Viagens ao Egito - Fotos Antes e Depois

Viagens ao Egito

Desde que estudei a História do Egipto, sempre perspectivei uma viagem a este país e às suas maravilhas e mistérios. Assim, em Março de 2008, contrariamente ao meu gosto pessoal, visitei o Egipto numa excursão organizada com turistas portugueses e, felizmente, com amigos. Logo no primeiro dia aprendi que a organização e a honestidade estavam nos antípodas da grandiosidade daquela civilização. É só ter cautela… e bom senso.

O Cairo, para além dos seus monumentos históricos, é uma cidade curiosa de contrastes. O moderno – grandes avenidas, uma boa escolha de lojas, divertimentos, bons hoteis, vida nocturna, contrasta com uma pobreza indescritível – carros a circularem sem portas, casas não acabadas, pessoas a viver nas campas dos cemitérios, carne a ser transportada em camionetas de carga descobertas, porcaria, porcaria… No meio de tudo isto um trânsito caótico e gente, gente, gente… Mas tudo se esquece pois os pontos de interesse são inúmeros e alguns de uma beleza inenarrável.

Se for ao Cairo não perca o mercado Kalili – o mais importante e famoso mercado. As suas ruas são muito estreitas, fazendo lembrar as nossas vielas e nelas se encontram numerosos artigos variados e de materiais tão diferentes quanto o são a porcelana, o alabastro, o algodão, a prata, o papiro, etc. Contudo, se quiser comprar algo aqui ou em qualquer outro ponto do Egipto, terá de negociar e discutir os preços. Se eles pedirem 200 libras egípcias, ofereça 80. No final terá obtido o seu artigo por 100 ou 110 libras! É o negócio à egípcia. E lembre-se: nunca diga que é americano senão levam-lhe o couro e o cabelo.

Durante a nossa estadia no Egipto, visitámos duas mesquitas das muitas existentes na cidade. A mais famosa é a Mesquita de Muhammad Ali (Alabastro). Esta Mesquita fica situada na Citadela. A sua construção foi iniciada em 1830 e finda em 1857, estilo otmano, por Mohammad Ali Pash, regente do Egipto e fundador da última dinastia do país.

A Mesquita é o túmulo de Mohammad Ali e também é conhecida como o Mesquita de Alabastro devido à intensa utilização deste material. Da esplanada circundada de arcadas, o visitante tem uma magnífica vista sobre a cidade e as Pirâmides de Gizé. Deve fazer-se uma visita ao seu interior.

Também visitámos o Museu do Cairo embora demasiado rapidamente. Faltou-me tempo por minha conta. Tive de andar em “rebanho”, olhando para a esquerda e direita, ao gosto do guia e da multidão. Contudo, deu para ver algumas coisas deste velho museu com salas explêndidas e cheias de arte egípcia (que faz empalidecer o Museu de Arte Egípcia de Turim/Itália, dado como o segundo museu mais importante de arte egípcia).

Não posso deixar de destacar as salas com os inúmeros objectos encontrados no Túmulo de Tutankhammon. E sendo como eram belas, ricas e numerosas o que seria o recheio dos túmulos doutros faraós que viveram e reinaram muitos anos? Não nos podemos esquecer que Tutankhammon morreu apenas com 18 anos; um breve reinado. Apesar disso, é duma beleza rara, impressionante, o recheio do sarcófago dourado – as jóias e a máscara de Tutankhammon fazem desta sala do museu um local de paragem obrigatória.

A visita às Pirâmides e à Esfinge impunha-se. Era, contudo, um local onde eu receava a decepção. Ao longo dos anos, fizera dele um local mítico e secreto e foi, com uma certa apreensão, que para lá me dirigi.

Não tenho, contudo, palavras para descrever o que encontrei. Mal queria acreditar que na minha frente estava uma das 10 MARAVILHAS DO MUNDO! – as Pirâmides de Kefren, Keops e Mikerinos e a Esfinge. Todo o local excedeu as minhas expectativas – poderia ficar para sempre a contemplar a sua grandiosidade e a interrogar-me de que meios se serviram os antigos egípcios para construir aquelas maravilhas.

