Miomatose Uterina

Aula gravada de GinecologiaMiomatose Uterina

Não se sabe com precisão a origem e o mecanismo de desenvolvimento dos leiomiomas. Denomina-se leiomioma uterino a neoplasia de natureza benigna constituída por fibras musculares lisas e por estroma conjuntivo vascular.

Sinônimos – Escleroma, fibroma, fibroleiomioma, tumor fibróide e fibromioma.

Incidência de 40% em mulheres acima de 40 anos e sintomático em 50% dos casos. Raro antes da menacme e regride após a menopausa. Comum em mulheres da raça negra (3 a 9 vezes), nulíparas e com antecedente familiar de leiomioma uterino.

Etiopatogenia

Fatores ligados ao aparecimento e crescimento do mioma.
Início da gravação da aula.
… o estômago diminui a atividade da enzima 17 beta hidroxidesidrogenase, diminuindo a conversão do estradiol em estrona tornando o meio hiperestrogênico. Já a progesterona ativa a enzima 17 beta desidrogenase acelerando a conversão do estradiol em estrona, que tem uma ação estrogênica menos potente, tornando, também, o meio hipoestrogênico. Então, o estrona vai agir de uma forma menor mas, também, age no crescimento do mioma.

Vocês, vão ver algumas pacientes dizendo que a mulher que tem mioma e engravida, depois da gestação esse mioma pode aumentar de tamanho, porque? Porque na gravidez temos a progesterona que atua no mioma, acelerando de uma forma mais lenta o seu crescimento. O estrogênio acelera 2 vezes mais o crescimento do mioma já a progesterona 1x mais Então, na grávida temos a ação da progestiona por 9 meses, apresentando um crescimento menor do que se estivesse sobre a ação do estrogênio mas ela tem ação sim. A progesterona diminui o sangramento a sintomatologia da paciente, ela ao converter o estradiol, que tem uma ação estrogênica muito potente, em estrona, que tem uma ação estrogênica menor (menos potente), continuamos a ter o crescimento do mioma porém de uma forma mais lenta. Então progesterona não diminui o crescimento de mioma.

O mioma pode ter 3 localizações: subseroso (superficial externa), intramural (na parede do miométrio), submucoso (cavidade interna). Qual dos 3 sangra mais? O submucoso porque está em contato com a superfície do endométrio. O endométrio cresce por ação do estrogênio, no início do ciclo temos a proliferação do endométrio mas com a presença de um mioma esse endométrio, também, irá crescer ao redor do mioma cobrindo toda sua superfície passando a aumentar de tamanho.

Então a superfície de endométrio desse útero passa a ser maior, pois essa superfície que não existia antes (endométrio ao redor do mioma) foi deslocado e criado. Quando essa mulher menstruar, descamar, vai sangrar todo o endométrio mais aquele que recobre o mioma aumentando o fluxo sangüíneo, por isso, a paciente com miomatose uterina se queixa de hipermenorréia. Quando se faz progesterona, ela reduz essa superfície de endométrio.

… A turma não conseguiu entender … vamos de novo: Ex.: paciente negra, 45 anos, nulípara (não tem filhos), apresenta história familiar com a mãe que desenvolveu mioma. Então, é uma paciente de risco para miomatose uterina. Essa paciente se queixa de aumento do fluxo sangüíneo dizendo que antes ficava 4 dias menstruada e agora fica 7 dias, mudando seu padrão vaginal. Nossa conduta será pedir uma US transvaginal, aí aparece um mioma submucoso de 3cm e você quer saber qual a relação dele com o aumento do sangramento. Iremos pensar que a superfície do endométrio foi deslocada, estará recobrindo esse mioma que está para dentro da cavidade, portanto isso irá resultar no aumento do sangramento (haverá descamação do endométrio que reveste o útero mais o endométrio que reveste o mioma). Como iremos tratar essa paciente? O médico irá receitar progesterona para ela não menstruar mais. A progesterona irá acelerar o crescimento do mioma de forma lenta, devido ela transformar o estradiol em estrona que é menos potente. Muitos médicos usam progesterona achando que o mioma irá parar de crescer, não vai!

A mulher que tem mioma, antes de ela querer engravidar temos que avaliar o tamanho, localização, se vai dificultar o crescimento do neném, dificultar o parto. Vamos supor que o mioma esteja na região cervical, irá impedir o parto normal tendo que fazer cesárea. Se for na cavidade, um mioma submucoso de 8cm, ele irá competir com o tamanho do neném, e etc…

O GH tem maior resposta metabólica em mulheres da raça negra, por isso essas mulheres têm crescimento miomatoso maior.

