Como reconhecer um melanoma

Como reconhecer um melanoma

O melanoma é um tumor cutâneo maligno com origem nos melanócitos, que são as células da epiderme produtoras de pigmento e responsáveis pela tonalidade da pele (Fig. 1). Embora seja responsável por somente 4 por cento dos tumores da pele, é a neoplasia cutânea com maior mortalidade, devido ao seu potencial de metastização.

Figura 1

Figura 1

Nas últimas décadas, observou-se uma incidência crescente de melanoma.
Atendendo à falta de terapias adequadas para a doença metastática, o melhor tratamento continua a ser o diagnóstico precoce e a excisão cirúrgica atempada.
É importante ter em mente que a cura para os tumores cutâneos está directamente relacionada com a prevenção. As diferentes campanhas de sensibilização levadas a cabo pelos serviços de saúde e pela comunicação social têm despertado a opinião pública para um problema anteriormente desconhecido por muitos, mas que cada vez mais é uma realidade entre nós. Tem-se verificado uma maior preocupação da população geral no que diz respeito à vigilância das alterações na pele e uma maior procura por cuidados médicos especializados.
A prevenção primária é fundamental. Embora tenha um maior impacto nas camadas mais jovens da sociedade, continua a ter o seu papel relevante, transversal a todas as faixas etárias. A evicção da exposição solar prolongada (natural e artificial) deve ser encorajada pela diminuição da exposição directa ao sol, sobretudo entre as 12 e as 17 horas, uso de vestuário protector (como é o caso do chapéu) e aplicação de filtros solares de índice de protecção 50+.
Alguns grupos são considerados de risco e devem ser sujeitos a uma vigilância mais apertada.
Doentes de pele e olhos claros, com mais de 50 nevos (vulgarmente denominados «sinais »), história pessoal de queimaduras solares, a fazer medicação imunossupressora ou familiares de doentes com antecedentes de melanoma maligno têm um risco aumentado de desenvolver este tipo de neoplasia.
O auto-exame da pele é parte integrante do diagnóstico precoce das neoplasias cutâneas.

Deve ser encorajado o exame mensal de todo o tegumento cutâneo, incluindo mucosas e unhas, sendo por vezes necessário o auxílio de um segundo espelho (de mão), nas áreas difíceis de visualizar, como é o caso do dorso (Fig. 2).

Figura 2

Figura 2

SHAPE * MERGEFORMAT

Os doentes devem ser instruídos a distinguir uma lesão suspeita de uma não suspeita. É importante reconhecer a diferença entre um nevo e um melanoma.
Um nevo é uma lesão redonda ou oval, simétrica, plana ou saliente, de contornos regulares e SHAPE* MERGEFORMAT precisos, coloração homogénea, que pode variar entre o castanho claro e escuro (Fig. 3). Pode estar presente ao nascimento ou surgir durante toda a vida do indivíduo.
Geralmente, mantém as dimensões e características ao longo dos anos. Os nevos são universais, sendo a maior parte deles inofensivos.
Quando um nevo sofre alterações, o doente deve estar familiarizado a reconhecêlas e procurar prontamente uma observação por um médico.

Figura 3

Figura 3

A regra «ABCDE» é um método simples, fácil e rápido de executar e tem como objectivo distinguir lesões suspeitas de não suspeitas. Deve ser explicada aos doentes, para que a apliquem mensalmente. Para além de reconhecer lesões suspeitas, este gesto, uma vez tornado rotineiro, possibilita o reconhecimento de modificações discretas, que muitas vezes despertam a suspeita clínica. Estudos australianos mostraram que os doentes com melanoma que executavam regularmente o auto-exame de pele tinham uma maior sobrevida após o diagnóstico.
Fazer do doente parte integrante na cadeia da prevenção aumenta a taxa de lesões diagnosticadas precocemente, assim como a sobrevida dos doentes com melanoma maligno.
Para além do exame clínico, existe a possibilidade de observar as estruturas profundas do nevo com o auxílio de um dermatoscópio.
A dermatoscopia é um método in vivo para o diagnóstico precoce do melanoma e de outros tumores cutâneos.
O seu uso aumenta a precisão diagnóstica em 5-30 por cento comparativamente à inspecção clínica. Actualmente, é executada por dermatologistas e requer uma aprendizagem e treino especializados.
Para além da visualização de estruturas profundas da pele não observáveis a olho nu, a dermatoscopia pode ser acoplada a um sistema informático, possibilitando o armazenamento de imagens, muitas vezes essencial na avaliação sequencial das lesões (Fig. 5).

Figura 5

Figura 5

Neste momento, o diagnóstico precoce de melanoma maligno depende de três pilares básicos: o auto-exame, o exame clínico e o exame dermatoscópico (Fig. 6). Todos eles com uma importância própria e complementares entre si.

Figura 4 - Regra ABCDE

Figura 4 - Regra ABCDE

Figura 6

Figura 6

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