A força da genética

A força da genética – Os traços físicos, como a cor dos olhos ou o tipo de cabelo, são transmitidos de pais para filhos através dos genes. Na personalidade influem a educação e o meio envolvente.

É impossível prever se o bebé que vem a caminho vai herdar a inteligência da mãe ou as covinhas do rosto do pai. E mesmo que os seus traços físicos e a sua personalidade provenham tanto de um como do outro. Mas quando o óvulo e o espermatozóide se encontram, entram em jogo nada menos do que 30.000 genes de cada um dos progenitores agrupados em 46 cromossomas e o número de combinações que podem verificar-se é infinito.

Unicamente por esta razão cada ser humano é genuinamente (ou melhor dizendo) único. Os gémeos monozigóticos (concebidos num único óvulo), com o seu património genético idêntico, constituem a única excepção à regra. Os dizigóticos (de dois óvulos), podem parecer-se tanto ou tão pouco como quaisquer irmãos entre si. É impossível conceber dois filhos iguais, porém, por vezes, entre dois membros da família há uma parecença tão grande que se diz que são como duas gotas de água.

A razão é que alguns traços físicos são mais fortes do que outros. Se um dos pais possui o gene dos olhos castanhos, com uma pigmentação muito forte, e o outro o gene dos olhos azuis puros, sem pigmentação, é mais que provável que o bebé herde os olhos castanhos, porque este traço é dominante. Ao contrário, se a diferença de cor não é muito marcada e radica em tonalidades, o prognóstico é muito mais complexo. Existem tantas probabilidades de que o bebé tenha os olhos azuis, como verdes ou pretos, e os genes dos avós também podem intervir. Alguns traços físicos saltam uma ou várias gerações para logo reaparecem.

A mímica da avó contagia-se

Miguel Gigl, de 6 anos, é o retrato vivo da sua avó alemã, Anna, de 69. Ambos partilham do mesmo sorriso, do olhar travesso e de um ombro ligeiramente subido. No caso de Anna, o direito; no de Miguel, o esquerdo, como num espelho.

Características que podem prevalecer

O cabelo encaracolado costuma prevalecer sobre o liso e o forte sobre o fino. O cabelo de cor negra impõe-se, com frequência, ao castanho e ao loiro e o loiro sobre o ruivo. Os rostos largos e ovalados tendem a prevalecer sobre as redondos e pequenos. Os pómulos muito pronunciados e covinhas da cara, também costumam prevalecer. Os lábios volumosos triunfam perante os finos e o nariz recto perde perante o curvo.

Relativamente ao cabelo, as leis genéticas tendem a ser traidoras: existe 50% de probabilidades de transmitir a calvície aos filhos homens e o excesso de penugem corporal impõe-se à ausência de pêlo, inclusive (que horror) entre as mulheres. Os genes que dão lugar a uma pigmentação de pele escura ou morena também prevalecem, indiscutivelmente, sobre os mais claros.

Ainda que conhecendo estas leis da genética, nem sempre é possível assegurar que o bebé em questão vá herdar os olhos negros do seu pai, porque existem muitas excepções. Cada detalhe do corpo, por insignificante que seja, tem o seu gene. A criança pode repetir o mesmo perfil e o tamanho do nariz do seu pai e possuir a ponta e as asas do nariz idênticas às da sua mãe. Ou a forma dos olhos e as pálpebras da mãe e a cor do pai.

Três gerações e um nariz

Alexandra , Nina e as suas filhas, Ana Sofia (de 10 anos), Paula (de 6) e Valentina (de 8), herdaram não só o bonito nariz da avó Helena , mas também a sua fronte, a cor dos olhos eo cabelo.

A herança, a educação e o ambiente

Para além disso, há uma série de características físicas que não dependem exclusivamente dos genes: a estatura obedece, em grande medida, à altura dos pais, mas também pode ser determinada por uma doença que não se detectou. Sobre o peso influi não só a herança mas também a forma de comer.

Para o facto da criança ter um bom porte (uma boa postura), contribuíram tanto os genes como a postura que manteve no ventre da mãe durante o período fetal e, inclusive, a forma como os seus pais a deitavam no berço. Ao contrário, hoje em dia as teorias genéticas adquiriram um peso importante. Umas das suas defensoras, Judith Rich Harris (surpreendentemente, psicóloga), atreve-se a dizer que os pais apenas devem preocupar-se em viver com os filhos num bairro agradável, escolher bons colégios e verificar se as crianças se integram plenamente no meio e no grupo de amigos da sua idade. O resto, a seu ver, ficará a cargo da herança genética.

Os estudos efectuados a este respeito não ajudam muito a esclarecer as coisas. Investigadores que observaram o comportamento dos gémeos e crianças adoptadas, concluíram que os gémeos monozigóticos se parecem um com o outro ainda que tenham vivido em famílias diferentes.

As crianças adoptadas manifestam mais semelhanças com o carácter dos seus pais biológicos, que nunca viram, que com o dos seus pais adoptivos. Outros estudos, pelo contrário, confirmam a influência dos progenitores, dos companheiros e de certas experiências no desenvolvimento das crianças.

