Patologias Benignas da Mama

Aula gravada sobre Patologias Benignas da Mama

São 3 os grandes blocos da patologia benigna da mama. O 1º tópico que a gente vai falar não é uma patologia: 1º alteração funcional benigna da mama corresponde a um termo antigo que a maioria de vocês já devem ter ouvido falar, a displasia mamária. A displasia é um termo de alteração citológica, a medida que se foi estudando essa entidade, foi se descobrindo que as células da mama daqueles pacientes que possuem alteração funcional benigna da mama, quando iam para o estudo histopatológico viam que não havia nenhuma alteração histopatológica, não havia doença, por isso passou a se chamar de alteração funcional benigna da mama (antigamente era displasia). Não tem alteração histopatológica.

Então o que é a alteração benigna da mama? É uma coleção líquida onde a paciente apresenta normalmente mastologia, normalmente é cíclica e é relacionada ao período pré-menstrual na maioria das vezes.

Espessamento mamária, também de característica cíclica e também relacionado ao período pré-menstrual. O espessamento da glândula mamária em determinadas regiões ou então na mana inteira, normalmente as pacientes apresentam mastologia, espessamento da mama à palpação (principalmente em quadrantes superiores) onde a gente tem o maior acúmulo de parênquima, onde há uma maior concentração de parênquima normalmente e essas pacientes tendem a apresentar nesse período uma dor mais localizada no quadrante superior.

A descarga papilar pode estar presente, mas não quer dizer que seja patológica ou que haja alguma alteração histopatológica que esteja causando isso. Esse fluxo papilar normalmente ele e bilateral e multiductal.

E vocês imaginam outras características do fluxo papilar? Em relação a cor dele: quando a gente pensa em câncer em relação a descarga papilar a gente pensa em fluxo papilar água de rocha ou sanguinolenta. Nas outras alterações que a gente vai ver, vão ser colorações citrinas, acastanhadas, esverdeadas, amarronzadas, todas essas alterações.

Não tendo a alteração funcional benigna da massa, a descarga papilar quando existente, ela é colostro – a nza??? ela se parece com o colostro, é uma água opaca, que não chega a ser uma descarga cristalina e não é leite propriamente dito.

Fisiopatologia: a fisiopatologia da alteração funcional benigna da mama vai estar relacionada principalmente à patologias hormonais (principalmente ao estado estrogênico da paciente). Normalmente, a gente vai observando que essas pacientes, à medida que for passando para o climatério (menopausa) onde a gente tem a queda do estrogênio, essas pacientes deixam de sentir. Já viram aquelas pacientes que vão fazer reposição hormonal e voltam a mastalgia? É por conta do estrogênio.

Então, pacientes hiperestrínicas, com aumento do estrogênio, elas tendem a apresentar alteração funcional benigna da mama.

Os fatores metabólicos relacionados com dieta principalmente: ingestão de carne vermelha, cafeína, chocolate tem maior propensão de apresentar essa alteração da mama.

E tem fatores locais também relacionados à própria mama: se existe um adensamento (??) maior ou não desse parênquima. Outra coisa também que já está comprovado, que melhora não só a alteração funcional benigna da mama mas também a tensão pré-menstrual (para quem acredita em TPM) a prática regular de exercícios vai melhorar a irritabilidade, a dismenorréia (cólica), a alteração funcional benigna da mama como um todo.

Aquelas pacientes que apresentavam AFBM, e que foram submetidos à biópsia, o que revelou essa histopatologia? Revelou nada mais que fibrose do estroma, presença de cistos e proliferação epitelial leve, que histopatologicamente não chega a ser uma (displasia) patologia, é uma alteração simples, uma alteração funcional; exacerbação fisiológica.

