou para a luta antifascista. A sua participação em diversos grupos de teatro e de cariz cultural levaram-no a contatar com vários membros do PCP.
Cumpriu o seu serviço militar no Regimento dos Lanceiros 2, tendo estado posteriormente na Guerra Colonial. Foi um dos portugueses que combateu o movimento marxista de libertação (PAIGC) na Guiné-Bissau. Corria o ano de 1972, quando foi eleito pelos seus colegas metalúrgicos da MEC, Delegado Sindical. Viria a integrar a lista unitária, que no ano seguinte conseguiu voltar a conquistar o Sindicato dos Metalúrgicos de Lisboa. Em Abril de 1974 foi eleito para a Comissão dos Trabalhadores do MEC. Viria a manter-se na referida comissão até 1995.
Na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, filiou-se no PCP. A experiência sindicalista que obteve na fábrica ajudou-o a especializar-se na área do trabalho, mantendo ao longo do tempo uma posição, na comissão política do partido, ligada às questões sindicais e laborais. No ano seguinte assumiu a função de Coordenador da Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL). Em 1979 integrou o Comité Central do Partido Comunista Português.
Em 1976 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte. Ainda no mesmo ano tornou-se deputado à Assembleia da República. Conseguiu eleições sucessivas para a Assembleia da República até 1993, voltando novamente ao cargo a partir de 2002. Acabaria assim por passar mais anos no Palácio de São Bento do que na fábrica metalúrgica, circunstâncias que nunca o fizeram perder a sua identidade.
Quer nos ficheiros do PCP, quer na sua ficha na Assembleia da República, a sua profissão oficial ainda é “operário metalúrgico”. Este vínculo fortaleceu-se ainda mais quando Jerónimo de Sousa definiu que o ordenado que ganhava enquanto deputado não podia ser superior ao salário de metalúrgico: entre 700 a 800 euros. Outro episódio curioso sucedeu na primeira vez que Jerónimo de Sousa entrou na Assembleia, como deputado parlamentar.
Ao dirigir-se a si, um trabalhador daquele espaço chamou-lhe “doutor”, ao que ele retorquiu que não era doutor, o espantado funcionário respondeu “desculpe senhor engenheiro”. Isto reflete o espanto que a presença de um simples trabalhar causou num meio que estava habituado a receber apenas as grandes figuras do regime ditatorial.
Esta forma de estar contribuiu para que os portugueses em geral, olhassem para o Presidente do PCP como um homem humilde e trabalhador, bem distante do perfil habitual dos políticos portugueses. No seu percurso na Assembleia da República ocupou cargos de relevo como a vice-presidência do grupo parlamentar comunista e a vice-presidência da comissão parlamentar de Trabalho e Assuntos Sociais.
Em 1996, foi o candidato designado pelo PCP às Eleições Presidenciais. Contudo, face à possibilidade de vitória do candidato da direita, Aníbal Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa acabaria por desistir a favor do candidato do Partido Socialista, Jorge Sampaio. A manobra acabaria por dar frutos, já que Sampaio acabaria por vencer por apenas 500 mil votos de diferença.
Depois de vários anos de declínio eleitoral, Jerónimo de Sousa sucedeu a Carlos Carvalhas e tornou-se Secretário-Geral do Partido Comunista Português. Nas eleições legislativas realizadas em 2005, o partido conseguiu alterar a tendência negativa, alcançando 430 mil votos e elegendo 12 deputados.
Sob o comando de Jerónimo de Sousa, o partido voltaria a alcançar resultados positivos nas autárquicas disputadas no mesmo ano, ao conseguir recuperar 7 municípios, para além de conquistar a presidência de Peniche. O PCP conquistaria nessas eleições um total de 32 municípios e um número de votos superior a 590 mil.
Em 2006, Jerónimo de Sousa voltou a disputar umas eleições presidências, numa corrida eleitoral marcada pela grande dispersão de votos à esquerda, Jerónimo de Sousa ficou em quarto lugar, com 466 mil votos. Contudo, o líder do PCP destacar-se-ia por ser o único candidato a obter mais votos do que o vencedor, Cavaco Silva, num dos distritos, neste casoo de Beja. Seria também o segundo classificado em termos de vitórias em número de concelhos, saindo vencedor em 16 concelhos. A forte implementação do partido nos distritos de Beja e de Setúbal contribuiu fortemente para estes resultados.
Nas legislativas de 2009, o partido voltou a fraquejar ocupando o último lugar entre os maiores partidos políticos de Portugal. Contudo, mais recentemente, em Junho de 2011, Jerónimo de Sousa conseguiu que o seu partido recuperasse algum apoio, ultrapassando o Bloco de Esquerda e conseguido 16 lugares no parlamento.
