Ortopedia – Punho e Mão

Aula gravada de Ortopedia – Punho e Mão

Na mão vc tem os movimentos e a sensibilidade refinada. Então a mão é uma especialidade extremamente complexa, infelizmente nem sempre os resultados são satisfatórios. Já existe ortopedista na subespecialidade de mão. O que a gente vai apresentar pra vcs é apenas uma palinha do que vem a ser mão. Hoje em dia em termo de traumatologia tem diminuído muito o trauma de mão, em decorrência a economia, em decorrência às máquinas que já tem dispositivo que a partir do momento que o indivíduo leva as mãos a máquina já é desligada. Mas é um trauma muito comum, você vai ter o camarada padeiro que faz pão todo dia, indivíduos que esmagam material para ser reciclado.

Então trauma de mão é um negócio extremamente complexo, e que muitas das vezes vai chegar pra vc e vc vai dizer o que eu vou fazer com isso? É muito interessante vc ter na cabeça, tentar salvar um dedo, tentar salvar uma mão, porque hoje em dia o emprego já está difícil, o indivíduo sem mão ele está fora do mercado. Então por mais complexo que pareçam as coisas, por mais difícil que apareça um trauma de mão vc deve sempre colocar na sua cabeça a idéia de recuperar, mas existe uma coisa importante que a gente vem batendo todo dia; vc deve sempre documentar como que vc recebeu aquela mão, eu sou muito claro com os meu pacientes, eu falo “o seu dedo está perdido, a sua mão acabou” é mais fácil eu amputar, a gente meter o bisturi e ir embora, mas eu acho que a gente deve tentar, mesmo que fique alguma seqüela, então hoje em dia vc tem de trabalhar com a paciente de forma clara, explicito, vc tem de conversar com o paciente porque está muito em moda os processos médicos. Então o grande motivador do processo médico é mau relacionamento médico-paciente, então vc tem de se aproximar dos familiares e mostrar que vc está tentando salvar aquela mão, expondo a complexidade do caso e falar com o paciente assim, claramente com o paciente ”vc está aqui no hospital quebrado, porque foi ele que te atropelou, a minha função aqui é resolver as merdas que vcs fazem lá fora”, botar claro mesmo. Que existe muitos advogados oportunistas de beira de hospital que quer tirar dinheiro do médico, e vc não tem culpa da pessoa ter se ferrado.

Muito bem, punho e mão segmento distal. Eu aprendi na minha residência que a mão era colocada pra cima, então tudo eu coloco para cima, talvez o ortopedista seja neurótico com o tal do edema, bateu vc manda botar a mão para cima. Porque vc tem que acostumar a sua visão à uma certa pradonização, se vc acostuma colocar o Rx com a mão para cima, o slide com a mão para cima, vc vê tudo pra cima. A mão é formada por escafóide, semilunar, piramidal, pisiforme, trapézio, trapezóide, captato e hamato, são os ossos do punho. A primeira fileira; escafóide, semilunar, piramidal, pisiforme. Nós temos que saber que a primeira fileira do carpo se articula com o rádio, não tem articulação com a ulna, aqui não existe articulação. E que quem se articula com o rádio é o escafóide e semilunar. O piramidal e o pisiforme não se articulam com os ossos do antebraço.

É por isso que a gente fala que toda fratura dos ossos do antebraço vc tem de manter o comprimento do rádio, porque se o comprimento do rádio não for mantido a apófise estilóide da ulna passa a bater no pisiforme. Então um dos grandes objetivos das fraturas do antebraço é vc ganhar comprimento do rádio para que o punho funcione. Trapézio, trapezóide, captato e hamato é a segunda fileira do carpo, são ossos extremamente cobertos de cartilagem, com articulação muito firme, são as articulações intermediárias entre o antebraço e a mão, carpo-metacarpiana. Semana passada eu peguei uma fratura de trapézio, nunca tinha pego, inclusive os livros não trazem fratura de trapézio. Aquilo que vc vê na osteologia vc vai ver também na radiologia – nesse momento o professor mostra o Rx dizendo que a mão está para cima, e começa a mostrar os ossos da mão.

Vcs observem que não há articulação da ulna com a primeira fileira do carpo. Vcs se lembram da anatomia da tabaqueira anatômica; é o curto extensor do polegar, o longo abdutor do polegar e o longo extensor do polegar é o CEP, LAP e LEP, que faz a tabaqueira anatômica e o assoalho dessa tabaqueira anatômica é o escafóide carpal, nós vamos ver uma patologia chamada De Quervain lá na frente que é uma patologia que compromete a bainha sinovial dessa tabaqueira anatômica, ao nível da apófise estilóide do rádio.