Diagnóstico: basicamente história clínica e exame físico. Na maioria das vezes é quase totalidade dos casos. Quando é que a ente vai utilizar os exames complementares? Quando eu quero excluir a possibilidade de patologia maligna. Então, naquelas pacientes com menos de 35 anos eu vou estar utilizando a ultra-sonografia, a punção aspirativa. Nas pacientes acima de 35 anos eu vou começar a lançar mão de mamografia e também vou lançar mão de ultra-sonografia associada à mamografia para um melhor esclarecimento desses resultados.

Porque a partir de 35-40 anos que pedimos a mamografia? Pois está sendo substituindo parênquima por gordura. É uma liposubstituição.

Conduta: qual é o grande problema da alteração funcional benigna da mama? Qual é o grande problema dos pacientes que poupam suas mamas e encontram alguma coisa? Qual é o medo maior dessas pacientes? Câncer. Então o papel do médico é orientar essa paciente a fazer auto exame mensal, principalmente após a menstruação, dias 7 a 10 dias depois da menstruação porque se eu pego uma paciente que tem alteração funcional benigna da mama e mandar ela palpar na fase pré-menstrual, ela vai encontrar “coisas” na mama dela que pode não corresponder a verdade e a gente espera passar o período menstrual, aquela retenção de líquidos que ela tinha, vai embora e você consegue palpar a mama mais fidedigno; no estado normal, sem edemas, sem dor. Então eu vou orientar essa paciente a fazer o auto-exame debaixo do chuveiro, com água e sabão, passar a mão na sua mama e palpar a mama.

Bem, alguns dizem que o auto-exame não é benéfico para a paciente, o auto-exame mensal, ele pode levar a um número grande de falso-negativos. Por que?
A paciente polpa e acha que tem alguma coisa, e ela vai ao medico para ter um esclarecimento e normalmente não é e por isso é falso-negativo. Mas eu aconselho a fazer o auto-exame. Por que? Qual é a função do auto-exame? Auto-conhecimento, se você examina 1 vez por mês você passa a conhecer sua mama melhor do que o médico que vai ver uma vez por ano.

Se você examina todo mês e a partir do momento que alguma coisa diferente na sua mama, você vai ser a primeira pessoa a saber, nem que você vá ao médico e ele te diga que não é nada. Mas você tem condições de estar verificando alguma coisa de diferente em sua mama.

Nós só conseguimos palpar nódulos acima de 1cm e se eu encontrar um nódulo de 1cm eu estou feliz.
Eu tenho que esclarecer para minha paciente que essa alteração da mama é funcional, é benigna e NÃO tem relação com câncer.

E quando você esclarece isso você tem a paciente mais tranqüila e até realiza melhor o auto-exame.
Eu posso lançar mão de uma conduta medicamentosa, eu posso prescrever para essa paciente. Entre todos essas aqui: Dopaminérgicos, que vai inibir a prolactina, porque tem pacientes que têm uma dosagem limítrofe de prolactina e isso por vez interfere nesse quadro; Donazol; Diurético; Análogos de Gnrh; Analgésicos.

Esses que eu acabei de falar para vocês, eu acho muito importante o seguinte: você tem que pensar o risco x benefício da paciente. Se uma paciente tem uma queixa de mastalgia e eu vou dar um remédio para ela que pode ser que melhore a mastalgia e vai estar causando um outro sintoma, como por exemplo: Análogos de Gnrh; Donazol; Tamoxifeno, eu vou estar submetendo essa paciente a uma pseudo-menopausa.

Desses todos aqui o que eu posso usar? É o Ácido Gama Linoléico; Vitamina A1, B1, B6, C, E, têm compostos que trazem todas essas vitaminas juntas também, e normalmente eu mando essa paciente manipular o Ácido Gama Linoléico.

Clinicamente vejo melhora nessas pacientes, só que é uso dependente, então o Ácido Gama Linoléico é um estrogênio símile. Imaginem que no parênquima mamário existam receptores estrogênicos.