Em Abril de 2011, Jerónimo de Sousa foi um dos líderes políticos que se recusou reunir com a troikaque se encontrava em Portugal para analisar as condições financeiras do país. Esta opinião apenas foi revista a 15 de Novembro, quando tanto o Partido Comunista Português quanto o Bloco de Esquerda se aceitaram reunir de forma privada com os representantes da troika. Jerónimo de Sousa é também um homem de família, sendo casado e tendo duas filhas e duas netas, com quem faz questão de estar sempre que possível.
Durão Barroso
José Manuel Durão Barroso é um político português. Filho de um casal de transmontanos, Luís António Saraiva Barroso e Maria Elisabeth de Freitas Gomes Durão, nasceu em Lisboa a 23 de Março de 1956. Durão Barroso tem apenas um irmão, Luís António Saraiva Barroso. Licenciou-se em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, no período posterior à Revolução dos Cravos de 1974. Mais tarde, prosseguiu os seus estudos no Instituto Europeu da Universidade de Genebra, onde se tornou Mestre em Ciências Económicas e Sociais.
Durão Barroso Antes e Depois

Prosseguiu a sua carreira, lecionando na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, como Assistente. Fez ainda pesquisa, na Universidade de Georgetown, relacionada com o seu processo de Doutoramento. Curiosamente, nunca chegou a doutorar-se. Ao retornar à capital Portuguesa, deu continuidade à sua carreira acadêmica, tornando-se professor auxiliar e Diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade Lusíada de Lisboa.
O interesse político de Durão Barroso iniciou-se ainda antes do 25 de Abril de 1974. Fez parte do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, o conhecido MRPP, chegando a ser um dos líderes da Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas, que constituía a seção juvenil do referido partido. Barroso acabou por ser excluído do partido, após uma série de atitudes consideradas impróprias pelos seus líderes.
Um dos episódios que se tornou mais conhecido foi o momento em que Barroso chegou à sede do MRPP, com uma carrinha repleta de peças de mobiliário, que haviam sido furtadas da Faculdade de Direito de Lisboa, nos incidentes que se seguiram à Revolução. O então líder do partido, Arnaldo Matos, ordenou-lhe que fosse devolver os bens roubados.
Em 1980, Durão Barroso mudou de completo de quadrante político. Deixando de parte os ideais maoístas, que o haviam levado ao PCTP/MRPP, Barroso filiou-se no Partido Social Democrata (PSD), um partido de centro-direita. Influenciado por Santana Lopes, o então Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva, convidou Barroso para o cargo de sub-secretário de Estado no Ministério de Assuntos Internos, função que desempenhou entre 1985 e 1987.
Seguiram-se os cargos de secretário de estado dos Assuntos Externos e Cooperação e posteriormente de Ministro dos Negócios Estrangeiros. Foi no desempenho desta última função que ganhou mediatismo em Portugal e alguma projeção internacional. A sua participação foi essencial para que a UNITA e o MPLA, assinassem o Acordo de Bicesse, que levou a um período de tréguas temporário, na Guerra Civil Angolana. A sua voz destacou-se também na denúncia da situação desumana que se vivia em Timor-Leste e da luta do território pela sua independência.
Em 1993, o Fórum Económico Mundial (FEM) apontava Durão Barroso como um dos “Líderes Globais de Amanhã”. Em 1994, já na qualidade de ministro dos Negócios Estrangeiros participou numa das célebres e polémicas reuniões de Bilderberg. Corria o ano de 1995, quando se candidatou à presidência do PSD, tendo sido derrotado por Fernando Nogueira. Nogueira foi por sua vez derrotado pelo líder do Partido Socialista, António Guterres, nas eleições legislativas do mesmo ano e acabou por abandonar o partido, cedendo a posição a Marcelo Rebelo de Sousa.
Em 1999, finalmente chegou a altura de Durão Barroso assumir a presidência do seu partido. Logo no mesmo ano, decorreram novas legislativas, nas quais Barroso não conseguiu vencer António Guterres, que continuaria a governar o país. Nos anos que se seguiriam, Barroso tornou-se o líder da oposição, até que em 2002 levou o PSD a uma vitória nas eleições legislativas. O PSD formaria juntamente com o CDS-PP, uma coligação com maioria absoluta, conseguindo assim os meios para governar de forma relativamente tranquila.
