Lili Caneças
Maria Alice Custódio Carvalho Monteiro, conhecida como Lili Caneças, nasceu a 4 de Abril de 1944. Aos 16 anos venceu um concurso realizado no Casino do Estoril, no qual se apresentou vestida de índia. Na sequência dessa vitória, foi entrevistada pelo então apresentador da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), Henrique Mendes. Impressionado com a sua aparência física, Henrique Mendes apresentou-a na televisão.
Lili Caneças Antes e Depois

Nessa altura, Lili Caneças conta que era bastante assediada, iniciando um namoro num dia, para o terminar no dia seguinte. Apesar dos inúmeros namoros e da legião de admiradores que teve no liceu e na faculdade, a socialite conta que só tinha olhos para a distante estrela de Hollywood, Marlon Brando.
Estudou no Liceu de Oeiras e mais tarde, frequentou durante três anos o curso de Filologia Germânica na Faculdade de Letras de Lisboa, da Universidade Clássica de Lisboa. Não chegou a concluir o curso, optando por começar a trabalhar como hospedeira da TAP, no aeroporto de Lisboa.
Deixou a profissão de hospedeira para se casar, aos 20 anos, com o abastado empresário da construção civil e do mercado imobiliário Álvaro Caneças. A relação durou 17 anos e o casal teve dois filhos, João e Rita. Lili Caneças descreveu o fim da relação como um dos piores momentos da sua vida. Afirmou que naquele momento, todos os pilares em que acreditava se desmoronaram: a família, os amigos e Deus. Ela resolveu terminar a relação pois não estava satisfeita com a falta de afeto que o marido demonstrava, chegando a afirmar: “percebi que a maneira de o meu ex-marido mostrar que gostava de mim era a dar-me tudo”.
Depois do divórcio, Álvaro Caneças continuou a contribuir monetariamente, ajudando Lili Caneças e a filha Rita. Ao descobrir que Lili iniciara uma nova relação, o seu ex-marido cortou os apoios, fazendo com que a mãe e filha passassem por dificuldades. Nesta fase mais difícil, Lili Caneças nunca perdeu a postura e quando tinha que limpar a casa, fazia de conta que estava no ginásio.
Posteriormente à separação, tentou voltar a usar o seu nome de solteira, mas notando que ninguém a reconhecia dessa forma, optou por manter o apelido do seu ex-marido. Lili Caneças teria mais duas relações especiais, depois de se divorciar. Ambas as relações foram problemáticas, porque os seus apaixonados eram homens cheios de vícios, com facetas de playboys bem vincadas. Numa entrevista dada em Março de 2006, Lili confessou a sua tendência para se apaixonar perdidamente por homens complicados, desequilibrados e perversos. Terminadas estas relações, mostrou-se triste com o sexo masculino em geral, afirmando que todos os homens da sua vida quiseram apenas usá-la como troféu.
Em 2001 foi convidada pela SIC, para participar no reality show “O Bar da TV”. O programa consistia no acompanhamento constante de 12 candidatos que tentavam gerir um bar nas docas de Lisboa. O programa foi apresentado por José Gabriel, cabendo a Lili Caneças o papel de comentadora residente. Os altos níveis de audiências atingidos, ajudaram-na a atingir uma ainda maior projeção nacional.
Em 2005, participou na Quinta das Celebridades II, um reality show da TVI que consistia em colocar 12 famosos, habituados a uma vida de luxo, numa quinta, sem água quente, e com a casa de banho colocada no exterior da casa. Entre outras tarefas, cabia aos concorrentes tratar dos animais e da horta. Lili Caneças foi capa de jornal, ainda antes de entrar, por ameaçar não participar no programa, caso Sá Leão, realizador de filmes pornográficos entrasse. No programa, Lili foi uma das últimas concorrentes a sair, sendo expulsa apenas na penúltima semana do programa.
Um ano depois, a sua nova cirurgia plástica foi amplamente divulgada nas revistas cor-de-rosa. Lili fez uma ritidectomia (lifting facial), com o intuito de alisar e esticar as rugas do rosto, do queixo e do pescoço e uma blefaroplastia, destinada a retificar a pele das pálpebras superiores e inferiores. Na sequência da cirurgia, afirmou que exteriormente parecia ter perdido no mínimo 15 anos. Palavras que seriam alvo de troça na imprensa.