Classificação

Quanto ao tamanho:
1º) Pequeno – não ultrapassa o pube
2º) Médio – fica entre a linha média da cicatriz umbilical e o púbis
3º) Grande – acima da cicatriz umbilical

Quanto a localização:
1º) Cervical – (2,6%) – no colo
2º) Ístmico – (7,2%) – no istmo
3º) Corporal – (91,2%)

O mioma pode ser subseroso, submucoso e intramural.
O subseroso se desenvolve na superfície do útero podendo ser séssil ou pediculado.
Obs.: O pediculoso pode acontecer de ele crescer, isquemiar e torcer op pedículo e se tornar um leiomioma parido, que é quando ele próprio rompe seu pedículo e sai por via vaginal. Pode acontecer de ficar um “vazinho” sangrando e a paciente até chocar.
O submucoso pode sair através do colo uterino sendo chamado de leiomioma parido.

Histológico

Nós sabemos que só 50% das pacientes se tornam sintomáticos, então nem toda paciente com mioma tem que operar ou tomar remédio. Existe o tratamento clínico e o cirúrgico. Se definirmos que o tratamento será cirúrgico, ao fazer o estudo anátomo-patológico, temos algumas deliminações: o suprimento e sangue do mioma se faz da periferia para o centro e com o crescimento tumoral somado às distroções anatômicas dos vasos, observa-se uma vascularização deficiente em sua região central.

Então quanto maior o mioma, menos suprimento sangüíneo tem no seu centro, isso irá levar à algumas degenerações, que quando abrimos o nódulo miomatoso teremos as degenerações na porção central, que podem ser do tipo:
Hialina – mais comum e torna o mioma amolecido.
Cística – contém cistos com conteúdo aquoso.
Mucóide – o conteúdo do cisto é gelatinoso.
Vermelha – também chamada de carnosa, mais comum nos intramurais (parede do miométrio).
Gordurosa – presença de lipídios em seu interior.
Calcificação – mais em pacientes menopausadas, porque ela tem uma diminuição da irrigação do mioma ocorrendo calcificação dos vasos da parede do mioma e da porção central.
Sarcomatosa – é a mais temida por ser maligna, sua incidência é de 0,1% a 1,46%.

Epidemiologia

Raça: 73% das mulheres negras apresentam miomatose e 48% nas mulheres brancas.
História familiar: maior incidência quando há história familiar.
Idade: acima de 40 anos.
Menstruação: raro antes da menarca, cresce durante a gravidez ou na vigência do tratamento com esteróides sexuais e freqüentemente regridem após a menopausa (pois não há mais produção de estrogênio, não há mais ciclo menstrual; atrofia do mioma).
Paridade: o risco diminui 20 a 50% em mulheres com 4 a 5 partos a termo, apresentam risco 70 a 80% menor que as multíparas.
Infertilidade: principalmente relacionado com tumores submucosos (devido distorcer a cavidade; impede a implantação do ovo, impede a fecundação, …).
IMC: mulheres com IMC aumentado tem 2 a 3% mais chance de ter mioma do que as magras, devido a gordura depositar o estrogênio. O tecido subcutâneo serve de depósito de estrogênio (mais estradiol).
Dieta alimentar: ingestão de carne vermelha aumenta 2x o risco de leiomioma. O risco diminui 50% em mulheres com elevado consumo de vegetal.
Anticoncepção: algumas pacientes apresentam aumento do volume do mioma. O uso do DIU não altera. OBS.: Existe o Diu de mirena, que libera progesterona. A paciente com mioma não pode usar esse DIU, mas pode usar o DIU de cobre mas para isso o mioma não pode ser submucoso tem que ser intramural ou subseroso.
Atletismo: menos risco de leiomioma, pois as atletas geralmente não menstruam.
Tabagismo: diminui 20 a 80% risco em fumantes (porque ocorre inativação hepática do estrogênio).
Infecções ginecológicas: aumento o risco de leiomioma.
Doença crônica associada: DM e HAS aumentam o risco de leiomioma.

Pergunta: Uma paciente que está entrando na menopausa e que tem Miomatose Uterina. Isto impede dela fazer reposição hormonal? Depende. Se for um mioma muito grande a princípio ele vai se atrofiar com a menopausa, mas a reposição hormonal estaremos fornecendo novamente o hormônio que acabou na produção endógena dela e pode estimular o crescimento desse mioma. Podemos fazer um teste, fazendo a reposição mas devemos tomar conta do mioma. Então, fazemos um controle ultra-sonográfico e sintomatológico observando o sangramento.