Durão Barroso tornou-se Primeiro-Ministro a 6 de Abril de 2002. O seu período no governo ficou marcado pela sua luta contra o défice orçamental, tendo escolhido para Ministra das Finanças, a conservadora Manuela Ferreira Leite. As reformas orçamentais que implementou e as restrições que impôs, tornaram-no impopular, principalmente entre os funcionários públicos e os militantes de esquerda. Durão Barroso foi também um apoiante convicto da invasão americana do Iraque, em 2003, quando a maioria da opinião pública portuguesa se opunha fortemente.
Pouco mais de dois anos após ter iniciado funções, Barroso anunciou a sua demissão, para se tornar presidente da Comissão Europeia. Apesar de Barroso ter apoiado a candidatura do também português António Vitorino, viria ele próprio a ser eleito, numa decisão unanimemente ratificada pelos 25 estados-membros. Barroso sucedeu ao italiano Romano Prodi e o seu mandato ficou marcado por uma alteração na forma de funcionamento da Comissão Europeia, a qual passou a ter mais poderes.
O seu mandato à frente da Comissão Europeia deveria ter-se iniciado em 1 de Novembro de 2004, mas devido à oposição do Parlamento Europeu relativamente a alguns dos Comissários por si escolhidos, Barroso teve que efetuar alterações no seu elenco e aguardar algum tempo. Em 2005, atravessou um momento difícil, quando a França e a Holanda disseram “não”, à Constituição Europeia, em referendo. Foi um dos apoiantes do Tratado de Lisboa, tratador reformador que inseriu várias emendas aos anteriores.
Durão Barroso é casado com Maria Margarida Pinto Ribeiro de Sousa Uva. O casal oficializou o Matrimónio na Sé de Lisboa, em 1980. Da relação nasceram três filhos: Guilherme, Francisco e Luís. Curiosamente, foi a sua esposa que deu origem à sua alcunha humorística, quando na campanha para as eleições legislativas de 2002, decidiu dedicar-lhe de forma pública o poema “sigamos o cherne”, da autoria do poeta português Alexandre O’Neill. A imprensa portuguesa não deixou o gesto passar despercebido e Barroso começou a ser depreciativamente chamado de “Cherne”.
Clara de Sousa
Maria Clara Marques de Sousa, mais conhecida por Clara de Sousa, é uma jornalista portuguesa, sendo na atualidade, um dos principais rostos da informação do canal privado SIC. Nasceu no Estoril, a 29 de Novembro de 1967. Frequentou o curso de Línguas e Literaturas Modernas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Clara de Sousa tinha então como objetivo pessoal, tornar-se professora de português e de inglês.
Clara de Sousa Antes e Depois

Quando frequentava ainda o primeiro ano do seu curso, corria o ano de 1986, estreou-se nos microfones da Rádio Echo, estação radiofónica que pouco tempo depois viria a adoptar o nome de Rádio Clube da Parede. Foi ali, que aprendeu a colocar um prato no giros discos. No Rádio Clube da Parede, Clara de Sousa deu provas de polivalência, fazendo ela própria a leitura das notícias, reportagens de rua, edição, gravação de spots publicitários e institucionais e ainda fazendo a condução de programas.
Contudo, o Rádio Clube da Parede era uma rádio pirata e como muitas outras, foi encerrada em Agosto de 1988. No processo de licenciamento e legalização posterior, não foi conseguida a licença. Em Novembro de 1989, foi convidada por Luís Montez, futuro diretor da Rádio Comercial e da Antena 3, para se juntar à equipa da Rádio Marginal, outra rádio da zona de Cascais que se conseguiu legalizar. Naquela rádio trabalhou com vários elementos que fariam carreira no jornalismo, como Jorge Moreira, Carla Jorge de Carvalho e José Figueiras.
Em 1992 tomou a decisão de se tornar jornalista profissional e pediu a carteira de jornalista. Na sequência da decisão foi nomeada Diretora de Informação da Rádio Marginal. Na sua passagem por aquela estação radiofónica, conduziu programas como “A Baía de Cascais” (emitido entre as 18h e as 20h), “Fim de tarde na Marginal” (também emitido entre as 18h e as 20h), e um programa dedicado ao soul e r&B, “Sonho Americano” (que era emitido entre as 18h e as 21h).
A sua estreia na televisão ocorreu em 1991, quando a produtora Videoplano a escolheu para apresentar o “Hé Desporto”, um magazine de desportos radicais emitido aos Sábados na RTP1, antes da hora de almoço. Para além de apresentar, Clara de Sousa fazia ela própria reportagem, locução e produção de imagem.
No final de 92, foi fazer testes para a função de jornalista e repórter na Televisão Independente (TVI), que iria iniciar emissão em breve. Contudo, os especialistas norte-americanos chamados para fazer o recrutamento e a seleção, escolheram-na diretamente para pivot do principal noticiário emitido ao fim-de-semana. O canal entrou em funcionamento a 20 de Fevereiro de 1983, e Clara de Sousa tornou-se o primeiro rosto da Informação da TVI.
