Limão

O limão é um fruto aredondado e ligeiramente alongado, pertence à família dos citrinos e por isso partilha muitas das características de outras espécies de citrinos, como é o caso da casca grossa. A polpa é de cor amarelo pálido, sumarenta e de sabor ácido e está dividida em gomos. A casca é amarela e especialmente brilhante quando o fruto está maduro.

Utiliza-se em fresco para usos culinários, e o seu sumo é industrializado para preparados alimentícios. Na indústria farmacêutica é matéria prima para o fabrico de numerosos medicamentos, e pode-se utilizar em numerosos remédios caseiros.

800px Lemon 566x400 Limão

fruto

É um fruto de características muito parecidas com os restantes citrinos porque tanto a sua casca como a sua polpa são semelhantes, embora a cor e o sabor de uns e outros sejam totalmente diferentes, especialmente se compararmos o limão com o fruto mais representativo desta família, a laranja.

O limão é redondo, ligeiramente alongado, possui uma casca forte e resistente, é de cor amarelo intenso quando está maduro, brilhante e ao ser cortado liberta um aroma especial. A polpa está dividida em gomos, é sumarenta, de sabor ácido e de cor amarelo pálido.

O seu consumo em fresco está reduzido à gastronomia, e o seu principal uso é como sumo em condimentos para sopas, bebidas, saladas, pratos de peixe e centenas de sobremesas. Em Gastronomia o limão divide o lugar com a lima mexicana. A lima é um citrino proveniente da Malásia e o seu cultivo está restringido aos trópicos e às áreas subtropicais húmidas e quentes, pois é um fruto muito sensível ao frio. A lima é mais pequena do que o limão, consome-se em verde e é muito usada em países como a França. As limas dividem-se em dois grupos: limas ácidas, com interesse comercial, e limas doces.

As limas ácidas, por sua vez, subdividem-se em dois grupos: limas ‘Tahití’, ‘Persa’ ou ‘Bearss’ do grupo Citrus latifolia, que tem o fruto maior; e limas ‘Key’ ou ‘Mejicana’ do grupo Citrus aurantifolia de fruto mais pequeno. As limas de polpa doce são Citrus limettioides e a variedade mais cultivada é a chamada lima doce da Índia. Como não tem acidez, não se utiliza como as outras limas em substituição do limão.800px P1030323 533x400 Limão

A nível industrial, utiliza-se a polpa para a extracção de sumo e de óleos essenciais e a casca para se extraírem pectinas. A casca também serve de alimento para o gado.

Também é muito utilizada na indústria farmacêutica para fabricar numerosos medicamentos, dado o seu elevado teor em vitaminas A, B, P, K e sobretudo C.

Não só tem poder curativo através dos medicamentos, mas também a nível caseiro se pode utilizar como adstringente, tónico digestivo e em mais remédios úteis.

Também é uma matéria prima muito valiosa em drogaria, sendo utilizada para o fabrico de tira-nódoas, detergentes, perfumes elaborados com o óleo extraído da casca, etc.

A época de produção estende-se de Abril a Julho no Hemisfério Norte, mas graças à enorme quantidade de variedades, com diferentes datas de maturação, os limões estão disponíveis durante todo o ano.

Tipos e variedades de limão

Existem muitas variedades de limões e muitas vezes as diferenças entre limões de uma mesma variedade são maiores do que as diferenças existentes entre duas variedades distintas. As variedades mais importantes cultivadas em Portugal são a Eureka, Lisboa, Lunário, Galego e Vulgar, podendo as três primeiras ser produzidas sob a Indicação Geográfica Protegida de ‘Citrinos do Algarve’. Em Espanha as principais variedades são a Verna e a Fino. A variedade Eureka é a mais produzida na Ásia e na América do Sul.

Um limão taiti maduro pronto para ser colhido. 451x400 Limão

Um limão taiti maduro, pronto para ser colhido.

As variedades de limões apresentam entre elas diferentes características, mas estas não são tão grandes como as que existem entre distintas variedades de laranjas e tangerinas. Muitas vezes é impossível distinguir uma variedade da outra, já que a variação existente entre os frutos de uma mesma árvore é tão grande como a que se pode dar entre frutos de diferentes variedades.