Quadro Clínico

A paciente que vai ao consultório com uma hipótese de Miomatose Uterina, a principal queixa é sangramento menstrual aumentado (sangra mais que o normal). OBS.: o que mais dá esse sintoma é o submucoso.
O excesso menstrual pode levar a anemia ferropriva e suas manifestações clínicas.
… Vamos abrir um parênteses: quando temos uma paciente com anemia e que está sangrando muito, e que não é indicado o uso de alguns medicamentos para parar o fluxo dela, podemos lançar mão da progesterona que irá dar uma “segurada” no fluxo menstrual, porque se ela está com anemia e estamos fazendo reposição de Fe e ela continua menstruando continuará ocorrendo a perda de Fe. Então com a progesterona irá ocorrer uma parada no sangramento para ela repor e equilibrar e poder programar a cirurgia. Então, nesses casos é indicação fazer a progesterona, quando a paciente tem uma anemia ferropriva acentuada em que estamos repondo e não está melhorando. Fazendo a progesterona iremos dar uma segurada no fluxo, mas é temporário.
… Voltando ao quadro clínico.

Quando o útero aumenta de volume e ocupa a pelve podem aparecer sintomas urinários, como polaciúria e retenção urinária, mas se foi a nível retal temos sensação de repleção retal, e temos os sintomas venoso com hemorróida e aumento da estase venosa de edema de membros inferiores.

Também podem aparecer corrimento, conseqüente ao aumento da congestão pélvica. E quando esse corrimento for avermelhado ou sanguinolento suspeitar de necrose tumoral, no caso de odor fétido e cor amarelada suspeitar de infecção secundária e é importante descartar processos neoplásico.

Quando vamos suspeitar que o mioma teve uma degeneração sarcomatosa?

1) Quando temos aumento do volume uterino em pacientes menopausadas. A paciente que é menopausada, ela não está fazendo TRH, não teremos crescimento do mioma. Se mesmo, assim, esse mioma estiver crescendo, numa velocidade maior teremos que ficar alerta porque … “poxa galera virou a fita e não foi gravado o resto da explicação, irei acrescentar informações dos slides”…
2) Alterações bruscas nas formas e consistência do tumor.
3) Aparecimento de ascite.
4) Recorrência do tumor após cirurgia conservadora.
… no outro lado da fita: ao submeter a paciente a uma miomectomia, retira só o mioma dela, e ocorre novamente o aparecimento desse mioma podemos suspeitar que esse mioma seja de uma forma maligna.

Diagnóstico

Como vamos saber se é um mioma? Então vamos fazer:
Anamnese
Exame físico
Exames complementares
USG pélvica: quando a paciente não tem atividade sexual. Para paciente que nunca teve atividade sexual.
USG transvaginal: é a melhor.
RNM (Ressonância Nuclear Magnética): pede para útero muito volumoso, porque o transdutor da USG transvaginal tem um limite para avaliar a massa, se for uma massa muito grande, acima da cicatriz umbilical ele não vai dar o volume desse mioma. Então um mioma muito grande optar pela RNM.
Dopplerfluxometria: quando há suspeita que o mioma tem degeneração sarcomatosa. Se estiver um Doppler com aumento da vascularização para o mioma, já fica em alerta que seja um tumor maligno.
Histerossonografia: é a mesma técnica da USG, só que coloca uma sonda intra-uterina que joga líquido (soro fisiológico). Então, ela marca melhor essa cavidade uterina; é mais indicada no caso de mioma submucoso.
Histerossalpingografia: é o exame de escolha para infertilidade, para avaliação de permeabilidade tubária. Coloca uma sonda comprida, via vaginal, no colo uterino e joga um contraste que irá marcar toda cavidade e cair na trompa para poder marca-la. Se a paciente tiver uma trompa funcionante, ativa, esse contraste cai e marca todo e vai cair dentro da pelve. Aí vamos fazer um RX seriado dessa pelve para colher o trajeto desse contraste. Se no final cair dentro da pelve, marcar tudo direitinho, se teve uma permeabilidade satisfatória. Durante o exame, quando fazemos a injeção do contraste na cavidade uterina, se tiver um mioma submucoso ocorrerá uma falha de enchimento na cavidade, irá marcar só o rebordo e na porção onde está o mioma irá ficar branco. Então, ele não é o exame de escolha para avaliar miomatose e sim para avaliar permeabilidade tubária, mas ele auxilia em diagnóstico de mioma submucoso.
RX simples de abdômen: apresenta miomas mais calcificados.
Histeroscopia: exame que está sendo muito propagado para diagnóstico e retirada de mioma submucoso. Colocamos uma câmera, via vaginal e olhamos dentro da cavidade uterina visualizando-a por dentro, localizando o mioma submucoso.
Laparoscopia: mesmo procedimento da anterior só que via abdominal, colocamos a câmera via umbilical e olhamos toda cavidade pélvica dando diagnóstico mais comum de mioma subseroso.
Laparotomia: cirurgia de barriga aberta, conseguimos diagnosticar o mioma.

