Abelharuco

O abelharuco é uma ave caracterizada por um dorso castanho-dourado, ventre azul turquesa e garganta amarelada, a sua identificação é bastante fácil.

O bico preto, longo e curvado, comum aos insectívoros, e a cauda com as duas rectrizes centrais mais compridas do que as restantes, excluem qualquer confuzão com outras espécies.

O dimorfismo sexual do abelharuco é de difícil observação, apresentando o dorço das fémias tons mais esverdeados, contrastando com o castanho-dourado dos machos.

Com um comprimento total de aproximadamente de 28cm e uma envergadura de 48cm, voa de forma inconfundível, rápido e com uma mobilidade excepcional.

O abelharuco é uma ave migradora que nidifica na região mediterânica e no sul da Ásia.

Esta espécie ocorre nas regiões mais quentes do país, dada a sua preferência por uma grande variedade de habitats abertos, como montados pouco densos, vales e zonas de mato com clareiras.

Embora o abelharuco seja uma espécie comum em algumas regiões do nosso país, não é muito abundante a nível mundial.

Além disso, como ave migradora, percorre grandes distâncias entre África e as áreas de nidificação, o que provoca grandes níveis de mortalidade. por esta rasão esta espécie é protegida por diversos acordos e legislações internacionais, como a Convenção de Berna, a Directiva Comunitária 74 / 409 / CEE e a convenção de Bona.

A população estival do nosso pais e do resto do Sul da Europa, nidifica fundamentalmente no Oeste Africano, do Senegal ao Gana, enquanto que as populações do Leste Europeu e Ásia invernão principalmente no Sul de África..

A chegada das aves vindas dos locais de Invernada, coincide com o ínicio da Primavera.

Nesta fase os Abelharucos passam vários dias sem área de permanência fixa, começando a fixarem-se nas zonas de nidificação nos finais de Abril ou princípio de Maio.

Apesar dos casais já estarem constituídos desdo começo da migração, as paradas nupciais são frequentes e os machos oferecem repetidamente alimento às fémias., proporcionando um espetáculo de rara beleza, cor e cortesia.

Sendo uma ave colonial, os locais de nidificação são criteriosamente escolhidos, normalmente sem barreiras, taludes, margens de rios ou falésias onde o solo seja arenoso ou terroso, e por vezes mesmo em zonas planas.

Para além do tipo de solo também é fundamental a direcção do vento dominante, não sendo utilizados locais expostos frontalmente a Este.

Os ninhos do abelharuco são constituidos por um túnel escavado, horizontal e longo que varia entre 75 e 215cm, terminando na câmara de nidificação.

A localização exacta de cada ninho da colónia, é aparentemente dominada pelo macho.

A sua construção é efectuada alternadamente pelos dois elementos do casal, demoramdo cerca de 10 a 20 dias toda a escavação.

Porém, nem sempre os Abelharucos constroem novos ninhos, podendo ocupar os mesmos ano após ano.

Quando assim acontece, nas galerias, onde se realiza a postura, existem restos de insectos, pelo que estas aves procedem à sua limpeza.

As cameras de nidificação são revestidas por regurgitações que, mais tarde, irão acomodar os ovos e juvenis.

Este tipo de ninho e de estrutura social é particularmente importante como defesa contra predadores, sendo os principais a Cobra-Rateira e a Raposa.

Quando algum intruso se aproxima da colónia as aves reagem coletivamente, atacando-o ou sobrevoando-o em constantes vôos picados.

As posturas começam em miados de Maio, sendo geralmente compostas por cinco ou seis ovos, brancos e quase redondos.

A tarefa de incubar é repartida pelo casal, durante quase 20 dias, com a particularidade de geralmente à noite a fémia permanecer no ninho enquanto o macho se reune com os restantes num dormitório distante da colónia.

Os primeiros juvenis eclodem em meados ou fins de Junho, demorando cerca de 20 a 25 dias até que esbocem os primeiros vôos.

A eclosão é assícrona, sendo necessário um periodo de 2 a 9 dias para que todos os juvenis eclodam, o que provoca uma diferença no seu desenvolvimento, emancipando-se uns mais cedo de que outros.

Estes continuam a ser alimentados pelos progenitores, mas progrecivamente de uma forma mais restritiva, até se tornarem autosuficientes.

Na fase de desenvolvimento dos juvenis nota-se frequentemente a existência de adultos “auxiliares”, que ajudam a alimentar os juvenis.

O facto de existirem numa colónia mais machos que fêmeas leva a que os machos que ficaram excluídos da reprodução auxiliem no processo de alimentação dos juvenis da colónia.

Em fins de Agosto ou princípios de Setembro, as aves das diferentes colónias reunem-se em bandos compactos, com o objectivo de migrarem para sul, para os locais onde permanecerão durante o Inverno.

Os Abelharucos são aves exclusivamente insectívoras. A sua dieta tem sido alvo de estudo, sendo os resultados geralmente semelhantes para toda a área de nidificação. Entre os insectos capturados são especialmente preferidos :

As abelhas, as vespas e os escravelhos, conjunto que prefaz cerca de 90% da sua dieta.

Em menores quantidades são ingeridos moscardos, moscas, cigarras, borboletas, gafanhotos e libélulas ( estas últimas, de maiores dimenções, são muitas vezes utilizados pelos machos nas suas paradas nupciais como ofertas às fêmeas.

Os abelharucos procuram geralmente um poleiro fixo, que funciona como a sua base de acção para se alimentar.

Este poleiro pode ser um ramo de uma árvore ou arbusto, uma pedra, cabos de electricidade ou telefone, ou qualquer outro sítio elevado.

São geralmente utilizadas três técnicas de captura de insectos: em vôo capturando sucessivamente vários insectos durante um certo periodo de tempo; enquanto pousados no seu poleiro habitual, localizam a presa e efectuam um vôo rápido para a capturar; ou no solo, para capturar insectos não voadores, como formigas ou algumas espécies de escaravelhos.

Este ultimo método é mais raro, e só é escolhido se houver uma grande abundância de insectos no solo.

A maior parte das presas do Abelharuco são insectos tóxicos, como as abelhas e muitas espécies de vespas.

Para se conseguirem alimentar destes animais, estas aves adoptaram por um tipo de comportamento especializado e muito próprio.

Antes de ingerirem a presa pousam, batendo e esfregando o insecto contra o poleiro de modo a imoblizálo.

De seguida, viram o insecto de forma a não ingerirem o abdómen, pois este contem o ferão e as glandulas do veneno.

De entre todos os insectos que fazem parte da dieta do Abelharuco é sem dúvida a abelha melífera.

Assim estes são cosiderados por alguns apicultores como uma praga projudicial à produção de Mel e Cera.

No entanto, não são muito frequentes os casos em que podem ocorrer grandes danos para os apicultores. Por outro lado a apicultura fornece grandes quantidades de abelhas artificiais.

Os Abelharucos têm uma área de alimentação muito restrita em relação à localização dos seus ninhos, no periodo em que estão a incubar ou a alimentar os juvenis, não sendo muito frecuentes nesta época as incursões aos apiários.

A maior preocupação dos apicultores é a dos Abelharucos comerem a rainha, mas isso é altamente improvável porque aquela só sai da colmeia no ano em que nasce, para ser fecundada, num total de 10 vezes, e por outro lado porque só existe uma em vários milhares de abelhas.

Não se justifica portanto qualquer perseguição a esta espécie tão bela e típica dos nossos habitats mediterrâneos, devendo-se antes contribuir para a sua conservação.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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