As variedades mais importantes em Espanha são a Verna e a Fino, ocupando 90% da superfície cultivada, correspondendo o resto às variedades Eureka, Lisbon e Villafranca.

A variedade Verna é de origem espanhola. A sua produção representa 70%, ou seja cerca de 654.000 toneladas e cultiva-se sobretudo em Alicante e Murcia. A variedade Fino provém de uma antiga variedade espanhola cultivada em redor do rio Segura. É a variedade mais precoce de Espanha e representa 20% da produção.

A variedade Eureka é a mais cultivada fora da área mediterrânea, especialmente na Califórnia, Austrália, África do Sul, Argentina e Israel. A variedade Lisbon é de origem australiana e é cultivada em grandes áreas do deserto do Arizona. A variedade Villafranca tem importância em zonas como Israel, mas está a ser substituída por outras variedades.

Outras variedades: ’Primofiori’, ‘Interdonato’, ‘Femminello’ que representa a maior parte da produção de limões de Itália, ‘Génova’, ‘Itálian’, ‘Lapithkiotiki’, e ‘Meyer’.

Descrição de algumas variedades:

‘Fino’
O fruto é esférico ou ovado, com um mamilo curto, de casca lisa e delgada. A polpa é sumarenta, tem um alto teor em sumo e poucas sementes. A árvore é vigorosa, produtiva e possui espinhos.

‘Verna’
Produz frutos de tamanho médio ou grande, com um mamilo pronunciado e colo bem desenvolvido. A casca é grossa, rugosa e irregular, a polpa é tenra e o seu sumo tem uma adequada acidez, se bem que seja menos abundante do que noutras variedades.

‘Eureka’
O fruto possui uma casca de grossura média ou fina, normalmente lisa, embora apresente alguma rugosidade sobretudo se é cultivada em climas mediterrâneos. Este limão contém muito poucas semente e o sumo é muito ácido.

‘Lisbon’ (‘Lisboa’)
O fruto é muito parecido com o da variedade Eureka, embora possua um mamilo menos pronunciado e a textura da casca seja mais rugosa. Os teores de sumo e acidez são semelhantes aos da Eureka.

‘Villafranca’ (‘Vila Franca’)
É um fruto que apresenta mais sementes que a variedade Eureka. É uma árvore mais vigorosa do que a Eureka, mas quando são adultas é muito difícil distinguir as duas variedades.

‘Primofiori’
Fruto de forma arredondada ou ovada, com um mamilo curto, casca lisa e fina e polpa sumarenta com poucas sementes.

‘Interdonato’
O fruto é grande, alongado e liso, mas pobre em sumo. A casca é delgada e a polpa está dividida em 6-7 gomos, com poucas sementes.

‘Femminello’
Esta variedade engloba diferentes selecções de limões de tamanho médio, de casca bastante grossa e com teor em sumo menor do que outras variedades, mas mais ácido. A quantidade de sementes existente depende da colheita.

‘Génova’
É uma variedade cultivada na América do Sul. O fruto é de casca lisa e polpa sumarenta e ácida.

‘Lapithkiotiki’
É a variedade de limoeiro mais importante na costa Norte do Chipre. O fruto possui uma pele fina e uma polpa muito sumarenta com poucas sementes.

‘Meyer’
É um híbrido de limoeiro, laranjeira e tangerineira. O fruto é muito parecido com a laranja, é de tamanho grande e tem a forma redonda, com um pequeno mamilo. A casca é laranja-amarelada, lisa, mole e delgada e não tem o aroma característico de limão. A polpa é de cor amarelo escuro, muito sumarenta e macia, com cerca de 10 sementes no seu interior.

‘Lunário’
É árvore remontante, muito produtiva e difundida em Portugal, que produz frutos ovais, de tamanho médio e de casca fina aderente à polpa, que é esverdeada.

‘Vulgar’
Frutos oblongo-elipsóides, de cor amarelo-limão, de tamanho médio e com mamilo.

‘Galego’
A árvore é muito produtiva e rústica e os frutos são pequenos e ácidos.

