Asfixia (sensação de ficar sem ar)

A asfixia ou sufocação é a sensação de ficar sem respiração. Isto é normal nas pessoas saudáveis que se esforçam fisicamente, mas pode ser um sinal de doença se acontece a um nível muito mais baixo de esforço do que se espera. O princípio que está por detrás da asfixia é uma balança. De um lado, há a necessidade do corpo receber oxigénio por parte dos pulmões. Do outro lado, há o nível de gás desperdiçado (dióxido de carbono ou CO2) que se origina no organismo durante o esforço físico.

Os músculos ao trabalharem bastante com o exercício físico necessitam de mais oxigénio e produzem mais CO2. Os níveis de oxigénio e CO2 são detectados através de células especiais nas principais artérias e estas enviam sinais ao cérebro e ao coração para aumentar os níveis de respiração e pulsação. Isto significa que há mais sangue a ser bombeado por todo o corpo, recebendo mais CO2 dos músculos para ser libertado nos pulmões pela respiração e receber deles mais oxigénio para levar aos músculos. Numa pessoa saudável, a manutenção física irá regular o nível em caso de asfixia. A quanto mais exercício físico regular o corpo estiver habituado, mais eficazes os músculos se tornam. Passam a utilizar melhor o oxigénio e a produzir menos CO2, os pulmões e o coração tornam-se mais eficazes também. É a razão pela qual uma pessoa em boa forma pode fazer mais exercício sem ficar sufocado do que uma pessoa consegue em má condição física.

Algumas doenças podem simular os efeitos de não estar em forma, mas a níveis muito mais baixos de esforço do que o simples exercício físico, pelo que, mesmo atravessar um quarto lentamente, pode ser um grande esforço. Diz-se que a asfixia é aguda se acontecer de repente e com gravidade e crónica quando se desenvolveu gradualmente durante um longo período de tempo. As causas destas duas espécies são, na generalidade, diferentes. Há casos de sufocação que os médicos chamam de psicológicos. Isto significa que são perfeitamente normais e uma reacção natural quando o corpo detecta que o oxigénio no sangue baixou. O oxigénio é tão vital para a vida e a saúde que um tal sistema de controlo é essencial. Na primeira ramificação de cada uma das artérias carótida, as principais artérias que aportam sangue ao cérebro são pequenos amontoados de células chamados de corpos carotideos. Eles são sensíveis aos níveis de oxigénio no sangue que passa a partir do coração. Se este sangue é ainda ligeiramente baixo em oxigénio, os corpos carotideos enviarão mensagens ao longo dos nervos para os centros vitais da respiração no cérebro central.

Os centros da respiração enviam imediatamente mensagens potentes e rápidas aos músculos que levantam e dilatam a parede do tórax e baixam o diafragma. O resultado é um aumento na profundidade e no nível de respiração. Isto é o que entendemos por sufocação. A asfixia por esforço é normal e algo muito positivo. Fazer exercício ao ponto de ficar sufocado diariamente dar-lhe-á um bom vigor. Não só irá manter os músculos da respiração saudáveis, como ainda irá ajudar a fortalecer o seu coração. Com o exercício regular, o músculo do coração pode desenvolver-se mais forte e a sua própria distribuição de sangue pode melhorar novos e pequenos vasos sanguíneos nascem das ramificações das artérias coronárias que o abastecem. Os atletas durante muitos meses ou anos irão expor os seus músculos do coração, da respiração e dos membros a exigências de esforço permanentes e crescentes. Estes músculos irão responder tornando-se mais robustos e demonstrando um fornecimento mais abundante de sangue, pelo que podem fazer uso da glucose e do oxigénio de forma mais eficaz. Esta diferença na boa forma física reflecte-se numa interessante diferença no grau de pulsação. Uma pessoa com excesso de peso, provavelmente tem um grau de pulsação de cerca de 95 por minuto e fica sufocado ao se deslocar para o carro. Um atleta, por outro lado, pode ter um grau de pulsação de 40 e pode saltar quatro lanços de escadas com um escasso aumento perceptível do número de movimentos respiratórios por minuto. Quando não se está em boa condição física por falta de exercício físico adequado, a sufocação é provavelmente a forma mais comum de sufocação anormal. Mas apesar de ser tão comum e se originar de uma tal forma evidente, não deveríamos ser levados a pensar que não é importante. Os mesmos factores que causam esta espécie de sufocação indevida também causam outros problemas que podem conduzir a formas mais sérias de sufocação.

