Doenças Alérgicas

Doenças alérgicas: epidemia em crescimento – Ambiente e estilo de vida podem ser os factores responsáveis.
Para milhões de pessoas as alergias, nomeadamente aos pólenes e ao pó, com características próprias em cada uma das estações do ano, podem ser altamente incomodativas e prejudiciais. Estas doenças têm vindo a aumentar em todo o Mundo e podem estar associadas ao sedentarismo, à poluição, ao tabagismo e às alterações dos regimes alimentares.

“Em Portugal, à semelhança da Europa, 10 a 15 por cento da população é alérgica. A forma mais frequente da doença é a rinite alérgica, seguida da asma, que atinge cerca de oito a 10 por cento da população”, afirma Elisa Pedro. Segundo a chefe de serviço de Imunoalergologia do Hospital de Santa Maria e do Centro de Alergologia de Lisboa, “estudos recentes demonstram que, no País, 11 por cento das crianças entre os seis e 14 anos e cinco por cento dos adultos sofrem de asma”.
Filomena Neves explica que, “de uma maneira simplista, podemos dizer que alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma substância estranha (alergeno) ao organismo, a um estímulo externo específico. O contacto do alergeno com a pele e mucosas pode desencadear variadas manifestações alérgicas com envolvimento respiratório, ocular, cutâneo e digestivo”. De acordo com a imunoalergologista, “os primeiros sintomas costumam ser o eczema do lactente e as alergias alimentares (habitualmente às proteínas do leite e do ovo). As crianças têm maior probabilidade de desenvolverem alergia a aeroalergenos ao longo do tempo, vindo a sofrer de rinite e de asma. A alergia pode ser considerada como uma doença multi-orgânica”.

Um problema crónico. “As doenças alérgicas têm vindo a aumentar em todo o Mundo”, alerta Mário Morais de Almeida. Segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), este panorama relaciona-se com o dia-a-dia praticado nas sociedades modernas actuais. “O estilo de vida associado ao desenvolvimento, o sedentarismo, com a vida a fazer-se cada vez mais no interior dos edifícios, a poluição atmosférica, o tabagismo activo e passivo, as alterações dos regimes alimentares e a obesidade são alguns dos factores que podem contribuir para a epidemia das doenças alérgicas”, explica o também coordenador do Centro de Imunoalergologia – Saúde CUF. “Entre as variáveis ambientais, os alergénios do interior dos edifícios (ácaros, animais de companhia, insectos, fungos) e do exterior (pólenes, fungos) assumem-se como actores principais, levando à activação do sistema imunitário, com o consequente aparecimento dos sintomas no alérgico.

E estes ocorrem em todos os grupos etários, do recém-nascido ao idoso, na mulher e no homem; da asma e da rinite ou da conjuntivite, ao eczema e à urticária, passando pela alergia alimentar e a medicamentos ou a insectos. É este o verdadeiro mundo da alergia, doenças por excesso de defesas, afligindo de um modo quase epidémico os países desenvolvidos”, sublinha o médico. E mais acrescenta: “Estas doenças podem diminuir muito a qualidade de vida das pessoas afectadas, sendo causa frequente de faltas à escola e ao trabalho, e de diminuição da produtividade”.

Filomena Neves também faz um alerta neste sentido: “Na Europa, as doenças alérgicas são a doença crónica mais frequente nas crianças e a sua prevalência continua a aumentar. Cerca de uma em cada quatro sofre de alergia”. A imunoalergologista refere que o maior factor de risco é a história familiar de doença alérgica. “O risco de uma criança sofrer de alergia é de 20 a 40 por cento se um dos progenitores for atópico e duplica essa hipótese se ambos o forem. No entanto, o contacto precoce com os alergénios e a existência de certos factores ambientais podem desempenhar um papel importante”, explica.

Uma das questões que se colocam face ao crescimento da epidemia é a sua possível relação com o facto de haver uma maior preocupação com a higiene. Para a alergologista Elisa Pedro, “embora o aumento do número de alergias que se tem verificado nas últimas décadas, nomeadamente na população ocidental onde o nível socioeconómico é mais elevado, não esteja ainda bem esclarecido, parece que o ambiente e o estilo de vida podem ser os factores responsáveis”.

A especialista afirma que “a chamada ‘teoria da higiene’ levanta ainda alguma controvérsia na comunidade científica, mas a diminuição das infecções na primeira infância, devido a um melhor controlo através da vacinação e do uso de antibióticos; e as melhores condições sanitárias poderão ‘desviar’ a resposta do sistema imunológico, menos ocupado com micróbios e parasitas, para os alergénios ambienciais. Além disso, o ambiente doméstico cada vez mais fechado ao exterior e a alimentação com mais conservantes e antibióticos poderão também estar envolvidos”, acrescenta.