Arvore do limão – Limoeiro

O limoeiro é uma árvore com 6 metros, de folha perene que produz frutos durante todo o ano. É muito sensível ao frio, mais do que a laranjeira, a tangerineira e a toranjeira. As suas flores são grandes e de cor púrpura.

A árvore é de porte baixo, com 6 metros de altura, tem folhas persistentes, dentadas e pontiagudas. Não é exigente com a qualidade do solo, pelo que produz tanto em terras de areia como em argila. É muito sensível ao frio, às geadas e às altas temperaturas, mais do que a laranjeira, a toranjeira e a tangerineira. As flores agrupam-se em inflorescências, são grandes e de cor púrpura.

Citrus limon na província de Lucca. 533x400 Limão

Citrus limon na província de Lucca.

Uma característica que diferencia o limoeiro dos restantes citrinos é que este tem mais de uma floração ao ano, ou seja, os limoeiros são remontantes. Numa mesma árvore podemos encontrar limões em distintas fases de crescimento. Este fenómeno permite obter, através de um controlo da produção, limões nas épocas do ano em que são mais escassos. Para além de se poder controlar a floração, o limão pode-se armazenar durante longos períodos de tempo sem perda de qualidade.

O limão é da família das Rutáceas, do género Citrus e da espécie Citrus limon. É um fruto ovado, com 7-12 cm de comprimento, de casca amarelo dourado, ponteada de glândulas que contêm óleos essenciais. A polpa divide-se em gomos que contêm um sumo de sabor extremamente ácido. No interior e em função das variedades, aparecem pequenas sementes ligeiramente redondas e pontiagudas.

O limão divide-se em três zonas, a mais externa é o epicarpo ou camada exterior, na qual existem cromoplastídeos que conferem a cor característica e câmaras secretórias que contêm óleos essenciais, usados em colónias, aromatizantes, etc.

A camada seguinte é o mesocarpo ou albedo, tem tecido esponjoso e é branco. Por último encontra-se o endocarpo ou polpa que é constituído por vesículas cheias de sumo, envolvidas por uma membrana transparente, onde estão as sementes.

As vesículas ou sacos de sumo são estruturas alongadas que crescem para o interior do fruto até o preencher. Estas vesículas contêm ácidos orgânicos e açúcares, que juntamente com água constituem o sumo.

Origem e produção do limão

O limão é originário do Sudeste Asiático, sendo produzido nos nossos dias em todas as áreas tropicais e temperadas do globo. O principal país produtor é o México, seguido da Índia, enquanto que a Espanha é o primeiro país exportador de limões e de limas.

Provavelmente o limão teve origem no Sul da China, local onde se lhe presta culto e onde o fruto é um símbolo da felicidade. O limão é cultivado na Ásia há mais de 2.500 anos. Uma vez espalhado o cultivo pela China, o limão chegou à zona do actual Irão. Foram os árabes, a partir do século X, que difundiram o limão pela Bacia Mediterrânea, para Este até à Grécia e para Oeste até Espanha.

flores 533x400 Limão

flor do limão

Actualmente produzem-se limões em todas as áreas tropicais e temperadas do planeta. Segundo a Fresh Produce Desk Book de 2001, a produção mundial de limões e limas atingiu cerca de 9.637.000 toneladas. O quadro seguinte reflecte a distribuição da produção por continentes.

  
PAIS
 
  PRODUÇÃO (milhares toneladas)        % 
      1998    1999     
  África    567    571    6 
  Ásia    3.058    3.061    32 
  Europa    1.685    1.641    17 
  América do Norte    2.265    2.293    24 
  Oceânia    36    36    – 
  América do Sul    1.979    2.035    21 
  TOTAL    9.590    9.637    100 

Fonte: Fresh Produz Desk Book (2001).

A produção europeia ocupa o quarto lugar no ranking mundial. Os principais países produtores são a Espanha, a Itália e a Grécia.