Diagnóstico Diferencial

O que pode dar sintomas de miomatose, mas não e miomatose:
Pólipo endometrial: que é uma tumoração na superfície endometrial que, também, leva a sangramento menstrual aumentado mas que não é mioma.
Tumores ovarianos malignos e benignos: o ovário fica muito em contato direto com a superfície externa do útero (a serosa). Então em casos de mioma subseroso podemos fazer diagnóstico diferencial.
Adenomiose: tipo de endometriose, que é a localização ectópica da glândula do endométrio no miométrio. Ele se mistura com as fibras musculares.
Mio-hiperplasia difusa: aumento da propagação das fibras musculares de forma irregular.
Endometriose: localização ectópica do endométrio.
Endometrioma: denominação de endometriose no ovário.
Abscesso ovariano: complicação mais comum de doença inflamatória pélvica.
Rim pélvico.
Fecaloma.
Gestações ectópicas e tópicas.
Mola: tipo de tumor maligno que ocorre na gravidez, a paciente tem que está grávida, e ocorre uma degeneração que pode ser parcial ou completa. Ela pode ter “feco” mais neoplasia, ou pode ser só neoplasia.

Miomas Assintomáticos

Como já havia falado, toda paciente que tem mioma tem que ser operada ou fazer tratamento clínico? Não.
Quando fazemos uma USG e nos deparamos com uma paciente que tenha miomatose uterina e seja assintomática, o que iremos fazer? Deve ser reavaliada após 3 meses, caso não tenha nenhuma alteração após esses 3 meses devemos reavaliar após 6 meses por tempo indeterminado e manter o controle USG anual.

Mioma e Gravidez

Quando diagnosticado o mioma é importante conhecer o volume (tamanho) dos nódulos miomatosos e suas respectivas localizações.

Dependendo do tamanho e do local ele pode não interferir em nada na gravidez, ou pode impedir que a gravidez continue.

No 1º trimestre, do mioma na gravidez, o mais comum é a ocorrência de sangramento genital e conseqüentemente aborto. No 2º e 3º trimestre há maior incidência de parto prematuro, DPP (descolamento prematuro de placenta), apresentação fetal anômala e restrição no crescimento fetal. Após 26ª semana de gestação tem que fazer USG todo mês, porque o neném já está maior e pode haver impedimento do desenvolvimento dele. E a Dopplerfluxometria é importante para avaliar além da circulação fetal, a presença de acretismo placentário que é muito comum após miomectomia. O que é acretismo? Quando você tem o mioma que é intramural ou submucoso e você submete essa paciente a uma miomectomia, você retira junto com esse mioma parte do miométrio, então você altera a superfície de contato da placenta e do miométrio previamente existente. A placenta vai se aderir mais fortemente no miométrio, ela se entranha mais no miométrio, isso é o acretismo. Então, quando você tem um parto, que você vai ter a saída dessa placenta, ela não vai sair com tanta facilidade e aí vai ter que fazer uma retirada manual e puxar essa placenta porque se ficar algum resto placentário intra-uterino pode ocorrer uma hipotonia, esse útero não contrai continuando a sangrar e a paciente pode chocar.

A via de parto vai depender do tamanho e da localização do mioma. Se o mioma for muito baixo, cervical ou ístmica ele impede que seja parto normal tendo que programar uma cesariana. Se for um mioma a nível de cicatriz é melhor fazer um parto normal.

No puerpério ficar atendo a hipotonia uterina. O útero é composto de músculo, ele cresce durante os 9 meses e depois que a placenta e o neném sai ele vai contrair, vai ficar “pequenininho”. Se ele tiver uma desorganização do miométrio, a dificuldade dele contrair é maior, então ele se torna molengo. Esse amolecimento do útero faz com que ele permaneça sangrando e pode levar a uma hipotonia.

Pergunta: Se poderia retirar o mioma durante o parto cesariano? Não, só se faz o parto e mais nada. Ocorre uma alteração hormonal completa no organismo da mulher, então o mioma vai regredir um pouco mais após o parto ou não, tendo que dar um tempo para o organismo se recuperar. É melhor operar a paciente de novo. ex.: uma paciente que teve um neném prematuro e que tem um mioma, e você submete ela a uma miomectomia, também, esse útero não contrai porque está embebido de progesterona que provoca relaxamento da musculatura. Então, se você fez o parto de um neném prematuro e por um azar esse neném morre pós=parto, 15 dias depois por uma infecção, e você submeter essa paciente a uma miomectomia durante a cesariana esse útero que está sob ação da progesterona, que torna a musculatura mais flácida, tem uma dificuldade maior de contração. Ao fazer a miomectomia, essa levou a um sangramento e que ela teve que fazer uma esterectomia de urgência perdendo o útero, ela nunca mais vai poder engravidar.