Em 2008, aos 64 anos, garantiu que a fase das futilidades havia chegado ao fim e que se iria concentrar numa carreira de atriz. Tornou-se depois comentadora televisiva no programa Você na Tv, integrando a rúbrica Dizem Elas e Ele, que também foi integrada por Cinha Jardim e Flávio Furtado. Para além da sua carreira televisiva possui uma joalharia e criou também uma linha de joias, que foi comercializada através das televendas.
Em Abril de 2011, foi a protagonista involuntária do Baile da Rosa, um evento de cariz solidário, realizado na Cadeia da Relação, no Porto. Ao chegar às escadarias e a posar para os jornalistas, iniciou-se o fogo-de-artifício, que estava colocado ao nível do chão, fazendo com que a cauda do seu vestido se incendiasse.
Foi um operador de câmara da TVI, que mantendo o sangue frio, apagou prontamente o fogo, pisando a cauda do vestido com os pés. Lili Caneças confessou que chegou a pensar que iria morrer queimada. Curiosamente, a socialite tinha passado por algo semelhante, quando dois anos antes, ao participar na procissão das velas em Fátima, alguém lhe incendiou inadvertidamente o cabelo.
O seu ex-marido iniciou recentemente um processo em tribunal, com o propósito de a impedir de continuar a usar o seu apelido. As desavenças e reconciliações de Lili Caneças, com outros membros do jet-set nacional, como Cinha Jardim e José Castelo Branco têm sido uma constante e já fazem parte da normalidade da vida social dos colunáveis portugueses. No final de Novembro de 2011, a TVI anunciou o fim da rúbrica Dizem Elas e Ele, por questões orçamentais, ditando assim o fim da presença de Lili Caneças no canal.
Em 2006 foi lançada a biografia autorizada de Lili Caneças, escrita por Flávio Furtado, com o título “Lili Caneças – Cinderela ao Contrário”.
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Maria de Belém Roseira
Maria de Belém Roseira Martins Coelho Henriques de Pina nasceu no Porto a 28 de Julho de 1949. Licenciou-se em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, tendo terminado os seus estudos em 1972. Maria de Belém é casada e tem uma filha. Iniciou a sua vida profissional em 1973, na função de técnica do Ministério das Corporações e Previdência Social. Nos anos seguintes continuou a desempenhar cargos na Administração Pública. Foi Assessora Jurídica de vários Gabinetes Públicos, tendo como principal foco temas como Assuntos Sociais, Trabalho e Saúde. Entre 1984 e 1985, Maria de Belém tornou-se Chefe de Gabinete do Ministro da Saúde.
Maria de Belém Roseira Antes e Depois - 1980 (31 anos) – 2011 (62 anos)

Nos anos seguintes mudou drasticamente de ramo profissional e de vida, ao assumir o cargo de Administradora da Teledifusão de Macau. Manteve-se no referido posto até 1987. De volta a Portugal, rumou a Lisboa onde se tornou Vice-Provedora da Santa Casa da Misericórdia, até 1992. Nos três anos seguintes, foi Administradora-Delegada do Centro Regional de Lisboa do Instituto Português de Oncologia.
Em 1995, chegou ao governo. No XIII Governo Constitucional de Portugal, chefiado por António Guterres, foi designada Ministra da Saúde. Manteve-se no cargo até ao final da legislatura. Com a reeleição de António Guterres, Maria de Belém manteve-se como ministra, tendo desta feita a seu cargo a recém-criada pasta da Igualdade. O Ministério para a Igualdade tinha como principal desígnio contribuir para a criação de uma verdadeira igualdade entre homens e mulheres. Procurava equilibrar os direitos e as oportunidades entre ambos os géneros. Apesar dos objetivos nobres a que se propunha o novo ministério foi bastante criticado por uma vasta franja da opinião pública que o considerava inútil e despesista. Maria de Belém deixaria o cargo a 14 de Setembro de 2000.
Filiada no Partido Socialista, tornou-se deputada em 1999, pelo Círculo Eleitoral do Porto. Nas quatro legislaturas seguintes, manteve o cargo, sendo eleita alternadamente pelos Círculos Eleitorais de Lisboa e de Aveiro. Na sua carreira no parlamento tornou-se Vice-Presidente da bancada parlamentar do Partido Socialista em 2000 e Vice-Presidente do Grupo Parlamentar.