Se esse quadro clínico for causado diretamente pelo estrogênio, se eu tenho na glândula receptores para o estrogênio, eu introduzo no organismo uma substância que é um filoterápico que tem a estrutura molecular parecida com a do estrogênio e ele vai se ligar aos receptores estrogênicos da mama no lugar do estrogênio, eu evito que o estrogênio fique causando essa sintomatologia. Então eu tenho estrogênio símile que se liga aos receptores da mama. E apesar de ser um estrogênio símile, ele não causa os efeitos do estrogênio. O problema do Ácido Linoléico é que ele é uso dependente, ou seja, parou de usar o estrogênio se liga novamente à seus receptores no parênquima mamário.

Mastites

Eu vou separar as mastites em Lactacionais e não-lactacionais (não está amamentando).
Então vamos falar das mastites não-lactacionais: Uma das mais comuns é a mastite per areolar reincidivante, também chamada abscesso sub-areolar ou retro-areolar ou mastite peri-ductal ou fistula mamária.
A gente normalmente utiliza esse termo: abscesso sub-areolar reincidivante, que nada mais é que um processo inflamatório dos ductos mamários.
Vocês lembram da anatomia, que a mama tem cerca de 20 lóbulos que vão formar lobos e que vão desembocarem ductos terminais. Esses ductos terminais darão origem as papilas, no número de 20, correspondente a cada lóbulo.

E o que vem a ser a mastite pré-areolar reincidivante?
É o processo inflamatório desses ductos que chegam aqui na papila. Normalmente é na 3ª ou 4ª década de vida, 89% dos casos são tabagistas. Então está relacionado ao cigarro. Existe nos ductos epitélio colunas (glandular), eles secretam e deixam de ser por conta do cigarro, deixam de ser colunar e passam a ser pavimentoso.

O que acontece? Eu tenho um acúmulo de dentritos aqui, de secreção primariamente fisiológica e essa secreção se acumula, faz uma reação de corpo estanho, forma um abscesso e forma mais pra frente a fístula mamária após a contaminação bacteriana. Normalmente a paciente chega ao ambulatório com queixa de furúnculo na mama que já apareceu outras vezes e ele sara, depois sai pus e depois sara de novo e fica um buraquinho, que é a fístula. Então essa paciente tem períodos de agudização e períodos de acalmia. Então fica crônico, é por isso que se chama abscesso reto-areolar, porque está relacionado aos ductos retro-areolares. Abscesso sub-areolar reincidivante que alguns livros chamam de crônico, por conta disso, ela aparece e desaparece; agudiza e fica num período de sub-agudização.

Tratamento: Fase aguda: vou tratar essa paciente com antibiótico. Normalmente eu uso metronidazol, 500mg, de 12 em 12hs por 7 dias.

Antiinflamatório: não hormonal (AINESS) via oral, durante os dias que apresentarem os sinais progísticos (dor, rubor, calor, turgor). Os AINES vão depender da história da paciente, se eu tenho 1 paciente com história de úlcera gástrica, eu não vou usar o diclofenaco, vou ter eu usar o Celecoxib (Celebra).

Eu sei que ela vai melhorar com o antiinflamatório e com o antibiótico e eu sei também que vai voltar, pois é reincidivante.

O tratamento definitivo para essa paciente é usada quanto está latente (fase latente) pois é um tratamento cirúrgico, não posso ter infecção, não posso abrir a mama dessa paciente com infecção, pois assim eu vou ter descença de sutura. Eu tenho que esfriar o processo e depois sim tratar definitivamente. Como é feito? O tratamento é cirúrgico e é chamada cirurgia de URBAN ou ressecção dos ductos terminais.

Eu vou fazer uma incisão elíptica pegando a área do abscesso e a fístula e vou retirar em cunha. Quando eu faço essa cirurgia eu pego esses ductos no nível terminal na base da papila e corto; resseco todos esses ductos. Normalmente faz-se anestesia de bloqueio. E o resultado estético é ótimo, fica só com 1 linha.

