Retinopatia Diabética

A retinopatia diabética é, actualmente, uma das causas mais comuns de cegueira no Ocidente. É uma doença dos pequenos vasos de sangue na retina do olho. A deterioração destes vasos causa derrames (hemorragia) que pode ser diminuta ou confinada à retina ou pode estender-se mais além, penetrando o líquido gelatinoso que preenche a cavidade do olho (o gel vítreo). Isto acarreta graves consequências para a visão. O crescimento de ramificações em novos e frágeis vasos sanguíneos na superfície da retina, especialmente em volta da parte superior do nervo óptico (o disco óptico) também é uma característica deste tipo de retinopatia, sendo que estes novos vasos facilmente sangram. Uma das razões principais para a realização de exames de rotina é que se a nova formação de vasos for detectada no seu início, pode ser tratada de forma eficaz e os vasos prejudiciais podem ser eliminados, utilizando-se várias aplicações de laser na periferia da retina.

Causas da retinopatia diabética:

A retinopatia diabética surge do facto de que a diabetes, especialmente se não se mantiver controlada, tende a causar danos nos tecidos evidenciando pequenos e difusos vasos sanguíneos em várias partes do corpo. Processo semelhante acontece nos rins (veja cetoacidose diabética) e no estômago (veja gastroparese diabética)

Sinais e sintomas da retinopatia diabética:

A retinopatia diabética pode chegar sem o doente se dar conta (não provoca dor) mas frequentemente causa cegueira repentina. Isto acontece quando novos vasos mais frágeis sangram no gel vítreo do olho, obscurecendo a visão através de uma névoa escura. Este sangue pode ser lentamente absorvido, pelo que após um período variável de semanas ou meses, a visão pode ser recuperada. Infelizmente, o sério sangramento no vítreo pode favorecer a formação de um espaço ao longo do qual novos vasos sanguíneos e tecido fibroso crescem dentro do gel. Isto é um assunto sério, porque estes filamentos fibrosos podem em seguida contrair-se e soltar a retina uma espécie de descolagem da retina que é difícil de corrigir. Neste caso a cegueira, apesar de não estar fora de causa a sua recuperação, é susceptível de ser permanente.

Diagnostico:

A retinopatia diabética diagnostica-se através de exame à retina utilizando um aparelho luminoso denominado oftalmoscópio que é concebido para examinar o interior do olho. A caracterização do estado clínico é bastante particular: manchas amarelas de depósitos gordurosos, pontos minúsculos escuros, chamados de micro-aneurismas e o crescimento de ramificações de novos vasos sanguíneos. Se aconteceu um grave sangramento, a retina pode não ser visível, mas o sangue pode ser visto e o diagnóstico pode ser concludente ao ter-se conhecimento de que o paciente é diabético.

Cuidados a ter:

Uma falta de controlo da diabetes mellitus e o fumo são factores de risco. Por isso, é importante controlar os níveis de açúcar no sangue, não fumar e assegurar-se que a tensão arterial e o colesterol são controlados. A maioria da perda de visão pela retinopatia diabética pode ser prevenida e o diagnóstico precoce é de vital importância. Dado que a visão normalmente não é afectada pela retinopatia diabética até que atinge um estado avançado, são extremamente importantes exames regulares à vista. A visão pode ser boa, mas podem acontecer alterações na retina que podem ser tratadas. Quanto mais as pessoas sofrerem de diabetes e menos rigorosamente a doença for controlada, maior será o risco.

Riscos e Complicações da retinopatia diabética:

As principais complicações são a descolagem da retina e a cegueira irreversível. A retinopatia diabética é a principal causa de cegueira porque os diabéticos muitas vezes ignoram a sua própria condição de diabéticos, designadamente nas situações de diabetes tipo 2, adquirida, na adolescência ou na idade adulta.

Tratamento da retinopatia diabética:

Os lasers Argon são amplamente usados pelos oftalmologistas para tratar a retinopatia diabética. Várias aplicações de laser na periferia da retina neutralizam vastas áreas da retina exterior áreas que são muito menos importantes para a vista do que as áreas centrais. Esta operação é designada de ablação retino-periférica. Os próprios vasos sanguíneos nunca são directamente afectados pelo laser. A ideia é, pela redução da área realmente funcional da retina, reduzir o aporte de sangue que a retina necessita. Quando a retina é realmente mais pequena, precisa de menos sangue e os novos vasos prejudiciais normalmente desaparecem rapidamente.

Foto: Exemplo de visão em paciente com retinopatia diabética:

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