A arteriosclerose é uma doença comum das artérias que pode levar a ataques cardíacos, falha cardíaca, síncopes e outros distúrbios graves. Quase todos os distúrbios do coração podem causar sufocação anormal, por isso a arteriosclerose é, indirectamente, a causa principal de sufocação patológica. É uma doença da vida sedentária, quase restringida às sociedades ricas do mundo desenvolvido. Surge pela ingestão excessiva de um tipo errado de alimentos, obesidade, exercício físico insuficiente, fumo de cigarros e falta de medição ou controlo da tensão arterial. Por isso, as pessoas que estão em piores condições físicas correm algum risco de desenvolver doenças que irão causar formas de sufocação muito mais graves do que a respiração ofegante ao segundo lanço de escadas.

Causas da asfixia:

Causas comuns de sufocação repentina:

  1. asma
  2. pneumonia (infecção pulmonar)
  3. insuficiência cardíaca (bombear insuficiente devido a doença cardíaca)
  4. agravamento repentino de doença pulmonar de longa duração (p. exe. Enfisema)
  5. hiperventilação (excesso de respiração devido a ansiedade)

Causas pontuais de sufocação repentina:

  1. pneumotórax (colapso do pulmão)
  2. embolia pulmonar (coágulo no sangue por trombose profunda da veia)
  3. efusão pleural (líquido em volta do pulmão)
  4. cetoacidose diabética (diabetes muito grave)
  5. colapso do lóbulo pulmonar devido a cancro

Causas raras de sufocação repentina:

  1. pneumonia por inalação (inflamação ao inalar alimento/bebida)
  2. síndrome de Guillain-Barré (doença viral rara)
  3. choque hipovolémivo (perda grave de sangue)
  4. choque pulmonar (sindroma de dificuldade de respiração nos adultos)
  5. obstrução laríngea (bloqueio da caixa de voz)

Causas comuns de sufocação crónica:

  1. obesidade (excesso de peso)
  2. doença pulmonar obstructiva crónica
  3. anemia
  4. insuficiência cardíaca (bombear insuficiente devido a doença cardíaca)
  5. asma

Causas raras de sufocação crónica:

  1. alveolite fibrosa
  2. doença do coração congénita não diagnosticada
  3. doença dos nervos motores e distrofias musculare
  4. sarcoidose
  5. alveolite alérgica extrínseca (pulmão de criador de pássaros)

Conforme indicado, a maioria dos casos de asfixia indevida, surge devido a simples falta de manutenção física, muitas das vezes com consequências mais graves pelo acúmulo de peso adicional e somente representa uma tolerância menos do que razoável ao exercício físico. Este tipo de sufocação pode sempre ser corrigida pelo exercício prolongado e gradual e pela perda do excesso de peso. Mas a sufocação também, por vezes, é um sinal importante de doença ou comportamento patológico. Fazer chegar oxigénio suficiente aos glóbulos vermelhos é tão importante que algo que, mesmo parcialmente, obstrua a via respiratória é sempre um problema grave. Nas circunstâncias que irão sempre causar sufocação por esta razão incluem-se:

  1. espasmo dos brônquios (Asma)
  2. colapso do pulmão, devido à entrada de ar entre o pulmão e a parede do tórax (pneumotórax)
  3. bronquite aguda
  4. bronquite crónica
  5. bronquiectasia
  6. colapso dos alvéolos pulmonares; logo a área de tecido disponível para a passagem do oxigénio está muito reduzida (Enfisema)
  7. Anemia, na qual a capacidade de transportar oxigénio no sangue está reduzida, irá causar sufocação gradual quando submetido a esforços. Qualquer perda da capacidade do coração, qualquer que seja a causa, irá interferir com a eficácia da circulação do sangue e provocar sufocação.
  8. O fumo é uma causa especialmente importante de sufocação por várias razões. Por exemplo, o fumo do cigarro contém monóxido de carbono, um gás venenoso que combina tão fortemente com a hemoglobina que a hemoglobina afectada não pode desempenhar a sua função normal.