Então a prevenção para que você não tenha uma complicação, leva a não mexer no mioma. Porque a progesterona torna o útero mais flácido, então a chance de sangramento e complicações são maiores.

Tratamento

1) Clínico

Quando a paciente tem dor pélvica, dor na relação (disparemia), podemos lançar mão dos anti-inflamatórios que auxiliam no alívio dessa dor.
Os progestágenos, não diminui o crescimento do mioma, eles antagonizam a ação do estrogênio. Eles diminuem o fluxo ou impede que continue sangrando.
O Danazol inibe o eixo hipotálamo-hipofisário, levando ao efeito colateral muito comum que é o androgênio, tornando a paciente com voz grossa, atrofia vaginal importante, sintomas semelhantes à menopausa. Esse remédio é de última escolha é quando já tentamos todos os outros métodos e não houve resultado, devido esse efeito colateral.
Análogo do GnRH (Zoladex): controla, inativa, diminui o sangramento em 48h. Após a aplicação em 48h diminui o sangramento, podendo levar a amenorréia que é a ausência da menstruação enquanto estiver fazendo o uso dele. Ele reduz em 77% o volume dos miomas. Ele só pode ser usado até 3 meses, alguns médicos usam até 6 meses mas devido essa ação de análogo do GnRH (bloqueio), perde tanto a ação do estrogênio levando a uma osteoporose androgênica. A paciente perde a capacidade de captação do Ca pelo osso, levando a osteoporose.
Resumindo: é uma droga que é usada para diminuir o tamanho, ela inibe lá no eixo hipotálamo-hipofisário a produção de GnRH, mas tem efeitos colaterais semelhantes a menopausa. Ela induz à menopausa e leva a androgênio. A paciente tem secura vaginal, perda da libido, queda de cabelo, insônia, depressão, além de fazer menorréia. É uma droga muito boa mas leva à efeito colateral muito ruim, sendo geralmente droga de última escolha para tratamento de miomatose uterina. Usando 1 mês ela já leva aos sintomas, só não podemos usar por mais de 3 meses porque levamos a osteoporose que pe irreversível.

Exemplo da professora: ela está com uma paciente de 26 anos, nulípara (nunca gestou), raça negra, sua mãe de 60 anos foi esterectomizada aos 40 anos por miomatose uterina. Essa paciente chegou ao consultório com o volume uterino de 240cm3, sendo que o normal é de 90cm3 para quem nunca gestou, esse útero está polimiomatoso com mioma subseroso, intramural e submucoso. O outro médico que tratava dela tinha receitado um anticoncepcional, diminuindo o fluxo por 6 meses. Só que mesmo com o uso do anticoncepcional ela passou a sangrar 2x, então o médico propôs fazer histerectomia só que ela não concordou pois queria um dia engravidar foi onde ela procurou a nossa professora. A professora fez a proposta de usar o análogo, só que explicou os seus efeitos e disse que é por um tempo determinado e que depois tem que se submeter a uma cirurgia para tentar retirar os miomas, além de que é uma droga cara sendo cada ampola de Zoladex 300,00 reais. Só que a professora explicou para ela o risco de durante a cirurgia de miomectomia houver complicação, muito sangramento, e ter que fazer uma histerectomia. Então tem que conversar com a paciente, explicar o uso do remédio (pré-operatório) que depois tem que fazer a cirurgia.
OBS.: Depois ela disse que o uso por mais de 6 meses do Zoladex é que leva a osteoporose.

Outro caso: uma paciente com 23 anos, que tinha usado durante 20 meses consecutivo o Zoladex, se queixando que tinha um mioma que nada resolvia seu problema e que o médico tinha passado esse remédio para ela usar pelo tempo que não quisesse menstruar. Essa paciente já tinha história de fratura espontânea de braço, uma dor lombar importante e que tinha sido encaminhada para o ortopedista para avaliar a osteoporose. Então foram 20 ampolas consecutivas, já havia passado do limite a muito tempo.
Então, pessoal, é no máximo, estourando 6 meses, mas eu não gosto de fazer por mais de 3 meses devido aos efeitos.
Ela mostrou no slide o aparelho de histeroscopia, é o tipo de exame diagnóstico e cirúrgico para retirada de mioma submucoso. No histeroscópio nós temos alças, em que usamos para “cavucar” o mioma retirando ele por fatias, a medida que vamos retirando observamos que a musculatura do mioma é mais branca e desorganizada do que o miométrio, então definimos nitidamente o limite de mioma para miométrio.