Mastite ectasia ductal ou comedo mastite

Ectasia ductal vem a ser a transformação do epitélio também e uma inflamação crônica concomitante à dilatação desses ductos aqui, só que não tem esse processo de formação de fístula, pois não tem contaminação. Eu tenho uma dilatação dos ductos sem ter sinais progísticos (dor, calor, rubor…). e normalmente, qual que é a característica clínica dessa paciente?
Uma descarga papilar que é sebácea é amarela-esverdeada, normalmente em pacientes que são multíparas, por volta da 5ª década e essa paciente vai apresentar uma dilatação do ducto, quando ele dilata, ele fica encurtado e acumula secreção.

Tratamento: Nos casos leves, medidas higiênicas e nos casos reincidivantes a retirada desse ducto comprometido.

Quando é a propedêutica que devo utilizar nesses pacientes? Imagina que eu tenha uma paciente de 50 anos de idade que apresenta um nódulo pequeno, do tamanho de 1 caroço de ervilha, é preferível nessa paciente fazer propedêutica antes da cirurgia. Então eu vou lançar mão de exames complementares, por que? Qual é o objetivo dos exames complementares? Excluir patologia maligna.

Mastite Tuberculásica

Ela está encaixada nas mastites específicas. Das mais importantes eu estou citando a tuberculásica, entre outros de agentes específicos. Elas correspondem à 35% das mastites específicas no nosso país. Normalmente na 2ª década de vida até a 4ª década e causada pelo Mycobacterium tuberculosis numa infecção secundária. Normalmente essas pacientes que tem tuberculose mamária e até tuberculose genital, normalmente as pacientes que tem contato com tuberculose na infância, elas são pacientes de risco para desenvolverem tuberculoses secundários, seja mamária, seja genital ou em qualquer outro lugar, na idade adulta.
Clinicamente apresenta sinais progísticos dor, calor, rubor… e na mamografia esse nódulo se parece muito com câncer. Então eu tenho que fazer diagnóstico definitivo caseoso e fecho o diagnóstico.
Tratamento clínico: rifampicina, isoniazida, pirazinamina durante 6 meses e o tratamento cirúrgico vai estar reservado para pacientes que tem extensa necrose da mama. Normalmente essas pacientes submetidas a essa extensa necrose já chegam num estado adiantado, e são submetidos a uma mastectomia simples (retirada da mama).

Mastites Lactacionais

É aquela que tem um processo inflamatório agudo e infeccioso. Acontece normalmente entre a 2ª e a 4ª semana do puerpério. E acontece de 1 a 5% dos pacientes que deitam ao seio e 50% das primíparas tem mastite e na maioria das vezes esta mastite é unilateral. Vamos pensar na fisiopatologia da mastite e por que as primíparas têm mais? Quando você não tem uma preparação pré-natal para esse mamilo para amamentação, a gente normalmente pede a paciente durante o pré-natal use bucha naquele mamilo para que aquela pele que é muito sensível, se torne mais resistente. Quando é o 1º bebê, a mãe tende a colocar o bebê para mamar de 1 maneira errada, então quando eu coloco o bebê ao seio e a pele é sensível, e ele ao invés de sugar toda a aréola (que é a maneira correta), ele pega só o mamilo, então vai causar microtraumas a princípio nessa pele. Porque que acontece? Qual a bactéria que tem na pele? Staphylococcus. Eu tenho porta de entrada, eu tenho leite quente e também o Staphylococcus aureus. O leite é um meio de cultura e juntando tudo isso fechou o diagnóstico de mastite. E isso explica porque acontece mais em primíparas.

A contaminação se dá pelas micro-fissuras na papila e os fatores predisponentes são todos esses que eu citei para vocês.
Tratamento: Nos pacientes que apresentam um abscesso superficial, como eu vou saber? Eu tenho uma paciente que tem sinais progísticos na mama, eu tenho um abscesso, às vezes eu tenho apenas uma hiperemia (aumento na temperatura), febre, queda do estado geral e eu posso lançar mão de cefalosporina na dose de 500 em 6 em 6hs, 10 a 14 dias nessa paciente. Se eu posso uma cefalosporina e minha paciente não melhora em 48hs ela retorna, ainda com febre, mesmo usando antibiótico, eu tenho que suspeitar que ela tenha abscessos mais profundos na mama. O diagnóstico desses abscessos mais profundos vai ser feito por ultra-sonografia.