Os 10 principais países produtores do mundo, assim como a evolução de produção nos últimos anos, encontra-se no seguinte quadro:

  
PAIS
 
  PRODUÇÃO (milhares toneladas)             
      1989-91    1996    1997    1998 
  México    727    1.126    1.126    1.091 
  Índia    747    980    1.000    1.000 
  Irão    460    754    940    1.000 
  Argentina    497    801    871    871 
  Estados Unidos    718    913    869    848 
  Espanha    603    484    647    688 
  Itália    674    610    615    610 
  Brasil    392    455    455    455 
  Turquia    374    401    270    360 
  Egipto    352    312    264    300 

(inclui limões e limas)
Fonte: Anuário FAO de Produção (1998).

Como se pode observar o país com maior produção de limões e limas é o México, com valores muito próximos da Índia.

Em Espanha a principal zona produtora é a costa levantina, sendo Valência, Alicante e, sobretudo, Murcia os maiores produtores de limão, existindo grandes extensões destinadas à exportação para a Europa.

No quadro em baixo indica-se a superfície cultivada de limões em 1989, em hectares, das 8 províncias com maior importância:

  
PROVÍNCIA
 
  SUPERFÍCIE (ha) 
  Murcia    25.567 
  Alicante    15.553 
  Málaga    5.588 
  Almeria    1.191 
  Sevilla    313 
  Canárias    265 
  Baleares    264 
  Valência    220 
  TOTAL (toda Espanha)    49.566 

Fonte: Anuário de Estadística Agraria 1989. Ministerio de Agricultura, Pesca e Alimentação. Secretaría Geral Técnica.

Pela análise dos dados anteriores, verifica-se que mais de metade da superfície produtora em Espanha se centra na província de Murcia, superando toda a área cultivada em Alicante e Málaga.

Em relação às exportações, os 10 principais exportadores de limões e limas são:

  
PAIS
 
  EXPORTAÇÕES     
      toneladas 1998    milhares de $ 1998 
  Espanha    501.177    260.636 
  México    217.679    54.907 
  Argentina    154.345    73.376 
  Estados Unidos    121.715    81.448 
  Turquia    103.475    58.001 
  Holanda    82.034    55.379 
  África do Sul    55.000    17.050 
  Grécia    36.904    12.388 
  Itália    24.722    14.562 
  Uruguai    17.844    6.940 

(Exportação de limões e limas)
Fonte: Anuário FAO de Comércio (1998).

Pode-se observar a enorme diferença entre a exportação de Espanha e os restantes países exportadores. A Espanha exporta mais 280.000 toneladas do que o México, o segundo país exportador. A quantidade de toneladas exportadas por Espanha supera o total de toneladas exportadas pelo México, Estados Unidos e Argentina.

Os dez principais países importadores de limas e limões são:

  
PAIS
 
  IMPORTAÇÕES     
      toneladas 1998    milhares de $ 1998 
  Estados Unidos    183.473    58.750 
  Alemanha    133.045    88.359 
  França    116.726    84.994 
  Holanda    102.422    65.267 
  Polónia    96.966    42.946 
  Federação Russa    96.436    29.560 
  Japão    86.445    130.658 
  Reino Unido    61.928    50.734 
  Itália    61.345    44.366 
  Canadá    42.047    24.415 

(Importação de limões e limas)
Fonte: Anuário FAO de Comércio (1998).

Verifica-se que as primeiras posições, à excepção dos Estados Unidos, são ocupadas pelos países nórdicos. Este facto deve-se não só à satisfação das necessidades do próprio mercado interno, mas também à reexportação.

Mês de colheita – Disponibilidade nos mercados
O limão está disponível nos mercados ao longo de todo o ano, variando o país de origem e as variedades, embora a sua colheita se centre nos meses de Abril a Julho, no Hemisfério Norte. Tomando como exemplo o Reino Unido, o quadro seguinte mostra a disponibilidade das variedades que são produzidas em diferentes países do mundo.