Clara de Sousa ficou na TVI até finais de 1996, altura em que foi convidada para apresentar o Telejornal da Rádio Televisão Portuguesa (RTP). Para além do principal bloco noticiário da estação pública, apresentou também o 24 Horas e o “Cais do Oriente”, um programa de informação diário sobre a Expo 98.
Em 2000, Clara de Sousa completou o circuito televisivo nacional, ao mudar-se para a SIC. Com a abertura da SIC Notícias, o primeiro canal nacional inteiramente dedicado à informação, tornou-se pivot, do noticiário da hora do jantar. Na SIC Notícias apresentou também o Jornal das 9. Ao mesmo apresentou o Jornal da Noite, ao fim de semana, na SIC generalista.
A partir de 2004, foi colocada a apresentar diariamente o Primeiro Jornal da SIC. Teve ainda a oportunidade de se testar noutros registos, apresentando “Duelos Imprevistos” e o “Estado da Arte”. Na SIC tem assumido igualmente grande protagonismo ao ser escolha frequente para a moderação de debates, condução de entrevistas ou condução de noites eleitorais. Juntamente com José Alberto Carvalho, Clara de Sousa é a única jornalista portuguesa a ter conduzido os principais blocos noticiosos dos três canais de sinal aberto nacionais.
Atualmente, a jornalista é uma das faces do Jornal da Noite, juntamente com Rodrigo Guedes de Carvalho. Em 2007, fez parte do júri do programa Família Superstar, juntamente com o cantor e compositor Tó Zé Brito e com os também cantores, Sérgio e Nélson Rosado. Apesar das críticas de alguns colegas de profissão, que consideraram que a participação num programa de entretenimento poderia pôr em causa a sua credibilidade, a jornalista afirmou não ser refém da sua profissão e que havia chegado a altura de colocar de lado alguns preconceitos.
A sua participação no programa revelou-se um sucesso e acabou por abrir portas para que outras jornalistas lhe seguissem os passos. Pouco tempo depois, Dina Aguiar e Fátima Campos Ferreira, jornalistas da RTP, também aceitaram participar como juradas em programas do mesmo género.
Clara de Sousa foi casada com Francisco Penim, ex-Diretor de Programas da SIC Radical e da SIC, de quem se divorciaria após doze anos de matrimónio. O casal tem dois filhos, Manuel Penim e Maria Penim. Posteriormente manteve uma relação com o editor de imagem da SIC, André Marques. No período inicial, a jornalista fez questão de manter a relação em segredo, nunca assumindo publicamente a relação.
Até que em 10 Maio de 2009, depois de três meses de namoro, casaram-se em segredo, numa cerimónia discreta, em que só estiveram presentes pessoas próximas de ambos. Em Setembro de 2011, o casal colocou um ponto final na relação, que durou assim apenas dois anos.
Aos 39 anos de idade, Clara de Sousa foi surpreendida ao sereleita a Mulher Mais Sexy do País, numa eleição levada a cabo pelo jornal Correio da Manhã. Clara de Sousa foi também a primeira jornalista portuguesa a ter um Clube de Fãs oficial.
Marinho Pinto
António de Sousa Marinho e Pinto nasceu a 10 de Setembro de 1950 na cidade de Amarante, filho de um alfaiate e de uma camponesa. Com apenas seis meses de idade foi viver para Niterói, no Brasil. Com 14 anos voltou para Portugal com a sua mãe. O seu pai nunca voltaria a Portugal. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Pertenceu ao MDE – Movimento Democrático Estudantil, grupo de luta contra a ditadura e com 20 anos foi detido, quando a PIDE cercou a Associação Académica e cortou o trânsito em parte da cidade de Coimbra.
Marinho Pinto Antes e Depois

Marinho Pinto tentou escapar, mas acabou por ser preso. Ficou detido durante dois meses no Forte de Caxias, estando a maior parte do tempo em isolamento. O seu pai, salazarista convicto escreveu-lhe uma dura carta com severas reprimendas, mostrando-se indignado com a sua simpatia pela esquerda. Marinho Pinto respondeu-lhe no mesmo tom e como consequência, os dois cortaram relações durante 17 anos. Em 1986, o filho achou que era altura de retomar a ligação e deslocou-se ao Brasil, onde fez as pazes com o seu pai.