Então eu vou iniciar para essa paciente Oxacilina + Cefoxitina, nos casos graves de abscessos mais profundos (interno a paciente no hospital).

E o tratamento cirúrgico dessa paciente é a drenagem sob anestesia geral. Nos pacientes que chegam com abscessos superficiais, normalmente na maternidade e eu tenho “flutuação” desse abscesso, se eu sinto que há muito líquido nesse abscesso, eu faço drenagem, faço assepsia e a paciente GRITA. Eu prefiro fazer 1 incisão ao invés de punção com agulha de grosso calibre. Fazendo a incisão, eu faço 1 fístula, e eu deixo ali um dreno de penrose por no máximo 24 a 48hs para que drene aquela secreção. E o aleitamento permanece, continua, mesmo drenando. Esses casos extremos de dor, a gente suspende o aleitamento, mas a ordenha tem que ser feita, pois vai acumulando leite, leite, leite ali e aumenta o meio de cultura e se eu não dreno, não ordenho e mantenho aquele leite ali, a infecção aumentará.

Uma das coisas que a mãe deve fazer, quando começa a perceber fissuras:
Retirar o próprio leite;
Passar no mamilo;
Exposição direta ao sol, até 10hs da manhã, 10 minutos por dia.

VIROU A FITA
Isso tudo a gente faz para evitar uma mastite. Então o que se deve fazer com 1 paciente que tem fissura? Higiene da mama, eu não preciso passar álcool, pois isso resseca mais e a limpeza é só com água, sabão na hora do banho, uma gaze antes do bebê mamar só com água e só. Antigamente o que mandavam fazer quando a mama estava muito cheia de leite? Mandavam colocar bolsa de água quente, e aí o que que acontece? A produção de leite aumenta, a mama fica em estase, e a mama está inchada e você coloca mais água quente e além da mastite, você vai ter uma queimadura.

Depois de vários estudos viram que a colocação de gelo, bolsa de gelo na axila durante 5 minutos reduz a produção lática. O que acontece nas primíparas? No parênquima acontece a estase lática, a mama fica ingurgitada nas primeiras 48hs, está tentando se equilibrar; a produção e o consumo do bebê.

Então até o 2º dia a produção está aumentada e o bebê não consegue ingerir e equilibrar com o consumo. Então a gente não pode confundir a estase mamária com a mastite.

Tumores Benignos da Mama

De todos essas coisas que eu falei aqui, até agora, a que tem maior incidência é o FIBROADENOMA, todos já devem ter ouvido falar. É um nódulo só lido, benigno e ele vai além da alteração funcional benigna da mama, ele já virou uma patologia.

A proliferação do epitélio do estroma é acentuado, então eu tenho glândula que se prolifera até formar um nódulo.

Em 25% das mulheres, ou seja, em cada 4 mulheres 1 tem o fibroadenoma, normalmente na 2ª década. O tamanho é variável, pode variar de 1cm, até não ser mais palpável e só descobrir na menopausa que você tem um fibroadenoma nas mamografias e pode ter tamanhos maiores. É hormônio dependente, normalmente a gente vai ter o crescimento dele no período da menáquime e na menopausa não tem mais esse crescimento. Então ele é estrogênico dependente. Ele tem 1 consistência fibro elástica. Tem superfície bucilada. O que é bucelada? Tem superfície lisa e bucelada; irregular. Nesse caso tem superfície bucelada.

