Adolescentes – Necessidades Nutricionais

Adolescentes – Necessidades Nutricionais.

Característica da idade, a despreocupação com a alimentação entre os adolescentes sempre preocupou os pais em todas as gerações. Agora, ao nariz torcido diante de menus variados, junta-se o apelo consumista cheio de cor e alegria, dificultando mais a tarefa dos educadores.

Em países afluentes a idade de maturação física depende essencialmente de factores genéticos. Os rapazes amadurecem fisicamente, em princípio, dois anos mais tarde do que as raparigas, embora se possam encontrar discrepâncias de vários anos dentro do mesmo sexo. As diferenças em termos de necessidades nutricionais entre rapazes e raparigas são pequenas, durante a infância, mas divergem substancialmente após o início da puberdade e mantêm-se posteriormente.

As explicações para estas diferenças entre sexos são: a maturação mais precoce das raparigas, considerável variabilidade dentro do mesmo sexo, no que diz respeito ao início da puberdade, e diferenças nas necessidades de determinados nutrientes dependendo do sexo e da idade biológica. Estas diferenças tornam-se mais evidentes no final da adolescência devido a distinta composição corporal.

Hábitos alimentares desregulados

Os erros alimentares cometidos pelos adolescentes portugueses são muitos e de frequência elevada. Segundo alguns autores, mais de 60 por cento consome bebidas alcoólicas habitualmente e cerca de dez por cento embriaga-se com frequência; apenas 30 por cento bebe pelo menos meio litro de leite, mais de metade não come a meio da manhã e um quarto não lancha à tarde, além de que quase um em cada dez não toma o pequeno-almoço.

Quase todos comem fritos com grande regularidade, cerca de metade come frequentemente produtos de pastelaria e 2/3 colocam açúcar em todas as bebidas que tomam. Quase 30 por cento das raparigas e 10 por cento dos rapazes seguem regimes de emagrecimento violentos e sem supervisão, grande parte deles sem necessidade efectiva de perder peso.

A forma de comer dos adolescentes portugueses é cada vez mais influenciada por modas e pelo marketing das grandes cadeias de fast-food em que um padrão do tipo cafetaria se transformou numa das características da cultura jovem e do comedor e bebedor pós-moderno.

Uma das características deste sofrível padrão alimentar é o aumento do número de momentos em que se ingerem alimentos. O dia alimentar perde estrutura, esquecendo-se as três refeições principais (primeiro-almoço, almoço e jantar) e os lanches intermédios, em favor de um debicar constante em que se ingere comida riquíssima em calorias, mas pobre em substâncias reguladoras.

Outra característica importante são os diferentes produtos consumidos e que abundam por toda a parte (na rua, no café, na pastelaria, no restaurante, vending machines, nos supermercados), desenhados para substituir refeições intercalares e refeições principais, mas que apenas satisfazem desmesuradamente alguns sentidos, dando prazer, graças ao seu elevado teor de açúcar e gorduras, mas, quase sempre, desprovidos de verdadeiro valor alimentar.

Lixo alimentar

A constituição nutricional deste tipo de produtos é totalmente diferente dos verdadeiros alimentos, de tal forma que este tipo de comida é apelidado nos Estados Unidos da América junk food ou lixo alimentar. Os adultos portugueses não são fervorosos adeptos deste tipo de comida, mas os adolescentes contribuem para o crescimento exponencial dos estabelecimentos que comercializam este género de alimentos.

Os frigoríficos e dispensas das casas onde vivem adolescentes estão cada vez mais recheados de produtos, em certo sentido, todos iguais.

Vistosamente embalados e aparentemente distintos, garrafas, caixas, sacos, cores e design de cultura jovem são os principais atractivos do lixo alimentar. Este é excessivamente gordo (mais de 40 por cento contra o ideal de 25 a 30 por cento) e doce (o açúcar pode chegar a fornecer 1/5 de todas as calorias, quando não deveria ultrapassar os 5 por cento).

Como se não bastasse, todos estes produtos são desprovidos de nutrientes reguladores e protectores, como as vitaminas, os minerais, as fibras vegetais e os antioxidantes. Finalmente, os métodos culinários utilizados prejudicam ainda mais a qualidade deste alimentos, já que provocam alterações perniciosas, principalmente ao nível das gorduras.

