Anemia Falciforme

A Anemia Falciforme é uma doença hereditária, incurável, causada por uma alteração dos glóbulos vermelhos do sangue que adquirem formato de foice, dificultando a sua passagem pelos vasos sangüíneos, causando fortes dores e que tem maior incidência na etnia negra.

Para a Associação de Anemia Falciforme do Estado de São Paulo a criança com esta moléstia deve ser encorajada a participar de todas as atividades da escola. Ela precisa de desafios para ser estimulada.

Os alunos com este problema apresentam palidez, cor amarelada no branco dos olhos, fraqueza, tristeza, baixas em peso e altura, atraso no desenvolvimento sexual, dificuldade no aprendizado e derrames cerebrais podendo chegar a morte.

A mesma entidade indica que a Anemia Falciforme atinge 1 em cada 1.000 crianças nascidas. No Brasil, 85% das pessoas que adquiram a moléstia não ingressaram no mercado de trabalho. A expectativa de vida de uma pessoa com Anemia Falciforme é de 30 anos no Brasil.

Já a Organização Mundial de Saúde aponta que um quarto destes portadores morrem antes de completar cinco anos de idade e outros 70% antes dos 25 anos.

A moléstia não tem cura, mas se detectada no bebê após o seu nascimento pode ser tratado, garantindo assim, melhor qualidade de vida à pessoa.

Informação para medicos e estudantes de medicina:

ANEMIA FALCIFORME – SINTOMAS, CAUSAS E CARACTERISTICAS DO DIAGNOSTICO

Esta é Causada pela substituição da glutamina por valina na sexta posição da cadeia beta. Os principais sintomas são episódios recorrentes de febre com dor nos braços, nas pernas ou no abdomen desde o início da infancia.

Esplenomegalia apenas no início da infancia; icterícia, palidez; os adultos têm asplenia funcional.

Anemia e contagem de reticulócitos elevada com afoiçamento irreversível das células no esfregaço de sangue periferico; níveis elevados de bilirrubina indireta, LDH; teste de afoiçamento positivo; hemoglobinas S e F na eletroforese.

COMPLICAÇÕES DA ANEMIA FALCIFORME
As complicações incluem osteomielite por Salmonella, aumento acentuado da incidência de infecções por microrganismos encapsulados e complicações isquêmicas em qualquer região hipóxica ou de fluxo lento da circulação (p. ex, intersticio medular dos rins).

Cinco tipos de crises: álgica, aplásica, megaloblástica, sequestro e hemolítica.

História familiar positiva e de anemia hemolítica vitalícia.

DIAGNOSTICO DIFERENCIAL
. Outras hemoglobinopatias
. Febre reumática aguda
. Osteomielite
. Abdome agudo por qualquer causa
. Na presença de hematuria, litíase ou tumor renal

ANEMIA FALCIFORME TRATAMENTO
. Suplementação crônica de ácido fólico oral
. Hidratação e analgésicos
. Hidroxiuréia para pacientes com crises frequentes
. Exsanguineotransfusão parcial para as crises vasoclusivas refratárias, síndrome torácica aguda, acidente vascular encefálico ou ataque isquêmico transitório, priapismo
. Transfusão para as crises hemoliticas ou aplásicas e durante o terceiro trimestre de gravidez
. Vacinação pneumocócica
. Aconselhamento genético

Dica
No que concerne à anemia falciforme: qualquer manifestação que a doença possa causar, o caráter também pode.

Referência
Claster S, Vichinsky Ep: Managing sickle cell disease

Testemunho – Viver com a doença

Publicado pelo usuário José Antonio no dia 2011/09/30

Olá, tenho 26 anos e sou portador da anemia falciforme, o médico descobriu quando tinha dois anos e desde então faço tratamento no Boldrini em Campinas – SP. Quando era criança as visitas ao hospital eram constantes, mas ainda não sabia o que era uma crise de dor.

Tive retardo no crescimento na adolescência e cheguei a fazer uso de testosterona para corrigir, depois meu desenvolvimento foi normal (tenho 1,80 de altura).

Em 2007 tive uma úrlcera no tornozelo que no inicio, antes da pele abrir cheguei a pensar que era micose! Para fazer o curativo tinha que injetar morfina para suportar a dor, o curativo era feito com Bota de Unna (muito eficaz) a cicatrização demorou cerca de um mês, no meu ponto de vista muito rápido.

Há dois anos atrás tive uma crise de dor, muito forte começou nas costas e ia para os braços… a dor começou com um incômodo nas costas mas não dei atenção, lembro que estava deitado assistindo televisão. Alguns minutos mais tarde fui tomar banho e a dor veio com tudo do nada, foi o tempo de enrolar na toalha e abrir a porta gritando a minha mãe.

