A MICROBIOFOBIA - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

A MICROBIOFOBIA

Atualizado em 13 Janeiro, 2018

A MICROBIOFOBIA

Os micróbios – também designados pelo nome genérico de germes – são seres microscópicos, animais ou vegetais, que nos interessam mercê dos danos que nos causam. Entre os seres vivos e o meio verifica-se uma luta contínua, na qual nem sempre saem vitoriosos os maiores e os fisicamente mais fortes; muitas vezes triunfam os menores, os impalpáveis, os invisíveis. Os animais de grande porte, como o hipopótamo, o rinoceronte, o elefante, etc., estão em vias de desaparecimento, ao passo que os insetos, os micróbios e os vírus se estão multiplicando de maneira assombrosa.

Micróbios

No terreno dos micróbios, há inúmeras legiões de seres animais e vegetais que, introduzidos no nosso organismo, provocam em nós, sob determinadas condições, os mais variados tipos de doenças.

No reino vegetal destacam-se:

1. Bactérias, entre as quais se distinguem:
a. Cocos (microrganismos esféricos):
– Cocos isolados;
– Diplococos (reunidos dois a dois): gonococos (causadores da blenorragia), pneumococos (pneumonia), meningococos (meningite cérebro-espinhal);
– Cocos triados (reunidos três a trés);
– Cocos tetrados (reunidos quatro a quatro);

2 – A Flora
– Sárcinas (amontoados em cubos compostos de oito cocos);
– Estreptococos (agrupados em forma de corrente): Estreptococcus hemolyticus (erisipela);
– Estafilococos (agrupados em amontoamentos que dão o aspecto de cachos de uva): Estafilococcus aureus (osteomielite);
– Micrococos Cincaracterísticos);

b. Bacilos Cem forma de bastonetes curtos e retos: bacilos isolados, diplobacilos, estreptobacilos): Bacilo de Nicolaier (tétano), Bacilo de Klebs-Loeffer (difteria), Bacilo de Koch Ctuberculose), Bacilo de Eberth (tifo), Bacilo de Hansen (lepra);

c. Espirilos (em forma de espiral): Treponema pallidum [sífilis), Treponema recurrentis (febre recurrente, transmitida por piolhos e carrapatos):

Vibrio d. Vibriões (bastonetes encurvados, em forma de vírula cholerae (cólera).

2. Fungos: Uns podem provocar pneumonias; outros podem produzir doenças da pele ou de outros órgãos. Todas as enfermidades acarretadas por fungos recebem o nome de micoses.

3. Vírus: São invisíveis ao microscópio com iluminação comum; só podem ser observados por meio do microscópio eletrônico; são filtraveis, isto é , passam através dos filtros de porcelana, que normalmente retêm as bactérias); só podem ser cultivados na presença de células vivas que sejam suscetíveis. Provocam doenças tais como a poliomielite, a varíola, a gripe, o sarampo, a febre amarela, a hidrofobia, etc.
No reino animal, temos os protozoários, de que há quatro classes bem definidas:

1. Rizópodes ou sarcodinos lprotozoários desprovidos de membranas, cujos pés são semelhantes a raízes, e que se movem por pseudópodes): Entamoeba histolytica (disenteria amebiana).

2. Flagelados ou mastigóforos (protozoários providos de flagelo, longo apêndice em forma de chicote, com movimentos rápidos e violentos): Leishmania brasiliensis (úlcera de Bauru), Trypanosoma cruzi (doença de Chagas), Trypanosoma gambiense (causador da doença do sono, por intermédio da mosca tsé-tsé), Enteromonas hominis (enterites mais ou menos crônicas), Trichomonas hominis (enterites e diarréias).

3. Esporozoários (protozoários imóveis ou quase imóveis, que reproduzem rapidamente por esporulação): Plasmodium malariae (impaludismo ou malária: febre quartã, acesso febril de 72 em 72 horas), Plasmodium vivax (febre terçã benigna: acesso febril de 48 em 48 horas), Plasmodium falciparum (febre maligna: ciclo esquizogônico de 24 a 48 horas). Os acessos febris ocorrem no momento em que os espórios, merozoítas, formados pela divisão, se libertam e caem no plasma, em conseqüência da destruição das hemácias.