  
ORIGEM E VARIEDADE
 
  MESES DE DISPONIBILIDADE NO REINO UNIDO 
  Argentina    Junho – Julho 
  Bangladesh    Maio – Outubro 
  Brasil    Julho – Setembro 
  Chile    Abril – Setembro 
  Chipre    Outubro – Março 
  Equador    Todo o ano 
  Egipto    Agosto – Dezembro 
  Grécia    Finais Novembro – finais Março 
  Israel    Outubro – Junho 
  Itália    Todo o ano 
  Perú    Todo o ano 
  África do Sul    Abril – Dezembro 
  Espanha    Todo o ano 
  Turquia    Setembro – Janeiro 
  Estados Unidos    Segundo a necessidade do mercado 
  Uruguai    Maio – Agosto 
  Zimbabwe    Julho – Setembro 

Fonte: Fresh Produce Desk Book (2001)

Os limões podem-se apresentar em múltiplas embalagens. Geralmente nos supermercados encontram-se em bolsas ou sacos de rede de 1,5, 2 ou 3 kg e também em caixas de até 15 kg para a livre escolha do consumidor. São usuais os tabuleiros de poliestireno expandido com filme plástico.

Os frutos colhidos são dispostos em caixas de plástico de 18 kg de capacidade e depois vão para os armazéns de preparação. Em países como o Brasil ou a Argentina, os frutos colocam-se em sacas de 400 kg, as quais são transportadas ao armazém.

Os limões transportam-se e vendem-se em caixas de madeira ou em sacos de malha. As unidades de venda directa ao consumidor podem ser caixas, bolsas ou sacos de rede com 1, 2, 2,5 ou 3 kg de capacidade.

Também se podem encontrar os limões em tabuleiros de poliestireno expandido com filme plástico, muito úteis para a dona de casa pela comodidade de transporte.

limões em conserva uma das delicias de Marrocos 341x400 Limão

limões em conserva – uma das delicias de Marrocos

Alguns limões são envolvidos em papel fino, denominado ‘papel de seda’, que tem impresso a marca da empresa. Segundo as normas, este papel deve ser novo, limpo, seco e não tóxico e tem de estar bem aderente e colocado em determinada direcção.

Regulamentos de comercialização
Os limões a comercializar devem estar inteiros, sãos, sem podridões ou outras alterações que os tornem impróprios para o consumo.

Em função do tipo de defeitos que apresentem, os limões dividem-se em quatro categorias: Extra, I, II, e III.

Os limões vão nas embalagens correspondentes, correctamente marcados e etiquetados.

As normas de qualidade para os limões da espécie Citrus limon (L.) Burmf estão no Regulamento (CEE) n.º 920/89, da Comissão de 10 de Abril de 1989, que estabelece as normas de qualidade para os citrinos, cenouras, maçãs e peras de mesa.

Segundo este Regulamento, os limões devem apresentar-se inteiros, sãos, sem podridões ou outras alterações que os tornem impróprios para o consumo, isentos de danos e/ou alterações provocados por geadas, isentos de matéria estranha visível, isentos de humidade exterior anormal, isentos de odores e/ou sabores estranhos.

Os limões devem ser colhidos no estado de maturação óptimo, em função da variedade e zona de produção. O seu estado de maturação deve ser tal que permita o transporte e a chegada dos limões ao lugar de consumo em condições satisfatórias. Além disso o estado de coloração deve permitir que ao chegar ao lugar de destino os limões tenham já adquirido a coloração normal da variedade.

O teor mínimo de sumo em relação ao peso total do fruto, encontra-se no quadro seguinte:

  
VARIEDADE
 
  TEOR EM SUMO (%) 
  Verdelli e Primofiore    20 
  Outras variedades    25 

A coloração deve ser a normal da variedade. Admitem-se limões de coloração ligeiramente verde que apresentem o teor mínimo em sumo, tendo em conta o período de colheita e a zona de produção. Os limões da variedade Verdelli podem ter uma coloração verde, desde que não seja escura.

Os limões, tal como os citrinos, classificam-se em quatro categorias:

1- Categoria Extra
Os limões desta categoria devem ser de qualidade superior. A sua forma, aspecto, desenvolvimento e coloração devem ser as características da variedade a que pertencem. Devem estar isentos de defeitos, excepto aqueles que não afectam nem a qualidade, nem o aspecto geral.