Por isso, a maioria dos estudiosos da evolução humana, especialistas em genética, psicólogos e pedagogos, adoptaram a fórmula empírica dos cinquenta por cento. Ou seja, cerca de metade das características na forma de ser de uma pessoa deve-se aos genes, enquanto que a outra metade se deve à influência do meio envolvente.

Pode conceber-se o filho ideal?

Reconhece-se que alguns traços do carácter, como por exemplo, a inteligência, a sociabilidade ou a criatividade, dependem tanto de um número variável de genes como das condições da vida. No caso da inteligência, supondo, por exemplo, que a mãe é muito inteligente e o pai nem tanto, a criança pode herdar uma inteligência média, abaixo ou acima da média. Tudo é possível. Para além dos genes sofrerá a influência dos estímulos, do exemplo dos pais e do meio que a rodeia e do seu reconhecimento.

Ao contrário, na timidez, no medo ou no sentido de responsabilidade, o meio ambiente tem mais influência que os genes. Sobre a musicalidade, a sociabilidade, a criatividade ou a eloquência, influem muitos genes, talvez mais do que uma centena, e comprovou-se que as condições de vida também dão uma pequena contribuição.

Por isso, as mulheres que escolheram um doador de esperma para que o seu filho herde determinadas capacidades, não têm garantias de que ele vá, efectivamente, possuir esses traços que elas desejam. É então definitivamente impossível conceber um filho perfeito? À priori todos os pais desejam que o seu filho seja capaz de encontrar um caminho neste mundo e de seguir airosamente por ele, quando eles faltarem. Temem determinadas doenças que poderiam invalidá-los ou, inclusive, alguns traços de carácter, e se pudessem excluiriam-nos de antemão.

Graças às técnicas de diagnóstico pré-natal, podem detectar-se, durante as primeiras semanas de gravidez, alguns problemas nos cromossomas do futuro bebé. Mediante a punção do líquido amniótico, por exemplo, pode averiguar-se se o feto tem o síndroma de Down ou espinha bífida. Mas, infelizmente, os problemas genéticos diagnosticados através destes exames não podem curar-se e, quando são detectados, a maioria dos pais prefere interromper a gestação.

É possível diagnosticar alterações genéticas em embriões conseguidos mediante fecundação in vitro e implementar no útero da mãe os que não apresentam os riscos que se pretende evitar. Mas apenas se pode escolher este caminho caso exista, na família, uma elevada probabilidade de alterações genéticas hereditárias graves.

A força do destino

É compreensível que os pais queiram ter um filho saudável e exposto ao menor número de riscos possível, mas o sonho de um ser humano perfeito é uma mera ilusão. Se alguém deseja ter um filho com dotes matemáticos e analíticos e capacidade de liderança, por exemplo, costuma ser porque, nesse momento, estas qualidades são prioritárias no mercado laboral.

Mas será que também o serão quando a criança tiver 20 ou 30 anos? Como pode pretender-se adaptar geneticamente uma criança a um futuro que ninguém conhece? Para além disso, as pessoas com características desenhadas à medida não têm razões para ser mais felizes do que as outras.

O sonho do filho ideal é também uma quimera, porque existe o factor destino. Grande parte das pessoas afectadas por uma menos-valia, não sofrem, na realidade, de nenhuma alteração genética; o seu problema é consequência de uma doença, uma lesão produzida durante o parto, um acidente, ou, inclusive, um erro médico.

O que acontece com essas pessoas que não correspondem ao ideal habitual? Felizmente, cada dia contamos mais com elas. Se a sociedade acreditasse que apenas uma determinada forma de vida merece ser vivida, seria desumana. Psicólogos e médicos sabem que mais mulheres dariam à luz crianças afectadas por aquilo que hoje se consideram menos-valias genéticas, se tivessem a certeza que os seus filhos iriam ter uma oportunidade na vida.

Porque a capacidade de desenvolvimento de uma pessoa não só depende do seu património genético, mas também, em larga medida, do seu meio envolvente. Por isso, a sociedade deveria preocupar-se especialmente com as condições das pessoas mais desfavorecidas. Não se podem fazer seres humanos in vitro, com umas características muito específicas. Mas, se fosse possível, não seria motivo de alegria, uma vez que uma sociedade composta por indivíduos exemplares fracassaria redondamente. Felizmente, o meio que nos rodeia é dinâmico e em cada momento se exigem qualidades novas e imprevisíveis.

As orelhas do pai

Félix ganhou as orelhas de abano do seu pai, Alexandre. O filho tem um pavilhão mais saliente do que o outro, mas encara-o filosoficamente. Nisso não se parece com o pai, que reconhece ter sofrido muito quando era pequeno.

O retrato vivo da mãe

Iris legou aos seus filhos a cara oval, o nariz fino pequeno e os lóbulos separados. Ainda que nenhum se pareça fisicamente com o seu pai, parece que têm o seu temperamento.

Em: Ciencia | 18 comentários

18 Comentários no Fórum

  1. Eu e meu marido temos olhos castanhos (ele castanhos-esverdeados, mas só se nota com a luz). Do meu lado todos têm olhos castanhos, do lado dele também exceto uma avó que tem olhos bem verdes e um primo que nasceu loiro de olhos azuis (neto da mesma avó).

