Acabou de nascer o meu bebe! – Testes e Exames

Acabou de nascer! – Que provas – testes e exames, deve superar antes de poder colocá-lo nos nossos braços?

Entre as preocupações dos novos pais destaca-se o temor pela saúde do seu filho: Quanto pesará? Será saudável? Terá algum defeito que os médicos não encontrem?

Até há alguns anos, havia problemas que não se descobriam senão após vários meses. Mas os pais de hoje não têm que se preocupar. Em todos os hospitais efectua-se uma variada gama de provas e medições para comprovar a saúde do recém-nascido e iniciar a terapêutica quanto antes os problemas que o possam afectar. Quando não existem complicações nem quaisquer evidências de problemas, costuma ser uma enfermeira pediátrica quem proporciona os primeiros cuidados ao bebé. Mas quando a sua saúde corre perigo, é imprescindível a presença de um pediatra neonatologista na sala de partos.

Quando a criança vem ao mundo, a enfermeira-parteira coloca-o à altura da pélvis da mãe para que fique ao mesmo nível da placenta, a que continua unido através do cordão umbilical, por onde circulam uma veia e duas artérias que durante a gestação transportam oxigénio e elementos nutrientes da mãe para o feto.

Depois, com um catéter de borracha macia, limpa o bebé do líquido amniótico e das mucosidades que lhe enchem a boca e o nariz, para deixar livres as suas vias respiratórias. Às vezes a aspiração das mucosidades realiza-se durante a última fase do parto.

A manobra é simples e totalmente indolor para o bebé. Provavelmente, a primeira experiência que tem o recém-nascido ao chegar ao mundo é uma desagradável sensação de frio: durante nove meses permaneceu num local mais quente do que a sala de partos. Por isso, a enfermeira enxuga-o o mais depressa possível com um tecido esterilizado, e cobre-o com uma toalha seca previamente aquecida, para que não perca calor.

Um “despertar” muito mais humano

Há algum tempo que o tradicional açoite nas nádegas para provocar o choro do bebé, já passou à história. Hoje em dia os neonatologistas optam por métodos mais suaves, como estimular os pés do recém-nascido para que reaja, no caso de ainda não ter chorado ao sentir o contacto das mãos do ginecologista ou da enfermeira-parteira. A maior parte das crianças choram porque sentem uma mudança repentina de temperatura.

E o mesmo acontece com o cordão umbilical: já não se corta imediatamente. A não ser que a saúde do bebé corra perigo, os médicos preferem esperar até que deixe de pulsar para fazer o corte e separar fisicamente a criança da mãe.

A vitalidade e a maturidade do recém-nascido avaliam-se com o teste de Apgar. Esta prova avalia cinco critérios que se pontuam de 0 a 2, em função de que a resposta do bebé seja perfeita (2), discreta (1) ou apresente algum problema (0).
Para obter uma avaliação mais objectiva, efectua-se duas vezes: a primeira, quando nasce; e a segunda, cinco minutos depois, quando o recém-nascido já superou o choque do parto.

Se a soma das pontuações for de 8 a 10, significa que o bebé está em perfeitas condições. Às vezes, a primeira avaliação dá um resultado muito baixo; mas uma pontuação elevada na segunda, significa que a reanimação foi um êxito. Os resultados anotam-se na ficha neonatal, que fará parte da história clínica do bebé.

O teste, que deve o seu nome à médica americana Virgínia Apgar, indica as normas para tomar ou não determinadas medidas, como a incubadora ou a respiração assistida, que assegurem a vida do recém-nascido. Se a qualificação for inferior a 6, a criança precisará de uma reanimação enérgica e de uma vigilância especial.

No intervalo entre os dois testes, ou logo a seguir, o pediatra ou a enfermeira-parteira efectuam uma rápida revisão ao bebé (cabeça, abdómen, genitais…) para confirmar que não existem malformações, e levam-no para uma zona especial da sala de partos climatizada e esterilizada. Ali, a enfermeira trata-lhe do umbigo, determina o seu grupo sanguíneo, limpa-o, pesa-o e mede-o, e toma nota do seu perímetro cefálico com o fim de estabelecer se é normal em relação à sua idade gestacional.

Quando a criança já está limpa e quentinha, administram-lhe vitamina K, para prevenir possíveis hemorragias; um colírio ou uma pomada nos olhos, para tratar da conjuntivite neonatal, que poderia ter contraído durante o parto no caso da mãe sofrer de alguma infecção ginecológica; e uma primeira dose da vacina contra a hepatite B.

Depois, procede-se à sua identificação mediante a impressão plantar e a colocação de uma pulseira identificadora. Até há alguns anos dava-se banho ao bebé para retirar-lhe o verniz caseoso, uma camada de gordura esbranquiçada que facilita o deslocamento através do canal do parto. Hoje, já não se pratica porque se sabe que o protege do frio e das infecções nos primeiros dias de vida e que se solta quando deixa de ser necessária.

Confirmação! O segundo exame realiza-se no colo da mamã

Terminados os cuidados mais urgentes, o bebé pode descansar no regaço da sua mãe. Os médicos e os enfermeiros ensinam a mulher a amamentar o bebé recém-nascido, se bem que nos partos com cesariana (ou que tiveram complicações) seja preciso esperar algumas horas.