Fez ainda parte de diversas comissões e grupos parlamentares, a saber: Comissão Permanente da Assembleia da República, Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, Comunidades Portuguesas e Cooperação, Comissão Parlamentar de Inquérito aos Actos do Governo e da Administração no Processo da Fundação para a Prevenção e Segurança, Grupo Parlamentar de Amizade Portugal – Polónia, Grupo Parlamentar de Amizade Portugal – Itália, Grupo Parlamentar de Amizade Portugal – Reino Unido, Membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, Comissão Eventual de Verificação de Poderes.
Em 2008 foi nomeada presidente da comissão parlamentar de Inquérito ao polémico caso do Banco Português de Negócios (BPN). Os partidos mais representativos acordaram na necessidade de apostar num nome forte para conduzir os trabalhos e a escolha recairia em Maria de Belém.
Nas eleições presidências de 2011, foi a mandatária nacional da candidatura de Manuel Alegre. Já em Setembro de 2011, Maria de Belém anunciou a sua candidatura à presidência do Partido Socialista, um ato que foi imediatamente saudado pelo Departamento Nacional de Mulheres Socialistas que considerou que a sua candidatura representava uma mais-valiapara o partido e para Portugal. A sua candidatura foi ainda louvada como forma de promoção da igualdade dentro do Partido Socialista, algo ainda mais relevante atendendo ao seu percurso político e ao cargo anterior como Ministra da Igualdade.
No dia 9 de Setembro de 2011, no XVIII Congresso Nacional do Partido Socialista que decorreu na cidade de Braga, Maria de Belém foi eleita por maioria Presidente do PS. Num total de 788 delegados presentes, 746 votaram em si. A política substitui assim o histórico Almeida Santos, que liderava o partido desde 1982. A transmissão de testemunho ficou marcada por um abraço entre ambos.
No passado participação ativamente na fundação de diversas instituições de cariz social e humanitário, como Associação Portuguesa de Psicogerontologia, a Liga de Amigos do Hospital S. Francisco de Xavier, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima e a Associação Reintegrar.
Maria de Belém ocupa ainda diversos cargos de relevo na sociedade portuguesa, estando presente nos órgãos diretivos da Associação Portuguesa de Telemedicina, da Fundação do Gil, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, da Assembleia-Geral da União das Misericórdias Portuguesas, da Associação para o Progresso do Direito, do Conselho Geral da Universidade de Coimbra e do Concelho de Administração da Fundação Francis Obikwelu.
Assinou o prefácio do livro de investigação “O Estado da Saúde”, publicado pelo jornal Diário de Notícias, no fim de Novembro de 2011. No texto, Maria de Belém escreveu “ O sistema de saúde é uma trave-mestra da democracia, é uma trave-mestra independentemente de ser bem-sucedida.” A deputada socialista, tida como uma conhecedora profunda do Sistema nacional de Saúde, deu a conhecer a sua ideia de uma evolução positiva do meio.
De entre os inúmeros prémios e louvores com que já foi brindada, destaca-se a condecoração com a Grã Cruz da Ordem de Cristo.
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Francisco Louçã
Francisco Anacleto Louçã nasceu na freguesia de São Sebastião da Pedreira, concelho de Lisboa, a 12 de Novembro de 1956. O seu pai António Seixas Louçã era oficial da Marinha Portuguesa e a sua mãe, Noémia da Rocha Neves Anacleto, advogada. Francisco Louçã foi o segundo de cinco filhos. Francisco Louça é neto do famoso advogado antifascista António Neves Anacleto.
Francisco Louçã Antes e Depois

Louça estudou no Liceu Padre António Vieira, e no seu percurso nesta instituição ganhou um Prémio Sagres, distinção atribuída aos melhores alunos do país. Prosseguiu os estudos licenciando-se em Economia, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade Técnica de Lisboa. Também na faculdade viu o seu trabalho reconhecido, com a atribuição do Prémio Banco de Portugal, por ter sido o melhor aluno do seu curso. O ISEG ficou intimamente ligado, uma vez que ali também fez o mestrado e terminou o seu doutoramento. Nos dias de hoje é professor catedrático no departamento de Economia do Instituto Superior de Economia e Gestão.