Primeiro metacarpo, cesanóide, vcs vão ver que o primeiro metacarpo pode fraturar na extremidade proximal, é a fratura de Bennet. Pode fraturar os bordos medial e lateral, é a fratura de Rolando.
O movimento do punho vc vai ter flexo-extensão, abdução e adução, a flexo-extensão de punho em torno de 85o , o movimento de adução é bem maior que o movimento de abdução. Nós falamos que toda a vez que vc está diante de um punho doloroso, uma mão dolorosa, um membro doloroso vc vai comparar o grau de mobilidade do segmento lesado com o normal.

Flexão das metacarpofalangianas – toda vez que vc faz a flexão da metacarpofalangiana vc vai ter a mão fechada , em que vc tem que se orientar que os raios com a mão fechada, todos eles vão se orientar pro escafóide carpal. Por que isso é importante?! O importante é que tem a região tenar e a região hipotenar, se vc observar o 5o dedo não repousa sobre a região hipotenar, então vc não pode imobilizar o dedo na borda externa porque é uma posição ante-fisiológica. Se vc imobilizar nessa posição – o dedo alinhando à posição hipotenar – quando o cara abrir a mão o dedo dele vai vir para fora, então a imobilização da mão vc tem que observar a posição fisiológica da orientação para o escafóide carpal.

Toda vez que vc tiver uma fratura de metacarpiano vc tem que observar que a polpa digital tem que ser virada para cima, porque se a polpa digital estiver rodada provavelmente está fratura vai estar rodada. Então a orientação da polpa digital é ausente, pra cima, pra vertical. Vc pode ter o desvio ulnar com flexão dos dedos, e a mão espalmada.
Toda vez que vc estiver no pronto socorro vc observe que estás linhas tem função, não são por acaso, e toda vez que vc tiver que fazer uma incisão na mão vc olha pra sua mão e vc não pode cruzar essas linhas, porque é região de fibrose. Interessante para vcs também vcs vão ver fraturas, vc tem os tendões, a musculatura extrínseca da mão, e vc tem a musculatura intrínseca da mão. Basicamente a musculatura extrínseca da mão na região flexora, é feita pelos flexores comum superficial e profundo dos dedos, essa é a musculatura extrínseca, vc tem o longo adutor do polegar. Na musculatura intrínseca vc vai ter os lumbricais, os interósseos, os oponentes e os adutores. Na extensão os extensores e os longos abdutores, essa á a musculatura da mão. Lá na frente nós vamos ver que na região metacarpofalangiana vai existir o Quiasma de Camper, isso é anatomia, o que é esse quiasma? Vc tem que os flexores comum superficial e profundo dos dedos estão no antebraço, na região metacarpofalangiana o flexor comum profundo ele abre, e o flexor superficial entra dentro dele. Então o flexor profundo abre e o superficial passa por dentro dele, então o flexor profundo passa a ser superficial e o superficial passa a ser profundo, pra fazer a flexão da interfalangiana proximal e a flexão da interfalangiana distal. Se o profundo passa a ser superficial, vai fazer flexão da interfalangiana proximal, o profundo passa a ser superficial: interfalangiana distal.

Interessante também da mão é porque vc não quebra os dedos fazendo a flexão da mão? A explicação utiliza como exemplo a varinha de molinete. Porque ela á capaz de pegar um peixe grande sem quebrar? Porque tem aqueles ilhós , aqueles anéis é como se fosse as polias dos dedos, quando o peixe pega na vara, aquela vara com os anéis a corda vai no anel e não quebra. Então as funções daqueles anéis é aumentar a resist6encia na vara, e aqui a gente tem as polias metacarpofalangianas, interfalangiana proximal e interfalangiana distal. E essas polias tem como função aumentar a resistência da estrutura óssea da mão. Tanto isso é verdade que a diferença da vara de pescar para sua mão, que vc tem as articulações interfalangiana distal e proximal, essa polias dos flexores aumentam a resistência da mão de tal forma que vc não consegue quebrar uma falange na movimentação de acomodação e flexão. Vc quebra sim pelo impacto direto ou por mecanismo de torção. Então as polias são estruturas anatômicas da mão que tem como função aumentar a resistência dos dedos. Por que estou falando isso? Tem a patologia chamada dedo em gatilho quando vc fecha a mão, o dedo fica duro, e quando vc abre o dedo volta de uma vez. O q é isso? É um processo inflamatória na polia flexora dos dedos.