Um leque de sintomas

“Os sintomas alérgicos incluem a asma, a rinite, a conjuntivite, os sintomas gastrointestinais e lesões cutâneas características como o eczema atópico, o eczema de contacto e a urticária”, enumera a imunoalergologista Filomena Neves. Segundo a especialista, “tipicamente, um doente atópico desenvolve um espectro de ‘doenças atópicas’ evoluindo com a idade, normalmente definido como ‘marcha atópica’. Durante os primeiros anos de vida, predominam os sintomas gastrointestinais e cutâneos, muitas vezes causados por alergénios alimentares.

A asma e a rinite aos alergénios inalados desenvolvemse mais tarde”. Ainda no que respeita aos sintomas mais comuns das doenças alérgicas, Elisa Pedro acrescenta a anafilaxia. Trata-se de uma “forma muito grave de alergia que surge rapidamente em minutos, com inchaço (angioedema), urticária, falta de ar e sensação de desmaio. Se não tratada imediatamente com adrenalina injectável (intramuscular) pode levar ao choque e ser fatal”, descreve a alergologista.

A identificação dos alergénios responsáveis pela doença e a redução da exposição aos mesmos são algumas das medidas importantes no controle da alergia.

Diagnóstico precoce

É essencial fazer um diagnóstico precoce para identificar a causa da alergia. Segundo Filomena Neves, deve efectuar-se “um estudo sistematizado e individualizado de cada doente por um médico especialista, para que seja feita a sua orientação terapêutica e tomadas todas as medidas complementares necessárias”. A imunoalergologista refere que “a alta prevalência de doenças alérgicas e a melhoria dos procedimentos diagnósticos e dos tratamentos especializados têm tido um grande impacto nos cuidados médicos aos doentes alérgicos, e por isso devem levar os profissionais de Clínica Geral e os pediatras a enviarem estes doentes aos especialistas da área”.

Mário Morais de Almeida refere que o diagnóstico de alergia deve ser efectuado com “história clínica; meios de diagnóstico (como os testes cutâneos de alergia ou provas de função respiratória); e resultado do tratamento e de outras medidas preventivas recomendadas pelos vários profissionais de saúde, nomeadamente médicos e farmacêuticos”. O médico do Centro de Imunoalergologia – Saúde CUF salienta que, para um controlo eficaz da doença, “o alérgico tem de participar activamente” e têm de ser tidas em conta outras medidas como a “identificação do (s) alergénio (s) envolvido (s), reduzindo a exposição” e o “uso de medicamentos para diminuir os sintomas e, sobretudo, a inflamação crónica”. E salienta: “O controlo destas doenças crónicas está acessível, a um custo muito razoável, para a maioria dos alérgicos”.

Tratamentos possíveis

“O tratamento das doenças alérgicas deve ser iniciado o mais precocemente possível, de modo a reduzir os sintomas que são a consequência da inflamação crónica da alergia”, afirma Elisa Pedro. A médica sugere para o tratamento da asma os corticosteróides inalados, pois “são fundamentais para controlar e reverter a inflamação das vias aéreas. Os broncodilatadores inalados são medicamentos para alívio dos sintomas e podem ser usados em SOS ou em associação com os corticosteróides inalados.

Os anti-leucotrienos em comprimidos são um tratamento complementar para a asma. Os anti-histamínicos são usados para tratar os sintomas alérgicos, sobretudo da rinite e conjuntivite. Os corticosteróides em nebulização intra-nasal controlam a inflamação e são seguros. Os corticosteróides sistémicos estão reservados para os casos muito graves”. A imunoterapia específica (vacinas anti-alérgicas) é ainda referida pela especialista como “um tratamento específico para a alergia e o único que modifica a resposta imunológica diminuindo os sintomas desencadeados pelo contacto com o alergénio.

Está demonstrado que é o único tratamento que pode modificar a evolução natural das doenças alérgicas”, assegura. Como novidade de tratamento nesta área recentemente surgiu “um anticorpo monoclonal anti-IgE injectável, de administração exclusivamente em meio hospitalar, indicado para doentes com asma alérgica grave e outras alergias graves dificilmente controláveis com a medicação convencional”, acrescenta.

Em: Outros Temas | 4 comentários

4 Comentários no Fórum

  1. tenho alergia a trigo a soja ,milho,amendoim,ovo
    coco,poeira,os sintomas são uma tosse que não
    passa cansaço dor de cabeça já fui para vários médicos tomo vários medicamentos e nada melhora
    você pode me ajudar obrigada

  2. tenho um tipo de alergia muito complicada, fico com o corpo cheio placas vermelhas muita dor de cabeça corpo fraco sonolencia e muita coceira ja fui a varius medicos mas ninguem comseguiu asertar, o unico remedio que eliminava era diprospam injetavel mas ja esta me fasendo mal, o coraçao dispara. oultimo medicamento que eu estou tomando e prednisona mas so dura 24 horas e tambem esta me fasendo mal. voce pode me ajudar

  3. nossa que tri

  4. nunca vi coisa melhor que esse site

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