Osteoporose – exercício fisico e produtos lácteos

A prevenção começa na infância e adolescência

Os sintomas, o diagnóstico e o tratamento sobre a osteoporose são o mote deste artigo com base em dois especialistas. A reter a importância preventiva desde a infância, através da promoção de hábitos de vida saudável que devem perdurar toda a vida. O artigo faz-se ainda em torno da sensibilização de especialistas em MGF e as terapias hormonais de substituição .osteoporose

O Dia Mundial Osteoporose assinalou-se a 20 de Outubro com iniciativas que tiveram como principal objectivo sensibilizar a população.

O primeiro aspecto a apontar, segundo a reumatologista do Hospital Central de Faro, Graça Sequeira, e o ginecologista José Martinez de Oliveira, presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, é o da prevenção realizada desde a infância e adolescência. “Sem bons alicerces não se pode construir um edifício estável”, comenta Martinez de Oliveira. O exercício físico e a ingestão de produtos lácteos são as bases da prevenção da osteoporose. Estes são hábitos saudáveis que devem continuar durante toda a vida. Graça Sequeira reforça uma ideia: “O pico da massa óssea atinge-se entre os 20 e os 30 anos, por isso estes períodos da vida são muito importantes para se ganhar todo o capital ósseo que for possível. A partir desta idade é importante continuar os cuidados preventivos para se manter o capital ósseo acumulado e evitar a perda de massa óssea que se acelera a partir da menopausa”. Para assinalar o Dia Mundial da Osteoporose, a Comissária Europeia para a Saúde, Androulla Vassiliou, referiu que “a osteoporose deve permanecer uma prioridade importante de saúde para todos nós” e aconselhou ainda que “devem ser tomadas medidas relativamente aos factores de risco para osteoporose, tais como o tabagismo, o consumo de álcool, baixos níveis de cálcio, deficiência de vitamina D e estilo de vida sedentário”.

Dor e silêncio

Os sinais de alerta da doença podem alternar entre a dor e o silêncio. No primeiro caso, pode sentir-se dor na coluna vertebral, punho, extremidade proximal do fémur ou do úmero e, possivelmente, nas costelas e bacia. “Noutros casos, a osteoporose mantém-se silenciosa e os colapsos vertebrais vão-se sucedendo, surgindo a hipercifose dorsal (acentuação da curvatura do dorso), outro sinal de alerta, e a consequente diminuição de altura dos doentes”, sublinha a reumatologista. Uma vez diagnosticada a doença os cuidados a ter estão bem definidos, na opinião destes especialistas. Martinez de Oliveira afirma que o importante é “identificar as suas possíveis causas e organizar um programa de correcção das perturbações que as motivaram”. Graça Sequeira aprofunda a questão e comenta: “Os cuidados a ter consistem na prática regular de exercício físico, de preferência, com impacto, assegurar a ingestão adequada de cálcio (cerca de 1 a 1. 5g/d), tomar um suplemento de vitamina D se suspeita de deficiência vitamínica”. O combate ao álcool e tabagismo deve ser uma prioridade para o doente, uma vez que estes diminuem a mineralização óssea. A reumatologista reforça ainda: “Outro cuidado muito importante a ter, e que não se pode esquecer, é o de diminuir o risco de queda”.

Diagnóstico e tratamento

A observação dos sintomas referidos é o primeiro passo para o diagnóstico da osteoporose. O passo seguinte é o recurso a exames, como “densitometria óssea, do FRAX, e, em alguns casos, da radiografia da coluna dorso-lombar de perfil. Devemse pedir também algumas análises sanguíneas e urinárias para despiste de causa secundária da osteoporose”, afirma Graça Sequeira. O tratamento desta doença caracterizada pela diminuição da resistência óssea faz-se com recurso a fármacos “anti-reabsortivos (bifosfonatos, SERMs como o raloxifeno, THS), formadores (paratormona) e com acção dupla (ranelato de estrôncio). Actualmente preconiza-se uma estratégia para alternar períodos de tratamento de fármacos anti-reabsortivos com formadores ou, então, utilizar um fármaco que produz os dois efeitos com a mesma molécula, o ranelato de estrôncio”, explica Graça Sequeira.

O presidente Sociedade Portuguesa de Ginecologia, Martinez de Oliveira, afirma que “a doença pode ser detectada como tal ou numa fase prévia, a osteopenia”.

Osteoporose e MGF

“Penso que o médico de família está perfeitamente habilitado a acompanhar um doente com osteoporose”, afirma Graça Sequeira quando questionada sobre a sensibilização do médico de clínica geral para esta patologia. A especialista acrescenta de imediato: “No entanto, em determinadas situações deve referenciar para a especialidade hospitalar, como a reumatologia”. Os casos a que a reumatologista se refere são “todos os casos de osteoporose fracturaria, osteoporose induzida por corticosteróides, secundária, masculina e todos os casos em que, apesar da terapêutica bem instituída e cumprida, persiste uma diminuição significativa da massa óssea”.

JORNADAS DE REUMATOLOGIA E MEDICINA FAMILIAR DO ALGARVE

As V Jornadas de Reumatologia e Medicina Familiar do Algarve decorreram nos dias 30 e 31 no Hotel Hilton de Vilamoura. Responsável pela organização, Graça Sequeira explica que neste encontro foram debatidos “temas de sobeja relevância como osteoporose, fibromialgia, sindromas dolorosos regionais, gota, artrite reumatóide, importância da dieta nas doenças reumáticas e o papel da Medicina Física e de Reabilitação, entre outros. Pretendemos aproximar as duas especialidades médicas, partilhar conhecimentos, melhorar a comunicação entre os médicos de Clínica Geral/Medicina Familiar do Algarve e a Reumatologia Hospitalar, de modo a que os doentes com este tipo de patologia, na maior parte das vezes crónica, fiquem beneficiados”.

OSTEOPOROSE, A MULHER E A TERAPÊUTICA HORMONAL

As terapias hormonais de substituição não são, de acordo com Martinez de Oliveira, tratamentos da osteoporose. “A terapêutica hormonal não é um tratamento para a osteoporose. As terapias hormonais ajudam a prevenir a osteoporose e como estão indicadas na época da menopausa, ajudam a evitá-la. A osteoporose, sendo em termos hormonais sexuais um fenómeno tardio, não constitui assim uma indicação para os tratamentos de substituição, pois nesta altura não são já adequados”, diz o especialista.

NÚMEROS

9500 doentes com osteoporose sofrem fracturas da anca anualmente em Portugal

450 fracturas clínicas e 316 mortes poderiam ter sido evitadas, nos últimos 3 anos

 
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