Colesterol HDL, Colesterol LDL e Triglicerídeos

Quando se fala em saúde, o colesterol se destaca como um dos elementos mais comentados. Nos últimos anos, surgiram outros termos que rapidamente se alastraram pela internet, como triglicerídeos, colesterol HDL (o “bom”), e o colesterol LDL (o “ruim”).

origem do colesterol

O fato é que esse trio de palavras, e outras diretamente ligadas a elas, se tornaram parte do cotidiano de muitas pessoas, extremamente preocupadas em manter os índices de colesterol na corrente sanguínea sob controle.

O problema é que divulgar siglas e apontar taxas supostamente ideais não contribui em nada para que o paciente compreenda o seu real estado de saúde. Não se trata de aprofundar o assunto, pois aqueles que desejam informações detalhadas devem realizar um curso voltado para a área médica. Contudo, é perfeitamente possível conceder algumas explicações plausíveis e que não se limitem à representação numérica.

Ao longo desse artigo, o intuito é esclarecer os pontos principais relacionados ao tema colesterol. Por isso, serão abordadas diversas definições sobre colesterol e seus tipos, dislipidemia, aterosclerose, colesterol bom (HDL), e colesterol ruim (LDL).

Além disso, o objetivo também é dissipar algumas dúvidas sobre os riscos de se ter um índice muito alto de colesterol no sangue, os sintomas gerados por esse quadro, o possível risco que pode ser causado pelo excesso de colesterol HDL, e as alternativas de tratamento para minimizar os indicadores de colesterol elevado.

Definição de colesterol

As moléculas de gordura que constituem o colesterol estão presentes em todas as células que se espalham pelo organismo. O colesterol é um elemento considerado imprescindível para a composição das paredes (membranas) celulares, além de ser peça chave durante a produção de alguns hormônios vitais para o corpo, como o cortisol, o estrogênio, e a testosterona.

O colesterol também participa ativamente do processo de constituição da mielina (espécie de revestimento dos nervos), da digestão de alimentos ricos em gordura, dos processos metabólicos realizados nas vitaminas A, D, K, etc., e da produção de bile.

Também é importante destacar que o colesterol pode tanto ser produzido pelo próprio organismo como ser obtido por meio da dieta alimentar. No primeiro caso, trata-se do colesterol endógeno, que conta com participação assídua do fígado. Na segunda situação temos o chamado colesterol exógeno.

Tipos de colesterol

Composto gorduroso, o colesterol não é diluído ao entrar em contato com a corrente sanguínea. O que ocorre pode fácil e didaticamente ser comparado ao que ocorre quando o óleo de cozinha entra em contato com a água.

Em razão disso, o colesterol necessita de um auxílio para que alcance todos os tecidos do corpo, tarefa executada pelas lipoproteínas, que advém do fígado e cumprem o papel de agente transportador. Dentre as lipoproteínas mais importantes temos a LDL, a HDL, e a VLDL. Traduzindo as siglas para o português temos a lipoproteína de baixa densidade (Low-density liprotein), a de alta densidade (High-density liprotein), e a de densidade profundamente baixa (Very low-density liprotein), respectivamente.

A lipoproteína LDL é responsável por deslocar pequenas porções de triglicerídeos e moléculas de colesterol da corrente sanguínea aos tecidos corporais. Já a lipoproteína VLDL inverte as proporções do LDL, ou seja, transporta pequenas quantidades de colesterol, focando em um volume maior de triglicerídeos. Enquanto isso, a lipoproteína HDL fica incumbida de remover o colesterol alocado nos tecidos, direcionando-os para o fígado, por sua vez encarregado de excretá-lo através dos intestinos.

Está claro que, ao mesmo tempo em que o LDL e o VLDL suprem as células dos tecidos de gordura, o HDL tem a função de evitar que haja acúmulo dessas gorduras, ajudando a prevenir, inclusive, a formação de placas de gordura que fatalmente obstruem as artérias. Basicamente, esse é o motivo por trás das denominações colesterol “bom” (HDL), e colesterol “ruim” (LDL, e VLDL).