Francisco Louça esteve envolvido ativamente no movimento estudantil de luta contra a ditadura e a guerra colonial. Em Dezembro de 1972 esteve na Capela do Rato, quando vários católicos protestaram de forma pública contra a continuação da guerra colonial e contra o regime ditatorial, realizando uma vigília. Foi um dos elementos considerados suspeitos de liderar o movimento e foi detido nas instalações prisionais do Governo Civil de Lisboa, sendo mais tarde transportado para o forte Caxias.
Mais tarde foi libertado sob caução. Fez depois parte da Liga Comunista Internacionalista, que se transformou em Partido Socialista Revolucionário em 1979. Teve ainda uma participação ativa em diversos órgãos de comunicação social, escrevendo crónicas para “O Jornal” e para “O Público” e participando em programas radiofónicos na TSF e na Antena 1.
Em 1999, foi um dos fundadores do Bloco de Esquerda, partido que congregou a Política XXI, a União Democrática Popular (de carácter marxista) e o Partido Socialista Revolucionário (de carácter trotskista mandelista). Na IV Convenção Nacional do partido, Francisco Louça foi designado porta-voz da Comissão Política.
Também em 1999, atingiu consagração internacional ao ser premiado pela HistoryofEconomicsAssociation, com o galardão “melhor artigo publicado em revista científica internacional”. Louçã é membro de algumas associações internacionais como a American Association of Economists. Pertence ao conselho editorial de publicações científicas em Portugal, Inglaterra e Brasil e é consultor de algumas das principais revistas económicas mundiais como a American Economic Review, Cambridge Journal of Economics, Metro economica e Journal of Evolutionary Economics.
A sua carreira académica já o levou a apresentar conferências em vários pontos do mundo, incluindo passagens pelos Estados Unidos da América, Dinamarca, Holanda, Espanha, Polónia, França, Brasil, Venezuela, e muitos outros países. Foi também professor visitante na Universidade holandesa de Utrecht.
Tem-se mantido na direção do Bloco de Esquerda desde a sua fundação. Foi eleito deputado em 1999, 2002, 2005, 2009 e 2011, sempre pelo círculo eleitoral de Lisboa. No parlamento, o seu grupo parlamentar destacou-se por apesentar vários projetos de lei mediáticos, entre os quais se destacam: acesso livre à contraceção de emergência, descriminalização do consumo de drogas e a criminalização da violência doméstica. Entre os projetos que foram rejeitados contabilizam-se: imposto sobre as grandes fortunas, distinção entre drogas duras e leves, administração médica de derivados de canabinóides em doentes crónicos ou em estado terminal.
Francisco Louça foi candidato às eleições presidenciais de 2006. Com o eleitorado de esquerda repartido entre vários candidatos, o seu resultado acabou por ser dececionante, conseguindo apenas o quinto lugar, com 288 mil votos, correspondentes a 5,31% dos votos.
Na V Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, realizada em 2007, a lista para a Mesa Nacional, por si liderada, atingiu 77,5% dos eleitos. A maior vitória eleitoral de Francisco Louçã e do seu partido seria obtida nas eleições legislativas de 2009. O partido conseguiu 558 mil votos, duplicando o número de deputados, de 8 para 16, e ficando a escassos 30 mil votos do CDS-PP.
O crescimento eleitoral sofreu contudo um forte revés nas legislativas de 2011. O Bloco de Esquerda conseguiu apenas 289 mil votos, voltando a ter apenas 8 deputados e perdendo a posição de principal partido da oposição de esquerda para o PCP. Na sequência destes resultados, Louça afirmou posteriormente acreditar que os mesmos foram reflexo da recusa do partido em dialogar com a “troika”, atitude que não terá sido recebido com agrado por uma grande parte do seu eleitorado. Chegaria mesmo a afirmar “se fosse hoje reuniria com a troika”.
Para além da publicação frequente de artigos em revistas internacionais, Francisco Louça mantém uma capacidade de escrita bastante profícua, já tendo editado diversos livros. Entre as suas publicações encontram-se vários ensaios políticos: Ensaio para uma Revolução (1984), Herança Tricolor (1989), A Maldição de Midas – A Cultura do Capitalismo Tardio (1994), A Guerra Infinita – em coautoria com Jorge Costa (2003),A Globalização Armada – As Aventuras de George W. Bush na Babilónia – em coautoria com Jorge Costa (2004) e Ensaio Geral -Passado e Futuro do 25 de Abril – em coautoria com Fernando Rosas (2004).