4. Ciliados, cilióforos ou infusórios (protozoários dotados de cílios): Balantidium coli (vive no intestino grosso, onde pode causar enterocolites, com lesõeses intestinais). Subindo na escala zoológica, encontramos, logo acima dos protozoários (que são unicelulares), os metazoários (pluricelulares), que podem parasitar o homem diretamente, como os vermes intestinais, a triquina, o bicho-de-pé (tunga penetrans), o ácaro da sarna, etc., ou servir de veículos aos germes de graves enfermidades, como a pulga, que transmite ao homem o bacilo pestoso, causador da peste bubônica, oriunda de ratos atacados da moléstia, ou como o anófele, transmissor da malária.

Terror séptico

Como se vê, vivemos constantemente assediados por poderosos adversários, visíveis e invisíveis a olho nu.
Mas – atenção! – nosso propósito, aqui, não é o de provocar entre os leitores, uma microbiofobia, que é uma das doenças de imaginação, e que vêm atormentando a muitos neste século de neuroses. Se, como afirma um articulista, de cada seis pessoas uma morrerá de câncer (“Realidade” de junho de 1966), possivelmente não estejamos longe do ponto se admitimos que, de cada dez, uma perecerá prematuramente, graças ao desgaste produzido no seu sistema nervoso pelas diversas fobias, entre as quais o “terror séptico” será talvez uma das mais importantes fontes de padecimento. Lamentavelmente, não nos é dado conhecer nenhuma estatística nesse sentido, porém sabemos que muita gente sofre desse mal.

Um estudo realizado na Inglaterra, pelo Dr. Hugh Nicol, e dado à publicidade sob o título de “Microbes by the Million”, fornece-nos a propósito algumas informações úteis, baseadas em pesquisas de laboratório.
Entre outras, encontramos nessa obra a consoladora afirmação de que “os micróbios ordinariamente existentes numa casa residencial não oferecem séria ameaça”, e que “haverá uma imensidade deles, se houver doença em casa, o que, todavia, não constituicá; ainda, grande ameaça, se os ocupantes da mesma estiverem bem alimentados e se houver o necessário asseio no ambiente. Muitas donas de casa se dão ao trabalho de polir os talheres, de detizar os dormitórios, desinfetar as bacias sanitárias, porém se esque-
cem de que uma cozinha menos limpa e cuidada, onde a comida esteja exposta ao pó e às moscas, é muito mais perigosa do que todas as moedas e notas que porventura fossem manuseadas à hora da refei-
ção. Longe de querermos dizer que não seja necessário lavar cuidadosamente as mãos antes da comida, pretendemos apenas enfatizar uma necessidade ainda mais imperiosa, que é o asseio absoluto na cozinha. Não foi sem motivo que um pensador chinês afirmou que uma cozinheira suja provoca diarréia mais facilmente que o ruibarbo.

Que o mau cheiro exalado por águas estagnadas ou por corpos deteriorados constitua, por si só uma fonte de contaminação, isso está longe de ser verdade. “Se há mau cheiro”, diz o pesquisador inglês, “haverá, na substância em decomposição, milhões de bactérias, mas a culpa não é só dos mi.cõcíbios e, sim, principalmente, das pessoas que deixam tais putrefaçõés expostas, exalando miasmas.”

“O uso do sabão’, acrescenta o Dr. Nicol, “embora se trate de sabão comum e sem drogas especiais, se regularmente adotado, sem excessos e sem descuido, será bastante para manter a limpeza dum lar, quaisquer que sejam as condições de pobreza ou de conforto material. Geladeiras, aspiradores de pó e outros aparelhos modernos para a limpeza do lar, são coisas muito lindas e confortáveis, mas ninguém perecerá por falta dos mesmos, pois sua utilização não trouxe alta contribuição para a assepsia da vida doméstica. Os micróbios de uma casa são, geralmente, os do ar e da água, e, para muitos deles, o nosso organismo tem defesa natural; outros são inofensivos ou mesmo benéficos.”

Coexistência pacífica
Banhos de asseio regulares, mãos bem lavadas antes de comer,
roupa limpa, passada a ferro, cozinha asseada, água filtrada para beber, continuam sendo os melhores meios de defesa contra os germes patogênicos.

Os micróbios são os coletores de lixo do corpo e não encontram ambiente num organismo limpo e sadio. Se nele penetram, abandonam-no logo, expulsos, sem deixar vestígio de sua visita, porque só se alimentam de tecidos enfermos. Se possuímos imunidade natural, se temos o sangue limpo e todos os órgãos em funcionamento sinérgico e regular, não temeremos os germes e poderemos passar incólumes através de muitas epidemias. Todos nós estamos em contacto constante com o bacilo de Koch, mas nem por isso ficamos tuberculosos, a não ser que nossas defesas orgânicas estejam enfraquecidas. Os germes são tão normais para o homem como o vento para a árvore. Como seria errado incriminar o vento pelo derrubamento de uma árvore que tivesse o tronco carcomido ou as raizes cortadas, é também errado culpar os micróbios pelas doenças infecciosas que acometem os organismos arruinados e corrompidos por uma vida anti natural. Os germes só nos causam doenças quando há algum desequilíbrio orgânico em nós; em condições normais de equilíbrio os micróbios não têm ação pois também estão sujeitos à lei da “coexistência pacífica” com o gênero humano.

