AVC – Acidente Vascular Cerebral

Geralmente, o acidente vascular cerebral é conhecido pela sigla AVC. No entanto, a doença possui outras expressões, tais como trombose cerebral, isquemia cerebral, e infarto cerebral. Além dessas denominações, temos o AVE (acidente vascular encefálico), e o popular derrame cerebral – a primeira seria a expressão mais adequada, enquanto a segunda é a mais popular.

Partindo desse pressuposto, o texto a seguir trará alguns detalhes acerca do AVC hemorrágico, e o AVC isquêmico.

Conceitos básicos definidores de um AVC

Trombo

Primeiramente, temos o trombo. Trata-se de um coágulo que se forma na corrente sanguínea e se adere à parede dos vasos sanguíneos, o que acaba bloqueando o sangue. O nível desse bloqueio pode ser completo ou limitado. Esse quadro é o que caracteriza a chamada trombose.

Êmbolo

No caso do êmbolo, o trombo também é formado. Entretanto, em vez de permanecer fixo na parede dos vasos sanguíneos ele se desprende e começa a vagar pelo sangue. Ao chegar a um vaso que possua dimensões inferiores, o êmbolo finalmente interrompe seu percurso e causa a obstrução da circulação da corrente sanguínea.

Nessas circunstâncias, o diagnóstico aponta para o caso de uma embolia. A embolia pulmonar é uma das mais conhecidas.

Isquemia

A isquemia acontece quando um determinado órgão, ou tecido, passa a não receber o volume ideal de sangue. Sempre que a falha da circulação sanguínea impactar na execução das funções celulares a isquemia será identificada. Felizmente, caso seja detectado logo no início, o processo pode ser totalmente revertido.

Infarto

Tecnicamente, o infarto é assinalado pelo falecimento celular resultante de uma isquemia que perdurou por muito tempo. Normalmente, o infarto surge em decorrência de uma artéria entupida (o que pode ocorrer mediante a presença de um êmbolo, ou de um trombo).

Dentre todos os tipos, o infarto do miocárdio (que é um músculo cardíaco) é o mais comum. Porém, existem infartos que afetam em outros órgãos e tecidos.

Dessa forma, pode-se concluir que o AVC é caracterizado por um infarto que atinge uma área cerebral. O AVC pode ocorrer devido à formação de um trombo na artéria que liga ao cérebro, ou ainda como consequência de um êmbolo existente em alguma outra parte do organismo, que por sua vez percorre o sangue até ir se depositar em uma artéria cerebral.

Cabe ressaltar que o cérebro é composto por diversos vasos, que ao serem obstruídos (qualquer um deles), acarretam a isquemia, que pode levar ao AVC. Mas, existem diversas variantes de AVC, como será abordado na sequência. Os três primeiros (AVC embólico, AVC trombótico, e AVC causado por choque circulatório), são classificados como AVCs isquêmicos devido ao fato do processo de isquemia ser o fator motivador desses infartos.

AVC embólico

Na maioria dos casos, o AVC embólico (provocado por um êmbolo) provém de um dano gerado no átrio esquerdo do coração. A fibrilação atrial, mais conhecida como arritmia cardíaca, tem como fator motivador mais preponderante uma embolia ocorrida no cérebro.

Durante o processo de fibrilação o átrio deixa de funcionar como deveria. Por conseguinte, essa situação acaba culminando na interrupção do fluxo sanguíneo, circunstância perfeita para que apareçam coágulos no sangue.

Quando ocorre a formação de um coágulo sanguíneo, também chamado de trombo, ele tem grandes chances de se transformar em um êmbolo. Ao se descolar do coração e se direcionar à artéria carótida, esse mesmo êmbolo tende a ir parar na artéria do cérebro. Consequentemente, a presença do êmbolo impedirá que uma região específica do referido órgão receba o devido suprimento de sangue.

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AVC trombótico

O processo que desencadeia a trombose cerebral é idêntico ao que caracteriza um infarto, mas ambos acontecem em regiões distintas do corpo. Assim, enquanto a trombose cerebral acontece em uma artéria cerebral, o infarto ocorre na artéria coronária.

Os indivíduos que detêm excesso de colesterol acabam fazendo com que essa gordura extra se deposite nas artérias, o que leva à constituição de placas, que servem de base para o desenvolvimento dos trombos. Esses coágulos específicos começam a surgir tacitamente, ou seja, não exibem quaisquer indícios de que estão sendo formados. Os primeiros sinais claros que podem apontar para a existência de trombos surgem apenas quando eles já atingiram proporções vastas o bastante para causar o bloqueio do fluxo da corrente sanguínea.

AVC causado por choque circulatório

A terceira hipótese para o infarto cerebral advém de um choque circulatório que ocorre durante um longo intervalo, ou em virtude de uma parada cardíaca. Diferentemente do que acontece com as demais variantes de acidentes vasculares cerebrais (AVC trombótico, e AVC embólico), o referente AVC provoca isquemia em todas as partes do cérebro, consequência dos problemas acarretados na circulação adequada do sangue. Por essa razão, este tipo de AVC é tratado pelos médicos como o mais perigoso.