Enquanto esteve nas mãos da PIDE foi interrogado durante três dias e três noites, período durante o qual não lhe permitiram que dormisse. Marinho Pinto resistiu, não fazendo qualquer denúncia. Mais tarde afirmou que durante aquele interrogatório “aprendeu a olhar para si próprio, a analisar-se”.
Foi também nos seus tempos de estudante que colocou de parte a religião. Sendo oriundo duma zona do país e de uma família extremamente religiosa, a fé esteve sempre presente no seu crescimento. Algo que se acentuou ainda mais ao estudar num colégio católico. Finda a sua licenciatura, tornou-se professor do ensino secundário e preparatório. De 1974 a 1978 deu aulas de Português, Filosofia, Literatura e Introdução à Política.
Em 1978, tornou-se jornalista profissional e foi designado membro da Comissão Nacional para a Liberdade de Informação. No ano seguinte foi nomeado Diretor do ANOP – Agência Noticiosa Portuguesa na Região Autónoma da Madeira, onde se manteve até 1980. De 1984 a 1986, foi Diretor da ANOP na Região Centro. Seguindo-se uma passagem pela Agência Lusa, como Diretor de Informação na Região Centro.
Rumou depois a Macau, onde foi Assessor Jurídico e de Comunicação do Governo. Acabou por viver apenas quatro meses no território macaense e confessou não ter gostado da experiência, sentindo-se incomodado com a criminalidade ligada à industria do jogo e desagradado com o comportamento dos portugueses que lá viviam. Ao regressar a Portugal Marinho Pinto tornou-se Jornalista do Expresso. Manteve a colaboração com este jornal durante 17 anos, até 2006.
A partir de 1994 manteve também uma carreira ativa como docente universitário. Lecionando primeiramente a disciplina Práticas da Comunicação, no Curso Superior de Comunicação da Escola Superior de Educação de Coimbra. E mais tarde, Direito e Deontologia da Comunicação no Curso de Novas Tecnologias da Comunicação. Foi ainda o coordenador da Pós Graduação em Jornalismo Judiciário da Universidade Lusófona e professor auxiliar convidado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Entre 2000 e 2004 foi patrono formador de Advogados Estagiários da Ordem dos Advogados. Em Novembro de 2004 candidatou-se pela primeira vez ao cargo de Bastonário da Ordem dos Advogados, não conseguindo a eleição. Voltou a candidatar-se em 2007, almejando desta vez a eleição e tornando-se Bastonário da ordem dos Advogados. Voltaria a ser reeleito para o cargo a 26 de Novembro de 2010.
O primeiro mandado de Marinho Pinto ficou marcado pelas suas declarações polémicas e por alguns confrontos de palavras. O episódio mais mediático terá sido a acesa troca de palavras com a jornalista Manuela Moura Guedes. A 22 de Maio de 2009, a jornalista da TVI entrevistou o bastonário em direto e como é seu apanágio, não se coibiu de tecer considerações e acusações pessoais. Manuela Moura Guedes lembrou as declarações de Marinho Pinto, em que este afirmava saber da existência de advogados que ajudavam clientes a cometer crimes e adjetivou-o de “bufo”.
António Marinho, que havia aguentado um interrogatório de 72 horas, por parte da PIDE, sem revelar nada, levou as palavras da jornalista a peito e partiu para o ataque. Afirmou que Manuela Moura Guedes envergonhava a classe jornalística e acusou-a de violar sistematicamente o código deontológico dos jornalistas.
Outra das grandes polémicas em que esteve envolvido relacionou-se com o seu salário. Marinho Pinto tornou-se o primeiro Bastonário da Ordem dos Advogados a exercer o cargo em regime de exclusividade, tendo por isso direito a remuneração mensal. Dez dias depois de ter tomado posse, o novo Conselho Geral definiu que a sua remuneração mensal seria de 6 mil euros e que quando abandonasse o cargo teria direito a receber um subsídio de reintegração equivalente a 6 meses de salário.
Esta questão deu que falar durante vários meses em diversos órgãos de comunicação social e chegou mesmo ao Tribunal de Contas, que não se pronunciou relativamente à questão por não ter competência para fiscalizar o salário do bastonário. No final de Novembro de 2011, Marinho Pinto voltou a tecer comentários polémicos, ao afirmar que os tribunais arbitrais portugueses “são uma verdadeira escandaleira em que o estado perde sempre o privado ganha sempre”.
Criticou também a existência de juízes com 26, 27, 28 ou 29 anos, afirmando que os mesmos não possuem a experiência de vida necessária para ajuizar de forma competente. Marinho Pinto escreveu até à data três livros: “As Faces da Justiça” (2003), “Dura Lex – Retratos da Justiça Portuguesa” (2007) e “Um Combate Desigual” (2010).