Vamos ver o De Quervain também. São estruturas radiotransparentes, pois bem toda vez que vc tiver a sua mão ou a mão de alguém para ser tratada, vc deve sempre preservar as linhas da palma da mão e dos dedos.
Sempre os dedos voltados para o escafóide carpal e sempre observar se não há rotação das polpas digitais. É muito comum a fratura de segundo dedo onde vc coloca um gaze entre o segundo e terceiro, terceiro e quarto, um esparadrapo e coloca a mão em posição de função, e observar a polpa digital. Então vc utiliza o dedo que não está fraturado como suporte.
Flexão da metacarpofalangiana e extensão da interfalangiana proximal e distal, é chamada posição de baralho. Quando vc segura o baralho vc está fazendo flexão da metacarpofalangiana e extensão da interfalangiana proximal e distal, esta posição é muito comum quando vc tem lesão do nervo ulnar. A lesão do nervo ulnar baixa vc vai ter a mão em posição viciosa de posição de baralho. É diferente da mão em garra, a mão em garra é extensão da metacarpofalangiana e flexão da interfalangiana proximal e distal, é ulnar alta. A ulnar baixa vai fazer flexão da metacarpofalangiana e extensão da interfalangiana proximal e distal.

O movimento de pinça é um movimento refinado, movimento principal da mão, é com ele que vc segura uma caneta. Sempre o tratamento da mão tem como objetivo preservar o primeiro dedo e o segundo, o movimento de pinça do terceiro, quarto e quinto dedo já vem associado com a oponência do polegar.
O movimento em vc fazer a flexão dos dedos intermediários, é o movimento que vc vai abrir uma maçaneta, que vc vai tirar qualquer coisa, necessariamente vc vai fazer a garra de apreensão.
Qual a posição de função da mão? A posição é a do tônus muscular, quando vc está com a mão relaxada vc está fazendo extensão do punho, flexão da metacarpofalangiana e flexão da interfalangiana proximal e distal, então essa é a posição de função. Então toda vez que vc for fazer imobilização da mão vc vai fazer extensão do punho e flexão da metacarpofalangiana proximal e interfalangiana proximal e distal. Por que isso é importante? Porque as vezes trauma de mão vai cursar com seqüela de rigidez, então vc deve exigir primeiro a posição de função e se houver uma rigidez pelo menos essa mão está em posição de função. Então esse negócio de imobilizar dedo com abaixador de língua, palito de picolé, isso não existe!!

Deformidade de Madelung é uma condrodisplasia do bordo ulnar do rádio. Ou seja, o bordo ulnar do rádio apresenta alteração na extremidade distal e que vai desabar a primeira fileira do carpo, e vc vai ter um punho defeituoso . É uma patologia de prognóstico reservado. Coloca uma coisa na cabeça de vcs; toda vez que eu tenho um comprometimento articular, toda vez que eu tenho lesão da cartilagem articular, eu tenho que esperar uma seqüela, uma artrose. Que a cartilagem articular é a estrutura que vai propiciar o movimento indolor e com gasto mínimo de energia, então lesou a cartilagem se pode aguardar que vai haver seqüela.

Quem já fez ambulatório comigo viu, o paciente chega e fala “doutor, estou com dor aqui, nesse pontinho” isso é De Quervain. Que é o De Quervain? O De Quervain a gente sabe que essa musculatura da tabaqueira anatômica apresenta uma bainha comum que é o longo abdutor do polegar e o curto extensor do polegar, esses dois tendões passam na apófise estilóide do rádio juntos, um processo inflamatório dessa bainha desses tendões causa dor na apófise estilóide do rádio. É muito comum na mulher grávida, porque a mulher grávida apresenta um acúmulo de líquido na bainha sinovial, não vai ser incomum o pessoal da gineco ter a presença de De Quervain , o paciente chega com dor na apófise estilóide do rádio, porque a gravida acumula líquido na bainha sinovial, esse acúmulo vai acarretar o De Quervain. Assim como ela pode ter também tendinite dos extensores, é comum de acontecer. Tem tendinite dos extensores, as vezes aquele indivíduo que bate muito martelo, pessoal que quebra pedra na mão costuma ter tendinite crepitante dos extensores, o cara chega pra vc com o braço inchado, vc coloca a mão e manda ele fazer a extensão do punho parece que está cheio de areia, isso é tendinite crepitante dos extensores.

