Alto Minho

A Região do Alto Minho

Na base de qualquer guia de viagens está uma determinada visão do território, traduzida, entre outras coisas, numa divisão regional. Os Guias publicados pelo fotosantesedepois.com não são excepção, tendo adoptado, logo desde na primeira publicação, uma grelha de nove regiões para o Continente, constituída a partir das cinco regiões plano (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve). Do desdobramento da Região Norte resultaram o Entre-Douro e Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro e o Grande Porto. O Centro foi cindido em Beira Litoral e Beira Interior. Lisboa e Vale do Tejo desdobrou-se em Grande Lisboa e Ribatejo e Oeste, permanecendo o Alentejo e Algarve sem alterações.

Como se confirmou recentemente, o tema regionalização é tudo menos consensual. Justiça, Finanças, Correios e muitas outras entidades estruturam os respectivos serviços com base em divisões regionais nem sempre coerentes. No caso específico desta obra houve que proceder a algumas adaptações relativamente à grelha adoptada, dado que a distribuição dos locais onde se praticam as diversas modalidades de Turismo no Espaço Rural (vulgarmente conhecido como «Turismo de Habitação») é muito irregular. Por razões que têm a ver com a história deste processo, há praticamente tantas casas a funcionar no concelho de Ponte de Lima como em toda a Beira Interior. Já a quantidade e a qualidade das casas em funcionamento no Grande Porto invia-bilizariam volume autónomo.

Daí que, sem perda de coerência com o modelo utilizado, se tenha optado por desdobrar o Entre Douro e Minho em cinco regiões (Alto Minho, Vale do Lima, Cávado e Ave, Tâmega e Douro Litoral), sendo que a última das mesmas engloba o Grande Porto.

É bom dizer que num assunto como este não há critérios absolutos, pela simples razão de que não há um utilizador típico do Turismo no Espaço Rural mas vários. Alguns optam por esta modalidade de alojamento para fugir ao atendimento estereotipado da hotelaria tradicional e, por consequência, vêem como uma falha imperdoável, a eventual falta de relacionamento com os proprietários. Para este tipo de hóspede, dormir num anexo ainda que de alta qualidade em vez do edifício principal, está fora de questão. Outros, pelo contrário, procuram, sobretudo o sossego e a última coisa que querem é ter de «fazer sala», pelo que um apartamento num dos extremos da propriedade, rodeado unicamente de árvores e relvado é o ideal. Outros estão de tal forma interessados em passar uns dias numa determinada região, que preferem uma casa mais modesta mas no sítio escolhido, a um palacete barroco situado a 30 km.

Por isso, independentemente do maior ou menor destaque gráfico, o leitor encontra sempre a informação essencial para, em função dos seus gostos, poder escolher o que mais lhe interessa.

Resta proceder à apresentação da primeira das regiões consideradas, o Alto Minho.

Esta região tem como elemento definidor central o troço de 70 km do rio Minho entre a fronteira de São Gregório e a foz em Caminha. Recebe dois únicos afluentes, ambos na margem esquerda, o rio de Mouro, pouco depois da entrada em território português, e o Coura, já às portas de Caminha. Até Melgaço, o leito do Minho é acidentado, propício aos desportos de aventura, alargando- se a partir de Monção até desembocar no esplendor da foz, em Caminha. Aí se pescam a lampreia e o sável, ainda que em condições cada vez mais precárias. Castelos medievais (Melgaço e Lapela/Monção) ou fortalezas seiscentistas (Valença) testemunham a importância estratégica desta fronteira com 800 anos.

O Alto Minho é uma zona verdejante de grande pluviosidade, com os prados a cederem lugar, primeiro aos socalcos do milho e da vinha de enforcado, depois aos pinhais e carvalhais, à medida que se sobe para as serras do interior (Peneda com 1373 m, Soajo com 1416 e Castro Laboreiro com 1335). Da adaptação do homem a este ambiente resultaram formas originais de povoamento, como as aldeias de transumância (brandas e inverneiras) entre as quais se movimentavam homens e gado consoante as estações do ano, nas serras da Peneda e do Soajo. Entre a Gavieira e Lamas de Mouro subsistem várias destas aldeias. Desta região fazem parte os concelhos de Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença (Foz do Minho), Monção Melgaço (Minho Superior) e Paredes de Coura e Arcos de Valdevez (Coura).