Cuidados suplementares

Os adolescentes que praticam um desporto de alta competição têm normalmente incrementos muito significativos de energia, especialmente quando esta actividade implica mover o corpo e levantá-lo. Pode ser difícil satisfazer as necessidades nutricionais já que o apetite normalmente não acompanha as mesmas, isto porque, por vezes, um corpo magro é necessário por questões estéticas ou por motivos de peso e muitas vezes são utilizadas dietas de treino inadequadas.

Por tudo isto convém estudar muito bem a alimentação de jovens atletas e adaptá-la de forma a satisfazer necessidades hídricas e electrolíticas, energéticas e, particularmente, de nutrientes reguladores. Por vezes, o recurso a megadoses farmacêuticas de vitaminas e minerais pode revelar-se contraproducente. O uso de esteróides anabolizantes para melhorar a performance física e a imagem corporal é extremamente perigoso e pode ter graves consequências de saúde, particularmente a nível nutricional.

Crescer

As mudanças nos estilos de vida também provocam alterações das necessidades nutricionais. Os adolescentes precisam de mais nutrientes energéticos do que quando eram mais pequenos já que agora os seus corpos são maiores, mas não são obrigatoriamente mais activos fisicamente, e as suas necessidades energéticas por quilograma de peso não são superiores às da infância.

A alimentação dos jovens deve responder a diferentes objectivos:

– Assegurar o crescimento e o desenvolvimento do organismo, nomeadamente durante os períodos em que a velocidade de crescimento é mais elevada, isto é, durante os anos da puberdade;

– assegurar o desenvolvimento do cérebro, embora tal seja mais importante durante os primeiros anos de vida;

– contribuir para uma vida saudável a curto prazo e a longo prazo, evitando a indução ou o agravamento, durante a adolescência, dos factores de risco de doenças comuns durante a idade adulta, tal como a obesidade, hipertensão arterial, aterosclerose, diabetes;

– satisfazer as necessidades emocionais e afectivas ligadas à alimentação.

Ser do contra

Entre os adolescentes, o comportamento alimentar é uma resposta a diferentes questões. Hoje, a puberdade é mais precoce do que em gerações anteriores, mas a idade em que o indivíduo se torna económica e socialmente independente é cada vez mais tardia.

A adolescência é o período da habitual contestação da ordem estabelecida, da autoridade parental, dos valores sociais adquiridos no seio da família. É muitas vezes através dos comportamentos alimentares que os adolescentes exprimem a sua contestação. Colocam em causa a organização das refeições, o seu ritmo, o seu horário, assumindo um distanciamento relativamente à alimentação familiar; preferem os alimentos engordurados e açucarados transformados industrialmente e consumidos num debicar constante.

O desenvolvimento do modelo americano de comida parece satisfazer os desejos dos adolescentes em matéria de alimentação: comer depressa, muitas vezes em pé, num ambiente e com decorações muito na moda, na companhia de outros jovens, sem talheres e sem organização formal da refeição, enquadra-se no gosto e medida dos nossos adolescentes.

Conselhos nutricionais para adolescentes

As recomendações alimentares para adolescentes não são muito diferentes das dos adultos. O padrão recomendado compreende não mais do que 30 por cento de gordura, limitando a gordura saturada a 30 por cento de todas as calorias ingeridas, não devendo a quantidade de colesterol ultrapassar os 300 miligramas por dia.

A quantidade de sal não deve ultrapassar os 6 gramas por dia, pelo que, praticamente, não será necessário adicionar sal aos alimentos durante a sua preparação culinária. As recomendações sublinham, ainda, a importância de uma alimentação rica em alimentos de origem vegetal, onde pontuem o pão, as leguminosas, os cereais, os legumes, os frutos e vegetais.

O consumo de álcool não é aceitável antes dos 17 anos. Uma alimentação rica em fornecedores de hidratos de carbono complexos (amido) e pobre em gorduras deve igualmente ser balanceada no que diz respeito a determinados minerais, como o cálcio, o ferro e o magnésio, que podem, por vezes, ser fornecidos em quantidades deficientes.

Existem situações muito complicadas na vida dos adolescentes que implicam maiores cuidados no que diz respeito à alimentação, como acontece no caso das adolescentes grávidas. As suas necessidades nutricionais são consideravelmente elevadas. Uma ingestão adequada de energia, cálcio e ferro são de particular importância.

Controlar o peso na adolescência

A obesidade é cada vez mais preocupante entre os adolescentes, sendo que a obesidade precoce tende a aumentar. Por exemplo, 25 a 40 por cento das crianças obesas durante a primeira infância tornar-se-ão adultos obesos. Na idade escolar, este valor pode subir para os 60 por cento, sendo o risco de obesidade quase sete vezes maior do que em crianças não obesas. Na adolescência é também um factor que aumenta grandemente o risco de se vir a ser obeso em adulto, principalmente entre as raparigas.