2- Categoria I
Os limões deste grupo devem ser de boa qualidade, apresentando as características típicas da variedade. Admitem-se certos defeitos desde que não afectem a aparência, nem a conservação. Por exemplo, são admitidos ligeiros defeitos de forma, de coloração, defeitos na epiderme produzidos durante a formação do fruto, defeitos cicatrizados de origem mecânica tais como granizo, fricção, etc.

3- Categoria II
Esta categoria inclui os limões que não podem ser classificados nas categorias superiores, mas que correspondem às características mínimas do produto. Admitem-se defeitos de forma, coloração, casca rugosa, alterações epidérmicas superficiais cicatrizadas, separação ligeira e parcial do pericarpo, sempre e quando não afectem significativamente o aspecto geral e a conservação dos frutos.

4- Categoria III
Incluem-se neste grupo os limões que não se podem classificar nas categorias superiores, mas que apresentam as características previstas para a categoria II.

O calibre dos limões é determinado pelo diâmetro máximo da secção equatorial, e tem como mínimo 45 mm para as categorias Extra, I e II, e 42 mm para a categoria III.

Quanto à homogeneidade, a apresentação dos limões deve seguir uma série de critérios. Cada lote de expedição a granel, ou cada embalagem, deve conter limões da mesma origem, variedade, qualidade, calibre e com um mesmo grau de maturação e desenvolvimento. Para a categoria Extra exige-se a homogeneidade de coloração, enquanto que para a categoria III não se exige homogeneidade do grau de desenvolvimento e maturação.

Marmelada de limão 533x400 Limão

Marmelada de limão – um piteu dos deuses

Os limões devem apresentar-se alinhados em camadas regulares, em embalagem fechada ou aberta. Estas prescrições são obrigatórias para a categoria Extra e facultativas para as categorias I, II e III. Também podem-se apresentar não alinhados em embalagem fechada ou aberta, ou a granel num meio de transporte, unicamente com a exigência do calibre mínimo.

No caso dos frutos que são embrulhados, o papel deve ser fino, seco, novo e inodoro. Os materiais do interior das embalagens devem ser novos, estar limpos e ter sido fabricados com materiais que não provoquem nenhuma alteração aos frutos. A tinta e a cola usada na impressão ou rotulagem não podem ser tóxicas. No caso de embalagens a granel, é permitido o aparecimento de pequenos ramos não lenhosos aderentes ao fruto, com algumas folhas verdes.

É proibido o uso de qualquer substância que modifique as características naturais dos citrinos, como o odor e o sabor.

Cada embalagem de limões deverá ter de forma legível, indelével e visível: o expedidor, a natureza do produto, a origem, as características comerciais e uma marca oficial de controlo.

A norma pode-se consultar em: ( http://europa.eu.int/eur-lex/é/lif/dat/1989/é_389R0920.html )

Criterios de qualidade

Gestão atmosferica pós colheita

Os limões devem ser armazenados em câmaras com temperaturas entre os 10-12ºC, já que temperaturas inferiores provocam importantes danos no fruto. A humidade deve manter-se o mais alta possível, à volta de 95%, para evitar a desidratação.

Em muitos países do mundo, a maioria dos citrinos são colhidos e mantidos em câmaras com temperaturas de 2-5ºC. No entanto, os limões e limas não devem ser armazenados a temperaturas abaixo dos 10ºC porque ocorrem danos por frio, os quais se manifestam por zonas negras e necrosadas na casca. Por isso os limões armazenam-se normalmente entre 10ºC e 12ºC.

O limão é colhido quando apresenta uma cor verde clara, adquirindo a coloração definitiva em armazém, com 95% de humidade relativa. Esta humidade relativa deve-se manter tão alta quanto possível, normalmente entre 85% e 95%, para evitar as perdas de água que são maiores quando o ambiente que rodeia o fruto é seco.

A utilização de atmosferas controladas proporciona alguns benefícios sobre os frutos, não sendo muito utilizada devido ao alto custo.

Contrariamente ao que se pensa, as alterações internas de qualidade dos limões durante o armazenamento são bastante significativas. O teor em sumo aumenta cerca de 16% que provém, principalmente, da água armazenada na casca. O teor em ácidos também aumenta e, em 4 semanas, a cor da epiderme muda de verde claro a amarelo.