Agora toda vez que vcs tiverem tendinites, vc tem de fazer Raio X, mesmo o tendão sendo radiotransparente, porque vc tem de ter certeza que a tendinite é somente uma tendinite, quem fez ambulatório viu uma paciente que veio com diagnóstico de tendinite, ela tinha um tumor maligno do terço distal do rádio. Na medicina mesmo sabendo que a patologia não vai apresentar alterações radiológicas vc tem que se cercar para o bem do paciente para vc não deixar passar alguma patologia.
Voltando ao De Quervain, se vc pedir o paciente para fechar o dedão, fazer a oponência do polegar, a flexão da metacarpofalangiana englobando o polegar ,vc faz um desvio ulnar o paciente vai acusar dor na apófise estilóide do rádio, é chamado de Sinal de Filkenstain, e é um sinal patognomônico do De Quervain. Vc não deve indicar cirurgia na mulher gravida porque quando acabar o período gestacional vai deixar de existir o De Quervain, vc trata com AINEs, gelo e fisioterapia. Cuidado com a infiltração de corticóide!! No indivíduo que tem o De Quervain vc começa o tto com antiinflamatório, ou fisioterapia, se não houver melhora vc indica a abertura da bainha sinovial desses tendões.

Cuidado com o LER e o DORT, devido aos movimentos repetitivos da mão vc pode ter tendinite nos extensores, vc pode ter o De Quervain, cuidado quando indicar cirurgia para tendinite no paciente que está com LER e DORT! Porque o LER e o DORT são patologias sistêmicas, não é uma patologia localizada. A patologia sistêmica vc tem de estudar na complexidade sistêmica, a localizada vc resolve. Tem muitos pacientes há 8-10 anos atrás com LER e DORT, que foram submetidos a cirurgia e os sintomas não regrediram, significa que é sistêmica.
Cisto Artro-sinovial : É um cisto que tem sua origem dentro da articulação, o nome já diz artro sinovial , é um cisto que vem da articulação , e tem líquido sinovial em seu interior. Por que ocorre? É que entre o escafóide e o semilunar, a capsula dessa articulação é um pouco mais delgada, mais fina, as vezes o indivíduo faz uma força violenta então há um aumento de pressão nessa região, eu comparo mais ou menos se vc pega uma bexiga de aniversário e vc aperta na sua mão com o dedo aberto, aonde a borracha é mais delgada ela vai crescer um “calombo”. Então o cisto artro-sinovial tem como fisiopatologia o aumento de pressão dentro da articulação, dos ossos do carpo, que vai acarretar um aparecimento de uma bola no punho.

Operar ou não operar?! E porquê e pra quê? O cisto artro-sinovial é uma patologia nojenta, em termos de prognóstico! Porque qualquer medida que vc tome para resolver o problema existe a possibilidade de recidivar. Então a primeira coisa que vc tem de ter na sua cabeça é diminuir a ansiedade do paciente, vc fala que vai operar mas deve alertar que pode voltar, se não operar também pode voltar. Existe diferença do cisto entre homem e mulher?! A mulher normalmente tem a vaidade, ficar com aquele caroço no braço dela, aquele “calombão” que não pode colocar um relógio, uma pulseira que ali está incômodo. Existe vária maneiras de se tratar, uma delas é vc meter uma agulha dentro do cisto, aspirar o líquido e injetar corticóide – pode dar artrose? Pode! Pode dar necrose? Pode! Pode recidivar? Pode! Eu acho essa conduta da mais medíocre possível, mas está escrito na literatura. Existe outra técnica que vc anestesia, vc com agulha curva vc fura o cisto a linha passa dentro do cisto, e vc faz um reparo com uma gaze durante 5-7 dias, objetivo chama drenagem, eu tô drenando, furando um cisto para ele não voltar mais. Pode recidivar? Pode! Outra técnica, vc abre disseca o cisto todo ele, vai lá na base, tira, da ponto ali na base, fechando cirurgicamente. Pode recidivar? Pode!

A técnica troglodita (a que eu mais gosto!) : é vc explodir o cisto, é bonito! O cara tá com o cisto, vc tem de avisar ele senão ele vai te dar porrada. Vc coloca a toalha, faz uma hiperflexão desse punho e vem com livro bem pesado é “pá”! Tudo que vc vai fazer tem que ter uma explicação científica, senão não procede. Então quando eu coloco uma toalha na região flexora do punho e faz a hiperflexão, então vc está colocando o cisto na tensão máxima, vc vem com o livro de ortopedia e vai em cima dele. Então vc está explodindo o cisto! Vamos imaginar o cisto, vc tem uma cavidade com um líquido aqui dentro, então eu vou explodir o cisto e esse líquido vai extravasar dessa cavidade, ai que tenho que fazer? Tenho que comprimir pra que uma superfície interna do cisto encoste na outra e deixar comprimido. Então o que eu tô promovendo aí é uma contato com as duas superfícies fazendo a compressão, em 72 hs uma superfície gruda na outra. Aonde está o cisto eu coloco uma bucha de gaze e coloco uma faixa de crepom. Meu objetivo é explodir o cisto, a face interna encostar uma na outra e ter uma aderência.