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O organismo produz essas lipoproteínas de acordo com o volume de colesterol disperso. Entretanto, a síntese de LDL é estimulada pela presença das gorduras trans, e saturada. No sentido contrário, as gorduras classificadas como insaturadas (presentes em peixes, amêndoas, e azeite de oliva, etc.) favorecem a proliferação de lipoproteínas HDL.

Assim, tomando por base a concentração total de lipoproteínas LDL, VLDL, e HDL é possível determinar qual é a porcentagem dos tipos de colesterol existentes no organismo. Visando mensurar a quantidade e a variedade do colesterol liberado pelo corpo na corrente sanguínea, o paciente precisa realizar um exame denominado lipidograma.

Colesterol IDL

Além do colesterol LDL (baixa densidade) e do HDL (alta densidade), também existe um colesterol de densidade intermediária: o IDL. Como se trata de uma variante bem similar ao LDL, o IDL não é considerado para cômputo de forma individual. Em vez disso, sua porcentagem é somada a obtida com relação ao LDL. Por conta disso, o resultado indicado pelo lipidograma correspondente ao LDL sempre terá alguma parcela referente ao IDL.

Definição de aterosclerose

Resultados de pacientes que assinalam para grandes volumes de LDL e VLDL ressaltam a existência de acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, culminando no desenvolvimento de placas de gordura nessas regiões. Isso resulta do excesso de colesterol no organismo, circunstância na qual o colesterol LDL começa a vagar pela corrente sanguínea até encerrar sua ronda em uma parede de algum vaso sanguíneo, comprometendo o fluxo do sangue. Esse processo de obstrução é intitulado aterosclerose.

aterosclerose

Além de prejudicar a passagem da corrente sanguínea, a formação de placas de gordura típica da aterosclerose também danifica as extremidades das paredes das artérias, deixando-as mais rígidas.

Com a obstrução da corrente sanguínea provocada pelos danos causados nas paredes das artérias e pelo acúmulo de gordura, os tecidos passam a não serem oxigenados adequadamente e deixam de receber quantidades significativas de nutrientes.

Caso o processo de obstrução ocorra nas artérias coronárias, o indivíduo corre sérios riscos de sofrer um infarto. Igualmente grave é a obstrução das dezenas de vasos presentes no cérebro, o que pode levar a um AVC (aneurisma vascular cerebral).

O que é dislipidemia

A dislipidemia é o nome técnico concedido à elevação das taxas de colesterol. Até tempos atrás, o nível de dislipidemia era definido conforme os índices obtidos quanto ao colesterol total disperso no organismo. Logo, esse método levava em consideração a simples soma dos indicadores referentes aos tipos de colesterol LDL, VLDL, e HDL.

Como a função efetuada por eles é divergente, a soma dos três tipos de colesterol não propiciava uma análise precisa. Ao longo dos anos, ficou evidente que o colesterol HDL precisava ser avaliado separadamente. Assim, a soma dos três elementos perdeu relevância.

Na prática, fica ainda mais fácil compreender por que a mudança de método é significativa em termos de análise clínica. Assim, imagine dois pacientes como exemplo. O primeiro apresenta uma taxa LDL de 150, VLDL de 20, e HDL cravada em 20. Já o segundo contém o colesterol LDL em 100, o VLDL em 25, e o HDL em 65. Perceba que a soma de ambos os casos resulta em um colesterol total de 190. O que muda?

Esse exemplo é emblemático, pois apesar do colesterol total de ambos os pacientes ser de 190, o primeiro detém elevados índices de LDL e VLDL (170), e uma baixa taxa de colesterol HDL (20). Portanto, o risco dele vir a sofrer uma doença como a aterosclerose é bem maior. O segundo paciente apresenta indicadores um pouco mais equilibrados.

Indicadores de colesterol LDL, e colesterol HDL

A dislipidemia é o fator mais importante para determinar qual é o risco de um indivíduo desenvolver doenças relacionadas ao sistema cardiovascular. Desse modo, ao longo dos anos a comunidade médica científica se preocupou em definir quais seriam os índices aceitáveis tanto para o colesterol LDL como para o HDL.