Em muitas maternidades, a profilaxia (vitamina K e pomada ocular) efectua-se nos braços maternos. E também, quando um bebé fica internado na unidade de cuidados intensivos, os médicos autorizam a entrada dos pais até à sala para que vejam o seu filho e o acariciem regularmente.

Segundo explica a pediatra Maria das Dores, «na sala de partos procura-se fazer o imprescindível, para incomodar o menos possível o bebé, que acabou de sofrer um choque na sequência do parto. Quando já se adaptou ao novo ambiente, realiza-se um segundo reconhecimento mais completo, a cargo do pediatra, que ausculta de novo o bebé, analisa a cor da pele, os reflexos e o tónus muscular, examina a face, comprova a formação dos principais órgãos, as fontanelas.»

O exame volta a praticar-se coincidindo com a alta médica da mãe. É o momento para comentar com o médico as dúvidas que surgem com o cuidado do bebé, a cura do umbigo ou a alimentação. Ultrapassada a porta do hospital, será o pediatra quem supervisiona a evolução do recém-nascido.

Os reflexos vitais, como respirar e tossir, são inatos e mantêm-se durante toda a vida, mas há outros reflexos ancestrais como o de Moro, que ajudam o bebé a proteger-se do novo ambiente e desaparecem com o tempo ou são substituídos por comportamentos controlados pelo cérebro. Regra geral, o médico confirma-os no segundo reconhecimento, a seis ou a doze horas do parto.

Procura

Ao acariciar a comissura dos lábios ou a maçãs o rosto do bebé, ele volta-se para onde foi tocado e abre a boca em busca de comida (se lhe tocam na maçã do rosto direita, volta-se para esse lado). Por isso é tão eficiente roçá-los com o peito antes de lhes dar de mamar.

Sucção

Quando o médico introduzir o dedo mínimo entre os lábios do bebé, o bebé começa a chupar e suga várias vezes. Este reflexo, que desaparece por volta do sexto mês de vida, começa ainda na gestação. Nas ecografias pode-se observar como o futuro bebé chupa o dedo e ingere pequenas quantidades de líquido amniótico.

O reflexo de Moro

O pediatra coloca a criança sobre uma caminha e deixa-o cair ligeiramente para trás. Então, o bebé sobressalta-se e, embora seja incapaz de manter a cabeça erguida, estica os braços para trás tentando manter o equilíbrio. A seguir, estende-os para a frente, flectindo os cotovelos como se fosse abraçar o médico, e começa a chorar. Isto permitia-lhe agarrar-se à sua mãe no caso de queda. O reflexo dura cerca de três ou quatro meses.

De marcha

Se o médico introduzir os dedos indicador e o mínimo debaixo das axilas e o erguer com cuidado sobre uma superfície plana deixando que as pontas dos seus pezinhos toquem «o chão», o bebé ergue automaticamente uma perninha e move-a como se quisesse andar. Esta reacção costuma desaparecer por volta do segundo mês: não é necessária para a sobrevivência durante o primeiro ano.

Preensão palmar

Todos os bebés se agarram por instinto e com uma força assombrosa qualquer objecto que roce a palma da sua mão: um dedo ou a chupeta. Este reflexo desaparece por volta do terceiro mês.

Preensão plantar

É semelhante ao reflexo anterior. Os bebés também dobram com força e para dentro os dedinhos do pé quando sentem uma leve pressão na planta. Também desaparece por volta do terceiro mês.

Endireitar

Ao agarrar a criança por debaixo dos braços, ao nível das axilas, e deixar que pouse os pés sobre uma superfície, o médico observa como mexe consecutivamente os joelhos, o tronco e a cabeça num autêntico esforço para se endireitar. Costuma desaparecer por volta do terceiro ou do quarto mês.

De espadachim A revisão continua pelo peito (observa-se se a sua curvatura é normal) e pelas clavículas, para ver se estão em perfeito estado.

Quando o bebé superou o choque do parto, realiza-se uma análise mais detalhada dos genitais externos e das extremidades.

Depois examinam-se os reflexos, como o da preensão: se o bebé sente algo na mão, deve agarrá-lo fechando os dedos com força.

Outros exames ao bebé – Provas metabólicas

A análise de uma gota de sangue do calcanhar (nas primeiras 48 horas de vida ou poucos dias depois) detecta doenças extremamente difíceis de diagnosticar, que podem ocasionar futuramente problemas físicos e psíquicos sérios. Com a detecção e o tratamento precoces, os afectados podem desenvolver-se com normalidade:

Hipotiroidismo (falta de desenvolvimento da tiróide): pode provocar atraso mental. Controla-se administrando uma hormona (tiroxina) durante toda a vida ou, pelo menos, no período de crescimento.

Fenilcetonuria ou incapacidade para metabolizar a fenilalanina (um aminoácido que abunda no leite dos animais, incluído o materno): pode causar transtornos neurológicos e alterações de conduta se não se instaura um tratamento alimentício adequado.

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