Consequentemente existe a possibilidade de eu aumentar a resistência nesse local, vc tem que avisar o paciente que ele vai ter de ficar 72hs com aquele chumaço com a gaze pra comprimir. Se vc explodir o cisto e não fizer nada a cavidade vai ficar frouxa, vai cicatrizar e formar novo cisto. A desvantagem dessa técnica, vc tem de conversar com o paciente antes sobre o que vc vai fazer já que é um negócio não muito amigável, “meter o cacete no punho do camarada , se vc não avisar ele te dá um pedala Robinho na hora”! Pode recidivar? Pode! Só que nessa ocasião não tem a cicatriz cirúrgica. É uma cirurgia que paga bem , o convênio paga bem mas é um tipo de patologia que toda tática que vc utiliza existe a possibilidade de recidivar, então vc tem de ser muito claro para não fazer falsas promessas. Quando o cisto é muito pequeno ele tem a possibilidade de regredir.

Vc pode ter cisto em qualquer lugar, normalmente na região extensora vc tem menos tecido adiposo, o cisto artro-sinovial geralmente é na região extensora.

Extensão dos punhos e movimento passivo, vc pode fazer a extensão na vertical, ou a flexão do punho. Quando vc faz a extensão vc está fazendo a compressão dorsal da articulação do punho, quando vc faz a flexão forçada para baixo vc está fazendo a compressão do túnel do carpo. É chamado sinal de “Phalen”(?), esse sinal é a compressão apoiada do túnel do carpo, o túnel do carpo é um túnel ósseo em que tem uma região fibrosa onde passa o nervo mediano. Vc pode ter uma síndrome do túnel do carpo que é uma síndrome compressiva em que o doente vai acusar dor no primeiro dedo, segundo, terceiro e metade do quarto, porque essa é a sensibilidade do nervo mediano. Mulheres grávida podem ter síndrome do túnel do carpo? Pode! Acumulo de líquido na bainha do nervo mediano. Analgésico, antiinflamatório, fisioterapia e repouso. Pode melhorar? Pode! Porem se a dor for persistente, vc pode indicar cirurgia, que é a abertura do túnel do carpo para a liberação do nervo mediano. É uma cirurgia de bom prognóstico, que realmente alivia a sintomatologia do túnel do carpo. Existe outro sinal, que é o Sinal de Tinel onde ao percutir o nervo mediano no nível do túnel do carpo acarretará em uma sensibilidade exacerbada nos dedos por ele enervado, o paciente queixa de dor e formigamento nesses dedos.

Existe na região hipotenar o canal de Guilhon, onde passa o nervo ulnar. O professor mostra Rx do punho, em AP, de criança. Porquê de criança ele pergunta? Placa Epifisária presente é a resposta. Diagnóstico? Fratura em galho-verde – é a dobra em somente uma cortical. Então como quando vc pega uma cano plástico e tenta dobrar, ele não quebra, ele dobra de um lado. O semilunar vc vê nitidamente no Rx de perfil.

Fratura de Collese é chamada de fratura em dorso de garfo, por que chamada assim? Imagine quando vc tem o garfo e ele está em posição correta vc tem o cabo encostado na mesa o dorso, e a ponta dele fica pra cima. Essa é a posição normal. Por que chama dorso de garfo? Se vc pegar o garfo e inverter ele de cabeça pra baixo e apertar o cabo dele na mesa, vc vai ter o cabo e o dente dele virado pra cima, flutuando. É uma fratura que eu tenho desvio posterior e a ponta dos dedos seria como se fosse o garfo. Ë comum no idoso, no livro está definido da seguinte forma: fratura cognitiva do terço distal do rádio intra-articular com fratura da apófise estilóide da ulna. Apresenta clinicamente a imagem em dorso de garfo. É uma fratura intra-articular que tem como mecanismo de trauma a queda com a mão espalmada. Apresenta 6 desvios. Vai haver uma impactação do rádio com desvio dorsal, a superfície do rádio vai ficar mais baixa que a superfície da ulna, pela impactação eu vou ter o encurtamento do rádio, então é um fratura que exige um redução para eu ganhar o comprimento desse rádio – redução cirúrgica. Eu costumo fazer muito no PS a infiltração no foco de fratura, o camarada quebrou de imediato vc pega uma agulha com anestésico, vai no foco de fraturas, puxa o hematoma e anestesia- vc reduz na hora. Mecanismo de redução gesso axilo-palmar 4 semanas , depois 2 semanas de luva gessada, depois fisioterapia. Existe várias maneira de vc tratar Fratura de Collese, não cirúrgico e cirúrgico também! Se tá muito cognitivo e o paciente tem boa qualidade de vida, não é um paciente com muitas patias, vale a pena! Fixadura externa pode ser feita também.

