Alcaçuz (Glycyrrhiza Glabra)

A planta alcaçuz de nome científico (Glycyrrhiza Glabra) foi usada terapeuticamente na Roma e China Antigas, sobretudo para queixas respiratórias e aflições intestinais. Desde então, as raízes da planta têm sido usadas para tratar estes e outros mais problemas, com uma crescente montanha de evidências científicas apoiando as suas aplicações.

Existem cerca de 20 espécies diferentes de alcaçuz crescendo por partes da Europa, Ásia, América do Norte, América do Sul, e Austrália. A planta exibe tipicamente pequenas folhas pontiagudas, e inflorescências. Outro nome comum da planta é raiz-doce, qual provém do nome original da planta em grego, glukos riza.

O ingrediente activo do alcaçuz, a glicirrizina, é 50 vezes mais doce do que o açúcar, mas deixa um sabor na boca que desencoraja muitas pessoas. Talvez essa seja uma das razões porque, pelo menos nos Estados Unidos, as «cordas» doces de alcaçuz contêm geralmente mais anis do que alcaçuz.

Usos Terapêuticos e benefícios do alcaçuz

Usos Terapêuticos e benefícios do alcaçuz

– bronquite, tosse, inflamação das membranas mucosas, doenças respiratórias, inflamação do estômago, úlceras.
Doença de Addison, artrite, asma, cataratas, cáries, doença do sistema nervoso central, síndrome de fadiga crónica, constipações, congestã0, diabetes, encefalite, gripe, rinite alérgica, problemas de vesícula biliar, hepatite, herpes, VIH, indigestão, doenças renais, líquen plano, lúpus, malária, comer excessivamente, síndrome de ovário policístico, hipertrofia benigna da próstata, retinopatia, garganta inflamada, aftas infantis, tuberculose, infecções no tracto urinário, vaginite e candidíase.

Usos tradicionais: apendicite, furúnculos, aftas, cólicas, prisão de ventre, tísica, cãibras, depressã0, difteria, tonturas, dores de ouvidos, eczema, epilepsia, inflamação dos olhos, fibromialgia, azia, doenças cardiovasculares, hemorróidas, pedra nos rins, falta de apetite, dores menstruais, inflamação oral, mordeduras de cobra, tétano, hepatite viral.

Propriedades Medicinais

Propriedades Medicinais

Os componentes fitoquímicos do alcaçuz encontram-se entre os melhores estudados (e mais complicados) de toda a medicina natural. Dois dos ingredientes mais importantes são a glicirrizina e o ácido cirretinico, mas mesmo sem estes, a planta, na forma de alcaçuz desglicirrizinado (ADG), retém os poderes curativos do alcaçuz e dos flavonóides relacionados, triterpenóides, lignanos, e outros fitoquímicos. Vejamos cada um deles.

Propriedades Médicas do Extracto Completo da Raiz de Alcaçuz

Inflamação

Inflamação tendinite no braço

A glicirrizina bloqueia a produção de prostaglandinas e consequentemente a inflamaçã0. Ainda que apoie a libertação de cortisol no organismo, inibe também alguns dos efeitos secundários mais nocivos da presença natural desta hormona, como seja a síntese de colesterol no fígado e o bloqueio do funcionamento das glândulas adernais e do timo.

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Topicamente, é um excelente tratamento para a tendinite, bursite (Ler Também: Solução caseira para Bursite), inflamação das gengivas e reacções inflamatórias de auto-imunidade como a psoríase.

Infecções virais e bacterianas

rinite alérgica

Cerca de 30 por cento do peso seco do alcaçuz consiste em substâncias antibacterianas; as suas saponinas melhoram a capacidade do organismo para usar outros compostos antibacterianos. O alcaçuz acalma também as membranas mucosas irritadas e contém nove expectorantes naturais diferentes que desfazem o muco e aliviam a tosse.

Isto por si só toma-o eficaz contra constipações e gripes. Mas há mais: evidências científicas fïdedignas provam que o alcaçuz combate os vírus, incluindo o vírus de Epstein-Barr, do herpes, da hepatite, e do VIH. A glicirrizina estimula 0 sistema imunitário a segregar mais interferã0, um químico básico antiviral que previne os inimigos infecciosos de tomarem conta do corpo. Inibe a infame invasão viral na qual os vírus penetram na célula e modificam a sua maquinagem genética de forma a se replicarem e espalharem pelo corpo.

No fígado, os extractos de alcaçuz protegem o órgão da hepatite viral. Na boca curam as aftas, com uma melhoria significativa em apenas um dia, em 75 por cento dos participantes no estudo, e uma cura completa dois dias mais tarde. Combate o VIH, tal como ilustrado numa experiência envolvendo pessoas com hemofilia, as quais aparentemente haviam contraído o VIH em transfusões de sangue; um mês de tratamento com suplementos de glicirrizina reduziu acentuadamente as concentrações do vírus no sangue. Durante o decurso dos sete anos da experiência, nenhum dos oito utilizadores de alcaçuz desenvolveu SIDA; duas pessoas no grupo de comparação adquiriram.

Hormonas sexuais

O alcaçuz oferece algo a ambos 0s sexos, homens e mulheres. Aos homens, ajuda a inibir a conversão da testosterona em dihidrotestosterona, uma forma da hormona masculina implicada na perda de cabelo e na hipertrofia da próstata. Às mulheres, parece aumentar ou reduzir os níveis de estrogénio, dependendo das necessidades do corpo.