Também publicou vários livros de economia, a saber: Turbulence in Economics (1997), The Foundationsof Long WaveTheory – em coautoria com Jan Reinjders (1999), PerspectivesonComplexity in Economics (1999),Coisas da Mecânica Misteriosa (1999), Introdução à Macroeconomia – com vários autores (2002), As Time Goes By – com Chris Freeman (2002),Is Economicsan Evolutionary Science? – em coautoria com Mark Perlman (2004), Economia(s) – em coautoria com José Castro Caldas (2010), Os donos de Portugal – com vários autores (2010) e Portugal Agrilhoado (2011).
Já em Novembro de 2011, Francisco Louçã aceitou finalmente que o Bloco de Esquerda se reunisse com a troika, em reuniões à porta fechada. Mudando assim a estratégia adotada nas reuniões anteriores de Abril. Também o PCP resolveu seguir a mesma estratégia.
Francisco Louçã não expõe muito a sua vida familiar. Vive em união de facto com Ana Maria da Encarnação Correia de Campos, médica de profissão. O casal tem apenas uma filha, Joana de Campos Louçã.
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Paulo Portas
Paulo de Sacadura Cabral Portas nasceu em Lisboa, a 12 de Setembro de 1962. Filho de Nuno Portas, arquiteto de profissão e de Helena de Sacadura Cabral, uma reputada economista e jornalista. É irmão de Miguel Portas, seu rival político de esquerda e meio-irmão de Catarina Portas, empresária e jornalista. Estudou numa escola privada, o Colégio de São João de Brito e licenciou-se em Direito na Universidade Católica Portuguesa, com uma média de 12 valores. Com apenas 15 anos estreou-se no jornalismo, integrando a redação de O Tempo, como estagiário. Trabalhou de seguida nas publicações A Tarde e Semanário.
Paulo Portas Antes e Depois – 1980 (18 anos) – 2011 (49 anos)

Em 1975, iniciou-se na vida política aderindo à Juventude Social Democrata, fortemente influenciado pela admiração que sentia pelo então líder social democrata, Francisco Sá Carneiro. Dirigiu durante algum tempo o jornal oficial da estrutura Pelo Socialismo. Em 1979, filiou-se mesmo no Partido Social Democrata (PSD). Em 1982 abandonou definitivamente as duas entidades.
Juntamente com Miguel Esteves Cardoso fundou o jornal O Independente, em 1988. Esteves Cardoso foi o primeiro diretor, mas foi substituído por Portas que se notabilizaria ao serviço do jornal. Utilizando as páginas do jornal, Portas atacou frequentemente o governo do partido a que pertenceu na juventude, chefiado então por Aníbal Cavaco Silva. O Independente adquiriu grande visibilidade na década de 90, quando semana após semana fazia manchetes polémicas, denunciando casos de corrupção, uso indevido de dinheiro público, pondo assim em cheque figuras públicas.

De ministros a políticos foram muitos os visados. O semanário também teve um papel importante na evolução do CDS e posterior mutação para Partido Popular. Uma redução drástica no número de exemplares vendidos e a obrigação de pagar várias indemnizações, derivadas de processos de calúnias e difamação, conduziriam à venda e posterior encerramento da publicação. Na mesma altura, foi professor de História das Ideias Políticas, na Universidade Moderna de Lisboa, onde também liderou a Amostra, o centro de sondagens da universidade.
Em 1995 deixou a direção do jornal, para entrar na vida política ativa. Juntou-se ao Centro Democrático Social (CDS) e foi eleito deputado à Assembleia da República, pelo círculo eleitoral de Aveiro. Juntamente com o então líder Manuel Monteiro, Paulo Portas, ajudou a revitalizar a imagem e a orientação política do partido, que se passou a designar Centro Democrático Social – Partido Popular (CDP-PP). Em 1997, o partido não foi feliz nas eleições autárquicas e Manuel Monteiro apresentou a demissão. Seguiu-se a convocação do XVI Congresso, realizado em Braga. Manuel Monteiro apoiou Maria José Nogueira Pinto e Portas, incompatibilizado com a anterior direção resolveu avançar também.