Frekman modernamente classificou as fraturas do punho, a classificação dele leva em consideração se a fratura é intra-articular ou extra-articular. São fraturas que podem estar comprometendo ou não a articulação de 7 para frente tem de ser cirúrgico, e a cirurgia é medonha já operei uns 3 ou 4 punhos com Frekman 7 e 8, não é fácil! Até grau 6 de Frekman ela é extra-articular, grau 7, 8,9 e 10 é intra-articular. Então as fraturas cognitivas podem aparecer de várias formas! A classificação de Frekman tem como objetivo mostrar o grau de dificuldade de evolução da fratura do punho, do rádio.

Fratura do Escafóide Carpal – o paciente refere dor à compressão do escafóide carpal ao nível da tabaqueira anatômica, ela pode fraturar no terço proximal e médio, grau I, II, III, proximal, medial e distal. O escafóide carpal é um osso enjoado para consolidar 98% da superfície articular é recoberta por cartilagem. A irrigação do escafóide é muito particular, em que na hora da fratura vc pode ter lesão da artéria que nutre o escafóide carpal, que uma das complicações previsíveis é necrose asséptica do escafóide carpal (Koeller). O osso vai morrer por ter lesado sua artéria nutridora no mecanismo de trauma. Quando chaga uma paciente com fratura do escafóide carpal vc deve orientá-lo que pode cursar com necrose do osso, que independe de sua habilidade. Aí o osso vai morrer, o paciente vai ficar com uma deficiência. Existe prótese escafóide? Existe! Mas os resultados não são muito agradáveis. A necrose ela ocorre porque no mecanismo de trauma interrompe a irrigação do osso, então o osso vai morrer. O tto pode ser cirúrgico ou não cirúrgico, o tratamento não cirúrgico demanda 6 meses de gesso. Tem osteoporose de desuso? Tem! Tem atrofia muscular? Tem! Pode dar necrose? Pode! E o gesso engrossa o tendão. Existe um técnica cirúrgica de vc abrir, perfurar o escafóide carpal, com a perfuração vc estimularia a irrigação do escafóide carpal. Existem várias técnicas, todas elas com prognósticos reservados, é um osso enjoado. Gesso ou cirurgia.

Necrose Asséptica do Semilunar, chamada de Kienbock, é a morte do osso semilunar pela ausência de irrigação. Como é que vai aparecer radiologicamente? Uma área de esclerose, então o semilunar está todo esbranquiçado. É uma patologia que cursa com dor no punho com dificuldade da mobilidade. Tratamento: existe na literatura um tratamento que vc tira o semilunar, pega um tendão do pequeno palmar faz uma trouxinha e coloca ali. Exista a prótese de semilunar.

Quando vc faz um Rx em AP do punho vc vê o escafóide e um buraco vazio, isso é luxação do semilunar, sai, vc vê um buraco, não tem o semilunar, no perfil vc vê o semilunar sozinho. Vc pode ter a luxação do escafóide, falando de luxação do punho, vc pode ter a luxação isolada do semilunar, vc pode ter a luxação do punho com o escafóide e o semilunar, vc pode ter luxação com o semilunar no lugar e todos os ossos luxados. Então vc pode ter: luxação do semilunar, luxação do escafóide carpal, luxação perilunar do carpo (o lunar ficou, envolta saiu todo mundo), luxação periescafoulnar do carpo (o escafóide ficou, o semilunar ficou e saiu todo mundo). São luxações de trauma de alta energia que as vezes é muito difícil vc fazer a redução. O mais comum é a luxação do semilunar em que de imediato vc consegue, fazendo muita força, reduzir o semilunar. É muito difícil vc pegar na mão do camarada e puxar, sua mão escorrega, as vezes vc tem que meter um fio metacarpiano e puxar com o osso espetado, anestesiado. É difícil! Então as fraturas dos ossos do carpo são fraturas que a redução não é muito fácil. Vcs vão ler no livro: as luxações dos ossos do carpo são de difícil redução, leva pro centro cirúrgico e anestesia. Porque vc não vai conseguir reduzir no ambulatório, não teima! A mesma coisa a luxação metacarpofalangiana do 2o dedo, essa redução ele é cirúrgica, porque o metacarpiano faz a cabeça e o colo, vc tem um ligamento chamado ligamento cruciforme, que quando luxa o metacarpiano ela encarcera nele, vc não vai conseguir reduzir isso em ambulatório. A luxação metacarpofalangiana do 2o dedo é cirúrgica, vc vai ter que levar pro centro cirúrgica, abrir a articulação, tirar o ligamento cruciforme dali, pra então reduzir. Não reduz em ambulatório!