Diagnóstico da asfixia:

A asfixia pode estar relacionada a tantas doenças diferentes que o diagnóstico pode realmente apenas ser feito após consulta e exame cuidados por parte de um clínico geral. Se o médico assistente necessitar de mais informação para avaliar o que está errado, serão necessárias análises ao sangue, um RX torácico ou talvez testes de respiração. A asfixia anormal é evidente e necessita sempre de uma pesquisa completa. A sufocação é sempre um sinal de qualquer outro problema clínico e deve ser descoberto.

Cuidados a ter:

Manter-se em forma com exercício físico regular e preservar o peso em níveis aproximadamente normais irá deter a sufocação anormal nas pessoas saudáveis. A sufocação pela falta de manutenção física pode sempre ser reduzida consideravelmente e talvez totalmente prevenida. A idade não é barreira ao sucesso de um programa de exercício e à redução de peso que pode melhorar significativamente a tolerância ao esforço.

Riscos e Complicações:

Existem muitas outras causas de asfixia. As seguintes notas breves abrangem algumas das situações menos comuns características da sufocação. Uma das mais importantes causas de sufocação grave é a insuficiência cardíaca esquerda (Ver Enciclopédia). Isto não significa que o lado esquerdo do coração tenha parado ou que esteja em perigo eminente de acontecer. A insuficiência cardíaca é o estado no qual, como consequência de vários tipos de doença cardíaca, o coração não seja mais capaz de produzir um fluxo adequado de sangue por forma a corresponder às necessidades de oxigénio e de nutrição do corpo. O fluxo sanguíneo para os tecidos e os pulmões é reduzido e retardado. Isto conduz a uma congestão, as veias e outros pequenos vasos sanguíneos tornam-se congestionados com os consequentes sinais e sintomas evidentes. Quando o lado esquerdo do coração é incapaz de libertar o sangue dos pulmões com a rapidez suficiente, a acumulação de líquido nos pulmões causa a sufocação. Isto é o sintoma principal da falha cardíaca esquerda e, pode acontecer, sob esforço moderado ou mesmo quando a pessoa afectada está a descansar. Pode haver ataques de sufocação repentina durante a noite. Sempre que o estado piora, a tendência à sufocação aumenta. Eventualmente, o nível de incapacidade torna-se muito elevado. Se o sangue devolvido pelo organismo ao lado direito do coração não pode ser levado aos pulmões com rapidez suficiente, a isto denomina-se falha cardíaca direita. O resultado é a coloração azul (cianose) e a acumulação de líquido nos tecidos (edema), inchaço do tornozelo, dilatação do fígado e nos casos graves uma considerável acumulação de líquido no abdómen (ascite). Em ambos os lados direito e esquerdo na falha do coração a actividade do paciente está limitada, porque o coração não pode distribuir o necessário oxigénio adicional.