Metabolismo do açúcar

A isoliquiritigenina, a glicirrizina, e o ácido glicirretinico do alcaçuz ajudam a prevenir a acumulação (especialmente no cristalino do olho, n0 nervo ciático da coluna vertebral, e na corrente sanguínea) de uma forma de açúcar chamado sorbitol, o qual surge em muitas das complicações da diabetes como cataratas, deterioração da visão, lesões nos nervos, e mau funcionamento dos rins.

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Relativamente a isto, a isoliquiritigenina funciona à semelhança de um fármaco conhecido como inibidor da aldose redúctase, o qual é prescrito para este tipo de problemas.

Propriedades Médicas do Alcaçuz Desglicirrizinado

O alcaçuz é por vezes uma faca de dois gumes no seu armário de medicina natural. As doses elevadas necessárias, algumas vezes, para gerar o efeito terapêutico desejado podem causar efeitos secundários, como sejam uma tensão arterial elevada, retenção de líquidos, inchaço dos tecidos, ganho de peso, dores de cabeça, letargia, níveis de sódio e potássio distorcidos.

Os efeitos secundários resultam dos crescentes níveis de cortisol e de outras hormonas adernais. Existe contudo um caso em que estes efeitos são uma bênção: na doença de Addison, na qual as glândulas adernais não segregam cortisol e aldosterona suficientes, deixando uma pessoa fraca e emaciada, entre outras consequências.

Devido às reacções adversas, aqueles que gostam de mexer com a natureza decidiram retirar ao alcaçuz, a glicirrizina e o ácido glicirretinico e ver qual o poder curativo que restava, conferido pela licoricona, e flavonóides relacionados, triterpenóides, lignanos, e outros fitoquímicos.

O esforço mostrou-se bem sucedido no tratamento de úlceras e problemas gástricos relacionados. O primeiro medicamento que demonstrou encorajar a cura das úlceras pépticas, foi obtido do alcaçuz inteiro. Os defensores da preparação alterada advogam que o ADG funciona igualmente bem, acrescentando que diminui 0s espasmos e reduz o ácido estomacal (tomem nota os que sofrem de azia), para além disso protege e promove as células que revestem 0 tracto intestinal, intensificando o fluxo sanguíneo que chega a elas e prolongando-lhes a vida.

Protege também o estômago dos efeitos corrosivos da aspirina. Apesar dos relatórios positivos, alguns especialistas em fitoterapia e outros puristas sobre as plantas sentem-se desconfortáveis com a ADG e permanecem cépticos quanto ao seu valor, acreditando que esta versão não perde completamente o seu potencial de efeitos secundários, mas perde muito dos seus atributos medicinais.

Equivalentes Sintéticos

De acordo com estudos comparativos, o ADG funciona tão bem em caso de úlceras quanto os populares medicamentos antiácidos de prescrição médica cimetidina (Tagamet) e cloridrato de ranitidina (Zantac). Contudo, a planta não acarreta os riscos dos medicamentos sintéticos.

Ao reduzir as secreções gástricas, os medicamentos perturbam a digestão normal, e consequentemente alteram também a estrutura e função das células de revestimento do tracto gastrointestinal. O que explica em parte porque os fãs dos fármacos (os quais não têm este efeito) sofrem reincidência das úlceras ou têm de ser sujeitos a operações com mais frequência do que os utilizadores do ADG.

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Para reduzir a tosse, a toma de doses orais do ácido glicirretinico são tão eficientes quanto a codeína, de acordo com as investigações realizadas. Quanto à psoríase e outros problemas inflamatórios (como a bursite e a tendinite) 0s extractos de alcaçuz são tão eficazes quanto os cremes de hidrocortisona.

As preparações vegetais não provocam ganho de peso, indigestã0, ou insónias, como acontece com esta última, nem tão pouco o deixam mais vulnerável às infecções, uma característica também da hidrocortisona. Mais ainda se desejar usar o fármaco, pois obterá melhores resultados se o tomar juntamente com o alcaçluz.

Opções de Dosagem:

Uma a três cápsulas padronizadas proporcionando 200 mg de um extracto de raiz de alcaçuz de potência certificada e 50 mg de ácido glicirrizinico diariamente. Outras opções diárias incluem 200 a 600 mg de glicirrizina, 1/2 a 1 colher de chá de um extracto líquido, 2 a 4 colheres de sopa de raízes frescas, ou 1/2 a 1 colher de chá de tintura de alcaçuz três vezes ao dia. Para as úlceras, 380 mg de ADG tês vezes ao dia.

Precauções e contra indicações do alcaçuz

Várias autoridades médicas atribuíram má fama ao alcaçuz, a maioria delas americanas. Esta planta possui um potencial medicinal significativo, e deve ser considerado com o mesmo optimismo cauteloso que qualquer outro agente medicinal: bom se usado com sensatez, mau quando usado inadequadamente. Com um uso moderado de quantidades razoáveis. A maior parte das pessoas não precisam temer o alcaçuz.

Fique-se pelo uso de suplementos da planta inteira, e não de extractos isolados deste ou daquele componente de glicirrizina. Para uma úlcera, use ADG; evitará os efeitos secundários mesmo que tome doses elevadas. Para aplicações terapêuticas que requeiram a glicirrizina, alguns peritos em fitoterapia dizem que não a deve tomar por um período superior a um mês, aproximadamente, sem consultar um médico.

Se tomar mais do que 50 mg de raiz de alcaçuz por dia pode elevar a tensão arterial, baixar os níveis de potássio, e provocar a retenção de líquidos, entre outros problemas. Tomando em consideração estes problemas potenciais, não deve tomar a planta se tiver hipertensã0, problemas nos rins ou no fígado, diabetes ou doença cardíaca.

03. abril 2012 by admin

One Comment

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  1. a alcaçuz pó, sendo ele controlado, porem não me consultei, tem algum problema?
    quero emagrecer

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