Trauma de mão, são traumas aparentemente inocentes, vc vai ver uma mão luxadinha. Cuidado! Porquê?! Porque aparentemente é um trauma vulgar, mas isso ai pode ter rolado um rolo de pastel ali, uma martelada, uma marretada em que vc tem um edema não muito significativo, mas as lesões internas podem ser extremamente complexas. Então vc deve orientar o paciente, embora o aspecto externo não seja muito agressivo, lá dentro pode estar tudo arrebentado. O que eu falo sempre, uma coisa a respeito de trauma de energia, um coisa é vc pegar uma banana e cortar com a faca, é um tipo de trauma, vc separou em dois pedaços com a faca, a outra coisa é vc separar essa banana com martelada, vc separou em duas partes mas a lesão envolta da lesão original é muito maior. É uma criança que enfia a mão em uma moenda de cana, são traumas violentos. Cuidado pois a maioria dos traumas vão cursar com seqüelas.

As incidências padronizadas para mão: é a mão em apoio palmar e a posição de pinça, essas são as duas posições clássicas para incidência de Rx. Não é AP e perfil, é AP e oblíqua. O camarada tem que realmente colocar a mão no chassi fazendo a pinça digital, porque assim eu consigo visualizar todos os metacarpianos sem superposição. Daí o professor começa a passar diversas radiografias. Toda vez que vc tem trauma de mão vc tem de pedir Rx da mão inteira, não tem Rx de dedo!

Existe muitas patologias de mão, existe o Depuytrem, é a formação de um nódulo fibroso na aponeurose palmar – é uma deformidade progressiva – vc tem o chamado pequeno palmar que ultrapassa o antebraço e na região da mão se transforma em um aponeurose palmar, as vezes a pessoa pode se queixar de um nódulo ao nível do tendão do 4o dedo flexor, aparece um bola, parece um cisto fibroso em que pode se transformar em um cordão fibroso que vai evoluindo, complexando o 4o dedo, resistente, em que vai causar esta deformidade, então vc vai ter a formação de uma anel fibroso no 4o metacarpiano. A cirurgia é a ressecção da aponeurose palmar. O tratamento na fase inicial é antiinflamatório e fisioterapia. Não confundir com dedo em gatilho!

Trauma de mão – Rx na mão inteira. Fratura de 4o metacarpiano transversal diafisária por trauma direto, tto: imobilização do 4o, 5o e 3o dedo, com gaze, esparadrapo e mão em posição de função com a calha gessada, com 15 dias eu tenho o calo fibroso, de duas a três semanas eu tenho a maturação do calo fibroso daí vc tem a consolidação dessa fratura. Ele mostra Rx e diz que quando vc vai examinar uma mão radiologicamente vc percorre dedo por dedo, falange proximal, falange média e falange distal.

Ele mostra uma fratura que pode cursar com desvio rotacional, então vc deve tomar o cuidado de imobilizar o 5o, 4o, e 3o e observar a polpa digital se está ausente, pra vc ter a consolidação , diz ele ser a radiografia de um trauma indireto.

Ele mostra uma outra radiografia que é uma fratura intra-articular oblíqua da falange proximal do 5o dedo, essa fratura é cirúrgica porque é intra-articular. Porquê a palavra intra-articular muda todo o prognóstico da fratura.

O professor continua então a mostrar inúmeras de Rx. E pergunta porque o Rx tem de ser da mão inteira? Porque não é incomum vc ter mais de uma fratura na mão.

As fraturas que comprometem a placa epifisária são classificadas como – (?)pode ser grau I, II, III e IV, quando eu tenho um fragmento (triangular) metafisário preso a epífise eu tenho um …. II. Essa fratura admite um tratamento não cirúrgico porém com redução.

