Como Controlar a Obesidade – Será Possivel ?

Tem-se verificado em todo o Mundo que, nas sociedades em desenvolvimento, a melhoria do nível de vida se acompanha de um aumento dos factores de risco cardiovascular e das doenças com eles relacionadas.

Curiosamente, porém, algumas décadas depois, assiste-se a um declínio desta morbilidade, o que tem sido relacionado com as medidas, farmacológicas e não farmacológicas, preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e por outras sociedades médicas.

Pensa-se também que esta melhoria na prevalência das doenças cardiovasculares se consegue pelo controle adequado da hipertensão arterial e das dislipidémias (para as quais existem fármacos suficientemente potentes e isentos de risco) continuando a diabetes e a obesidade a crescer assustadoramente.

De acordo com a OMS existem, em todo o Mundo, mais de um bilião de adultos com excesso de peso e mais de trezentos mil obesos.

Estima-se ainda que mais de um terço das crianças se encontre numa daquelas situações. Em Portugal, o estudo AMALIA, publicado em 2008 na Revista Portuguesa de Cardiologia, revela que, no nosso país, há uma prevalência de 51,6 por cento de indivíduos obesos e com excesso de peso, sendo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores onde essa prevalência é mais elevada.1

Estudos recentes apontam para que o exercício físico possa ser benéfico, mesmo antes de se evidenciarem os benefícios do treino.

O IMC e outros índices

O indicador mais utilizado para definir a obesidade é o índice de massa corporal (imc), que se determina pela relação entre o peso em quilogramas e o quadrado da altura em metros.

Nos adultos, considera-se que um indivíduo tem excesso de peso quando o seu IMC se encontra entre 25 e 29, 9 e é obeso com um índice de 30 ou mais.

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Apesar de largamente difundido e consensualmente aceite como preditor de risco cardiovascular, este índice não discrimina o tipo e a distribuição da massa gorda, pois, como é sabido, os adipócitos da gordura visceral são maiores, com níveis mais altos de triglicéridos e mais resistentes à insulina, enquanto os adipócitos da gordura subcutânea são mais pequenos, com maior percentagem de lipoproteínas de alta densidade (HDL) e mais sensíveis à insulina.

Por esse motivo se têm utilizado como marcadores de risco cardiovascular o perímetro da cintura (PC) e a relação cintura/anca (C/A), definindo-se como obesos os homens com mais de 102 centímetros e as mulheres com mais de 88 centímetros de PC e valores superiores a 0, 95 nos homens e 0, 80 na mulheres para o índice C/A. Estes índices são de mais fácil medição mas menos precisos, na prática.

Recentemente, o estudo EPIC, que incluiu mais de 360 mil participantes de nove países europeus, concluiu que, quer a adiposidade subcutânea mas sobretudo a visceral, estão ambas associadas a maior risco cardiovascular e morte; e que os índices PC e/ou C/A são particularmente valiosos na estratificação do risco em indivíduos com IMC normal.

O aumento de risco relacionado com a obesidade visceral deve-se às referidas diferenças dos adipócitos que, na gordura visceral, têm uma produção aumentada de várias substâncias bioactivas, tais como o inibidor 1 do activador do plasminogénio (PAI 1), a interleucina 6 (IL 6) e o factor alfa de necrose tumoral (TNF.), que são mediadores inflamatórios responséveis pela evolução da aterogénese e no tecido adiposo subcutâneo são os produtores de leptina e adiponectina.

A leptina é uma hormona que actua ao nível do hipotálamo, atenuando o apetite. A adiponectina tem um papel protector, por aumentar a sensibilidade à insulina, a produção de óxido nítrico e por reduzir a formação de células esponjosas e das placas ateromatosas, mas o seu polimorfismo e alto peso molecular não permitem que, por enquanto, se lhe possa atribuir uma indicação terapêutica.

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O papel do exercício físico e da alimentação

O controle do excesso de peso continua, assim, a assentar na dupla actividade física/ hábitos alimentares. De há muito que vários estudos demonstraram a utilidade do exercício físico, de moderada a forte intensidade, na redução de adiposidade, tanto visceral como subcutânea, embora de forma pouco expressiva.

Estudos recentes apontam para que o exercício físico possa ser benéfico, mesmo antes de se evidenciarem os benefícios do treino, e para que o seu impacte na gordura visceral se estabeleça ainda antes de ocorrer a perda de peso.

Relativamente aos hábitos alimentares, têm sido propostas múltiplas dietas para o tratamento da obesidade. A mais vezes aconselhada é a dieta pobre em gorduras,que faz descer o colesterol das lipoproteínas de baixa densidade (LDL), preconizando-se que o total de gorduras ingerido não deva exceder 25 a 35 por cento da energia dispendida e que, daquele total, não mais que sete por cento sejam gorduras saturadas.

Mais recentemente têm sido popularizadas dietas com redução dos hidratos de carbono, em especial o açúcar. Estas dietas têm dado, a curto prazo, bons resultados, quer na perda de peso quer na normalização dos níveis de triglicéridos e das lipoproteínas de alta densidade (HDL). No entanto, ainda não existe evidência clínica dos resultados a longo prazo.

Sendo as bebidas alcoólicas altamente calóricas, a sua redução pode ter interesse no emagrecimento.

Terapêutica farmacológica

Desde há alguns anos têm aparecido fármacos reclamados como eficazes no combate à obesidade mas, muitas vezes, a ocorrência de efeitos secundários desagradáveis levam à sua não utilização ou à sua estreita monitorização individualizadamente.

O orlistat é um inibidor da lipase intestinal e da absorção entérica das gorduras; com este fármaco a redução de peso é modesta e as perturbações gastrointestinais frequentes e, por vezes, intoleráveis.

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A sibutramina produz uma sensação de saciedade e redução do apetite; alguns dos seus metabolitos reduzem a recaptaçao da noradrenalina e da serotonina e, como tal, tem algumas contra-indicações e efeitos secundários que há que ter em conta.

O rimonabant é um inibidor dos receptores endocanabinoides, capaz de induzir perdas de peso modestas mas sustentadas, que parece melhorar a intolerância à glicose e o perfil lipídico; está, no entanto, ainda em estudo a sua possível acção no agravamento da depressão.

Mas o calcanhar de Aquiles dos fármacos anti-obesidade é que os benefícios com estes obtidos são geralmente de curta duração e o efeito yô-yô é mais frequente do que seria desejável.

Em conclusão: A obesidade combate-se com o estilo de vida e medidas de prevenção. Para a obesidade já instalada, embora pontualmente se possam apontar alguns casos de sucesso, as estratégias têm geralmente ficado aquém das expectativas e necessitam de um estudo aprofundado e globalizante das patologias associadas.

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24. Novembro 2009 by admin

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