No Alto Minho a paisagem sobe em anfiteatro, desde a beira-mar até às alturas das serras da Peneda e do Soajo

Um Olhar sobre o Alto Minho

O Reino perdido por Mário Cláudio

O Alto Minho é um punhado de terra húmida, talhado por penedias, pontuado por latadas, por prados e por milheirais, atravessado por cursos de água de toda a descrição. A oeste, espraia-se o Atlântico, em dobras dessa espuma que a nortada, às vezes, vem desgrenhar, mirado por fortes e por fortins, o do Lagarteiro, o da Gelfa, o do Cão e o da Ínsua, com que se procurou compensar a vulnerabilidade do litoral. Nas áreas do interior pousam os nevoeiros, esbatendo o velo dos rebanhos, rompidos pelo espanto das flores da giesta, do tojo e da mimosa. E ampara este país, dentro do País, uma teoria de montanhas que o têm defendido de deixar de ser ele, se chamam Peneda e Soajo e Gerês, e eis que apontar isto significa explicar o coração do Norte mais norte de Portugal.

A minha província inicia-se, sem sombra de dúvida, com a talha do tecto da Matriz de Caminha, digna da excelência de gosto de uma princesa da Renascença, como Isabella d’Este, amiga de Leonardo e mecenas sem desconto tributário. Trata-se de um esplendor de madeira coberta a ouro, concebida em caixotões, apto a proteger o advento de uma embaixada pontifícia.

Valença, propõe-me alguma reflexão, sobre os tempos que correm, cingida pelo poliedro digníssimo das muralhas, votada a um miserando comércio de atoalhados, de louças e de cutelarias ao serviço dos forasteiros oriundos da nação contígua. Para a fachada da Misericórdia local, poucos o saberão, projectaria Amadeo de Souza-Cardoso, mobilizando os companheiros Sonia e Robert Delaunay, e apoiando-se nos bons ofícios de um tio ligado ao Município, um belíssimo painel, que jamais seria concretizado.

Nas proximidades de Monção aguarda-me o templo de São João de Longos Vales, remanescente de um cenóbio que testemunhou a Idade Média anterior à Nacionalidade, quando se não tinham extinguido as batidas da pandeireta, que acompanhavam as estrofes dos cantares galaico-portugueses. E, a meia-dúzia de passos dele, as ruínas do mosteiro de São Fins de Friestas, a que só por caminhos tortuosos se pode aceder,descerram para mim uma crónica de frades reinadios, apreciadores de donzelas, empanzinando-se com tachadas de trutas de escabeche, fulminados enfim por uma bula de Paulo III, que lhes verberaria a desonestidade dos costumes.

Mais para leste, em lugar aonde não chega a brisa marítima, andou certo monge, beneditino e barroco, frei José de Santo António Vilaça, a aformosear a Igreja da Lapa, em Arcos de Valdevez. E, logo na margem defronte, o Paço da Giela, o que sobra de uma residência fortificada, ainda há pouco se achava transformado em celeiro, guardado por um ganapo que se garantiria fazer parte da caterva de pajens de um qualquer Rei de Leão.

Se me aborreço do Mundo, o que sucede mais vezes do que aquilo que me agrada, iludo-me com uma excursão a Castro Laboreiro e retomo uma história de gente truculenta que ergueu um castelo pronto a competir com o dos velhos Átridas. O solo mostra-se duro, como as cerdas dos canídeos, as vizinhas antigas, entrouxadas em xailes, assomam a uma janela que se assemelha a uma fresta de vigia, e perguntam se não compro o pote de ferro, onde medram as dálias. Ajunta-se uma horda de turistas de Campo de Ourique, diante do escaparate dos produtos autóctones, declarando que o camembert, ao fim de contas, constitui o único queijo que provam, e que o artesanato, vamos lá ver, não passa, todo ele, de insuportável piroseira.

Há quem considere este trecho pátrio, convém lembrar, coutada predominantemente gastronómica, no que transparece uma adiantamento do estômago aos mecanismos que servem os sobejantes sentidos vitais. A mesa a que me sento, nestas paragens, não vejo razão para o esconder, guarda pequeníssimos, porventura inofensivos segredos, e a minha escolha, perdoe-se a imodéstia, tornou-se rápida e certeira. Se pretendo lampreia, vou ao Panorama, em Melgaço, se desejo vieiras subo à Estalagem, no Monte de Faro, se me apetece pataniscas de bacalhau fico pelo Conselheiro, em Paredes de Coura, se aspiro a um arroz de cabidela rumo a uma locanda sem nome, no São Roque, onde se encomenda a melhor confecção do dito, em todo o Mundo e arredores. O alvarinho está à mão de semear e, se o doce me falta, não me inibo de galgar a fronteira, e de tocar à sineta das Descalças de Tui, fabricantes de uns peixinhos insuperáveis, que utilizam, como ingredientes, o açúcar, as amêndoas e os ovos, conforme se prevê.

