Pais no parto

Pais no parto

Os tempos mudaram. O homem já não fica na sala de espera envolto numa nuvem de fumo e a tremer como um pudim flan. No dia do parto ele tem um papel decisivo para desempenhar ao lado da sua mulher.

Motivos para entrar na sala de partos

Será que se passa tão mal lá dentro? Bem, não vamos dizer que é um mar de rosas. Mas nem sequer se pode generalizar. O habitual é que o acompanhante se situe atrás da parturiente. E como não está de frente, não pode ver muito sangue. É claro que os nervos estão à flor da pele, e sem dúvida que a experiência vale a pena: a prova é que quem o vive, conta-o mil vezes.

A presença do companheiro, representa uma ajuda importantíssima para a mulher (isso é evidente), mas também existem razões de peso para que o homem – caso o queira – estar presente: o nascimento de um filho não é qualquer coisa que aconteça todos os dias e presenciá-lo é algo que comove profundamente. «Os homens emocionam-se muito no nascimento dos seus filho. A parturiente, pelo seu lado, nem tanto. É lógico. A mulher está desejosa de acabar e encontra-se cansada e dorida. Inclusivamente, pode ficar um pouco decepcionada ao ver a criança “enrugada” e coberta de sangue. São momentos difíceis porque algumas mães, durante a gravidez, já idealizaram como seria o seu bebé.

Mas, para os homens, a emoção é sempre muito intensa», diz a Dr.ª. Madalena Barata. Mas vamos ao essencial: O que faz o papá na sala de partos? Qual é a sua tarefa? Os que acreditam que só vão lá para ver, que tudo depende dos médicos e que não poderão fazer nada para evitar o sofrimento à sua mulher, estão muito enganados. O pai tem um papel a desempenhar. Actos aparentemente tão simples como agarrar na mão ou limpar o suor, dão óptimos resultados nestes momentos. Para a mulher é gratificante ver como o seu companheiro se emociona, e partilha com ela a dor e a alegria. É isto que nos transmitem constantemente as nossas leitoras.

O pai deve participar não só como espectador, mas também dando carinho, força anímica e confiança. Ninguém está mais capacitado do que ele para assumir a função de apoio psicológico. Terá de estar atento e transmitir alento se as forças faltarem, e fingir um sorriso de serenidade quando os seus nervos estiverem mais tensos. Mas isso não é tudo. O homem pode e deve preparar-se para ajudar a sua mulher de uma forma profissional: oferecendo uma massagem para aliviar a dor, controlando as contracções e recordando os ritmos de respiração. E se for administrada a epidural? Sem dor, sem ter de vigiar as contracções, o que pode fazer o homem? Pode fazer muito: Falar sobre o que se está a passar, perguntar à mulher como se sente, brincar com ela e partilhar o momento. A anestesia não elimina as preocupações nem os nervos. A vivência continua a ser muito especial.

Para fazê-lo bem, tem de preparar-se

Para conseguir informação o melhor é fazer um curso de preparação. Esta afirmação não serve só para a gestante: eles também precisam e procuram assistir. «Cada dia, há mais homens interessados. Nas aulas a presença masculina chega a ser significativa. A sua principal dificuldade é o horário laboral», comenta a nossa assessora.

A única excepção

É claro que, «nos casos em que têm de se usar fórceps, ventosas ou fazer uma cesariana, pedimos sempre que os homens saiam da sala de partos», continua. Decide-se assim por razões de assepsia, e também para evitar situações tensas. Embora não seja muito frequente, algumas mulheres preferem que o pai do bebé não participe no acontecimento. «Costuma tratar-se de pessoas que têm receio de se descontrolar ao pé do marido. Não querem que as vejam descompostas. Em parte, é uma forma de tirar o protagonismo ao pai, de o excluir. Mas nenhuma mulher tem o direito de eliminar o seu marido do parto.

É claro que não podemos generalizar. Teríamos de analisar os motivos pessoais de cada caso». A própria mãe da gestante foi tradicionalmente encarregada de acompanhar a mulher no parto. Mas está provado que, ao seu lado, a grávida adopta uma atitude de refúgio. Nessas ocasiões é preciso juntar forças para combater a dor e superar o medo. A assistência do pai equivale a uma injecção de coragem e de ânimo. A sua presença, geralmente resulta mais eficaz. Se o pai do bebé não pode estar presente, uma irmã ou uma amiga que tenham passado pela mesma experiência também podem ser um bom apoio. Mas não existem regras fixas. Se entre a mãe e a filha que vai dar à luz existir uma boa relação, o efeito também será benéfico.

O parto pode ser muito simples, ou complicado. É impossível predizer com toda a certeza como tudo se irá passar. No final, a vivência será inesquecível e enriquecedora para o casal. A mãe e o pai devem partilhar a felicidade e enfrentar os acontecimentos sempre ao lado um do outro.

01. Julho 2010 by admin
Em: Outros Temas | Comentar

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