Cancro da Bexiga

O cancro da bexiga é três vezes mais comum nos homens do que nas mulheres. Isto pode ser devido a que os homens têm mais frequentemente sido expostos a substâncias cancerígenas na indústria. São substâncias hoje geralmente proibidas, que já não devem ser utilizadas, mas há um desfasamento de vários anos após a exposição e antes do desenvolvimento do cancro. Veja o que determina um cancro.

O cancro da bexiga também está relacionado com o fumo e, por isso, pode tornar-se mais frequente nas mulheres, dado que estas estão a fumar mais do que era habitual. O cancro da bexiga é mais comum nas pessoas de raça branca do que na negra e a média de idade do diagnóstico é de 65 anos.

Na altura do diagnóstico, cerca de 85% dos cancros da bexiga continuam a estar limitados apenas este a órgão. Os restantes alastraram aos gânglios linfáticos mais próximos ou distantes. O cancro pode afectar os canais que partem dos rins para a bexiga – ureteres, mas o cancro na bexiga propriamente dito é 50 vezes mais comum do que o dos ureteres.

A bexiga é uma bolsa muscular situada na linha central da pélvis no ponto mais baixo do abdómen, imediatamente por detrás do osso púbico. Há três camadas principais na parede da bexiga. De dentro para fora, existem as membranas mucosas, a camada muscular de fibras circulares e longitudinais e a camada exterior, o peritoneu. A bexiga recebe continuamente urina dos rins através dos dois ureteres, relaxando progressivamente para alojar a urina e guardá-la até que possa ser convenientemente expelida. Uma bexiga cheia contém cerca de 350 ml de urina e, apesar da pressão, é retida pela contracção mantida pela primeira parte do tubo de saída uretra – que actua como um controlador da compressão – esfíncter ou músculo anular.

Em circunstâncias normais, a acumulação da urina ocorre inconscientemente até que a pressão na bexiga atinge um nível de cerca de 20 cm de água, altura em que o desejo de urinar faz o seu percurso na consciência. O relaxamento voluntário do esfíncter permite que a urina passe para o exterior através da uretra.

Mas se o desejo de urinar é deliberadamente reprimido, a pressão na bexiga continuará a aumentar até que, a uma pressão de cerca de 100 cm de água, a bexiga esvazia-se espontânea e involuntariamente.

O cancro da bexiga constitui cerca de 7% dos novos cancros nos homens e cerca de 3% dos novos cancros nas mulheres – novos significa não considerar os tumores da bexiga que são secundários. É três vezes mais comum nos homens do que nas mulheres, possivelmente porque alguns dos factores industriais que estão na origem afectam mais os homens. Os agentes causadores de cancro podem atingir a mucosa da bexiga de duas formas podem ser transportados no fluxo sanguíneo ou pela urina. No último caso permanecerão em contacto com a mucosa durante algum tempo, por vezes durante horas.

O cancro da bexiga tem sempre o seu início na mucosa. Nas primeiras fases está confinado a esta camada e é denominado carcinoma in situ. Durante algum tempo o cancro cresce somente para o interior da bexiga. Se for detectado nesta altura, pode haver cura por mero tratamento localizado sem abrir a bexiga (ver descrição sobre cistoscopia. Infelizmente, o exame para diagnóstico nesta fase não é frequente.

Na fase seguinte o cancro alastra para o exterior, sendo mais extenso na parede da bexiga. A invasão da camada muscular é uma fase definitiva e importante na evolução do tumor. Ao mesmo tempo o cancro irá aumentando na superfície interior e irá propagar-se lateralmente.

O cancro em evolução continuará a crescer justo pela parede da bexiga para invadir o peritoneu ou os outros tecidos no exterior da bexiga. Enquanto o cancro estiver confinado à mucosa, é pouco provável a propagação aos nódulos linfáticos mais distantes. Contudo, quando o músculo da parede da bexiga é atingido, cerca de 13% dos cancros também se terão alastrado aos nódulos linfáticos.

Causas do cancro da bexiga

As causas da maioria dos cancros da bexiga persistem duvidosas, mas algumas causas são conhecidas. Estas incluem:

os produtos com alcatrão derivado do tabaco contraídos pelo fumo do cigarro e libertados na urina
certos químicos como as tintas de anilina, beta-naftilamina e benzidina
alguns químicos encontrados na indústria da borracha
medicamentos como a ciclofosfamida
inflamação da bexiga de longa duração
a doença parasitária africana – schistosomiase
a presença de pedras na bexiga

As alterações no revestimento da bexiga que conduzem ao cancro ocorrem gradual e progressivamente. Os mais importantes dos factores causais conhecidos são as substâncias alfa e beta-naftilamina que são expelidas na urina dos fumadores de cigarro. Acredita-se que o fumo de grande quantidade de cigarros seja a causa em metade dos casos nos homens e um terço dos casos nas mulheres.

