Gota

A gota é uma das doenças articulares mais dolorosas e prevalentes nos homens, tem uma natureza inflamatória e severas consequências na qualidade de vida dos afectados. A identificação dos factores de risco e dos agravantes torna-se por isso de vital importância na prevenção e na melhoria dos sintomas da doença.

No aspecto nutricional, as recomendações convencionais insistem na restrição de purinas presentes entre outros alimentos nas carnes jovens, nas vísceras e leguminosas. Contudo, não existe um alerta para o consumo de açúcar e alimento que o contenham, sobretudo no que diz respeito à frutose, capaz de elevar os níveis de ácido úrico.

Bebidas açucaradas e o risco de gota

Um grupo de investigadores, provenientes do Arthritis Center of Canada e da Harvard Medical School procurou então estudar a associação entre o consumo de bebidas açucaradas como refrigerantes e sumos de fruta e o risco de gota em homens.

O estudo teve a duração de 12 anos e a amostra consistiu em 46393 indivíduos que à data de início tinham entre 40 e 75anos, todos profissionais de saúde, sem historial de gota. Os consumos foram reportados pelo preenchimento de questionários de frequência alimentar que também incluíam outros items. Os investigadores procuraram conhecer os consumos de refrigerantes (de cola com e sem cafeína, outros) e sumos de fruta, mas incluíram também o consumo de bebidas com teor reduzido de calorias (cola diet e cola light).

Os questionários foram repetidos cada 4 anos e foram também obtidas informações relativas à toma de suplementos ou medicamentos e à variação do índice de massa corporal. Os indivíduos a quem entretanto tivesse sido diagnosticada gota eram considerados nos resultados finais e o diagnóstico era confirmado por um questionário com base nos critérios do American College of Rheumatology.

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No final do período de estudo verificaram-se 755 novos casos de gota. Um aumento do consumo de bebidas açucaradas estava positivamente associado ao aumento do risco de desenvolver a doença. Mas a associação verificou-se também com o consumo de sumos de fruta e fruta, ou seja, com o consumo de frutose livre. Pelo contrário, o mesmo não aconteceu com o consumo de bebidas com um teor reduzido de calorias.

Com base nestes resultados, os investigadores alertaram para a necessidade de incluir uma certa restrição no consumo de frutose para o tratamento da gota. Esta recomendação deveria incluir as formas indirectas de ingerir o dito açúcar como é o caso das bebidas açucaradas (sacarose = frutose + glucose) e o consumo excessivo de frutas.

Tendo em conta que estas estão associadas à prevenção de outras doenças que constituem também uma realidade na sociedade actual (hipertensão, cancro, doenças cardiovasculares) é necessário estabelecer um ponto de equilíbrio nas recomendações nutricionais que afectam a saúde pública.

Referência

Choi H and Curhan G (2008) Soft drinks, fructose consumption, and the risk of gout in men: prospective cohort study. BMJ Publicado online em 31 de Janeiro.

Informação para especialistas e estudantes de medicina

Gota – Sintomas, Causas e Caracteristicas do Diagnóstico

– Especialmente comum entre nativos das ilhas do pacífico.
– Amplo espectro de doença, incluindo episódios recorrentes de artrite, tofos, nefropatia intersticial e nefrolitíase por ácido urico.
– O primeiro ataque de gota é tipicamente noturno e, em geral, monoarticular, com dor “agravada pelo peso do lençol”; com episódios repetidos pode tornar-se poliarticular.
– Acomete, em ordem decrescente de frequência: a primeira articulação metatarsofalângica (podagra), parte intermédia do pé, tornozelo, joelho, pulso e cotovelo; quadris e ombros são tipicamente poupados.

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– A hiperuricemia pode ser primária (causada por hiperprodução [10%] ou excreção deficiente [90%] de ácido úrico) ou secundária ao uso de diuréticos, agentes citotóxicos (especialmente ciclosporina), distúrbios mieloproliferativos, mieloma múltiplo, doença renal crônica.
– Após longos períodos de gota não-tratada, surgem tofos (depósitos de urato monossódico com reação de corpo estranho associada) nos tecidos subcutâneos, cartilagem, orelhas e outros tecidos.
– A identificação dos cristais de urato sódico semelhantes a agulhas e de birrefringência fracamente negativa no líquido articular ou nos tofos é diagnóstica.

Diagnóstico Diferencial:
celulite, artrite séptica, pseudogota, artrite reumatóide, intoxicação crónica por chumbo (gota saturnina).

Tratamento
– Tratar primeiro a artrite aguda e, depois, a hiperuricemia.
– Para os episódios agudos: resposta terapêutica notável aos AINE (p. ex., indometacina, 50 mg 3 vezes/dia), e aos corticosteróides intra-articulares ou sistêmicos.
– Para profilaxia crónica em pacientes com freqüentes episódios agudos, depósitos tofáceos ou lesão renal: alopurinol e probenecida (agente uricosúrico) com colchicina oral concomitante.
– Evitar o uso de tiazidas e diuréticos de alça.

Dica
Uma “artrite reumatóide” de longa duração, que não acomete os ombros e os quadris, é mais provavelmente gota.

Referência: Terkeltaub RA

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11. Fevereiro 2010 by admin

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