Como nota negativa, apenas a pena de que este local já esteja nos limites da cidade do Cairo, com o seu barulho e a sua poluição.

Perto das Pirâmides fizémos uma visita a uma fábrica de Papiro onde, para além das imprescindíveis compras, aprendemos a forma de obter papiro.

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Grávida pode alisar o cabelo?

Ainda durante a estadia no Cairo e, a caminho de Mênfis, visitámos o complexo da PIRÂMIDE DE ZOSER, mais conhecida pela Pirâmide em Degraus. Mais antiga e, apesar de mais desgastada, não menos bonita. Neste complexo, visitámos ainda um túmulo com impressionantes baixos e altos relevos.

De avião partimos para Luxor, a antiga Tebas.

Luxor é um grande museu ao ar livre, recheado de monumentos grandiosos da antiga civilização.

Homero descreveu-a como a cidade “dos mil portões”. O seu mais antigo nome era al-Uqsur cujo significado era – A Cidade dos Palácios. São verdadeiros testemunhos – templos, palácios, túmulos – de um desejo de imortalidade, construídos em areia e granito, rodeado de “souks” e luxuosos hoteis.

Na margem este do rio Nilo fica a “Cidade dos Vivos” onde os templos de Luxor e de Karnak dão as boas vindas ao Sol. O crepúsculo na outra margem banha de sombras a “Cidade dos Mortos”: os túmulos dos Nobres, o Vale dos Reis e o Vale das Raínhas e o Templo da Raínha Hatshepsut, a única mulher faraó. (Foi aqui que em Novembro de 1997 um grupo terrorista matou perto de 60 turistas de diversas nacionalidades. Vivemos uma época conturbada de inúmeros e diferenciados tipos de fundamentalismos! O Egipto é um Património Mundial e as pessoas deveriam ser livres e terem segurança para visitar todas estas maravilhas que este país tem para revelar).

A nossa visita à cidade começou pelo Templo de Luxor onde os festivais de Tebas eram celebrados. O Templo de Luxor era o centro do mais importante festival dedicado a Otep. O cortejo começava em Karnak e acabava em Luxor.

Seguiu-se a visita ao Templo de Karnak – o meu favorito e o local mais impressionante de toda a visita.

Ao percorrer Karnak o visitante pode, ainda hoje, sentir o poder dos Faraós. O Templo de Karnak é composto por três templos principais, outros templos dentro destes e ainda outros espalhados ao longo do vastíssimo complexo que vai desde a álea de entrada até ao Lago Sagrado. Este conjunto monumental foi construído e aumentado durante mais de 1300 anos.

Não sei descrever este Templo; primeiro porque muitos locais ficaram por visitar, segundo porque é tão belo, imenso e rico que muitas páginas seriam necessárias.

Devo, contudo, destacar:

– O Templo de Ammon
– O Templo de Ramses III
– A magnífica e colossal Sala Hipóstila com 134 colunas (foi aqui que uma das passagens da “Morte no Nilo” foi filmada) – um local mítico onde nos sentimos pequeninos
– O Lago Sagrado

Para visitar Karnak e disfrutar das suas belezas há que ter tempo para passear em silêncio imaginando este lugar com as suas primitivas cores e agradecer, a quem cada um achar que o deve fazer, por este local ainda existir e estarmos lá para o contemplar.

Depois destas duas visitas fomos para bordo do nosso barco que nos conduziria até Assuão na Núbia. Estes barcos são verdadeiros hoteis. Finalmente eu estava no mítico Nilo – “um presente de Deus”, como os antigos egípcios lhe chamavam.

Depois do almoço tivémos uma tarde livre que aproveitei para conhecer a cidade, pequena, e os seus habitantes divididos por profundas diferença sociais. Fomos às compras com a consequente discussão de preços. Temos de nos manter frios, não mostrar grande interesse e sorrir, sorrir sempre.

(Gostei do povo egípcio. Franco, infantil, com peles profundamente vincadas do sol. Gostei, sobretudo, dos seus sorrisos e da sua afabilidade).

