Quanto tempo demora um parto?

Quanto tempo demora um parto? – São necessárias umas oito horas desde a primeira contracção até poder abraçar o recém-nascido. Como vivê-las com serenidade e sem medos?

Todas as grávidas queriam que o seu parto fosse indolor, fácil e, sobretudo, rapidíssimo. De uma «horita curta», se possível. Mas, o seu organismo necessita de tempo para trazer uma criança ao mundo. Durante a gestação, o orifício uterino permaneceu fechado a sete chaves, com o fim de evitar que a criança se prejudicasse. Para que o feto possa sair da cavidade uterina, chegada a sua hora, o cérvix dilata-se (e desaparece) e o estreito orifício uterino dilata-se milímetro a milímetro, até alcançar dez centímetros.

Estes processos de desaparecimento e dilatação do colo uterino podem prolongar-se entre quatro e doze horas no total se a mulher nunca deu à luz, e entre as duas e as oito horas se já teve filhos porque, nesse caso, o colo dilata-se e desaparece ao mesmo tempo. Uma vez que o caminho ficou aberto, o feto tem que sair. Quando a parturiente nunca foi mãe, o período expulsivo pode durar 60 minutos (inclusive o dobro, se lhe administraram a epidural), enquanto que se a mulher já teve filhos, esta fase reduz-se a entre 5 e 20 minutos.

Oito horas em média

No total, desde que se inicia o parto até que nasça o bebé, decorrem umas oito horas, em tempo médio. Oito horas de dores mais ou menos contínuas pode parecer demasiado, mas os especialistas asseguram que nenhuma mulher aguentaria a dor se o parto se produzisse de repente. De facto, os partos curtos não são sempre melhores que os de duração normal. Quando as coisas se precipitam e a grávida não tem tempo para chegar à sala de partos, a dor é mais intensa (e o que dizer do estado de incerteza e nervos?). A uma contracção, sucede-se outra e outra, sem que a mulher disponha de uns minutos para recompor-se.

Também não é vantajoso para o feto passar da cavidade uterina para o mundo exterior, num tempo recorde. O útero não pode relaxar-se se as contracções são muito seguidas e a criança oxigena-se pior. Assim, não é de estranhar que nos partos ultra-rápidos se registem mais casos de sofrimento fetal (falta de oxigénio) que nos partos de duração normal. Nem que o risco de complicações maternas (hemorragias, dilacerações…), também seja superior.

Uma vez que o parto se tenha desencadeado, a mulher preocupa-se que o acontecimento seja uma experiência positiva (permanecer tranquila, não perder o controlo) tanto ou mais que o tempo que este processo vá demorar. É certo que as grávidas de hoje podem permanecer calmas e animadas durante as largas horas de dilatação graças à administração da epidural. Como consequência desse estado de ânimo positivo, às vezes, encurta-se a dilatação. «Cheguei ao hospital com três centímetros de dilatação e o meu coração acelerado. Disseram-me que teria de me tranquilizar porque o bebé também estava nervoso. Quando cheguei aos quatro centímetros de dilatação, administraram-me a anestesia epidural e desde esse momento, não senti nenhuma dor. Agora vejo que passei pior durante os nove meses de gravidez a pensar no parto do que no dia em que o meu filho nasceu», conta-nos numa carta Irene Silva, de Lisboa.

Mas nem todas as grávidas podem confiar na ajuda da epidural. Às vezes surgem imprevistos e a anestesia não pode ser administrada: a dilatação está tão avançada quando a mulher chega ao hospital, que a anestesia não é aplicada porque não vai ter tempo de actuar; ou há contra-indicações médicas; ou não surte os efeitos desejados… Então, o que pode fazer a grávida? Está demonstrado que as mulheres que se informaram bem e, sobretudo, as que fizeram o curso de preparação para o parto durante a gravidez, têm partos mais rápidos e simples. Pelo contrário, as mulheres que chegaram à maternidade sem saber em que consiste o parto (o que se sente, quem as atende, como podem colaborar) podem ter partos, se não mais demorados, mais difíceis e pesados.

A presença do pai, facilita as coisas
O apoio incondicional do futuro pai (ou alguém em quem a mulher confie) também influencia positivamente no desenvolvimento do parto. O companheiro, além disso, pode ser extraordinariamente útil se praticou para isso (imprescindível assistir a um curso). «O Mário guiava-me na respiração se eu me distraía, dava-me massagens quando me ouvia queixar, refrescava-me a cara se me visse afogueada. Sem o seu carinho, os seus cuidados e a sua companhia, o meu parto teria sido muito diferente», recorda Maria João Santos, de Aveiro. Entre as múltiplas tarefas que o futuro pai pode levar a cabo está a de impedir que nada nem ninguém distraia a futura mãe. É contraproducente avisar a família antes do parto estar concluído. Há sempre avós e cunhados que “montam guarda” desde o mesmo momento em que se inteiram de que a grávida iniciou o parto e, embora em muitos centros impeçam que os familiares visitem a parturiente, nem sempre se acatam as normas estabelecidas.

Os parentes, nervosos perante a chegada de um novo membro, esquecem-se de que o parto é um processo que inclui exclusivamente os pais. Não se lembram que a mulher, agora mais que nunca, necessita de tranquilidade e não têm em consideração que a sua visita pode ser negativa para o desenvolvimento do parto. Além disso, por muito breve que este seja, esperar por seis ou sete horas acaba por impacientar o mais tranquilo e, muitas vezes, os familiares com os seus comentários («Isto está a demorar muito. Será que algo não está bem?») conseguem contagiar o seu nervosismo ao casal. Isso sem contar com que algumas vezes o futuro pai tenha de ceder o seu lugar às avós. «O pior é quando entra a sogra e não há uma boa relação entre ambas as mulheres», comentam as parteiras. A confiança na pessoa que assiste ao parto, evidentemente, é primordial. A mulher nem sempre conhece a parteira ou o ginecologista como seria desejável, mas algumas parteiras mostram-se tão compreensivas e respeitadoras para com a parturiente desde o princípio, que conseguem incutir-lhe segurança. Se a parteira ou o obstetra observam que o parto se prolonga desnecessariamente (as contracções param ou não são eficazes), tomam medidas para acelerá-lo (rotura da bolsa de águas, quando ainda não se rompeu, administração de oxitocina…).

Mais cedo ou mais tarde, o parto termina e a mãe, por fim, pode abraçar o seu bebé. E todas as mulheres asseguram que, logo nesse instante, esquecem o tempo que deixaram para trás e sentem-se as mais felizes do mundo.

A parteira envolve o bebé numa manta para evitar que arrefeça e deixa-o uns instantes sobre o peito da sua mãe. Também o pai pode pegá-lo antes que o levem para fazer o reconhecimento médico de rigor. Cada nascimento é um milagre a que nenhum pai se acostuma.

Foram umas quantas horas de esforço; agora a mãe e o recém-nascido necessitam de dormir um bom sono para recuperar forças.

 
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