Não podemos encerrar este capítulo sem transcrevermos algumas palavras do interessante livro “Como Se Deve Curar”, do Dr. Tullio Chaves, que ensina:
“Segundo a opinião de Claude Bernard, o micróbio não é nada, o terreno é tudo. . .
“Grande valor se dava outrora à virulência dos germes: Atribuíam-se os graus de intensidade de uma doença infectuosa à maior ou menor virulência do seu germe produtor.
“Hoje esse ponto de vista é considerado errôneo e as diversas formas de uma mesma infecção são imputadas à diversidade do terreno humano. E os órgãos de localização da infecção depõndem também dos lugares de menor resistência apresentados pelo organismo. . .
“A doença, modernamente, não é mais devida aos estragos causados por um germe ou por uma função desviada. Ela é, antes, a reação que o organismo opõe à toxicidade do germe que a produziu; e, nas doenças funcionais, é a resistência que o organismo opõe à disfunção, adaptando-se a ela ou reagindo, para que a função anormal volte à sua normalidade primitiva.

Algumas doenças:

1 – Neisseria gonorrhoeae (blenorragia)
2 – Diplococcus pneumoniae (pneumonia)
3 – Neisseria meningitides (meningite cérebro-espinhal)
4 – Streptococcus pyogenes (erisipela)
5 – Staphylococcus aureus [osteomielite)
6 – Streptococcus Nocardi (mamite contagiosa)
7 – Micrococcus mastobius (mamite gangrenosa)
8 – Bacillus mallei (mormo)
9 – Clostridium tetani (tétano)
10 – Corynebacterium diphteriae (difteria)
11 – Mycobacterium tuberculosis [tuberculose)
12 – Bacillus anthracis (carbúnculo)
13 – Salmonella typhosa [febre tifóide)
14 – Mycobacterium leprae (lepra)
15 – Pasteurella pestis [peste)
16 – Spirochaeta pallida (sífilis)
17 – Vibrio cholerae [cólera)
18 – Entamoeba histolytica (disenteria)
19 – Trypanosoma gambiense (doença do sono)
20 – Plasmodium malariae (malária)

“A febre é uma das características da reação do organismo contra os germes. Sendo um meio ótimo de cultura 37 graus em geral, a inteligência inconsciente do organismo procura por todos os meios modificar o seu ambiente, a fim de prejudicar a vegetação do micróbio. O organismo eleva essa temperatura e, com as suas antitoxinas, com os seus anticorpos e com os seus leucócitos, forma um terreno impróprio à vegetação do germe… Quando aquela inteligênçia inconsciente não tem a possibilidade de elevar a temperatura, ela a abaixa, como no caso de cólera. . .

“A tendência natural do organismo é defender-se. E, para se defender, ele lentamente prepara suas antitoxinas e anticorpos contra os antígenos agressores.

“Posto o organismo em condições higiênicas naturais – alimentação sã, suficiente e atóxica, aeração e insolação normais – ao abrigo das fadigas, dos excessos e dos tóxicos, o organismo naturalmente usa
suas armas contra a infecção: procede à diapedese dos seus leucócitos, fabrica as suas antitoxinas e eleva sua temperatura, queimando um excesso de glicogênio. . .

“Em resumo, não existem graus de virulência para um determinado micróbio. A sua nocividade ou inocuidade depende do terreno que o organismo humano opõe à vegetação do mesmo.

“Nos organismos propícios à sua vegetação, os micróbios desenvolvem a sua virulência máxima, em formas superagudas ou hipertóxicas, levando o paciente a morte rápida.

“Nos terrenos menos propícios, o organismo reage, com formas agudas de doença e, conseguindo vencer e dominar a virulência microbiana, sara.

“E, na maior parte dos casos, em que o terreno,. por fatores muitas vezes inacessíveis à argúcia da ciência é inapto proliferação microbiana, o germe torna-se avirulento ou saprófita, tendo o organismo reagido por formas benignas, chamadas ambulatórias, ou formas subliminares, desapercebidas do paciente e seu entourage.”

Atualizado em 13 Janeiro 2018

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