Amnésia

A amnésia é um distúrbio do funcionamento da memória, durante o qual o indivíduo é incapaz de manter ou recuperar as informações armazenadas anteriormente, ou seja, sofre de perda de memória. As causas da amnésia podem ser orgânicas ou funcionais. As causas orgânicas incluem danos no cérebro causados por uma doença ou trauma, ou pelo uso de determinados medicamentos (em geral, sedativos).

As causas funcionais são fatores psicológicos, e surgem como mecanismos de defesa. A amnésia histérica pós traumática é um exemplo deste fator. A amnésia também pode ser espontânea, como no caso de amnésia global transiente (TGA por sua sigla em Inglês) que tem o seu maior número de casos em pessoas de meia-idade e, em especial idosos do sexo masculino e, geralmente, dura menos de 20 horas.

Outros causadores são tambem o alcool e a eletroconvulsoterapia (ECT), tambem conhecida por electroconvulsivoterapia ou eletrochoques.  A última causa, a (ECT) é uma terapia convulsiva usada em tratamentos psiquiatricos, como no tratamento da depressão.

Ela funciona por meio de energia elétrica (100 volts), que são aplicados no cérebro durante um curto período de tempo, muito menos de um segundo. Esta terapia provoca perda de memória, ambas, amnésia retrógrada e anterógrada (principalmente a retrógrada), porém na maioria dos casos é apenas uma perda temporária.

Friedburg em (1977) descobriu que o paciente a esta submetido leva de 5 a 10 minutos após a ECT para lembrar-se de quem é, onde está e que dia é hoje. E Brody (1944) assistiu a um caso de uma mulher que se esqueceu completamente como se cozinhava após terminar a terapia, os 2 casos são exemplos de amnésia retrógrada.

Este tratamento tem imensos efeitos colaterais e riscos para a saúde. No entanto, e felizmente, este tratamento só é utilizado em ultimo recurso, quando determinada terapia medicamentosa fracassa e os doentes com depressão grave estarão dispostos a experimentá-la para se livrar da doença.

Tipos de Amnésia

De classificação cronológica:
Amnésia anterógrada
Amnésia retrógrada

De classificação etiológica:
Amnésia traumática
Amnésia Dissociativa
Amnésia lacunar
Amnésia infantil
Amnésia global
Amnésia pós hipnótica
Amnésia psicogênica
Síndrome de desconfiança na memória - É um termo inventado pelo psicólogo Gisli Gudjonsson para descrever uma situação em que a pessoa é incapaz de confiar na sua própria memória.

Os laboratórios farmacêuticos investigam substâncias capazes de reforçar as capacidades intelectuais do cérebro e de potenciar a memória ou evitar a sua perda. Os resultados começam a ser conhecidos.

Não sabe onde deixou as chaves do carro? Por detrás de um esquecimento tão simples e comum oculta-se um processo cerebral extremamente complexo. Conhecem-se já as moléculas responsáveis pela memória, a localização dos centros cerebrais onde se processa e armazena a capacidade de recordar e alguns compostos que actuam sobre os sinais químicos necessários para aumentar a capacidade de retenção. O próximo passo consiste em aplicar todos estes conhecimentos na produção de verdadeiros “antídotos para a amnésia”.

Cientistas norte americanos ensaiaram com sucesso uma nova família de medicamentos, denominados ampaquinas, em pessoas afectadas pela doença de Alzheimer. São algumas das várias substâncias sintéticas capazes de potenciar os sinais químicos que o cérebro utiliza para fazer passar os impulsos eléctricos de um neurónio para outro.

Os neurologistas crêem ser possível estimular e reforçar a memória, ou evitar a sua perda, mediante compostos químicos que actuam nas sinapses, os pontos de contacto das terminações das células nervosas que se deterioram à medida que envelhecemos.

Processo complexo

Quando começou a ler este artigo activaram-se imediatamente determinadas células nervosas, na parte superior esquerda do seu cérebro, que contêm informações sobre a forma gráfica e sonora das palavras. Daqui partem mensagens químicas, destinadas a outras células, localizadas na parte frontal do cérebro, na zona da testa, que contêm informações sobre os possíveis significados das palavras, e respondem de imediato.

Logo que recupera o significado de um vocábulo o cérebro envia uma ordem para que os olhos saltem para a palavra seguinte. A leitura avança e os significados ambíguos e as referências incompletas tornam-se claros. Os neurónios comunicam entre si em milésimos de segundo, o cérebro extrai informações e envia ordens para avançar em décimos de segundo, e a compreensão de um parágrafo demora escassos segundos.

É assim que funciona a memória humana, a assombrosa faculdade que permite que nos lembremos dias, meses e até anos depois de algo que lemos, se nos agradou ou impressionou, ou se nos exigiu um esforço especial para o memorizar.

Agora os cientistas estão a perscrutar os mistérios desta capacidade do cérebro e procuram mecanismos químicos para a estimular.