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Assim, chegou-se a algumas estimativas dos indicadores ideais de cada um dos tipos de colesterol citados há pouco. Considerando o LDL, uma taxa ótima equivale a 100 mg/dL. Já quando o indivíduo apresenta uma taxa situada entre 101 e 130 mg/dL, isso significa que esse colesterol está sob controle, embora essa ainda não seja a condição ideal. Entre 131 e 160 mg/dL o LDL começa a ficar elevado, situação que vem a se confirmar quando ele atinge 161 mg/dL. Até 190 mg/dL, o colesterol LDL ainda é tratado “apenas” como elevado. Porém, caso o índice ultrapasse o número anterior o quadro se altera, pois então o paciente passa a ter LDL em excesso.

Com relação ao HDL, existem três divisões de classificação. Assim, índices inferiores a 40 mg/dL são considerados precários. A taxa regular situa-se entre 41 e 60 mg/dL. Acima de 60 mg/dL o indivíduo é considerado detentor de uma excelente taxa de colesterol HDL.

Como gerenciar o nível de colesterol elevado

Em situações normais, todo indivíduo deve priorizar alimentos ricos em gorduras insaturadas em detrimento daqueles altamente concentrados em gorduras saturadas. Essa preferência alimentar é básica, mas em situações normais ela é considerada apenas opcional. Contudo, quando a dislipidemia é caracterizada esse tipo de cardápio passa a ser obrigatório.

Em muitos casos não basta equilibrar o consumo dessas gorduras, já que o aumento do colesterol LDL costuma estar vinculado a distúrbios alimentares, quando não à herança genética. Isso é facilmente compreensível, uma vez que 75% do colesterol presente no organismo é produzido por ele mesmo, mais precisamente pelo fígado. O colesterol que adentra o corpo através dos alimentos corresponde as restantes 25%. Dessa forma, fica evidente que nem sempre a dieta pode solucionar o problema do colesterol LDL elevado.

A prática regular de atividades físicas contribui para aumentar a concentração de colesterol HDL e reduzir a de LDL. Entretanto, o efeito dessa medida também está sujeito a variações quanto à eficácia. A reeducação alimentar nos moldes mencionados surte uma resposta mais positiva para os pacientes com taxa de LDL limitada a 160 mg/dL. Esses são os únicos casos em que, possivelmente, não será necessária a prescrição de remédios.

Cabe ressaltar que a introdução dos medicamentos não é determinada apenas com base nos indicadores de LDL e HDL. Dentre os demais fatores de risco considerados mais impactantes destacam-se a hipertensão, diabetes, insuficiência renal crônica, tabagismo, idade superior a 45 anos, e obesidade.

A quantidade de fatores de risco é proporcional ao nível de colesterol registrado no corpo. Basicamente e de forma geral, pode-se dizer que pessoas que detenham um único fator de risco costumam ter uma taxa de LDL inferior aos 160 mg/dL. Por outro lado, quem reúne mais de um fator tende a apresentar um índice abaixo de 130 mg/dL. Por fim, os pacientes com histórico de acidente vascular cerebral (AVC), ou de infarto, costumam ter um colesterol LDL ainda mais baixo, inferior a 100 mg/dL.

Segundo algumas pesquisas, a concentração de LDL mais indicada para pessoas em estado crítico gira por volta dos 80 mg/dL. É importante lembrar que indicadores extremamente baixos de HDL também se configuram como um fator de risco, por mais que o colesterol LDL não esteja tão elevado.

Índices elevados de HDL não são prejudiciais

Ter concentrações de colesterol HDL muito acima da média não prejudica em nada o funcionamento do organismo. Quanto maior for a taxa de HDL, menor será a probabilidade de desenvolvimento de alguma doença relacionada ao coração, como é o caso de algumas mulheres.

Definição de colesterol não-HDL

Quando se tem todas as variantes de colesteróis ruins agrupadas (LDL, VLDL, e IDL), dá-se o nome de colesterol não HDL. Os especialistas acreditam que este tipo de colesterol amplia os riscos da aterosclerose.

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Quanto aos indicadores do colesterol não HDL, os médicos consideram como ótimo um índice inferior a 130 mg/dL. O quadro começa a ficar preocupante quando o indicador ultrapassa os 190 mg/dL. A situação do paciente se agrava ainda mais quando o total passa dos 220 mg/dL.