    Há alguma chance de termos um filho de olhos claros?

    Cumps.

  2. Boa tarde tenho 3 filhos dos quais os 2 primeiros sao de um progenitor e o mais novo de outro a minha questao e: eu e o pai do mais novo temos olhos escuros mas ele nasceu com olhos verdes ja os mais velhos o pai tem olhos verdes e eles nasceram com olhos escuros. Havera qualquer possibilidade de o meu filho mais novo ter apanhado os genes de uma anterior gravidez mesmo o pai nao sendo o mesmo?

  3. Sou parda, com cabelos claros (quase loiro)crespos e olhos esverdeados, a tradicional criola, ou sarara, ou galega como dizem, meu marido e nissei com olhos e cabelos negros, será que meu bebê será japa como o pai??

  4. Meu nome e andrezza sou mulata meu marido e branco como sera meu bebe estou ansiosa

  5. Olá! A minha mulher esta gravida e eu sou negro e ela clarinha qual será a cor da pele do nosso bebe?

  6. Oi sou a Lilia,cubana ,mulata e meu marido é negro ,africano -angolano,estamos intentando engravidar,na minha familia existe muito mestizaje,tenta mos sabes como sera nosso bebé,estamos muito felizes.

  7. OLÁ, MEU NOME É LAURA. Meu marido è branco cabelo liso preto e tem um suposta filha fora do casamento eka é escura do cabelo crespo e nao tem nada dele nenhum traco.Gostaria de saber se pode ser filha dele ou não. Obrigado!

  8. Olá. Gostaria de saber . Eu e meu marido temos olhos castanhos porem somos branquelos de pele. Tenho 2 filhos de olhos azuis . Se eu tiver mais um tenho chance de vir de olho azul tbm?

  9. olq estou gravida de 2 meses mas ja estiu curiosa pqra saber como vai ser o rostinho do meu bebe.Sou negra (brasileura)meu marido negro (africano) meu pai meus avos sao brancos e da parte da minha mae todos negros..Estou muito ansiosa para saber quem meu bebe vai puxar,a unica coisa que eu quero e que ele seja negro,pois amo minha cor…o jeito vai ser esperar haha

  10. ola meu nome e luana,meu marido tem uma filha fora do casamento ,mas ela nao se parece nadinha com ele ,ele e branco cabelo liso olhos verdes ,ela e negra cabelo crespo ,e nao tem nadinha parecido com ele . ele pode nao ser filha dele pela genetica

  11. Dizem que o filho homem nasce sempre parecido com a mãe…Não foi o meu caso rsrsr :(

  12. sou ruiva do olho azul na minha escola tem uma garota loira de olhos verdes com uma prima branquela albina olho azul claro linda linda deviam ver e ja vi uma menina ela nasceu cabelo branco olho azul claro quando cresceu cabelo castanho escuro e olho escuro

  13. Olá!
    Meu filho nasceu com olhos bem claros, azuis.Mas me intriga muito, pois sou casada com negro e meu avô tinha olhos azuis, no caso, bisavô de meu bebê! Como pode isso?

  14. Texto muito bem escrito, informações úteis, e super agradável de ler.

    Os pais da minha avó paterna tinham olhos castanhos e eram brancos descendentes de portugueses, e ela nasceu com olhos verde acinzentado. De certo puxou um avo ou avó, nao sabemos por que as fotos antigas não são muito ”legíveis”.
    Já o pai do meu namorado tem olhos castanhos e sua mãe olhos azuis tão claros que chegam a ser cinza às vezes e ele nasceu com olho castanho médio, e é super branco. Pra ver né, genética é sempre uma surpresa.

  15. MEU FILHO E O PAI LOIRO!

  16. SOU NEGRA MEU MARIDO BRANCO,MEU FILHO NASCEU COM O TOM DE PELE CLARA!ELE SE PARECE MUITO COM O PAI,APENAS PUCHOU O MEU NARIZ COM A PONTINHA DO NARIZ DO PAI!A EX-MULHER DO MEU MARIDO SEPAROU SE DELE,E ESCONDEU A GRAVIDEZ TODA DELE!QUANDO A CRIANÇA NASCEU,ELA REGISTROU O FILHO,COMO DO MEU MARIDO.SEM ELE SABER DE NADA!ELA TAMBEM E NEGRA!O FILHO SE PARECE MUITO COM OS FAMILIARIS DELA.TEM POSSIBILIDADE DA CRIANÇA NAO TER NEM UM TRAÇO DO PAI.VOU POSTAR FOTOS MEU E DE MEU FILHO,DOMEU MARIDO E DA CRINÇA E ELA.

  17. Parabens Glaucia

  18. Olá pessoal,meu nome é Glaucia,eu estou gravida de sete meses,sou negra e meu marido é branco de olhos verdes… tenho muita curiosidade de saber como a minha bebe vai nascer!!! Acho q terei esperar mais 2 meses…rsrs Há o nome da pequena é Melissa. bjs

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