E quando é que não vou confundir com câncer? Quando está clinicamente comprovada que é fibroadenoma, porque ele é móvel demais, solto. Eu consigo delimitar seus limites, tem limites precisos não dói.
Ele pode ser classificado:
* Simples: que a gente mais encontra > que 20cm.
* Complexo: alteração atípica errada.
O diagnóstico é clinico, mas se eu tiver em dúvida eu posso utilizar mamografia, ultrassonografia, punção aspirativa para excluir patologias malignas.
Esquema:
– Pacientes < 25 anos: realiza o PAF (punção aspirativa). E se tiver alguma alteração displásica ou atípica nesse histo-patológico eu faço o diagnóstico definitivo.
Se esse PAF for normal, eu posso na paciente < 25 anos, estabelecer conduta de aguardar e reavaliar essa paciente clinicamente de 3 em 3 de 6 em 6 meses e observar se esse nódulo está crescendo ou se ele paralisou, ou se sumiu.

Porque que eu estabeleci essa idade de até 25 anos? porque até os 25 anos esse nódulo pode regredir a tal ponto de desaparecer. Se eu tenho uma paciente de 25 anos, tem fibroadenoma, 27 anos tem fibroadenoma e esse fibroadenoma até agora não regrediu, eu vou partir para a exérese, eu vou retirar porque ele não vai desaparecer. A cicatriz é justa-areolar, fica no limite da aréola.

Eu posso dizer que a malignização é nula; quase nula. O fibroadenoma não é lesão precursora de câncer.

Agora a parte malvada do fibro-adenoma: ele não é uma proliferação do epitélio do estroma? O tumor filóides???? É uma proliferação ainda maior; desordenada do epitélio do estroma.

Então a gente vai chamar o tumor filóides de fibroadenoma hipercelular. Isso quem pode dizer à vocês é o patologista.
Está mais incidente em mulheres brancas, em mulheres com ( 40 anos de idade e pode variar de 2 a 20cm.
Pode ser classificado em benigno, maligno ou limítrofe. Se ele é um fibroadenoma, se ele se parece com um fibroadenoma, e tem as mesmas características clínicas, como que eu vou diferenciar? O comportamento dele é imprevisível, normalmente ele cresce muito rápido, dobra, triplica de tamanho em 1 mês, então é imprevisível e se o médico diagnosticou, é um fibroadenoma e ele cresceu 3 vezes o tamanho normal que ele era em 1 mês; provavelmente é 1 tumor filóides (??), teve um crescimento desordenado. Ele tem uma hipercelularidade, um metabolismo muito grande. Normalmente, a gente retira o tumor e ele reincidiva em 10, 20% dos casos nos 2 primeiros anos e eu acho essa taxa de malignização muito alta: 1 em cada 10 pacientes possuem tumor maligno.

O tratamento, normalmente é a exérese principalmente naqueles com comportamento imprevisível, a gente vai retirar como margem de segurança, porque se ele tem chance de ser limítrofe ou maligno então eu vou retirar com margem de segurança o parênquima adjacente livre de doença (1cm e 1/2 a sua volta).

Lesões Papilíferas
Também classificadas entre os tumores da mama. Eu vou ter uma proliferação intra-ductal, que pode ser intra-ductal proximal ou distal. Normalmente acomete os ductos principais, esses que drenam para a papila. Normalmente também é subareolar e você consegue ver aquela dilatação macroscópica e a gente consegue palpar.

Ocorrem entre proximal 35 e 55 anos e normalmente acontece em 1 mama só. Derrame papilar seroso ou sangüíneo e aí você fala: OPA!! Tem que tomar cuidado.

Qual é a característica do derrame papilar do câncer?
Sangüínea ou cristalina por isso tem que ter cuidado.
Vamos fazer mamografia dessa paciente, ultra-sonografia para excluir doenças malignas e na anamnese exame físico e no diagnóstico definitivo, deve ser feito o histopatológico.

O tratamento vai ser a biópsia incisional, eu vou fazer a exérese, a excisão desse nódulo. Se eu tiver atipia desse histopatológico, é lesão precursora de câncer.