Alguns estudos demonstraram que 30 por cento das mulheres adultas obesas já o eram enquanto adolescentes; além disso, quando a obesidade se inicia na adolescência, a probabilidade de mortalidade e de doença é muito maior. Grande parte dos investigadores concordam que a principal causa de obesidade se prende com a reduzida actividade física e a ingestão de calorias superior às necessidades.

Opções alimentares

O vegetarianismo durante a adolescência pode ser perigoso se seguido na sua forma estrita, mas se for ovo lacto vegetariano é possível ter uma alimentação saudável. No entanto, convém sempre estar atento a possíveis deficiências de energia, cálcio, proteínas, ferro e outros nutrientes menos abundantes e menos bio disponíveis em alimentos vegetais.

Os distúrbios do comportamento alimentar também são comuns e perturbam o desenvolvimento dos jovens, principalmente do sexo feminino. São, infelizmente, cada vez mais comuns a anorexia nervosa, bulimia, ortorexia, vigorexia, compulsão alimentar e outros. Alterações provavelmente causadas por problemas psicológicos e influenciadas por questões culturais, sociais e dietéticas.

O tratamento é difícil e, enquanto enfermidades do foro da saúde mental, devem ter um acompanhamento multidisciplinar com seguimento psiquiátrico e apoio de nutricionista.

As carências alimentares durante a adolescência podem ser significativas, particularmente no que diz respeito a minerais tão importantes como o cálcio. Uma das principais consequências da carência de cálcio é a osteoporose no segundo e terceiro terços da vida.

É desde o início da puberdade até ao final da adolescência que a massa óssea conhece a sua fase de crescimento mais rápido. Em menos de dez anos o esqueleto adquire a maioria do seu capital. Daí que uma alimentação adequada em cálcio (produtos lácteos), durante a adolescência, seja a melhor forma de prevenir a osteoporose mais tarde na vida.

A opinião da especialista Manuela Cruz, Psicóloga Clínica

Perante a preocupação com o que os seus filhos comem e não comem alguns pais perdem a paciência. Ansiosos, transformam a mesa num recinto de medição de forças. É verdade que os jovens preferem um hamburguer com batatas fritas ao peixinho cozido com legumes. Insistindo que não gostam disto e daquilo vão debicando umas quantas embalagens de guloseimas.

A responsabilidade também é social. Todos os dias surgem produtos novos, uns com brinde outros sem brinde, que as crianças e os jovens gostam de experimentar e de partilhar entre eles. Por outro lado, a comida dos adultos, dita “saudável”, tem pouco interesse. Preferem gastar o tempo noutras actividades mais aliciantes. As crianças e os jovens não são muito aventureiros na alimentação.

Não se importam de comer todos os dias a mesma coisa e o mais rapidamente possível. Uma das tarefas dos pais é ajudá-los a desenvolver a capacidade de tomar parte activa na refeição completa dos adultos. Diz-nos um adolescente: “Lá em casa o pior são as refeições. Ninguém pode falar e os meus pais estão sempre a discutir. Eu engulo a comida rapidamente e vou logo para o meu quarto pôr a música alta para não os ouvir mais.” A hora das refeições reflecte-se nas vivências pessoais.

Para poder ajudar os jovens a descobrir o sabor e o prazer dos alimentos precisamos, primeiro, de lhes proporcionar, à mesa, um espaço de prazer e de comunicação. Transforme sempre a hora das refeições num tempo de convívio saudável e agradável onde todos possam comunicar. Assim as reivindicações alimentares tornam-se menos importantes.

Não traga para a mesa assuntos que possam causar má digestão. E nunca se esqueça que uma refeição é saudável quando acompanhada de ambiente afectuoso. É normal as crianças e os jovens terem fobia a alguns alimentos. E isso pode respeitar-se. Para os mais pequenos, disfarce os vegetais que normalmente rejeitam. E vá introduzindo aos poucos as variedades.

Eles estão a crescer e a autonomizar-se e também consideram a comida um território próprio que eles próprios querem administrar. A maioria diz que não gosta antes de provar, quase sempre por oposição. Por isso não devemos tornar a refeição um foco primordial de luta pela autonomia. Uma alimentação saudável está relacionada com uma vida familiar emocionalmente equilibrada.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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