Este espaço é de festa, quando não de terrores nocturnos, alimentados pelas bruxas e pelos trasgos, de céltica inspiração, pelos lobisomens, pelas avantesmas e pelas procissões dos mortos. E falar de funções, recreativas e religiosas, equivalerá a convocar uma grinalda de inumeráveis romarias, na qual se destaca o brilho das Senhoras da Peneda e da Cabeça, do São Bento da Porta Aberta, da Santa Luzia e do Santo Ovídio. Enfurecem-se os párocos, arrebatados por um desnorteado esclarecimento pós-conciliar, a prevenir o paganismo dos emigrantes devotos, que espantosamente adornam, com notas de banco, o andor do orago milagreiro. A banda resfolega, a cada passada, como um monstro domesticado, o suor empapa as regueifas, enfiadas no braço, e a prima dos Estados Unidos parece muito casual, olhando numa distracção, através dos óculos escuros, de aros fosforescentes.

Mas não conseguiu erguer-ser literariamente a região, se descontarmos o contributo de dois originários de outra banda, além do que pertence às brumas da poesia trovadoresca. Pedro Homem de Mello, natural do Porto, criaria determinada forma, não suficientemente analisada até à data, de celebrar as núpcias da paisagem e do corpo, numa dança susceptível de ascender ao plano das metáforas da condição humana. Quanto a Aquilino Ribeiro, beirão que aproveitaria certa seiva do chão courense, geradora de infindáveis estirpes de nobres destemperados, produziria ele a nossa única saga familiar, A Casa Grande de Romarigães, merecedora de confronto com os Buddenbrook, de Thomas Mann.

Paisagens e Património do Alto Minho

Arcos de Valdevez
Caminha
Melgaço
Monção
Paredes de Coura
Valença
Vila Nova de Cerveira

Se o Minho foi durante séculos uma fronteira política, é também um elemento definidor da paisagem da região. As margens deste rio e do seu afluente Coura apresentam paisagens, ora agrestes e rochosas, ora bucólicas e relaxantes. Para sul e para leste a terra sobe em anfiteatro até alcançar o planalto de Castro La-boreiro ou as cumeadas do Soajo ou da Peneda.

Arcos de Valdevez

Espigueiros

Embora haja referências mais antigas às terras do Vale do Vez, estas entraram na História em 1140, com a vitória dos partidários do jovem Afonso Henriques sobre os de Afonso VII, rei de Leão e Castela. A Igreja Matriz foi erguida no século XIV, pelo Abade de Sabadim e reconstruída no sécu-lo XVI. Dê atenção à Igreja da Lapa com retábulos em talha dourada e trabalhos de estuque e à Igreja do Espírito Santo, no Jardim dos Centenários. Nos arredores, um dos primeiros locais a procurar é o Paço da Giela na freguesia homónima. É um dos raros exemplares de habitação senhorial da Idade Média. Nas proximidades, a casa solarenga da Quinta do Requeijo, de meados do século XVIII.

No Lugar de Cardida, freguesia de Aguiã, encontra-se outra construção singular -a Torre de Aguiã, uma torre medieval, provavelmente datada do século XV, integrada num solar barroco setecentista. Situada para norte e nordeste da sede do concelho e fazendo parte do Parque Nacional da Peneda-Gerês fica a serra do Soajo. A caminho da famosa aldeia do Soajo encontra a área florestal do Mezio, os restos de uma povoação fortificada da Idade do Ferro, o Castro de Ázere e as antas de Cabana Maior e do Mezio. A aldeia do Soajo é famosa pelos seus 24 espigueiros comunitários. Em pedra, ocupam o topo de maciço granítico utilizado como eira colectiva. Descendo na direcção do rio Lima, procure o que resta do Mosteiro de Ermelo, na freguesia homónima. As ruínas dão uma medida da importância desta abadia cisterciense. Poderá aproveitar para visitar os últimos exemplares ainda conservados das Brandas, as aldeias de transumância para onde os antigos subiam com o gado, de Verão.