A taquicardia supraventricular é um estado caracterizado por episódios de um nível de aceleração do coração anormal com a duração de horas ou dias. O grau pode ser tão elevado como 300 batidas por minuto, mas normalmente é entre 140 e 180. O estado pode provocar sufocação, dor no peito, reconhecimento alarmante da actividade do coração (palpitações) e debilidade. Os ataques podem ser detidos pelo suster da respiração e compressão forte (a Manobra de Valsalva) ou pelo uso de medicamentos anti arritmicos. Por vezes a cardioversão eléctrica (choques eléctricos no exterior do tórax) é necessária. Os ataques desta natureza requerem cuidados médicos urgentes. O coração está envolto num saco firme e fibroso chamado de pericárdio. Se este fica inflamado (Pericardite) produz uma quantidade excessiva do seu líquido lubrificante que pode conduzir à compressão do coração, um estado conhecido como tamponamento. O mesmo efeito pode resultar de uma lesão com sangramento no interior do saco. O tamponamento evita que o coração se obstrua normalmente e prejudique gravemente a sua função. Isto conduz a sufocação grave e, por vezes, ao colapso por capacidade reduzida do coração. Numa emergência, o líquido pericárdico ou o sangue podem ser removidos através de uma agulha conduzida através da parede do tórax.

A cardiomiopatia é um distúrbio do músculo do coração que reduz o seu poder de bombear o sangue. Há várias causas incluindo o alcoolismo grave de longa duração. O primeiro sinal de problema é o aumento gradual da sufocação quando sujeito a esforços e a consciência evidente dos batimentos cardíacos (palpitações). Não existe qualquer dor aguda no peito de ataque cardíaco ou angina de peito. Se não se consultar apoio médico, a sufocação piora, os tornozelos incham e o líquido acumula-se no peito, porque o coração não pode manter uma circulação suficientemente boa.

A asfixia por vezes pode ter origem psicológica como parte de uma reacção de pânico. Ocasionalmente, pode ainda ser deliberada e usada para propósitos sociais manipuladores. A modalidade mais comum disto é a dramática e histérica sobrerespiração conhecida como hiperventilação. Se isto persistir, demasiado dióxido de carbono é libertado, o sangue torna-se alcalino e os níveis de cálcio baixam.

A baixa de cálcio causa um tipo de espasmo muscular chamado tetania que afecta principalmente as mãos e os pés causando pânico adicional. Contudo, é fácil de erradicar a tetania convencendo a pessoa com hiperventilação a respirar para dentro de um saco de plástico durante um minuto sensivelmente. Outra forma de sufocação tendo uma origem psicológica pode surgir se se repetirem com frequência os movimentos de respiração profundos e ofegantes.

O pulmão de agricultor é uma doença profissional do pulmão contraída pela inalação repetida de pó contendo esporos de fungos da palha com mofo, feno, grãos ou adubo de cogumelos. É uma reacção alérgica nos alvéolos pulmonares. Inicialmente, há ataques agudos de sufocação e tosse com febre e náuseas. Os sintomas abrandam rapidamente, mas se os ataques se permitem prosseguir podem levar, após longos períodos de exposição, a lesão pulmonar na forma de um tecido marcado por uma extensa cicatriz (fibrose). As cicatrizes pulmonares (fibrose pulmonar intersticial) é um assunto sério em que o tecido marcado por finas cicatrizes (fibrose) se desprende gradualmente dos delicados sacos de ar onde o oxigénio passa pelo ar inspirado para o sangue. Isto reduz o tecido funcional disponível e interfere seriamente com a normal passagem do oxigénio do ar para o sangue e com a saída de dióxido de carbono. Como resultado, o sangue pode não obter oxigénio suficiente. A isto chama-se falência respiratória e pode levar à morte.

A fibrose intersticial pulmonar pode também ser causada por irritação crónica derivada de gases químicos ou pós industriais, mas é mais normal ser o resultado de um processo desconhecido, provavelmente de natureza autoimune. Há uma sufocação crescente, dor no peito, tosse e a junção dos dedos, mostrando por RX o típico aspecto de fibrose generalizada. O tratamento pode ser pouco coadjuvante se o estado estiver muito avançado. Contudo, nas fases iniciais, o tratamento direccionado para o distúrbio imunológico com medicamentos imunossupressores, tais como a azathioprine pode ser eficaz.

Tratamento da asfixia:

Dependerá no que se diagnosticar ser a causa de asfixia. O tratamento da asfixia anormal é o tratamento da causa.

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