Os pacientes que venham a sofrer uma parada cardíaca longa estão propensos a apresentar isquemia generalizada no cérebro, quadro que pode resultar em lesões cerebrais irrecuperáveis.

É importante observar que quando se fala em paradas cardíacas prolongadas, esse intervalo é muito curto. Desse modo, se o coração do indivíduo deixar de funcionar por três minutos e nesse tempo não receber o atendimento apropriado, o cérebro já terá sofrido danos profundos.  Mais dois minutos sem atendimento e a morte do órgão pode ser dada como certa.

Também cabe esclarecer que o atendimento médico nem sempre resulta na salvação do paciente. Isso porque o cérebro consegue se manter vivo somente durante um certo limite de tempo. Logo, caso o processo de ressuscitação não obtenha resultados satisfatórios após 10 minutos, dificilmente o paciente conseguirá sobreviver.

Fatores de risco inerentes aos AVCs isquêmicos

Dentre os fatores mais preocupantes que favorecem o desenvolvimento de AVCs isquêmicos estão o hábito de fumar, obesidade, hipertensão, diabetes, fibrilação dos átrios, índice de colesterol elevado, e idade avançada.

Na maioria das vezes, o AVC acomete indivíduos que já tenham ultrapassado a barreira dos 50 anos e apresentem um ou mais dos fatores citados há pouco. Entretanto, o número de infartos tem crescido nos últimos anos, já que para que aconteçam basta que o corpo detenha alguma enfermidade inflamatória que afete os vasos sanguíneos (lúpus, fator V de Leiden, vasculite, ou anticorpo antifosfolipídio).

AVC - Acidente Vascular Cerebral

Acidente vascular cerebral hemorrágico

Os AVCs categorizados como isquêmicos representam cerca de 85% dos diagnósticos de infarto. Porém, ainda existe uma outa vertente do problema: o acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Este AVC decorre do rompimento de um dos vasos cerebrais, culminando em uma hemorragia no interior do crânio. De uma forma geral, o acidente vascular cerebral hemorrágico é resultado da fragilidade estrutural da parede de uma das artérias  do cérebro.

Dentre as causas mais comuns relacionadas ao desenvolvimento do acidente vascular cerebral hemorrágico estão o vício do cigarro, histórico de aneurismas cerebrais, vasculites, hipertensão, vasos cerebrais mal constituídos, e utilização de remédios que interferiam no processo de coagulação sanguínea (varfarina, e heparina são dois bons exemplos).

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O acidente vascular cerebral hemorrágico é bem mais preocupante que os tipos isquêmicos porque há mais as chances dele afetar uma região maior do cérebro.

Considerando que caixa craniana não consegue se estender, ao sofrer hemorragias intensas o cérebro acada sendo comprimido contra ela. Esse quadro pode provocar danos aos neurônios e levar o paciente à morte.

Tipos de AVC hemorrágico

As hemorragias que caracterizam o acidente vascular cerebral podem ser do tipo subaracnoide, ou intracerebral, também chamado de intraparenquimatoso. A primeira causa um sangramento no espaço situado entre a membrana que reveste o cérebro (meninge) e o próprio órgão. Já na segunda a hemorragia se limita ao interior do cérebro.

De uma forma geral, o acidente vascular cerebral, essencialmente quando envolve uma hemorragia no interior do cérebro, costuma terminar em morte ou deixar o paciente com muitas sequelas. Estatisticamente, o falecimento é a consequência em mais de 50% dos casos, sendo que menos de 10% dos pacientes consegue sobreviver sem ter de conviver com complicações graves.

Em situações nas quais os sangramentos sejam muito densos e provoquem desmaios do paciente, a mortalidade alcança o temerário índice de 90%.

Principais sintomas, e consequências do AVC

Os sinais que apontam para a ocorrência de um acidente vascular cerebral variam conforme a região do órgão que tenha sido afetada. Normalmente, a gravidade do problema é diretamente proporcional à abrangência da região impactada. No entanto, é preciso ressaltar que mesmo sendo de pequeno porte, os infartos que envolvam regiões muito importantes são igualmente prejudiciais à saúde cerebral.

Dentre todos os sintomas que costumam estar ligados ao acidente vascular cerebral, os que merecem destaque são: boca torta e dificuldades para falar, perda de visão parcial ou total, visão dupla, perda de consciência, coma, desorientação que culmine em falas incongruentes, modificação dos músculos do rosto, perda da força (ou paralisia) em um lado específico do corpo (ou em um único membro), e convulsões.

A perda de sensibilidade (parcial ou total), ou dormência, em somente um único membro é considerada normal e tendem a não conter qualquer relação com o AVC. Na verdade, sinais como esses significam que o paciente possa ter algum problema de coluna, ou mais precisamente algum dano que tenha sido causado sobre os nervos periféricos. Um AVC típico produz perda da força, e provoca paralisias.

