Herpes simples
O Herpes simples é uma infecção cutâneo mucosa provocada pelo vírus com o mesmo nome – vírus do herpes simples (HSV). O HSV pertence à família dos vírus herpes humanos (HHV), de que fazem parte também os vírus varicela-zoster, responsável pela varicela e herpes-zoster, o vírus Epstein-Barr, responsável pela mononucleose infecciosa, o citomegalovirus, o HHV-6, que causa o exantema súbito, o HHV-7 e o HHV-8, implicado na etiologia do sarcoma de Kaposi. O vírus do herpes simples é ubiquitário, com uma distribuição mundial, e o Homem é o seu hospedeiro e reservatório natural. Existem dois tipos de vírus herpes simples: HSV tipo1 e HSV tipo 2. O primeiro é essencialmente responsável por infecções orolabiais (o chamado herpes labial) e o segundo pelo herpes genital. No entanto, nos últimos anos tem surgido um número crescente de casos de herpes genital associado ao vírus herpes tipo-1 devido à mudança de hábitos sexuais e à maior frequência de relações orogenitais. É característica da infecção pelo vírus herpes simples a sequência de três fases clínicas distintas: o vírus é neurotrópico e, após a infecção primária, replica-se e migra de forma retrógrada, através dos axónios sensitivos, para os gânglios neurais, onde entra em fase de latência, mantendose num estado pouco infeccioso durante períodos de tempo variáveis; daqui, por estímulos variados, pode migrar de novo através dos axónios para a superfície cutâneomucosa, dando origem à recorrência.
Após esta infecção primária, o vírus entra em fase de latência e por estímulos vários, como o stress, febre, exposição a radiação ultravioleta, menstruação, traumatismo local ou imunossupressão, é reactivado dando origem às recorrências.
A infecção com o vírus herpes é para toda a vida. Uma vez contaminado, o indivíduo pode eliminar partículas virais mesmo na ausência de lesões clinicamente evidentes. A infecção com o HSV-1 dá-se na maior parte dos casos na infância e adolescência e, ao contrário do que se poderia pensar, a maioria das primoinfecções com este vírus são assintomáticas. A transmissão é feita através da saliva ou por contacto com outras secreções contaminadas. Estima-se que cerca de 90 por cento dos adultos tenha tido contacto com o vírus e que cerca de um terço tenha tido um episódio de herpes simples. O contágio com o HSV-2 está relacionado com a actividade sexual e dá-se geralmente a partir da puberdade. Anticorpos para o HSV-2 são raros antes da adolescência e sobem marcadamente a partir daqui, sendo o herpes genital uma das doenças sexualmente transmitidas mais frequentes em todo o Mundo. 
Figura 1
Sintomatologia
Então, e como se manifestam estas infecções? Como foi dito, o HSV-1 é responsável na maioria dos casos pelo herpes labial. É frequente, nos casos de infecção inicial, a existência de sintomas precedendo o eclodir das lesões cutâneas, os chamados pródromos que variam com a gravidade do quadro e vão desde febre, mal-estar, anorexia, a dor e sensação de picada local; é igualmente comum a ocorrência de adenopatia regional dolorosa. Três a sete dias após o contágio surgem, na maioria das vezes nos lábios, vesículas transparentes agrupadas numa base de eritema, seguidas de crostas e por vezes ulcerações e que evoluem para a cura em duas a três semanas, não deixando cicatriz (figura 1). Para além dos lábios podem também ocorrer lesões no nariz, região geniana e pavilhões auriculares. Nas crianças, a manifestação inicial de infecção herpética é muitas vezes um quadro de gengivo-estomatite ou faringite. Após esta infecção primária, o vírus entra em fase de latência e por estímulos vários, como o stress, febre, exposição a radiação ultravioleta, menstruação, traumatismo local ou imunossupressão, é reactivado dando origem às recorrências. Todas as pessoas que sofrem desta patologia têm a experiência que o herpes surge quando menos convém… As lesões de herpes recorrente são semelhantes às da infecção primária, mas menos exuberantes e de duração inferior (figura 2). Frequentemente, afectam a zona de transição cutâneo-mucosa dos lábios, o chamado vermilhion. De um modo geral a gravidade dos episódios de herpes simples provocados pelo HSV -1 vai enfraquecendo com a idade .
Estas infecções pelo vírus HSV-1 são muito frequentes e podem afectar doentes em todos os países e de todas as idades. Na maioria dos casos têm curso benigno, sendo importante desdramatizar, principalmente junto dos jovens, que se podem sentir afectados psicologicamente com a situação. As lesões de herpes genital são semelhantes às do herpes labial, mas mais floridas, manifestandose no homem como um quadro de balanite erosiva dolorosa e na mulher como vulvites ou vaginites, igualmente dolorosas. São frequentes as lesões no períneo, região peri-anal e nádegas. As complicações e ocorrência de queixas sistémicas são mais frequentes no sexo feminino.
Figura 2
Diagnóstico
A infecção com o HSV-1 dá-se na maior parte dos casos na infância e adolescência e, ao contrário do que se poderia pensar, a maioria das primoinfecções com este vírus são assintomáticas .
Terapêutica de Tratamento