À noite fomos a um espectáculo de Luz e Som no Templo de Karnak. Senti-me transportada para outra época percorrendo aquela imensidão ao som duma música divina entrecortada por uma voz forte e serena que nos ia contando a História daquele local e dos sítios que se iam iluminando à nossa passagem até junto do Lago Sagrado onde o espectáculo teve lugar. A poesia do local e a sobriedade do espectáculo trouxeram lágrimas aos meus olhos.

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(Em jeito de anedota, há que contar que o guia nos tinha “vendido” este espectáculo a um preço que achámos razoável. O pior foi quando, de manhã, ao visitar o Templo, vimos na bilheteira que os preços eram mais baratos, em mais de metade, que o preço pedido. Os portugueses fizeram logo uma peixeirada e, só lucraram com isso! Primeiro, gastaram menos. Segundo, não foram roubados. Terceiro, andaram em velhas mas graciosas “calèches” conduzidas por egípcios simpáticos e que nos foram buscar no final do espectáculo… Viva o olho vivo dos portugueses!…).

No dia seguinte atravessámos o rio e fomos visitar o Vale dos Reis passando primeiro pelos Colossos de Memnon. Os Colossos estão ali mesmo à beira da estrada, muito danificados mas impressionantes na sua grandiosidade. Estão ali a tomar conta da passagem para o Vale. De tempos a tempos o vento, ao passar por eles, produz uma espécie de música que os egípcios acreditam vir directamente dos deuses.

Depois de uma rápida visita a um túmulo do filho de um faraó com impressionantes frescos coloridos, no Vale das Raínhas, fomos visitar o Templo de Deir el Bahari – o templo mortuário da Rainha Hatshepsut. Encontra-se erigido num local desértico e dramático enquadrado no sopé do monte. Muito impressionante e árido!

Seguimos para o Vale dos Reis onde visitámos os túmulos de Ramses III e de Amenofis II – um túmulo impressionante escavado nas profundezas da terra. Os túmulos estão cheios de altos e baixos relevos.

Na tarde desse dia deixámos Luxor por um entardecer magnífico que punha mais luminosidade e paz nas belas margens do Nilo sulcadas por falukas (os barcos do Nilo) e onde, as crianças, na outra margem, nos acenavam alegremente. Crianças, crianças por todo o lado!

Sentada no “deck” fiquei impressionada com este rio (tão importante para os egípcios). As suas margens têm entre 10 a 100m de terra verde arável completamente cultivada seguindo-se, no imediato, deserto, deserto e mais deserto!

Parámos em ESNA, pequena cidade a 50km ao sul de Luxor com um colorido e atarefado mercado onde os turistas vão perdendo a cabeça e o dinheiro.

O Templo de Esna data da era ptolomaica e, para além da sua beleza exterior e interior, tem uma sala hipóstila de rara beleza com colunas de capitéis floreados.

De Esna e de autocarro, por uma estrada de tráfego sem lei e com veículos a cair de podre, chegámos a Edfu e ao seu belo Templo descoberto em 1860 por Mariette.

À noite no barco presenciámos a dança do ventre – um pobre espectáculo degradante e sem interesse, tal a sua pobreza!

No dia seguinte e no caminho para Assuão parámos em KOM OMBO – o Templo dos Crocodilos. Muito bem localizado ao lado do rio.

Seguiu-se Assuão e a sua grande barragem – um milagre da engenharia – construída em 1960 e que criou o Lago Nasser.

Chegámos a Assuão no período do Ramadão e pudémos observar a forma como alguns egípcios mantêm o preceito de não comer desde o amanhecer ao pôr do sol.

O Nilo em Assuão é maravilhoso, sulcado de ilhas e falukas.

Demos uma pequeno passeio numa faluka que tomámos no cais do belo OLD CATARACT HOTEL onde a “Morte no Nilo” foi filmada. (Um dia gostaria de voltar a este hotel e nele ficar, certamente só por um ou dois dias, a não ser que me saia a sorte grande. Ficar ali no terraço e olhar o Nilo e a vista – sempre o Nilo e os seus mistérios e caprichos).

A faluka parou no sopé do monte onde se encontra o túmulo de Aga Khan, de que não gostei, mas valeu a pena a árdua subida para disfrutar da vista panorâmica.