Já no hospital, tomei soro com algum remédio para dor, fui atendido no pronto socorro e acredito que o médico não sabia o que estava acontecendo comigo de fato, algumas horas mais tarde conseguiu entrar em contato com o meu hematologista… fui pra casa na mesma noite. Desde então faço tratamento com hidroxiuréia e nunca mais tive outra crise.

Em relação á minha vida escolar a anemia atrapalhou mais na infância, mas não cheguei a perder nenhum ano e hoje sou formado em Administração de Empresas.

Levo uma vida normal como qualquer outra pessoa da minha idade, canso mais facilmente, mas só percebo quando faço atividade física muito intensa, não pratico esporte por falta de interesse, a anemia não me impede.

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Cheguei a praticar musculação por um ano e tive bons resultados, interrompi por falta de tempo, na época cursava faculdade à noite e trabalhava durante o dia.

Confesso que não faço o meu tratamento como deveria, cheguei a ficar 3 anos sem ir ao médico para fazer exames de rotina e tambem não tomo remédio com rigor. Vou ao médico somente quando tenho uma gripe mais forte, com febre, que no caso do paciente falciforme tem que ser tratado o mais rápido possível para não dar mais complicação.

Ultimamente estou mudando o meu pensamento, como diz a minha médica: ” Você aparece aqui só para apagar o fogo, aqui não é pronto socorro”.

Ou seja, a anemia falciforme tem que ser acompanhada de perto com rotina de exames no mínimo anual, não adianta correr para o hospital depois que der alguma complicação, o tratamento tem que ser preventivo.

A anemia falciforme tem vários níveis de intensidade, felizmente consigo conviver bem com a minha, nesses anos de hospital presenciei casos bem mais graves que o meu.

Como havia dito anteriormente, estou mundando o meu pensamento e ficando mais disciplinado com a minha saúde. É o peso dos 26 anos, passou da hora de criar juizo!!!

Sei que a expectativa de vida é menor mas sou totalmente desencanado, Deus sabe o que faz. Desculpem o texto longo, mas acho legal compartilhar a minha experiência.
Abraço!

Obrigado pelo seu testemunho José Antonio. O nosso desejo é que seja muito feliz e lute pela concretização de todos os seus sonhos. Tenha uma vida positiva.

Cumprimentos
Administração do blog

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05. Fevereiro 2010 by admin

43 Comentários no Fórum

  1. Oi boa tarde , eu não tenho anemia falciforme, mas convivo com ela na minha familia há 34 anos, meu irmão teve essa doença mas infelizmente não a superou teve muitas complicações nos últimos tempos e não resistiu. é muito triste, pois deveria ter um tratamento mais adequado para essa doença, como por exemplo o Câncer tem tratamento mesmo com toda a gravidade ele tem uma sobrevida a Anemia Falciforme não você não tem muito o que fazer apenas conviver com ela…. Temos que mudar isso… pois a expectativa de vida de um anemico falciformico é muito baixa.

  2. Olá meu nome é Laisa,Infelizmente essa doença não tem passado desapercebido em minha vida. Descobrir essa doença quando tinha oito anos de idade,tive uma crise muito dolorosa de dor, fiquei internada por alguns dias,depois seguir com um tratamento frequente com hematologista. Com o decorrer do tempo não andei mim internando mais desmaiava sempre, por falta de oxigênio. Com 18 anos resolvir mim casar, e como toda mulher eu tinha um sonho de ser mãe, engravidei e fui alertada des de criança que seria uma gravidez de alto risco,mais confiante,seguir com acompanhamento bem de perto como hemato e obstetra mais infelizmente não impediu de eu perder meu bebê com seis meses de gravidez! A pior coisa mim aconteceu. Fiquei na uti em estado bem crítico tive uma pré- eclapsa desenvolvida por conta da anemia falciforme, além disso tive trombose na placenta, minhas plaquetas abaixaram, mar funcionamento nos rins, ataque cardíaco, e ainda tive que passar por cinco procedimentos para que meu bebezinho nascece sem vida, por que não podia fazer uma cesariana porque eu poderia vir a óbito por perder muito sangue. E ainda digo que foi os piores procedimentos. Então os médicos aconselham que eu não tente mais uma gravidez. Essa doença é muito perigosa.

  3. Olá, boa noite.
    Eu não tenho AF mas sou interessada no assunto. Leio, pesquiso e gosto de saber os tratamentos na área. Recentemente encontrei uma notícia animadora no site, sobre as possibilidades de cura da doença. Não estou indicando o tratamento mas, socializando e, que os interessados entrem em contato com a instituição ou o veículo de publicação.
    http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/05/1280823-medicos-pedem-aval-para-tecnica-que-pode-curar-anemia-falciforme.shtml

    Atenciosamente,
    Márcia

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