Cavalhadas de Vildemoinhos – A tradição mantêm-se

As Cavalhadas de Vildemoinhos são uma referência inevitável e inigualável na cultura de uma terra e de um concelho, são o momento alto de afirmação de um bairrismo inimitável, que este povo tem sabido preservar. Este ano comemoram-se os 357 anos das Cavalhadas. 357 anos, que enchem de orgulho, o coração de todos os trambelos. «Dos fracos não reza a história» e por isso, apesar das, cada vez
maiores dificuldades e afrontas, não desistimos e aqui estamos nós, outra vez, para mostrar à cidade de Viseu, o que de melhor temos e fazemos. 

Afinal, as Cavalhadas de Vildemoinhos, não são apenas uma festa vazia de significado, cujo único objectivo, é entreter os milhares de pessoas, que todos os anos, na manhã de 24 de Junho, se deslocam a Viseu. As Cavalhadas são o cumprir de uma promessa feita a S. João Baptista, pelos nossos antepassados há 357 anos e, como tal, não pode ser esquecida.

É uma festa carregada de símbolos, marcas de apelo irresistíveis para os homens de hoje, tão expostos ao rompimento com as suas origens e tradições. É o preservar de uma promessa, cumprida religiosamente a cada ano que passa, de agradecimento ao nosso santo padroeiro, à Capela de São João Baptista, situada em São João da Carreira.

Para quem não conhece, aqui fica um breve apontamento sobre o significado desta promessa. Tendo nos começos de Junho de 1952 faltado a água para mover os moinhos, os moleiros queixaram-se de que os agricultores confinantes com o Pavia lhes roubavam a água, alegando estes que lhes era necessária para as regas. Como as autoridades – parece que inclinadas a dar razão aos moleiros – não resolviam o conflito, na madrugada de 24 de Junho, dia de São João, a pretexto de festejarem o santo, os moleiros reuniram-se no Rossio e com outras pessoas de Viseu, dirigiram-se à Capela de São João da Carreira, donde, depois de rezarem ao mesmo Santo, regressaram à beira rio, destruindo açudes e represas, chegando a Vildemoinhos já o sol ia alto, abundando nesse dia a água para mover os moinhos, parece até que com satisfação das autoridades. 

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Reclamaram justiça ao Juiz do Povo, à Câmara e ao Procurador da Cidade, os quais foram favoráveis aos moleiros, pelo que os proprietários e agricultores recorrem às autoridades de Lisboa, dando estas ainda a razão aos moleiros. A sentença chegou à Câmara de Viseu em 20 de Maio de 1953, o que provocou grande entusiasmo, resolvendo desde logo irem, no próximo dia 24 de Junho, dia de São João, em aparatosa alegre Cavalhada a São João da Carreira, à qual deram 3 voltas de bandeira defraldada, agradecer a este santo a sua eficaz intervenção no conflito, para o que se vestiram com os melhores fatos, enfeitam de fitas burros e cavalos e, levando à frente um grande estrondo puseram-se em marcha seguidos dos seu serviçais. 

Dançaram e cantaram em São João da Carreira até de madrugada, tendo regressado o cortejo a Viseu, entrando pela Porta dos Cavaleiros. E é esta a promessa que todos os anos os habitantes de Vildemoinhos cumprem, agradecendo a São João Baptista o pedido
solicitado. Como jovem trambela que, desde pequenina, ouve da boca dos pais, dos avós, dos tios, esta história tão corajosa, tão mágica, quero lançar aqui um apelo, a todos os viseenses, mas principalmente, a todos os trambelos.

Não vamos deixar morrer as Cavalhadas. Não vamos permitir que caiam no esquecimento. Devemos isso a todos os nossos antepassados. A todos aqueles que um dia trabalharam para hoje podermos estar aqui, uma vez mais, a festejar o S. João.

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25. Maio 2010 by admin

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