Sopa

Sabe-se hoje que já há 10 000 anos atrás, os nossos antepassados deitavam alimentos ao seu gosto em poças de água fervente para os cozinhar. Nasceu, desta forma, a sopa. Este caldo resultante da cozedura de legumes, muitas vezes enriquecido com pão, carne ou peixe, saciou a fome de gerações ao longo dos tempos e chegou mesmo a merecer homenagem de poetas, músicos e filósofos.

Infelizmente, durante o século XX, a sopa passou a ter uma conotação negativa, pois era um alimento associado à baixa condição social. É por este e outros disparates que o consumo de sopa tem vindo a diminuir, especialmente nos países ocidentais, e que a condição de importante legado cultural e gastronómico da sopa tem vindo a ser esquecida.

É importante frisar que o hábito de comer sopa antes de um prato composto por carne ou peixe, farináceos e vegetais é fundamental numa alimentação saudável. A sopa, pelo seu modo de preparação e pelos seus ingredientes tradicionais, é um alimento com uma importância nutricional extraordinária. Para além de ser de fácil digestão é ainda rica em vitaminas e minerais. Os legumes e as hortaliças são muito ricos nestes dois tipos de nutrimentos, que são melhor absorvidos quando se encontram dissolvidos em água. Como na sopa a água da cozedura não se rejeita, não há grandes percas de vitaminas ou minerais. Adicionalmente, a sopa previne a obesidade e regula o apetite, impedindo o consumo excessivo do prato principal, pois é rica em fibras alimentares que, por sua vez, também são essenciais ao bom funcionamento do aparelho digestivo.

A sopa também fornece substâncias antioxidantes que protegem de doenças cardiovasculares e de certos tipos de cancro. A cozedura da sopa, como é feita a uma temperatura relativamente baixa, também não gera substâncias carcinogénicas como acontece na fritura.

Este é também o alimento ideal para todos aqueles com dificuldades de mastigação, pois encontram na sopa uma solução para melhorar a sua alimentação.

Depois de tudo isto, não comer sopa pode ser considerado um verdadeiro atentado à saúde. Mas, se ainda assim, for daquelas pessoas que inexplicavelmente não gosta de sopa, faço uma sugestão: dê uma vista de olhos pelos livros de receitas e vai encontrar um sem número de sopas ou pratos baseados no mesmo processo culinário, como ensopados ou outros caldos enriquecidos com carne, peixe, ovos ou marisco. Com uma gastronomia tão rica em pratos deste tipo, com certeza que vai encontrar alguma sopa que goste.

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É preciso fazer esquecer essa ideia errada que a sopa é coisa de pobres. Tolos são aqueles que esquecem a sopa para se armarem em ricos ou para esquecerem um passado de privações. Um alimento tão rico só pode ser uma coisa: um tesouro.

Beneficios da Sopa para a Saúde

A sopa é um dos pratos de maior tradição na gastronomia portuguesa. As suas vantagens são conhecidas: permite um melhor desenvolvimento infantil e juvenil, maior resistência a infecções e a doenças digestivas, menor susceptibilidade a prisão de ventre e menor tendência para doenças cancerígenas e de arteriosclerose.

Os médicos acrescentam outras vantagens ao sabor agradável e qualidades nutritivas. É a que sopa, ao ferver em água abundante vários alimentos, onde predominam os de origem vegetal, tem como efeito aumentar a resistência do organismo a certas propriedades dos vegetais. A temperatura de 100ºC a que a água sobe quando está em ebulição elimina os antinutrientes, alergénicos e substância tóxicas que estão presentes nos vegetais crus. Para além da destruição das toxinas, são também eliminados os parasitas e seus ovos, bactérias e seus esporos, quer dos alimentos quer da própria água.

Por outro lado, o facto de a fervura não ultrapassar os 100ºC tem outra vantagem: alguns alimentos, quando cozinhados em fritadeiras e fornos industriais, ultrapassam os 400ºC, dando origem a moléculas anómalas com efeitos cancerígenos, protrombóticos e tóxicos.

A cozedura dos vegetais permite ainda a hidratação dos aglomerados amiláceos dos alimentos farináceos como o arroz, a batata e a massa, as fibras das hortaliças e legumes e as tramas proteicas da carne, cereais e leguminosas. Assim desagregados, estes alimentos em conjunto resultam em altos conteúdos nutricionais. Ao contrários do que usualmente se pensa, certos alimentos cozidos têm mais vitaminas do que os crus. Além das vitaminas, a sopa contém minerais, ácidos aminados e gordos essenciais e outros reguladores e protectores.

Para finalizar, a sopa é boa para as dietas. Consumida quente, no início de uma refeição, a sopa transmite conforto e satisfação, reduzindo a tendência para engordar. Um prato grande de sopa, engrossada com leguminosas e temperada com um fio de azeite dificilmente passa as 180 calorias, enquanto qualquer outra refeição fornece entre 440 e 660 calorias.

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Salva vidas

A sopa, independentemente de refinamentos que alguns poucos terão podido saborear no decorrer da história, foi um alimento que salvou muitos da fome.

Umas vezes sozinha, outras com pão e água, outras com cereais e, por vezes, com carne, a sopa foi – e é – o primeiro alimento verdadeiramente imaginativo e salvador de vidas. Na Idade Média, os caldos e misturas elaborados com favas, ovos, feijões e, sobretudo, arroz, temperados depois com canela, gengibre, açafrão ou alhos, a sopa obteve um rotundo triunfo.

No Ocidente, a sopa tem seguramente mais de seis milénios. As sopas portuguesas são tradicionalmente leves e ricas em vegetais, muitas vezes resultantes de combinações espontâneas e sem receita, mas são extremamente nutritivas. Muitas regiões em Portugal fazem da sopa o prato principal de uma refeição. É o caso da sopa de ovos escalfados com tomate, da caldeirada, das açordas, da sopa de peixe ou de ave, da sopa com queijo ou arroz.

O Caldo Verde, uma das mais conhecidas e também mais nutritivas receitas, é por muitos considera o prato não oficial português. As suas couves são muito ricas em fibras, em vitamina A e complexo B, cálcio, ferro, fósforo e potássio. Além disso, tem poucas calorias. A água quente faz funcionar melhor os sucos digestivos e os fermentos ou enzimas do aparelho digestivo. Faz ainda descontrair os esfíncteres, estimula a contracção normal da vesícula biliar e relaxa o estômago, o intestino delgado e o intestino grosso.

Por fim, o chouriço confere-lhe um gosto único, mas deve ser cozido à parte e a água deve ser deitada fora, porque, por ser defumado, contém produtos cancerígenos.

23. Junho 2010 by admin

One Comment

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  1. Sempre gostei de sopa, principalmente de feijão com verduras. Falar nisso, antes de pesquisar este artigo, eu estava comendo uma deliciosa sopa hahahaha…

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