Fomos ainda ao Jardim Botânico – numa ilha – com uma enorme e variada flora – flores, plantas por todo o lado numa luxuriante variedade. E, numa contradição egípcia, por detrás deste verde profuso, o deserto estava ali mesmo ao lado.

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De Assuão lembrar-me-ei sempre da cor e luz do crepúsculo e do vermelho intenso do sol a descer no horizonte. Um espectáculo de prender a atenção e pacificar o espírito.

No outro dia, às 4h da manhã, fomos de avião para ABU SIMBEL.

Não é só a beleza e o porte magestoso dos dois templos de Abu Simbel que são impressionantes mas também a grande obra de engenharia que foi a sua remoção e que ficou célebre. Quando os templos (situados a 280km de Assuão) foram ameaçados de submersão pelas águas do Lago Nasser, devido à construção da barragem, o governo egípcio obteve a solidariedade da Unesco e lançou uma apelo mundial de ajuda que foi correspondido.

Durante a operação de salvamento que começou em 1964 e acabou em 1968, os dois templos foram desmantelados e reconstruídos, pedra a pedra, 60 metros mais acima em relação ao local onde tinham sido construídos 3000 anos antes. Aqui as pedras, sabiamente cortadas, foram de novo juntas, na exacta relação entre si e o sol, e o Templo foi coberto por uma montanha artificial. A maior parte das junções na pedra foi enchida com massa por peritos em antiguidades e são imperceptíveis à vista desarmada; no interior, é ainda possível observar onde os cortes foram feitos.

Pode-se visitar o interior da cúpula feita pelo homem e que exibe uma colecção de fotografias mostrando as diferentes fases deste projecto de remoção do templo.

Os dois templos foram erigidos por Ramses II (1290- 1223 a.C.). Os templos ficam virados para o sol e os seus raios acordam as colossais estátuas de Ramsés. Tudo à volta deste Templo – dedicado a Ramses – é colossal.

No exterior da fachada há uma larga esplanada.

A fachada do grande Templo é um enorme bloco onde estão escavadas quatro colossais estátuas do Faraó. As quatro estátuas, duas de cada lado da entrada, representam Ramses sentado no seu trono.

Dentro do Templo os baixos e altos relevos estão em muito bom estado de conservação. No centro do santuário encontra-se a barca sagrada. Num recanto da parede de trás estão as figuras sentadas dos quatro deuses – Ptah, Amon, Ramses II, ele próprio, e Harakhti. Uma das maravilhas deste explêndido monumento é o facto de, durante o solstício, todos os anos, os raios do sol nascente iluminarem estas figuras, com excepção de Ptah, o deus das trevas. Como conseguiriam os egípcios ter este conhecimento científico sobre a ciência, o cosmos e a arquitectura?

Ramsés II dedicou o Templo mais pequeno à Rainha Nefertari, sua amada esposa que era adorada como deusa.

Depois de contemplar e admirar estes templos não sei o que mais me impressionou se o seu explendor, beleza e perfeição se a solidariedade internacional da Humanidade e a consequente técnica da engenharia que permitiram a remoção atempada do Templo, pedra a pedra, do seu local original para que as águas o não submergissem.

E, com muita pena minha, regressámos ao Cairo e a Lisboa.

Não deixem de visitar o Egipto se for seguro e deparar-se-ão com um país magnífico onde o passado é presente e onde podemos ser transportados a uma civilização antiga e perfeita cujo desenvolvimento dos seus conhecimentos ainda hoje, para nós, é um puzzle.

Como puderam, naquele tempo, construir monumentos e túmulos tão magníficos que ainda hoje perduram para serem por nós admirados.

EGIPTO PARA SEMPRE

Nota: Único cuidado a ter – a água, deve ser sempre engarrafada, mesmo para lavar os dentes, assim como se deve evitar comer produtos crús como saladas por se desconhecer como foram lavadas.

O uso de chapéu ou qualquer protector para a cabeça é obrigatório.

Um bom medicamento para os intestinos é fundamental.

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13. Julho 2010 by admin

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