Alenquer

Os vestígios pré-históricos encontrados na Vila de Alenquer sugerem a ocupação e o domínio deste espaço a partir de épocas muito remotas.

A primitiva fortificação do Vale do Tejo integrada no sistema defensivo dos vales interiores, tal como os castros de Ota e da Pedra de Ouro, sofreu, certamente, a ocupação romana.

Com o domínio árabe, Alenquer constitui-se como praça forte que só viria a ser conquistada no século XII, pelos cristãos, após a queda de Santarém e Lisboa.

Nos nossos dias, o recorte da silhueta barroca da Igreja de S. Francisco na parte alta da vila e a bordadura dos alçados e chaminés de fábricas, cá em baixo na linha de água a caminho do Tejo, são imagens que marcam o perfil desta vila-presépio modelada pela geografia e pela história.

A malha urbana do velho burgo desceu a encosta e veio ocupar a margem direita do rio a partir de dois núcleos geradores: inicialmente a acrópole castreja e depois o agregado conventual de S. Francisco. Mas não foi fácil a ocupação deste espaço acidentado.

Na verdade a vila de Alenquer cresceu condicionada por alguns factores adversos.

O forte pendor das suas colinas a dificultarem a implantação do casario; o curso caudaloso do rio a não permitir a fácil ligação entre as duas margens; finalmente os ventos dominantes a impedirem o crescimento da povoação para a fachada norte das suas encostas além do limite possível que o Casal Ventoso assinala na expressividade da sua denominação.

Foi lento e demorado o crescimento de Alenquer, a «vila meandro», na designação feliz do geógrafo Amorim Girão. Durante muitas gerações ela viveu adormecida à sombra protectora das muralhas da sua velha fortaleza.

Nos finais do século XIV pouco casario haveria ainda nas encostas das colinas e nas margens do rio que lhe contornava o recorte caprichoso das suas bases.

De facto, em pleno período da crise de 1383/85, Fernão Lopes descreve-nos assim a chegada de D. João I a esta vila, para castigar o seu alcaide que levantou pendão pelo rei de Castela:

«O mestre como chegou a uma igreja, que chamam de Santo Espírito, que é um chão acerca do rio, que corre ao derredor da vila, recolheu a si sua gente, e des-ahi foi por uma comprida calçada acima e pouzou em um mosteiro de S. Francisco que ahi há…»

O mestre e o seu exército contornaram as muralhas da praça rebelde, passaram ao largo da Porta do Carvalho e foram fixar o seu arraial no Convento franciscano, ainda nesta época isolado no topo da colina fronteira ao Castelo.

Tempos volvidos, Damião de Góis, nos finais do século XVI, na «Descrição da Cidade de Lisboa» fala assim da sua terra natal, nesse tempo, bastante despovoada de um lado e do outro do rio:

«Da base de Alenquer (a maior parte dela está situada no cume de um monte bastante alto) sai um rio (…) com árvores nas duas margens que produzem sombras agradáveis durante os fortes calores do sol do meio-dia e às quais se acolhem os habitantes.»

No século XVIII há já uma significativa população instalada nas proximidades da Igreja de Triana, na margem esquerda do rio.

Pouco mais de um século volvido, a estrutura medieval da vila é profundamente alterada com a ruptura e destruição de algumas torres e panos de muralha, a abertura de novos acessos à zona alta, a construção dos Paços do Concelho, a instalação de fábricas à beira-rio, a alteração dos velhos arruamentos e a edificação de novas habitações.

Já quase nos nossos dias a modificação do curso do rio, dentro da vila, veio produzir novas e profundas mudanças na malha urbana da vila baixa.

Passaram os séculos, permanecem os vestígios.

O complexo tecido urbano da vila conserva hoje, dentro de si, sinais inconfundíveis do seu longo trajecto na História. Dos afloramentos desse passado lembram-se, apenas, um ou outro sítio, imóvel ou monumento:

Os restos da Judiaria no extremo Norte da Vila: uma ou duas casas a recordar a presença daquela etnia que durante séculos fixou residência nesta localidade.

A Encosta da Mesquita, descendo da muralha para o rio, a assinalar, talvez, o local de fixação da população árabe depois da conquista da Praça. O Terreirinho, saboroso trecho medieval, hoje deformado pela construção de modernas vivendas que lhe alteram o equilíbrio arquitectónico.

A Travessa do Arco dos Pirinéus, belo conjunto constituído por uma minúscula ruela rematada por um arco de recorte cenográfico.

O Palácio Seiscentista da rua Amorim Lima, fachada austera e equilibrada, a que foi retirado o brasão senhorial e com interessantes arcos góticos no seu rés-do-chão.

O Palácio Lobo, na rua de Triana, com grandes janelas ogivais, construído em 1857 pelo morgado do Alvito, José Lobo Garcez Palha de Almeida.

O Celeiro Real, edificado depois das Invasões Francesas para apoiar os agricultores na recuperação das propriedades devastadas.

Tem uma curiosa inscrição: REAL CELEIRO PÚBLICO / ERIGIDO COM A NATURE / ZA DE MONTE PIO EM / EXECUÇÃO DA CARTA RE / GIA DE 26 DE JULHO DE 1811.

