O que acontece dentro da barriga durante a gravidez

O que está a acontecer dentro da barriga? O feto é um ser muito receptivo: vê, ouve, saboreia, toca…e suspeita-se que até aprende. Chega até ao feto a música que escutamos? Como passa o seu tempo lá dentro? Sente as nossas carícias? Porque é que às vezes dá mais pontapés do que o habitual?

Graças às ecografias e a outras técnicas modernas, estas perguntas que os pais fazem enquanto esperam o seu filho têm hoje uma resposta. Os cinco sentidos estão desenvolvidos e ele já os utiliza: sabemos que o ouvido, a vista, o gosto, possivelmente o olfacto e, desde logo, o tacto, se desenvolvem em etapas muito precoces da gestação, e que o feto usa todos os seus sentidos. Mas, alguns investigadores vão, no entanto, mais longe e sugerem que, ao fazer uso dos seus sentidos, o futuro bebé adquire habilidades que vem a necessitar na sua vida exterior. Vejamos como vive o feto na barriga da mamã.

O QUE OUVE?

Até à 26 semana, o seu ouvido está desenvolvido e capta uma variedade de sons. Segundo se conseguiu averiguar – colocando um minúsculo microfone perto do útero, o primeiro habitáculo está amenizado pela primeira melodia que compõem os órgãos maternos: o bater ritmado do coração, o fluir do sangue através do cordão umbilical, a entrada e saída de ar nos pulmões, a passagem dos alimentos pelo aparelho digestivo…

A esse hino musical sobrepõem-se o som das vozes humanas, atenuado pela barreira do líquido amniótico. Em primeiro plano destaca a voz da mãe (o feto passa grande parte do seu tempo de vigília, ouvindo-a) e, como uma espécie de ruído de fundo, as vozes das outras pessoas. Quando ouve as conversas que a mãe mantém, o feto familiariza-se com uma variedade de timbres e tons que lhe permitirão reconhecer a voz humana entre outros sons uma vez que tenha nascido.

A música também chega ao seu ouvido sem necessidade de que a mãe se situe perto de um altifalante. A vida está preenchida de sons musicais: sintonizamos o rádio enquanto conduzimos, descansamos enquanto ouvimos um CD, vemos a televisão todos os dias… Convém sabermos que nem todos os estilos musicais são do agrado do feto; o futuro bebé acalma-se com as composições de Mozart e de Vivaldi; Brahms e Beethoven aumentam os seus movimentos e o rock acelera notavelmente o ritmo do seu coração.

Algumas mães confessam ter-se assustado quando o filho que esperavam começou a dar pontapés freneticamente enquanto assistiam a um concerto de um grupo de heavy metal ou entravam num pub em que se ouvia música bakalao.
Outras mães notaram uma actividade inesperada dentro da sua barriga enquanto preparavam uma maionese com a batedeira (este electrodoméstico, além de tudo, coloca-se à altura do ventre) ou também quando contemplavam uma largada de fogo de artifício.

Visto que o ruído exterior pode influenciar o bem-estar do feto, alguns psicólogos recomendam que a grávida tenha um período diário para descansar ouvindo uma melodia.

Escutar um tema especial ao longo da gravidez tem algumas vantagens.
Acredita-se que, além de ouvir, cerca da 32ª semana o feto também pode recordar uma peça que a mãe tenha ouvido repetidamente nos meses anteriores. Com efeito, diz-se que alguns filhos de mães que ouviram ou estudaram uma peça determinada durante a sua gravidez se acalmam quando tornam a escutá-la na sua caminha depois do nascimento, ou que são capazes de repeti-la um dia, anos mais tarde, sem que omitam uma nota.

No oitavo mês o sentido do ouvido apura-se e os ecografistas comprovaram que se se faz um ruído em algum local perto da barriga da mãe, o feto volta a cabecinha para o lugar de onde provém o ruído.

O QUE VÊ?

Este órgão acaba de formar-se quando se conclui o desenvolvimento da retina, cerca do quarto mês. O feto levanta as suas pálpebras pela primeira vez na 25ª semana e a partir de então abrirá e cerrará os olhos repetidamente como se os ensaiasse para a sua nova vida. A luz do Sol ou de um foco potente atravessa a pele do abdómen e filtra-se através das paredes do útero, de modo que o bebé poderia vê-la como nós a vemos num dia de Sol radiante se fechássemos as pálpebras e voltássemos o rosto para o Sol. Graças à evolução do órgão da visão no período uterino, o recém-nascido pode ver um objecto colocado a uns 30 centímetros, que é mais ou menos a distância que o separa do rosto da mãe quando está a ser amamentado.

O QUE SABOREIA?

De vez em quando, o feto engole pequenos goles do liquido amniótico que o rodeia. Este líquido não é insípido, pois está condimentado com os sabores dos alimentos que a mãe ingere. O sentido do gosto está tão desenvolvido na 24ª semana que o feto já pode reconhecer o doce do amargo. As observações realizadas permitem afirmar que se a mãe comesse um alimento com um forte sabor a alho, por exemplo, e passado um tempo se fizesse uma ecografia do útero, poderia surpreender-se o feto a fazer uma careta de desagrado.

Segundo escreve a professora de psicologia Annette Karmiloff-Smith na revista americana Parents, o futuro bebé também é capaz de estabelecer associações entre um determinado sabor e os efeitos que produz no seu organismo. A psicóloga apoia esta informação com o seguinte: se a grávida toma um café forte o ritmo cardíaco do feto aumenta com a acção da cafeína. Se mais tarde esta futura mãe bebe um descafeínado, o coração do feto baterá mais depressa porque associou um sabor com a resposta do seu coração. Por sorte, as grávidas procuram evitar todos os estimulantes.

Os diferentes sabores que o feto degusta normalmente preparam o sentido do gosto para o leite materno. Annette Karmiloff-Smith explica na citada revista que alguns recém-nascidos cujas mães mudam de dieta depois do parto tiveram dificuldades com o aleitamento. O olfacto desenvolve-se ao mesmo tempo que o gosto, de modo que o recém-nascido é capaz de reconhecer o odor do leite materno.

EM QUE MEXE?

Nós pais surpreendemo-nos que o nosso bebé se console chupando o polegar quando tem sono ou está inquieto. Sem dúvida, esta actividade já a realizava no ventre materno. Ao chupar o dedo o feto desenvolve o reflexo de sucção e pratica as exercícios que terá de fazer quando o colocarem ao peito depois de nascer. Como as terminações nervosas da língua se desenvolvem antes que as dos dedos, os investigadores sugerem que ao chupar o polegar, o feto também obtém uma informação muito valiosa sobre o seu corpo: o tacto do seu polegar, o tamanho deste dedo… Não será o mesmo que faz um bebé com tudo o que apanha?

Também se comprovou, inclusivamente nas ecografias, que quando a mãe acaricia a sua barriga, o feto desliza para o local onde ela coloca as mãos para não perder esse calor e esse primeiro contacto.

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Em: Outros Temas | 2 comentários

2 Comentários no Fórum

  1. eu gostaria de saber…se posso ver os fogos na praia…minha cesariana esta marcada p o dia 8 de janeiro…meus sogros..morram na praia…e todo ano agente ver os fogos c eles…faz algum mal ao bebe? obrigada..vanda.

  2. nossa! nem parece que acontece isso tudo dentro da barriga da mãe
    estou de 35 semanas e a minha filha está bem espertiha….

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