2) Cirúrgico

HTA (histerectomia total abdominal): essa é diferente da histerectomia subtotal, porque quando é total retiramos o colo uterino e útero, já na subtotal retira só útero. Quando submetemos a paciente a uma histerectomia subtotal retiramos o útero na porção ístmica dele para cima e deixamos o colo, então essa paciente no futuro se não cuidar e tiver uma lesão nesse colo pode desenvolver câncer de colo de útero. Tem paciente que é muito obesa, tem paciente que tem uma pelve muito estreita, então se a patologia é uterina optamos por fazer a subtotal deixando o colo não tendo problema nenhum, isso é devido as complicações, pois assim diminui a morbidade da paciente, uma vez que o colo tem contato com o ureter tendo maior risco de complicação.
Na histerectomia total abdominal retiramos inclusive o colo, aí quando colhemos o preventivo, vemos a vagina em fundo cego, não vemos o colo.
Então o que diferencia de total ou subtotal é a retirada ou não do colo. A HTA é indicada em: falha de tratamento clínico, paciente com prole definida sem desejo de engravidar, útero volumoso.
Histerectomia Subtotal: indicada em falha de tratamento clínico; paciente com prole definida sem desejo de engravidar; dificuldade técnica, paciente que realizar regularmente o preventivo.
Miomectomia: paciente que deseja engravidar. Então não pode tirar o útero e sim a tumoração que impede a gravidez.
Laparoscopia (Histerectomia e Miomectomia): melhora do resultado estético, porque a laparoscopia tem cortes de 1cm na cicatriz umbilical, lateral direita e lateral esquerda. Então a recuperação estética é bem melhor, ela retira todo o útero por essa via, tem uma melhor recuperação pós-operatória, sente menos dor devido a uma lesão menor da pele, tempo de permanência no hospital é pequeno e a recuperação a longo prazo é maior.
Histeroscopia (Miomectomia): miomectomia por histeroscopia, a retirada é por via vaginal. Indicação: miomas submucoso; paciente que desejam engravidar.
Embolização das artérias uterinas: pegamos um acesso venoso pela região inguinal, leva com um cateter até a artéria uterina contra lateral e injeta microembolos de silicone que cheguem até o calibre da artéria que irriga o mioma, e esse mioma vai ser embolizado, vai ser obstruído a sua vascularização, então esse mioma não vai ser muito nutrido, então irá diminuir de tamanho mas ele não desaparece. É muito comum quando temos miomas muito volumosos e que desejamos reduzir o tamanho para fazer a histeroscopia e retirar ele. Pacientes que são submetidos a esse procedimento NÃO pode ter objetivo de engravidar, porque o risco de um microêmbolo cair na circulação e fazer uma insuficiência ovariana e fazer uma perda do ovário é maior. Então se ocorrer obstrução dos 2 ovários nunca mais pode engravidar.
OBS.: Resposta de uma pergunta: o que determina a cirurgia é o sintoma, podemos ter um mioma submusoso de 3cm e um mioma subseroso de 10cm que dá menos sintoma que o submucoso.

Ler: Histerectomia

17. Fevereiro 2010 by admin
Em: Ginecologia | 27 comentários

27 Comentários no Fórum

  1. oi meu nome é iris tenho 48 anos, tenho uma filha de 26 anos e um filho d 12 anos e tenho mioma , gostaria de saber se eu posso correr algum risco na hora de ter relaçoes saxual com meu marido.e se o calor o frio vai demorar muito pra acabar. quando eu fizer a cirurgia se tudo isso vai acabar…

  2. Oi boa noite!
    Estou tão confusa, leio tantas coisas que estou com muitas dúvidas!!
    Minha filha caçula tem 19 anos, quando ela nasceu meu marido mandou fazer laqueadura e só me contou qd estavamos indo pra casa!!
    tive varios problemas menstruais cheguei a menstruar 60 dias já não aguentava meu médico indicou transfusão me neguei e optei por medicação cara mas eficaz, enfim optei por uma histerectomia tota!!
    Mas depois de 9 anos comecei a ter sangramentos corri no médico ele me disse que eu tava doida jamais!!..pq eu tinha feito a histerectomia!
    um dia passei tão mal e fui levada pro UPA lá o médico disse que eu poderia estar grávida aaaiii eu raxei de rir e falei da minha cirurgia ele perguntou quem tinha feito?? …eu disse o nome do médico ai ele começou a rir e me disse tem certeza???
    enfim fez uma ultrasson pelvica e uma transvaginal’ e descobri que foi subtotal tenho 2 ovarios e que ele deixou (5,2 x 3,9 x 3,1) essas medidas é do que ficou do meu utero!!
    e ainda tenho que ouvir meu médico dizer que tem duas mãos uma é a do homem e outra a mão de DEUS!!
    Enfim eu menstruo ou sangro??
    posso fazer fertilização??
    QUEM SOU O QUE TENHO????