A exposição a químicos pela profissão, especialmente nas indústrias da borracha, petrolífera, de curtumes e tinturaria, provavelmente causa cerca de 30% dos casos nos homens. Os adoçantes artificiais foram, a uma determinada altura, suspeitos de causar cancro da bexiga, mas diversas pesquisas falharam a confirmação de qualquer ligação causal.

Os oncogenes são genes que causam cancro. Os genes supressores regulam a reprodução das células e podem efectivamente impedir que os oncogenes actuem. Em quase todos os cancros da bexiga, as células cancerígenas mostram uma perda de parte do braço maior do cromossoma número 9. Muitos cancros da bexiga também evidenciam perda dos pequenos braços dos cromossomas 11 e 17. Supõe-se que o cancro possa ser causado pela perda dos genes supressores.

Sinais e sintomas de cancro da bexiga

Em cerca de metade das pessoas que apresentam sinais de cancro da bexiga (ver cancro em geral), o tumor está ainda na fase inicial, está confinado ao revestimento interior da bexiga e pode rapidamente ser destruído por meio de cirurgia directa.

Tais cancros iniciais podem ser destruídos por radiação a laser ou queimados com um ferro quente (cauterização) que atravessa o cistoscópio. Alguns casos são tratados pela introdução de medicamentos anticancerígenos directamente na bexiga.

Infelizmente, na grande maioria das pessoas, o cancro é descoberto mais facilmente na fase em que já se alastrou profundamente na parede da bexiga, localmente na parte inferior do abdómen ou largamente por todo o corpo. Nestes casos, o aspecto é pior. Se o cancro se propagou para a parede da bexiga, será necessário uma cirurgia mais alargada e radioterapia. Pode ser necessário remover a bexiga na totalidade.

Diagnóstico – Como se Diagnostica:

A urina pode ser testada quanto à presença de células cancerígenas. Os exames efectuados após injecção de uma substância corante rádio-opaca ( que aparece nas radiografias) pode mostrar uma massa na bexiga. O diagnóstico pode ser confirmado pelo exame directo do interior da bexiga através de um tudo de observação (endoscópio) chamado de cistoscópio. Um outro método de confirmação utiliza a tomografia computorizada (TC) ou a imagem por ultrasons. A utilização do cistoscópio permite a recolha de uma amostra de tecido para análise e diagnóstico positivo.

A cistoscopia é a observação do interior da bexiga através de um instrumento óptico com auto-iluminação, vertical, estreito, o cistoscópio, que atravessa o canal de libertação da urina (a uretra). No homem, normalmente é preciso uma anestesia geral, mas na mulher, a uretra é muito curta e a cistoscopia pode ser realizada com anestesia local.

Ao examinar a bexiga, o médico enche-a com água esterilizada através da torneira de passagem no cistoscópio. Como a água enche na totalidade, as ondulações da bexiga em relaxamento tornam-se planas e lisas e o interior da parede pode ser examinado com eficácia. O orifício de observação no final do instrumento faz um ângulo, por isso ao rodar o cistoscópio permite que quase todo o interior da bexiga seja examinado.

A cistoscopia, para além de permitir o diagnóstico do cancro e outros estados da bexiga, permite fazer a distinção entre os cancros (que são sempre de risco) e os pólipos da bexiga (que são benignos). A cistoscopia também permite o tratamento local por cauterização, laser e outros meios a serem disponibilizados.

O meio de contraste é normalmente uma solução contendo iodo, quer por aplicação na veia (urografia intravenosa) ou introdução directamente na bexiga através de um tubo fino inserido através do cistoscópio. A utilização do cistoscópio também permite a recolha de uma amostra (biopsia) para exame e diagnóstico positivo.

Cuidados a ter:

O conhecimento dos factores causais, especialmente o fumo de cigarros e os químicos industriais podem ajudar a prevenir o cancro da bexiga.

Tratamento do cancro da bexiga

Os cancros que estão no início, confinados à superfície interior da bexiga, podem ser destruídos por meio de radiação a laser, ou queimados com um ferro quente (cauterização) que atravessa o cistoscópio. Alguns casos são tratados pela introdução de medicamentos anticancerígenos directamente na bexiga. Se o cancro se tiver propagado pela parede da bexiga, será necessário uma cirurgia mais relevante. O objectivo da cirurgia é eliminar o cancro, mas isto nem sempre é possível.

A remoção cirúrgica da bexiga denomina-se cistectomia. Após a cistectomia, os ureteres que trazem constantemente a urina dos rins, têm de ser ligados a qualquer outra parte. Podem ser implantados no cólon para que a urina se liberte com as fezes, ou podem ser implantados numa bexiga artificial feita de uma parte de intestino isolado que drena para o exterior através da pele. Tal transplante denomina-se desvio urinário.

Foram concebidas diversas operações de implantes mas, devido à probabilidade de infecção deslocando-se do intestino até aos rins e a forte tendência de as novas ligações se tornarem mais estreitas e obstruídas, nenhum deles é inteiramente satisfatório. Os procedimentos mais elaborados com um desvio de intestino isolado podem dar melhores resultados.

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