E agora os papilomas intra-ductais distais (os proximais estão próximos à aréola). Os distais estão na periferia.

Geralmente múltiplos, em ductos terminais e esses aqui uma maior incidência de carcinoma que os anteriores, que são os proximais. O risco de malignização: 37% dos casos e em cada 8 pacientes vai apresentar novamente essa patologia.

Geralmente entre 40, 45 anos, nas 2 mamas e vamos usar de novo a mamografia para excluir patologias malignas. Normalmente eles não têm características clinicas, mas às vezes, radiologicamente a gente pode encontrar algum tipo de calcificação ou adensamento. Normalmente ele vai ser achado histológico ocasional naquelas pacientes que têm um nódulo e a gente vai retirar, e às vezes, pega na margem de segurança e vem ductos apresentando esses papilomas distais.
Os papilomas distais estão relacionados ao câncer de mama.

Em: Outros Temas | 14 comentários

14 Comentários no Fórum

  1. Boa noite!

    Realizei uma mamografia e o resultado foi o seguinte:
    Mamas heterogeneamente densas, com arquiteturas distorcida por mamoplastia pregressa.
    Nódulo isodenso de contorno lobulado e limites definidos no QII da mama direita, medindo 2,2 cm.
    Calcificações esparsas, em ambas as mamas com caracteríticas de benignidade.
    linfonodos nos prolongamentos axiliares, com características radiológicas normais.

    Hipótese Diagnóstica: Cat.0(Birads). Necessário estudo adicional com ultrasonografia.

    O que isso quer dizer?…será que terei q fazer um cirurgia para tirar o nódulo? Por favor, respondam-me. Grata!

    Andréa.

  2. Olá
    Gostava que me dissesssem se tumor papilar bi radis 4a é cancro da mama.
    Obrigada pela ajuda

  3. Olá. Gostaria de saber se nódulos sólidos, bi rads 4A, na cor marrom, medindo pouco mais de 1 cm, são benignos ou não? Obrigada

  4. Realizei um aultrassonografia mamaria,o mastologista passou uma biopsy para estudo mais profundo,na ultra diz:Parênquima mamario com parcial substituição fibro adiposa,ectasia glandular reto areolar mama direita,mama direita nódulos anecoicos,sem fluxo ao doppler.Aspecto compativel com cistos mama esquerda duas imagens nodulares hipoecogênicas de aspecto solidos com contornos finamente lobulados medem 1,3×1,1×1,2(QSI) e 3,7×2,0×3,1 cm(UQSUP QSE)esta com diminutos focos de permeio e discreto fluxo ao doppler.na mesma mama duas imagens nodulares anecoicas 0,5 x 0,6cm(QSI)0,8 x 0,5cm (UQEXT),regioes axilares obsrvam-se linfonodos aumentados de volume com aspecto habitual medindo 1,0cm 1,5 cm e 1,5cm em RAD e 2,5cm RAE,axila esquerda imagem anecoica(linfonodo infartado) socorro alguém pode me informar urgente.

  5. Tenho “displasia mamária”. Antes, sentia apenas dores no período pré-menstrual e, depois que passava a menstruação, os seios desinchavam e paravam de doer. Agora, com 40 anos, sem filhos, depois da menstruação, notei que meu seio esquerdo empedrou. Ou seja, noto uma espécie de “capa” dura que recobre boa parte do meu seio abaixo da pele e um pequeno nódulo abaixo dessa capinha dura. Não dói . Estava tomando Cataflan, já que esse seio estava um pouco quente (embora, não avermelhado ou coisa parecida). Ainda estou tomando um suplemento com vitaminas do complexo E que vai durar por volta de uns três ou quatro meses. Demora muito para dissolver isso? Quando eu menstruar novamente, será que vai doer ou aumentar esses “corpos estranhos”?

  6. BOA NOITE AS CINCO HORAS A ATRAS REALIZEI UMA CIRURGIA DE FISTULA MAMARIA ,QUANTO TEMPO LEVARA PARA A CICATRIÇÃO. QUAL É A GAVIDADE DESSA DOENÇA.