Caminha

A foz do rio Minho junto a Caminha

Se vier por mar, logo à entrada da barra há-de deparar com a Fortaleza da Ínsua – foi mandada construir ali, sobre um ilhéu rochoso, por D. João I. Se pretender visitar monumentos pré-históricos pode começar pela Anta da Barrosa – no Lugar da Barrosa, em Vila Praia de Âncora. Existe depois a Estação Arqueológica do Alto do Coto da Pena, na freguesia de Vilarelho, onde foram localizados diversos vestígios de ocupação humana na Idade do Ferro, no período romano e no período medieval. Existem as reputadas gravuras rupestres da Laje das Fogaças, em Lanhelas (no Lugar da Boa Vista), no interior do recinto de uma oficina de pirotecnia -a empresa Libório Fernandes, Lda. E existe, por fim, um dólmen na freguesia de Vile, justamente conhecido como dólmen de Vile.

Nesta mesma localidade, mas no Lugar de S. Pedro de Varais, deve visitar-se a capela, elaborada em estilo românico. Na própria vila de Caminha, um dos «ex-libris» é o chafariz quinhentista da Praça Conselheiro Silva Torres, habitualmente conhecido como Chafariz da Praça Municipal. Um outro é a célebre Casa dos Pitas, na Rua da Corredoura – um edifício de dois pisos, com fachada de cantaria coroada por ameias chanfradas, cujo piso superior, bastante longo, apresenta sete janelas decoradas em estilo manuelino. Das muralhas, que por essa época rodeavam a povoação, restam hoje algumas portas e dois baluartes -o Baluarte da Matriz, junto à Igreja Matriz, e o Baluarte de Santo António, perto do Convento de Santo António – para além da Torre do Relógio (entre a Praça Municipal e a Rua Direita), último reduto da antiga cerca medieval. A Igreja Matriz de Caminha, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, cujas três naves foram erguidas durante o século XV, apresenta na fachada um solene portal renascentista e, por cima dele, a grande rosácea esculpida na pedra.

Nos meses de Verão, o que faz as delícias da maioria é a praia de Moledo, para os banhos matinais, e a Mata Nacional do Camarido, para as merendas, os passeios ou as sestas vespertinas. Só alguns se põem a caminho da Capela de Venade, da serra de Arga -onde se deve procurar a beleza e o repouso do Mosteiro de São João d’Arga -ou de Vilar de Mouros, cuja ponte medieval sobre o Coura também está classificada desde 1910, e onde é possível apreciar o terreiro em que se realizaram os célebres festivais.

Melgaço

Mosteiro de Paderne (Peso, Melgaço)

Encaixada entre os rios Minho e Trancoso, a norte e a oriente, a Serra da Peneda a sul e o concelho de Monção a ocidente, a região de Melgaço é uma das mais remotas do país, mas também uma reserva ecológica dotada de incríveis belezas naturais e antiquíssimo património. Destacam-se, antes de mais, os restos da antiga fortificação medieval da vila, da qual subsistem a Torre de Menagem e parte da Alcáçova do séc. XII, com ameias prismáticas, parte da barbacã e as torres que flanquevam uma das portas -tudo isto envolvido por um baluarte erguido no século XVII, durante a Guerra da Restauração.

Ruínas do Castelo de Melgaço

A 1 km da vila, na EN 301 – pouco antes das Termas do Peso, aconselhadas a diabéticos – alcança-se o Lugar da Orada e a respectiva Capela de Nossa Senhora da Orada, construída no séc. XIII, com o seu portal de arquivoltas ogivais lavradas e a sua «Árvore da Vida» lavrada no tímpano do portal norte. A 5 km de Melgaço, seguindo para Sul, facilmente se encontra o Convento de Paderne, cuja fundação se atribui a D. Paterna, no século XI. É indispensável visitar a freguesia de Castro Laboreiro, a mais distante de todas, para co-nhecer o seu castelo medieval, erigido num local onde existiam já vestígios de ocupação pré-histórica e castreja, o museu etnográfico e a célebre raça de cães -pastores ali criados. Há toda uma série de pontes medievais que constituem outros tantos motivos para passeios.

Monção

Palácio da Brejoeira

O concelho de Monção é limitado a norte pelo rio Minho e, de nascente a poente, pelas serras da Peneda e o Extremo. Irrigadas pelos rios Gadanha e Mouro, afluentes do Minho, estas terras sempre foram aptas para os cereais e os vinhedos. As muralhas de Monção são um conjunto de baluartes com apenas cinco entradas, nas Portas do Sol, da Fonte, do Rosal, de S. Bento e de Salvaterra, de que apenas sobrevive esta última. Veja em Longos Vales (na estrada Monção – Melgaço, e 1,5 km depois do cruzamento para Arcos de Valdevez corte à direita) a Igreja de São João, construída em estilo românico no século XII e que fazia parte de um antigo convento. Até ao século XVI foi sede dos padres crúzios, passando depois para os Jesuítas de Coimbra. Nos seus capitéis, repletos de esculturas e estatuária, abundam figuras zoomórficas e vegetais.