Crises de histeria, ou de ansiedade, podem se passar por sintomas de um acidente vascular cerebral. Entretanto, a maior parcela dos médicos está apta a se desvencilhar desse equívoco sem grandes problemas. Isso porque esses sintomas não detêm uma lógica que alimente um padrão neurológico. Logo, por mais que algumas circunstâncias levem familiares e o próprio paciente a acreditarem na ocorrência de um AVC, o médico pode rapidamente chegar à conclusão de que tudo não passa de uma crise de histeria.

Com exceção de uma profunda cefaleia que costuma surgir nos casos de acidente vascular cerebral hemorrágico, o AVC em si não chega a provocar dores.

É extremamente comum que o AVC atue como um catalisador para o desenvolvimento da pressão arterial. Por conta da ausência de circulação sanguínea nas regiões cerebrais afetadas pelo acidente vascular cerebral, o organismo entra em alerta máximo, realizando todos os esforços possíveis para que o sangue seja distribuído a essas áreas. Consequentemente, a pressão das artérias tende a ser ampliada.

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Segundo os parâmetros médicos, a pressão arterial decorrente destas situações jamais deve ser controlada, uma vez que a redução brusca do índice pode agravar o estado da isquemia cerebral. Sempre que houver alguma desconfiança quanto ao AVC, o paciente deve ser submetido à avaliação médica para que possa receber atendimento apropriado.

Em se tratando de um acidente vascular cerebral hemorrágico, o estado do paciente pode progredir em um tempo muito curto. Tudo dependerá da região do órgão que tenha sido afetada e, substancialmente, da proporção do AVC. Exemplificando, o indivíduo que tenha sofrido um AVC hemorrágico pode começar a se queixar de um simples mal estar e, subitamente, ficar inconsciente e apresentar uma PCP (parada cardiorrespiratória).

Por fim, outro dado importante é que 1/3 dos pacientes vítimas de derrames passam pelo problema enquanto dormem, percebendo modificações no corpo apenas após acordar.

AIT (Ataque isquêmico transitório)

O AIT é caracterizado pela dissipação dos sintomas do AVC durante um período inferior a 24 horas contadas a partir da ocorrência. Em outras palavras, o AIT é considerado pelos médicos como um derrame parcial. Geralmente, o AIT resulta de um processo de reversão espontânea da isquemia antes que o acidente vascular cerebral aconteça.

Em contrapartida, as pessoas que venham a ter um AIT devem receber uma atenção especial de um neurologista, já que detêm um risco significativo de vir a sofrerem AVC no futuro.

Medicamento trombolítico

Atualmente, diversas pesquisas com medicamentos acabaram resultando no desenvolvimento dos denominados trombolíticos. Esse tipo de remédio é capaz de eliminar êmbolos e trombos, dando fim ao processo isquêmico e, assim, evitando o acidente vascular cerebral.

Entretanto, esses medicamentos agem somente até as quatro primeiras horas posteriores ao AVC, apresentando uma eficácia maior quando utilizados no decurso da primeira hora após o acidente vascular cerebral.

O que fazer diante de um AVC

Ao menor sintoma de AVC o indivíduo deve ser encaminhado para um hospital o mais rapidamente possível. Desse modo, jamais se deve aguardar a suposta melhora do quadro. O raciocínio também se aplica às ocorrências noturnas, pois independentemente do horário o paciente deve receber pronto atendimento médico. Na ausência de veículo para transportar a vítima, uma ambulância deve ser solicitada o quanto antes.

Nessas situações, é comum que as pessoas presentes não saibam identificar qual é a razão do mal estar do indivíduo, afinal somente um médico pode realizar o diagnóstico correto. Por isso, o paciente não deve receber nenhuma medicação. Na dúvida, a melhor resposta e saída serão a procura por um pronto socorro. O uso de remédios trombolíticos é uma decisão que cabe única e exclusivamente ao corpo médico.

No que tange ao uso de medicamentos trombolíticos, é imprescindível enfatizar que sua ação se restringe aos acidentes vasculares cerebrais do tipo isquêmico. Portanto, NUNCA se deve usar esses remédios para tratar AVCs hemorrágicos. Além disso, a definição da variante de AVC só pode ser conhecida mediante um exame de tomografia cerebral computadorizada.

Caso o paciente seja diagnosticado com um acidente vascular cerebral hemorrágico, não está descartada a hipótese de intervenção cirúrgica emergencial. Geralmente, o procedimento cirúrgico é exigido quando o cérebro está sofrendo uma forte compressão. Extremamente delicada, essa cirurgia efetua a retirada do coágulo causador do problema, além de providenciar a remoção de um trecho da caixa craniana com o objetivo de acabar com a compressão.

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19. Março 2015 by Fabricio

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  1. NO PROCESSO DE EMBOLIA CEREBRAL É COMUM O APARECIMENTO DE COÁGULOS OU CAROÇOS NA CABEÇA?

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