Estudos

Nos Estados Unidos o neurofarmacologista Gary Lynch e os seus colegas da Universidade da Califórnia conduziram um estudo no Instituto Nacional de Saúde envolvendo doentes com Alzheimer a quem foram administradas ampaquinas, uma das muitas substâncias químicas de síntese capazes de intensificar os sinais químicos que o cérebro utiliza para en-viar impulsos eléctricos de um neurónio para outro.

Numa outra experiência anterior, publicada em 1997, alguns jovens submetidos a uma série de provas após tomarem ampaquinas aumentaram a sua memória imediata e a capacidade de aprendizagem em cerca de 20 por cento. Noutro estudo, homens entre os 60 e os 70 anos chegaram a duplicar a sua memória imediata após tomar o composto.

Para Lynch estes resultados são encorajadores, já que as ampaquinas foram concebidas para que as sinapses, os elementos de interligação das células cerebrais, respondam melhor aos sinais químicos naturais que desencadeiam os mecanismos de aprendizagem do cérebro.

As moléculas de glutamato encarregam- -se de transportar os sinais bioeléctricos que se produzem entre as sinapses; as ampaquinas intensificam estes sinais ao estimular os receptores cerebrais responsáveis por responder ao glutamato.

Os investigadores são unânimes em como é possível ajudar os doentes de Alzheimer, que sofrem de perdas marcadas de sinapses, mas não conseguem chegar a um consenso quanto à possibilidade de remediar os efeitos do envelhecimento normal do cérebro.

Experiências

As provas de que a mente absorve a informação ajustando a força dos enlaces entre os neurónios (sinapses) são cada vez mais sólidas. Começam agora a aparecer medicamentos e técnicas que permitem aumentar ou diminuir, com grande precisão, o limiar de aprendizagem das sinapses em animais de laboratório.

Segundo alguns peritos, o cérebro humano memoriza associando determinados padrões de actividade eléctrica à informação; para que se recorde é apenas necessário recriar esses padrões. Este processo pode estar associado ao reajustamento das sinapses, afirmam eles.

As investigações em ratos cujas células cerebrais foram manipuladas por técnicas de engenharia genética mostram que mesmo manipulações ligeiras das sinapses podem produzir profundas alterações cognitivas. Os cientistas conseguiram bloquear os mecanismos de aprendizagem, produzindo assim “ratos estúpidos”, mas alguns dos peritos acreditam que será igualmente possível intensificar esses mecanismos.

Os neurólogos crêem que se pode estimular, reforçar ou evitar a perda a memória graças a compostos que actuem sobre as sinapses, que se perdem à medida que envelhecemos.

Para além das ampaquinas, ensaiadas com bons resultados por Gary Lynch em ratos de laboratório, uma das grandes apostas para modificar a memória humana são os factores de crescimento, possíveis moduladores de muitas faculdades cerebrais.

Graças às técnicas de imagem que permitem ver o funcionamento do cérebro em tempo real, detectaram-se indícios que este órgão modifica permanentemente a sua estrutura microscópica. Crê-se que esses factores de crescimento podem actuar a níveis distintos, e influir, por exemplo, nas funções das sinapses.

Todavia, antes de ser capaz de modificar a seu belo prazer a memória humana, uma das faculdades mais enigmáticas desse grande desconhecido que é o cérebro, a ciência tem ainda de esclarecer muitas incógnitas. Sabemos que há uma memória imediata (que retém sem esforço, durante alguns segundos, informações, como o local onde deixámos as chaves), uma memória de trabalho (a que utilizamos para fazer contas de cabeça) e uma memória de médio prazo, que armazena dados ou factos não muito importantes durante dias ou meses.

Geografia da memória

Existe também uma memória de longo prazo que nos permite recordar o que fizemos numa noite há 20 anos, ou questões fundamentais, como quem somos, a que nos dedicamos, e quem pertence à nossa família.

Temos outros tipos de memória, como a que possuímos à nascença, a corporal, a das palavras, números ou factos, uma especializada em imagens e ainda uma outra que guarda os rostos das outras pessoas. Do mesmo modo existem conteúdos de memória inconscientes que podem acompanhar-nos toda a vida e marcar a forma como nos relacionamos com o mundo. Mais, a faculdade a que chamamos memória desempenha três operações distintas: gravação, recuperação e reconhecimento de que o que recuperámos é uma recordação.

Nas estruturas cerebrais importantes para a memória figuram o hipocampo, que desempenha um papel-chave no processamento da memória consciente antes do seu armazenamento no córtex cerebral, e que, segundo recentes investigações, parece ser importante para a génese das memórias inconscientes envolvidas nas respostas condicionadas.

As emoções parecem ser as organizadoras da capacidade de retenção, tendo a capacidade de activar certos sectores da memória e de excluir outros. Assim, uma recordação desagradável pode apagar-se, ou permanecer inacessível, e chegamos mesmo a recordar-nos de factos que julgamos terem ocorrido quando isso nunca sucedeu.

 
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