Problemas pós colheita
Os problemas mais frequentes são as manchas negras e vermelhas na casca, provocadas por danos causados pelo frio. Também aparecem manchas castanhas na epiderme, por ruptura das células que contêm óleos essenciais durante a manipulação do fruto. É comum o aparecimento de bolor verde e azul.

Um pomar de limões no Galiléia em Israel 533x400 Limão

Um pomar de limões no Galiléia em Israel

- Problemas fisiológicos

a) Danos causados pelo frio
Aparecem pequenas cavidades e manchas negras e vermelhas na casca. Estes danos podem conduzir à podridão do fruto.

b) Manchas oleosas
As manchas oleosas aparecem quando as células da epiderme que contêm óleo se rompem durante a colheita ou a manipulação. O óleo inibe a correcta coloração do limão e produz manchas na pele. A manipulação cuidadosa do fruto reduz a incidência deste problema.

c) Envelhecimento da pele
O fruto que é colhido tarde e levado ao armazém, onde se irá manter durante muito tempo a baixa temperatura, é sujeito a uma excessiva dessecação que produz um escurecimento da casca, ao mesmo tempo que esta amolece e enruga na base.

- Problemas patológicos

a) Bolor verde
Causado pelo fungo Penicillium digitatum que penetra pela casca rodeando o fruto. Os sintomas começam pelo aparecimento de uma zona aquosa na superfície da epiderme, seguido pelo crescimento de um bolor sem cor, que depois fica verde.

b) Bolor azul
Causado pelo fungo Penicillium italicum que pode penetrar pela casca sã e estender-se de um limão a outro próximo. Os sintomas são semelhantes aos do bolor verde, mas neste caso o bolor é azul.

Efeitos saudaveis

Beneficios do limão para a saude
O limão fresco é muito baixo em calorias e, ao mesmo tempo, é uma boa fonte de potássio e vitamina C. A deficiência de vitamina C no organismo provoca escorbuto, uma doença potencialmente fatal que raramente ocorre nos dias de hoje. James Lind, um médico naval britânico, demostrou em 1747 que o consumo de citrinos aliviava rapidamente o escorbuto. Também se considera que a vitamina C reduz a formação de nitrosamina no intestino. A nitrosamina é um componente cancerígeno causado pela reacção do nitrito com as aminas dos alimentos. Estudos epidemiológicos indicam que o cancro do estômago é menos frequente nas pessoas cuja dieta é rica em vitamina C, e que esta vitamina melhora as funções imunológicas.

O limão fornece ainda vitaminas do complexo B, vitamina E, potassio, magnesio, calcio e fosforo, e em menor medida, cobre, zinco, ferro e manganês. O limão contém também fitoquimicos que podem diminuir a incidência de cancro, como os flavonoides, cumarinas, D-limoneno e terpenos.

Tradições populares
O limão possui numerosas propriedades: reforça o sistema imunitário, é revitalizante, activa o metabolismo do calcio para os ossos e dentes, cura as hemorragias, tem acção rejuvenescedora e auxilia em dietas de emagrecimento. Como é um fruto muito enérgico deve evitar-se o consumo por idosos e por pessoas em estado de forte nervosismo.

Desde a antiguidade muitos autores citam nos seus escritos as propriedades do limão. Plínio escrevia sobre a sua acção antivenenosa, Virgílio sobre as imensas características como alimento saudável e a medicina actual salienta as suas propriedades para curar numerosas doenças.

De seguida indicam-se algumas das numerosas aplicações medicinais do limão.

Aplicações medicinais – O limão é bom para:

Para todo o tipo de intoxicações gastrointestinais recomenda-se sumo de limão tomado com água morna, já que actua como regulador das funções. Para a acidez do estômago, contrariamente ao que se poderia pensar, o sumo de limão é adequado, pois tem um certo efeito neutralizante devido aos iões cálcio da pectina que existe entre as paredes celulares deste fruto.

Dado o forte poder adstringente do limão, a aplicação de uma compressa de sumo de limão sobre uma inflamação da pele reduz a dor.