Ao ser eleito presidente do CDS-PP, tentou voltar a unir a estrutura do partido e promover um regresso às suas origens democrático-cristãs. Nas eleições legislativas realizadas em 1999, o CDP-PP conseguiu manter o número de deputados que já tinha, assegurando a presença de 15 elementos na Assembleia da República.
Em 2001, o Partido Socialista sofreu uma forte derrota nas eleições autárquicas e António Guterres, Primeiro-Ministro à época, apresentou a demissão, levando o país a novas eleições legislativas. Nas legislativas de 2002, o PSD venceu com maioria relativa, sendo obrigado a procurar um parceiro para poder governar o país. A escolha recaiu no CDS-PP, dando origem à Coligação Democrática. O CDS ficou com três ministérios, Paulo Portas como Ministro do Estado e da Defesa Nacional, Bagão Félix com a pasta do Trabalho e Celeste Cardona na Justiça.
Com a saída de Durão Barroso para a Comissão Europeia, foi nomeado um novo governo, dessa feita chefiado por Pedro Santana Lopes e Paulo Portas passou a ser o Ministro de Estado e Ministro da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar. O XVI Governo Constitucional estaria apenas 4 meses em funções.

A passagem de Portas pelo ministério da Defesa Nacional ficou irremediavelmente marcada pela polémica da compra dos submarinos. Este caso refere-se ao concurso público para aquisição de dois submarinos da Classe Tridente, por parte do governo português à empresa alemã Germain Submarine Consortium.
O contrato de venda dos submarinos, na ordem dos 880 milhões de euros terá sido conseguido de forma ilícita, através de subornos e da simulação de negócios de consultadoria. A investigação abrangeu ainda outros aspetos polémicos como o financiamento ilegal de partidos e o tráfico de influências. Entre os movimentos detetados encontra-se um depósito em numerário, de mais de um milhão de euros, numa conta do CDS. Paulo Portas foi um dos elementos alvo de escutas. Em Junho de 2011, o processo encontrava-se paralisado por falta e meios para prosseguir com a investigação.

Também como resultado da sua passagem pelo ministério da Defesa, surgiu o episódio das fotocópias de segredos de Estado. Em 2007, foi revelado, que Paulo Portas, antes de cessar funções no referido cargo, havia fotocopiado mais de 60 mil páginas, entre as quais se encontravam informações consideradas segredo de Estado.
Portas também se viu envolvido na polémica da Universidade Moderna, quando informações recolhidas pareciam indicar que Paulo Portas e a sua mãe teriam recebido ofertas para ajudar a promover a visibilidade da instituição junto das altas esferas da sociedade portuguesa. Entre as ofertas recebidas, encontrar-se-ia um veículo de luxo da marca Jaguar.
Nas eleições legislativas realizadas a 5 de Junho de 2011, repetiu-se o cenário eleitoral de 2002. O PSD venceu as eleições com maioria relativa e viu-se assim obrigado a procurar uma aliança junto do CDS. Num cenário de grave crise económica foram necessários vários dias de reunião, para que efetivasse o acordo entre os dois partidos. Portas assumiu o cargo de Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
A postura política de Paulo Portas tem sido muitas vezes criticada e apelidada de populista. Tal não impede, que a cada nova campanha eleitoral, Portas retome o seu já habitual percurso nos mercados e feiras de todo o país, onde não se coíbe de manter um contato próximo com os eleitores.
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Judite de Sousa
Judite Fernanda de Jesus Rocha e Sousa nasceu no Porto a 2 de Dezembro de 1960. Com 18 anos, Judite de Sousa tornou-se repórter da RTP, na cidade do Porto. Em 1981, aceitou mudar-se para a Rádio Macau. Curiosamente, naquela estação radiofónica entrevistou José Rodrigues dos Santos, então estudante, que se tornou mais tarde seu colega nos quadros da Rádio Televisão Portuguesa. De volta à RTP, passou a apresentar o “Jornal da Tarde”, bloco noticioso que era transmitido à hora do almoço. O seu desempenho enquanto pivô foi reconhecido pelas chefias do canal estatal e foi convidada a integrar a redação principal da estação, em Lisboa.
Judite de Sousa Antes e Depois

Já na capital do país, ganhou maior protagonismo, tornando-se a apresentadora do “Telejornal”, o principal programa de informação da RTP. Simultaneamente, também se tornou aposta do canal, para a condução das principais entrevistas e para a moderação de debates. Apesar do sucesso profissional que obteve como pivô, nunca deixou de fazer reportagem, tendo estado presente em vários cenários de conflitos internacionais.