  3. Estou com mioma submucoso e intramural e ja tiver um aborto e agora estou gravida novamente estou com 5,3. Será que posso ter um parto normal mme ajude. ..desde ja agradeço

  4. Quando estava com 24 anos e gravida o ginecologista descobriu um mioma, tive minha filha com 8 meses, o médico disse que o mioma a expulsou,depois de 1 ano, aos 26 anos engravidei novamente, ainda tinha mioma, meu filho nasceu por forceps , o médico disse que o nene não aguentou fazer força devido ao mioma,dois anos depois aos 28 anos o médico me aconselhou engravidar para retirar o mioma, então tive um parto cesariana, com retirada do mioma e fiz laquiadura para não engravidar mais tudo na mesma hora. depois de 2 anos aos 30 anos tive hemorragia novamente e engordei muito fora as cólicas que voltaram, fui ao G.O e se constatou um novo mioma, agora que estou com 40 anos, depois de muitas coisas e ter passado por vários médicos, esse ultimo me aconselhou fazer uma cirurgia alegando miomas gigantes e de vários tipos, dia 08/09/14 , terei que passar por uma junta médica para verificar que tipo de cirurgia terei que fazer, acho que minha saga com miomas está chegando ao fim.Vocês já viram casos parecidos com o meu?

  5. Olá tenho 33 anos ainda não tenho filhos e tem 7 dias que retirei um mioma subseroso fúndico 48 x 37 mm e dois intramurais de 9,6 e outro de 10,5 mm. A cirurgia foi realizada de forma convencional foi feito como uma cesárea estou com um pouco de dor mas estou passando bem. Tentei convencer meu medico realizar está cirurgia de uma forma menos agressiva, mas ele disse que não seria possível, fiquei muito triste pois meu sonho era ser mãe e ter um parto normal, mas segundo ele poderei engravidar daqui uns três meses porém parto normal nunca mais.
    Minha pergunta é será que nenhuma mulher que fez cesárea ou cirurgia como a minha jamais pode ser mãe de forma natural.

  6. estou tomando progesterona desde 2011 , meu sangramento parou , diz o gineco q o mioma diminuiu , mas ñ é o q vejo e o q sinto …estou sem saber o q fazer ….

  7. Não tiraria o útero antes de procurar outras opiniões(médicos), pois temos médicos radicais e outros conservadores, já li casos na internet que não tinha jeito e uns foi so retirado o mioma e outros desapareceram com tratamento. NAO FAÇA COM O PRIMEIRO MEDICO,

  8. Não tiraria o útero antes de ter varias opiniões, pois existem casos de mulheres que fizeram tratamento e conseguiram, mesmo os médicos informando que não tinha geito

  9. oi meu andrea tenho mioma submucoso acabei de fazer uma cirugia dia 16 de maio de 2014 continuo sangrando bem pouco isso é normal quais são as possibilidade de eu engravidar

  10. Tenho 24 anos meu filho foi gerado com mioma há 5anos atrás so que agora ele está muito grande de pessoas pensarem que estou gravida o ginecologista ja disse que tenho que tirar meu útero .so que esta demorando sair a cirugia corro algum risco por favor me ajudem tenho muito medo de morrer e deixar meu filho.obrigada

  11. Oi. tenho uma duvida, tenho 2 miomas um fora do utero e outro intramural de 5 cm. vou passar por uma videolaparoscopia para a retirada, nâo tenho filhos e gostaria de engravidar, minha preocupassão é se depois da retirada do intramural eu poderei engravidar ou meu utero não podera levar uma gestação., ou é melhor só retirar o que esta fora por ser maior 10cm e engravidar mesmo com o intramural para depois da gestação retiralo . A médica quer retirar os dois mas estou com medo.

  12. Estou gravida de 5 meses, estou com mioma uterino sendo que o maior e o subeseroso, estou preocupada pois gravidez e de alto risco. A minha dúvida e tiro o mioma junto com nénem ou espero 4 meses pra depos tira o mioma ?.. Por favor respondam ..

  13. tenho 28 anos gostaria de saber se a tratamento para miometrial uterino sugestivo de leiomioma? sinto muitas dores minha ginecologista não me pesso nenhu tipo de medicamento algo assim para passa o dor.