Professor mostra a imagem da mão de uma criança que um armário caiu em cima!
Toda vez que vc tiver que fazer uma incisão cirúrgica na mão, vc vai evitar as pregas anatômicas, vc não deve transpassar uma prega anatômica , pois isso vai trazer seqüela: fibrose. Dessa forma as lesões indesejadas e de difícil solução são as que ultrapassam as linhas anatômicas, tendo necessidade de transpassar um linha, faz-se a zetaplastia, onde toca somente um ponto da linha anatômica. Toda vez que for operar uma mão, tem que ter conhecimento de técnicas, de vias de acesso.

A lesão mais comum é aquela onde o camarada vai dar uma facada no outro, e o cara segura a faca, elas ultrapassam as pragas, garrafa de coca-cola que explode na mão

Professor mostra a área de Brunel, é a área de ninguém, a área de fibrose então toda lesão nessa área pode cursar com fibrose, com aderência, é a área mais crítica da mão, da metacarpofalangiana até a interfalangiana proximal. É a área de pior prognóstico da mão, vc como socorrista tem de saber o mecanismo de trauma, se cortou tendão, ou artéria. É sabido que qualquer sutura para ter êxito não pode haver infecção, então a maioria das lesões tem alto poder de contaminação, eu oriento amarrar com mononalyon o coto distal e o proximal para direcionar o tendão no PS, e o cirurgião de mão vai ter a facilidade de fazer a tenorrafia. Assim lesão de tendão não é para se tratar em PS, isso é para centro cirúrgico.
Sindactilia: é uma anomalia congênita em que existe uma prega unindo os dedos, é cirúrgico, vai fazer a liberação desses dedos. Polidactilia , são 6 dedos, cuidado para indicar uma amputação em uma mão com 6 dedos, é necessário exame radiológico para verificar se existe estrutura óssea. Você tem de fazer Rx e Eletroneuromiografia, porque nem sempre o dedo mais bonitinho é o funcionante. Para assim não fazer amputação do dedo mais viável! Algumas vezes pode ser como uma verruguinha, no berçário mesmo com o bisturi vc tira , 2 horas depois já parou de sangrar

Aqui é o limite entre o ortopedista e o reumatologista: artrite reumatóide. São artropatias degenerativas e altamente deformantes, é uma doença sistêmica, coisa de reumatologista! Encaminha pro reumatologista!

Tumores ósseos, também é muito delicado, porque isso é fatal mesmo! São classificados em benignos e malignos . em termos gerais o tumor ósseo benigno radiologicamente vc consegue enxergar onde é que ele termina, é bem delimitado a imagem óssea. O tumor maligno não tem um limite preciso, vc não consegue falar onde é que ele termina.

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Em: Outros Temas | 5 comentários

5 Comentários no Fórum

  1. Bom dia, Senhores! Meu pai Teodoro Corrêa 81 anos, tem sequela de AVC que sofreu a 26 anos atrás. Em 2013 devido uma queda bateu a cabeça que mais tarde ocasionou um coágulo, foi feito o procedimento cirúrgico para retirada e, após quatro meses o guerreiro foi fazer uma tomografia e, foi constatado que teria que passar por nova cirurgia de retirada do coagulo, graças a Deus correu tudo conforme sua vontade, Hoje meu pai faz fisioterapia, anda com muita dificuldade, pois, seu lado esquerdo perdeu parte de seus movimentos, mesmo assim ele é um guerreiro e não desiste nunca, já que tem uma memória incrível, por tudo isso venho pedir-lhes que ajudem a encontrar ou desenvolver algum mecanismo, para que o guerreiro possa pelo menos recuperar os movimentos da mão, já que ela ficou com poucos movimentos e fica na maioria das vezes fechada, dificultando sua locomoção. Portanto, se alguém tiver alguma solução agradeço, desde que não seja caro, já que somos de uma classe média baixa, mais fico desde já muito grato só por você ler esse email de um Filho que reconhece a luta de um pai pela sua propria cura. ATT: Leonardo Corrêa. Em 13/09/2014

  2. Olá, meu nome é Diego, eu sofri um corte no pulso e cortei o nervo ulnar e o tendão, meus dedos anular e mindinho ficaram atrofiados, já fiz a cirurgia e gostaria de saber se a fisioterapia resolvera o meu problema de mão garra.
    Grato.

  3. Boa noite meu nome é fran gostaria de saber se existem metodos caseiros para tratar fratura do 1° e 2° metacarpiano; obrigado

  4. boa noite,meu nome é débora tenho 17 anos,eu sofri um erro médico,na mão direita sinto muitas dores no dedo,meu dedo tá torto.mais eu não tenho condições financeiras para pagar um ortopedista,peço uma ajuda.muito obrigada!!

  5. porque nao é possivel fazer a flexão da falange distal separadamente?

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