O Padrão da Ponte do Espírito Santo, hoje implantado no jardim do largo do Espírito Santo, assinala a construção da já desaparecida ponte do Espírito Santo mandada edificar pela Câmara, por ordem de D. Sebastião, em 1571.

Na Vila de Alenquer estão sediadas as freguesias de Santo Estêvão e Triana, separadas pelo rio.

Património Construido (a visitar): Edifício dos Paços do Concelho de Alenquer, Igreja e Convento de S. Francisco de Alenquer, Igreja de S. Pedro (túmulo Damião de Goes) , Igreja Matriz de Alenquer, Museu Municipal Hipólito Cabaço, Igreja da Misericórdia, Capela do Espírito Santo, Capela de Stª. Catarina, Castelo de Alenquer, Torre da Couraça, Ruas do Terreirinho e do Bairro da Judiaria e Igreja de Triana.

Turismo Religioso: ­ Capela da Sãozinha, no cemitério de Alenquer.

Festas, Feiras e Romarias: Procissão dos Passos (3º. Domingo da Quaresma), Feira da Ascensão (Feira anual das actividades do concelho ­ Quarta-feira a Domingo, incluindo a Quinta-feira da Ascensão) e Feira do Vinho e do Cavalo (2º. e 3º. fins de semana de Setembro).

Mercado Mensal: Segunda-feira a seguir ao 2.º Domingo de cada mês.

Outros Motivos de Interesse: Museu João Mário (aberto ao público no primeiro domingo de cada mês).

Arquitetura Industrial de Alenquer

Durante o século XIX a malha urbana desta vila medieval foi profundamente alterada pela instalação, à beira-rio, de algumas fábricas.

A mais antiga de todas foi a Fábrica de Papel começada a construir em 1803 no local onde, em 1565, Manuel Teixeira implantara os seus Moinhos de papel autorizados por alvará régio de D. Sebastião.

Iniciou a sua laboração poucos anos depois tendo paralisado durante as Invasões Francesas.

Retomou, depois, a sua actividade com algumas interrupções, até que, por escritura de 30 de Março de 1889 abandonou o fabrico de papel para se dedicar à produção de lanifícios.

Durou pouco esta fase, pois em 20 de Maio de 1900 foi posta à venda em hasta pública por motivo de falência.

Actualmente está desactivada. Funcionou durante anos como fábrica de papel com o nome de Fábrica de Cartão e Papel de Ota. Em 1838 o cidadão francês Augusto Lafaurie mandou construir uma fábrica de lanifícios, de sistema hidráulico, que localmente se veio a chamar a Fábrica do Meio.

Esta obra foi feita no sítio ocupado pela «azenha das quatro rodas», que havia pertencido aos frades Dominicanos de Azeitão por doação da Rainha D. Leonor em 1435.

Este estabelecimento fabril desenvolveu-se rapidamente: em 1841 tinha 150 operários e nos começos deste século esse número elevava-se a 350.

A sua produção de barretes, camisolas, castorinas, cheviotes e cachemiras, segundo Guilherme Carlos Henriques, «rivalizava com as melhores da indústria estrangeira».

Pela qualidade do seu fabrico recebeu prémios nas exposições internacionais de Londres em 1862, de Filadélfia em 1866 e na grande exposição do Porto em 1865.

De todo este passado, que pertence à arqueologia industrial portuguesa, resta hoje um pequeno armazém encravado entre o quartel dos Bombeiros e um edifício particular. A antiga Fábrica da Romeira foi começada a construir em 1870 no local até aí ocupado por uma azenha de cereais chamada «da Romeira».

A sua inauguração realizou-se no dia 20 de Setembro de 1872. O edifício e os seus anexos que ainda hoje nos impressionam pela sua concepção arquitectónica, foram planeados pelo engenheiro francês Phillippe Linder. O fundador desta fábrica foi o industrial bracarense Francisco José Lopes.

Em 1892 trabalhavam neste estabelecimento 280 operários. Foi desactivada há pouco mais de 30 anos.

É, na actualidade, propriedade do Município, funcionando como Centro Municipal de Exposições e apoio às actividades sócio-culturais, recreativas e de promoção da autarquia, para além das que são promovidas por empresas e colectividades locais.

A Fábrica de Lanifícios da Chemina foi começada a construir em 1889. Foram seus fundadores José Joaquim dos Santos Guerra e Salomão dos Santos Guerra.

Apesar de situada junto do rio, de que poderia aproveitar a força motriz, esta fábrica inicia a sua actividade com o apoio de uma máquina a vapor de 50 cavalos de força. Um ano e meio depois da sua inauguração tinha cerca de 200 operários.

A sua produção de cachemiras e xales era muito apreciada em todo o país pela qualidade do tecido e pelo seu acabamento.

Após ter sido desactivada, foi adquirida, através de leilão, pelo Município. Recentemente foi semi-destruída por um incêndio que apenas lhe deixou as paredes exteriores de pé.

As freguesias de Alenquer são as seguintes:

AbrigadaAldeia Galega da Merceana– Aldeia Gavinha
– Cabanas de Torres
– Cadafais
– Carnota
– Carregado
– Meca
– Olhalvo
– Ota
– Pereiro de Palhacana
– Ribafria
– Santo Estêvão (Alenquer)
– Triana (Alenquer)
– Ventosa
– Vila Verde dos Francos

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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Última atualização da página: 13/01/2018 às 4:10 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)