Sintomas do colesterol elevado

O colesterol elevado é assintomático, ou seja, esse quadro não reproduz qualquer reação que possa ser identificada pelo paciente como em outras situações. Logo, sinais de fadiga, dificuldade para respirar, e outros sintomas jamais podem ser atrelados diretamente ao colesterol elevado. O único modo de verificar se os índices de colesterol estão acima do normal é se submeter ao exame de lipidograma.

Triglicerídeos

A ampliação da taxa de triglicerídeos na corrente sanguínea recebe a denominação técnica de hipertrigliceridemia. Nesses casos, o paciente possui mais chances de sofrer uma aterosclerose. O risco se torna ainda maior se o índice de colesterol HDL se encontrar em uma escala desfavorável.

Diretamente atrelados ao colesterol VLDL, os triglicerídeos podem apresentar uma concentração cinco vezes superior a do primeiro. Assim, se um paciente tiver 30 mg/dL de colesterol VLDL, é provável que o índice de triglicerídeos esteja próximo dos 150 mg/dL, um patamar dentro do aceitável. Todavia, quando a taxa de triglicerídeos ultrapassa 200 mg/dL ele passa a ser considerado alto. Ao atingir concentrações acima de 500 mg/dL o quadro se torna singularmente grave.

A intitulada esteatose hepática, caracterizada pelo excesso de gordura no fígado, ocorre com mais frequência quando o organismo possui taxas de triglicerídeos e colesterol muito elevadas.

Remédios indicados para tratar dislipidemia

Antes de partir para adoção de quaisquer medicamentos, todo indivíduo que detiver taxas altas de triglicerídeos, ou colesterol, precisa adotar uma rotina de treinamento físico constante e melhorar a qualidade dos alimentos presentes no cardápio. É necessário manter o corpo em boa forma.

As estatinas são as substâncias ativas mais utilizadas para elevar a concentração de HDL e rebaixar a de LDL. Esses compostos inibem a atuação da enzima HMG-coA reductase, localizada no fígado e encarregada de secretar colesterol. Outro benefício propiciado pelas estatinas é a diminuição do volume de triglicerídeos na corrente sanguínea.

Dentre as estatinas que são mais receitas pelos médicos estão a pravastatina, atorvastatina, rosuvastatina, lovastatina, fluvastatina, sinvastatina. De todas elas, as que possuem efeito mais potente são a rosuvastatina, e a atorvastatina. Por essa razão, as dosagens delas são inferiores em comparação com as demais versões de estatina.

No entanto, a rosuvastatina, e a atorvastatina têm um preço muito alto. Além disso, nem sempre elas são necessárias, já que um bom número de pacientes responde bem ao tratamento com outras estatinas. Sendo assim, na maioria dos casos as drogas mais fortes devem ser vistas apenas como um último recurso.

Como acontece com incontáveis medicações, quem consume estatina não está livre de apresentar possíveis reações adversas. As mais comuns são a ocorrência de câimbras, e algumas dores musculares. Existem circunstâncias nas quais os músculos são intensamente afetados, obrigando o paciente a suspender a ingestão dos remédios. Outro possível efeito colateral é a hepatite medicamentosa.

Embora esses medicamentos (estatinas) também atuem sobre a redução dos triglicerídeos, cabe enfatizar que os fibratos são mais eficazes nesse ponto. Por outro lado, eles deixam o nível de colesterol LDL praticamente inalterado.

Dentre os fibratos, os que são mais recomendados pelos médicos são o clofibrato, benzafibrato, ciprofibrato, fenofibrato, e o genfibrozil.

Por último, vale a pena frisar que a utilização simultânea de estatinas e fibratos precisa ser realizada com muita ponderação, já que a mistura de ambas tende a ampliar as chances de lesão nos músculos.

alimentos que combatem o colesterol alto

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10. Abril 2015 by Fabricio

One Comment

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  1. Matéria excelente, parabéns aos que tiveram a brilhante ideia de nos proporcionar tamanha satisfação em sabermos dos benefícios do chá das folhas de oliveira.

    Obrigado a vc(s)

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