O limão também se utiliza para a cicatrização de feridas e para parar as hemorragias, graças à quantidade de ácido cítrico que contém. O sumo aplica-se em compressas e não se aplica directamente sobre as feridas, pois provocaria um forte ardor.
O sumo de limão tomado com água quente de cozer maçãs, serve para reduzir os sintomas da diarreia.

O sumo de limão serve para todo o tipo de inflamações: da boca, da língua, das gengivas, etc. Para que o efeito seja visível, a água quente deve ter muito sumo de limão.

O sumo de limão também destrói o tártaro. Não é conveniente o uso prolongado deste tratamento porque o seu abuso pode afectar o esmalte, provocando sensibilidade dentária. Para evitar o tártaro deve-se usar pouco limão em água morna e fazer este tratamento poucas vezes.

Para parar as hemorragias nasais o limão é muito eficaz. Quando aparecem de forma súbita, podem-se pôr compressas de limão puro sobre o nariz ou aspirar pelo nariz sumo com água fria ou sumo puro, se a hemorragia é importante. Deve-se repetir a operação ou renovar a compressa até que a hemorragia pare.

O sumo de limão puro serve para desinfectar os olhos do recém nascido. Para a conjuntivite aguda deve-se lavar os olhos com limão quente ou morno no Inverno e frio no Verão.

Os gargarejos frequentes com sumo e água, em partes iguais, são eficazes no combate a inflamações e catarro. A aplicação de compressas no pescoço embebidas em sumo de limão são um remédio eficaz. O xarope de cebola e limão é um dos remédios tradicionais para combater as constipações.

Para as indigestões após refeições abundantes é recomendável tomar água quente com muito sumo de limão, sendo conveniente seguir com o tratamento até ficar melhor. No caso de diarreias recomenda-se tomar o sumo de um ou dois limões com água muito quente, evitando a ingestão de alimentos durante um certo período de tempo.

Em caso de hemorragias, quando são devidas a hemorróidas internas, aplica-se um clister de limão e água morna, na razão de duas ou três partes de água por cada parte de sumo. É importante que as pessoas que sofrem de obstipação tenham em conta que o limão é muito adstringente.

Para taquicardias produzidas pela ingestão de alimentos degradados, é eficaz tomar limão com água quente no Inverno e fria no Verão.

Na inflamação dos ovários é indicado a ingestão de meio ou um limão, duas ou três vezes por dia, meia hora antes das refeições. Os resultados são melhores se se acompanha com caldo quente de maçãs.

Para acalmar as dores de cabeça é suficiente um copo de água quente com sumo de um ou dois limões.

Para os eczemas pode-se aplicar limão em lavagens ou compressas de limão puro ou diluído em água. Para melhorar a eficácia pode-se tomar o sumo duas ou três vezes por dia, meia hora antes das refeições.
Para diminuir a gordura do cabelo pode-se massajar energicamente com sumo de limão, duas ou três vezes ao dia, alternando com sumo de cebola.

Se bem que o sumo de limão possui numerosas qualidades, também está contra-indicado em algumas ocasiões. Em caso de histeria o sumo de limão irrita e gera insónia. O limão não está aconselhado em caso de úlcera estomacal, pois aumenta a acidez do estômago. Não se devem aplicar compressas com sumo de limão sobre grandes feridas na pele, pois é irritante e causa uma dor profunda. Deve-se evitar a sua ingestão em gravidezes anémicas. Não se deve consumir com tomate porque são incompatíveis ao nível electroquímico. Durante o período menstrual deve-se evitar ingerir limão já que pode parar o fluxo, ao mesmo tempo que em menstruações dolorosas convém não consumir limões nos dias que precedem o período.

Em pessoas frágeis e idosas o uso de limão deve realizar-se com muita prudência pois é um fruto muito enérgico. O consumo de limão pode agravar as irritações da garganta. Os idosos com hipertensão devem evitar a ingestão de limão porque pode aumentar a pressão arterial, havendo risco de embolia.

02. Junho 2010 by admin
Em: Plantas Medicinais | Comentar

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