  7. ói eu estou com duvidas sobre minhas mamas pois a esquerda sai leite e direita sai um liquido marron tenho cistos simples nas 2 mama e não tenho útero , há 21 ano eu tirei o útero com mioma agora já tenho 49 anos de idade tem muito coso de ca na minha familia faca tratamento com mastologista no cican e ele me diz q é normal mais cinto muitas dores já fiz mamografia e usg esse ano diz q não presciso tomar remedio nen fazer pulsão mais já fiz vatias pulsão e todo ano tem os mesmo cistos por favor me responda 14 -01 -2012 .

  8. olá..
    gostaria de saber se durante o tratamento de mastite pré-areolar reincidivante é contra indicado o consumo de chá verde e banhos com chás do tipo guandu e compressas de aguá morna.

    o medico que cuida de mim disse que o resultado cirúrgico seria esteticamente horrível.. existe outros procedimentos( tirando desse citado aqui) utilizado por outros médicos que realmente dariam resultados esteticamente ruins?

  9. olá, tenho muitas duvidas, tirei um nodulo benigno a uma ano e 02 meses, biopsia ok, sendo que o meu problema é que em meu seio nasce pelos longos, cerca de 3 a 4 em cada seio, e um deles nasceu bem proximo a cicatriz, com dificuldade, a principio eu sentia a ponta do pelo,como se tivesse nascido e emboloado,nao me preoculpei muito a principio,me incomodava,aquilo pinicando a regiao, sendo que com o tempo a saida do pelo foi fechada, e incha um pouco e sempre cria puz, nem consigo ver a ponta do pelo, nem nunca sara, o que eu devo fazer

  10. ola minha irma tem um tumor no peito . tem uns 3 anos as vezes sai muito puz fica bom depois vouta novamente o medico falou que nao tem cura so uma cirugi mas nao sabe se vai da serto .fica muito feio quando esta atacado fica um buraco no seio dela .depos sara com augus dias vouta .obrigada

  11. DR ESTOU NO AGUARDO SE DUA RESPOSTA….OBRIGADA

  12. por gentileza queira me tranqiliazar, agradeço muito:- na mamografia
    pele e tecido celular subcutaneo sem alterações
    parenquima mamario representado por tecido fibroglandular disperso
    micocalsificações agrupadas ausentes
    nodulo isodenso lobulado c/ margens circunscritas parcialmente medindo 2,5 cm, localizado em QSL de mama palpavel
    regiões axilares s/ alterações
    conclusão: Birards 4
    no Ultrasonogafia deu
    mamas simetricas
    formas e contornos regulares
    mamilos sem alterações
    pele e subcutaneo normais
    regiões retro areolares sem sinais de ectasias ductais
    parenquima glandular c/ ecotextura caracteristica para a idade (61 anos tenho)
    mama dirita nota-se em região retroaerolar imagem de aspecto heterogeneo de contornos imprecisos, c/ areas hipoecogenicas e anecoides de permeio
    prolongamentos axilares livres
    opinião: nodulo heterogeneo we de contornos imprecisos em mama direita

    gostaria de por favor me dizer se é algo maligno, sei que o birards 4 é suspeito, pode me dizer algo com as caracteristicas toda???
    ficarei aguardando uma resposta, desde já meu muito obrigado

  13. Existe a indicação de retrada dos ductos para biopsia no caso de secreção clara, com mamografia e usg normais? Paciente de 55 anos.

  14. li todo otexto e gostaria de saber o que é cor de água de rocha
    eu estava p menstruar e apertei as mamas e saiu um líquido marrom das duas hora mais clara hora ais escura fui ao ginecologista e colhi exames e fiz mamografia tenho 46 anos sem histórico de ca na família assim msm estou apavorada seu texto foi muito tranquilizador msm assim gostaria de saber se é comum grata

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