Em 1994, esteve no Zaire e no Ruanda, fazendo a cobertura do genocídio étnico que ocorreu naquela região africana. Um ano depois foi enviada para a Bósnia, estando presente durante os ataques da Sérvia. Em 1999, voltou a pisar solo macaense, para acompanhar o processo de transferência da soberania do território para a República Popular da China. No rescaldo do 11 de Setembro de 2001, viajou para o Paquistão para acompanhar a situação de crise internacional.
No ano de 2000, Judite de Sousa tornou-se Diretora-Adjunta de Informação da RTP, trabalhando diretamente com o seu colega José Rodrigues dos Santos, que era à data o Diretor de Informação do canal. Na mesma altura, tornou-se apresentadora da “Grande Informação”, programa quinzenal dedicado à análise do panorama político e que contava com a participação do histórico Mário Soares. Mais tarde, o programa seria substituído por outro de formato semelhante, chamado “Notas Soltas”, em que o interlocutor da jornalista foi António Vitorino.
Em 2002, a RTP foi remodelada, sofrendo amplas alterações a nível dos cargos diretivos, contudo, Judite de Sousa continuou a ser uma das principais faces dos programas de informação da estação televisiva. Nesse período, apresentou a “Grande Entrevista”. Em Setembro de 2009, Judite de Sousa publicou um livro intitulado “A Vida é um Minuto – O Poder e a Imagem”, focado no relacionamento entre a classe jornalística e os políticos.
No livro, Judite de Sousa não se coibiu de criticar de forma aberta o então Primeiro-Ministro português, José Sócrates. A jornalista adjetivou a postura do governante, na entrevista que lhe concedeu uns meses antes, como “agressiva, mal-educada e arrogante”. Acrescentou ainda que tal animosidade só se podia dever ao fato de ser casada com Fernando Seara, político ligado ao Partido Social Democrata.
Contudo, a forma de Judite de Sousa conduzir as entrevistas também foi várias vezes alvo de críticas e reparos. Entre as principais críticas que lhe foram feitas enumeravam-se a ansiedade que por vezes demonstrava, não dando suficiente tempo de resposta aos entrevistados, a constante sobreposição do tom de voz aos entrevistados e até a sua suposta ânsia por disputar o protagonismo com os seus interlocutores.
Já em 2011, Judite de Sousa e José Alberto Carvalho, respetivamente subdiretora e diretor de Informação da RTP, abandonaram o canal estatal e assumiram a direção da informação da TVI. Judite de Sousa era então uma das faces mais mediáticas da RTP, onde se encontrava há 32 anos. A apresentadora despediu-se do seu antigo canal, deixando uma mensagem pública emotiva na rede social Facebook, onde exprimiu a importância que todos aqueles anos de trabalho tiveram na sua vida pessoal.
Em Maio de 2011, Judite de Sousa acompanhou as principais comitivas na campanha eleitoral para as eleições legislativas e pela primeira vez, tornou-se ela a própria notícia. Ao acompanhar o candidato Paulo Portas, Judite de Sousa conseguiu ser mais reconhecida e cumprimentada pelos populares, do que o próprio político. Portas chegou a provocá-la, afirmando que ela teria descoberto a sua verdadeira vocação e que num prazo de cinco anos seria candidata a alguma coisa.
O pormenor não passou despercebido aos seus colegas jornalistas e nos dias seguintes, a apresentadora seria tema de notícia frequente. Um dia depois, ao acompanhar Francisco Louça, o líder do Bloco de Esquerda, Judite de Sousa provocou desagrado aos colegas da SIC e da RTP, por insistir em permanecer junto do político, aparecendo em todas as imagens. A resposta da jornalista foi só por si polémica “Sou conhecidíssima e não preciso de aparecer nas vossas imagens”.
Judite de Sousa tem apenas um filho, fruto do seu primeiro casamento. Foi no cumprimento das suas obrigações profissionais na RTP, que conheceu Fernando Seara, o seu atual marido. Judite de Sousa casou com o atual Presidente da Câmara Municipal de Sintra em 2003. Jorge Sampaio distinguiu-a, durante a sua Presidência com a Ordem de Mérito, como reconhecimento da sua longa carreira ao serviço da RTP.