  14. oi,tenho 41anos e um bebe de 11meses percebi que depois do parto(cesariana,laqueadura)tenho muito sangramento colicas e dor durante a relaçao sera mioma?sei q durante o parto medico comentou com o assistente que eu tinha um mioma,mas nao iria tira-lo pois como minha gravidez era de alto risco pois tive pre eclampsia seria arriscado.sera que este mioma aumentou?

  15. estou gravida e tenho utero miomatoso, é perigoso para a minha gestação.quero resposta!

  16. Gostaria de saber também se é verdade que quando uma mulher tira tudo faz histerectomia ela fica sem sentir praser na relação sexual e passa a senti apenas dor? é verdade por favor mim responda com cinseridade.

  17. Tenho um mioma há mais ou menos uns 15 anos nunca senti nada antes, só que agora ele está muito crecido, o meu útero está com tamanho de 1003, diagnosticado na útima utrasson que fis no dia 10-06-11, mostrei para o meu médico e ele disse que se acabaria quando eu entrasse no período da menorpausa, tenho 40 anos, só que este está me encomodando minha barriga está crecida, nos dois primeiros dias da menstruação eu não posso sair de casa porque desse bastante, o que devo fazer.

  18. olá tenho 29 anos, e descobri que estou com mioma parido submucoso são 3,vou fazer uma cirugia e gostaria de saber se eu corro algum risco de engravidar um dia.obg aguardo a resposta.

  19. tenho 46 anos fiz a utra-sonografia constou q eu estou com mioma,mas a minha mestruação naum esta correndo corre risco de esta gravida ?

  20. tenho 25 anos e descubri q tenho um mioma,desde o ano passado,terminei um tratamento passado por ginecologista,e ele disse que não iria vir minha mestruação e só q vem todos os dias desde q comecei o tratamento,sera q é caso de cirurgia?ou depois q eu fizer outra ultrasom é q ele vai decidir(pois o mesmo ainda ta pequeno)ou se isso acaba de uma vez,poi não posso ter uma vida sexual com meu parceiro por que to sempre mestruada.sempre ta descendo alguma coisa.

  21. Preciso informacao respecto de mi diagnostico. Tengo un mima gigante no utero de casi 10 cm.Nao apresento sintomas de sangramento, mais sim outros sintomas como un abdomen grande , presion en la bexiga , dor abdominal permanante, inflamacao , azia etc entre os fisicos..e emocionalmente un tpm nuito forte y un gran desconforto durante la ovulacao…Preciso informacao respecto de que significa degeneracao central..?? y si puedo fazer algun tratamento nao violento. Muito Obrigada viviana

  22. olá sou anaildes tenho 29 anos a 6 meses descobrir que tenho miomatose subseroso e são varios sendo que o maior mede 3,1cm fprte sangramento durante a menstruação que dura 7 a 8 dias tenho uma filha de 4 anos e antes de ter minha filha eu tive 2 abortos um espontaneo e outro tive que fazer uma curetagem.depois desses abortos levei 4 anos tentando engravidar e qdo conseguir descobrir que minha gravidez era de alto risco tive que ficar de repouso absoluto durante a gravidez e no 4 mes de gestação tive sagramento e e quando tava no final começei a ter eclãmpsia e tive que fazer uma cesariana de urgencia o interassante que ate então não tinha miomatose e ate onde eu sabia só tinha ovarios polisisticos o e agora 5 anos mais tarde descobrir que estou com mioma o que qero saber é o seguinte tdo isso que passei antes e depois da minha gravidez ja eram indicios de miomatose?tda essas complicaçês foram causados pelos ovarios polisisticos? se puderem me responder estou aguardando respostas . obrigada

  23. A pouco tempo comecei a um tratamento para engravidar e nisso descobri q/ tenho um mioma de 1 centimetro fiquei preocupadissima o qeu devo fazer será q/ isso impede eu de engravidar.

  24. Eu tenho 60 anos, ja tive 2 miomas paridos, e no ano passsado fiz um curetagem para seber se o que causava o sangramento era cancer ou não, agora estou novamento com um mioma sainda…Será que o melhor não é fazer uma histerectomia de uma vez?

  25. Eu fiz uma miomectomia ha 65 dias atráz. So que estou com grande sangramento ainda.Gostaria de saber se isso é normal?

  26. tirei o utero há 4 anos, se tiver relaçao sem cuidado há risco de gravidez

  27. minha mãe esta com miomatose difusa ela tem que faze cirurgia ou tem tratamento ? ela esta com sangramento a 45 dias e esta aumentando cada dia mais isso é normal ?

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