Centro histórico de Monção

Dos palácios e casas brasonadas construídos a partir do século XVIII, o mais famoso é o Palácio da Brejoeira, na freguesia de Pinheiros: construído entre 1804 e 1828, há quem persista em ver nele uma réplica minhota do Palácio da Ajuda. A Igreja Matriz de Monção foi erguida no reinado de D. Dinis. Admire a sua monumental custódia e variadas capelas construídas em diferentes estilos, como a gótica e florida onde se encontra sepultado D. Vasco Marinho, abade de Santa Maria dos Anjos.

Paredes de Coura

Igreja de Rubiães

A praça central da vila é dominada elo pelourinho, reconstruído já neste século e assente numa base de três degraus. Veja, ainda, o novo Centro Cultural e o Museu Regional. Nos arredores procure a Casa rande de Romarigães, na freguesia do mes-mo nome, uma casa nobre, oitocentista, que serviu de tema a um célebre romance de Aquilino Ribeiro. Daí pode seguir, a pé, até ao Castro do Coto do Ouro, pequena elevação defendida por duas muralhas.

Na vizinha freguesia de Rubiães admire a Igreja de São Pedro de Rubiães-primitivo templo românico, do qual se reconhecem ainda a cachorrada, algumas frestas e o pórtico de três arquivoltas, com arcos ogivais. No Lugar das Antas, na mesma freguesia, poderá observar o Solar das Antas, uma construção do século XVIII, com dois pisos e três corpos. À frente, uma capela cujo alpendre é suportado por dois marcos miliários romanos, havendo mais 14 nas redondezas, adro da igreja incluído. Balizavam a via romana de Braga a Tui, via Valença.

Valença

Ponte sobre o Rio Minho em Valença

Uma das mais importantes praças-fortes do país, exemplo clássico de arquitectura militar, a Fortaleza de Valença foi edificada no século XVII e dela se domina o rio Minho, a ponte metálica desenhada por Gusta-vo Eiffel em 1885, e a vila galega de Tui. O local era visitado pelos barcos gregos e fenícios, que por ali terão andado a vender as suas púrpuras e faianças, levando em troca diversos metais preciosos. A vila intra-muros, e a sua intensa actividade comercial, escondem as mais diversas surpresas. Junto à Igreja de Santo Estevão, por exemplo, há um Pelourinho inédito, adaptado a partir de um antigo marco miliário romano da estrada Braga-Tui, e que carrega ainda as marcas do imperador Cláudio.

A 12 km de Valença, na freguesia de Friestas, deve procurar-se a Igreja românica de São Fins de Friestas, outro antigo convento beneditino cujo templo, românico, se encontra profusamente decorado com motivos animais e vegetais. No Mosteiro de Ganfei, na freguesia do mesmo nome, antigo convento beneditino, vale a pena admirar os característicos sistemas de transporte e distribuição das águas.

Vila Nova de Cerveira
O Castelo de Vila Nova de Cerveira, que foi mandado reedificar por D. Dinis, sofreu obras e acrescentos durante a Guerra da Independência, estando hoje convertido em pousada. Se não quiser ir apanhar a auto-estrada de Valença, em Cerveira poderá apanhar um «ferry» para se fazer transportar até ao outro lado do rio. Mas, se optar pelo lado de cá, então não perca a oportunidade de ver o Solar dos Castros, na Praça da Liberdade, a Capela de Santa Luzia, na freguesia de Campos (onde se conservam alguns frescos erecedores de toda a atenção) e também a Igreja Matriz de Gondarém, construída no século XVI.

Percurso de Automóvel

Melgaço – Monção, Extensão Aproximada 80 km

O ponto de início deste passeio é o cruzamento da EN 202 para Sá (12 km depois de Monção, na direcção de Melgaço). Prossiga até ao cruzamento das Termas do Peso. Junto às ruínas do Grande Hotel e ao restaurante típico Adega do Sossego, corte à direita e suba até à igreja do antigo convento dos cónegos regrantes de Santo Agostinho (séc. XII) de Paderne. Para visitar o mosteiro, peça a chave na residência paroquial, ao lado do Café Dominó.

De regresso às termas, veja o Parque e siga até Melgaço. No centro da vila tome a estrada que sobe para o antigo mosteiro cisterciense de Fiães. Lá do alto, avista-se o rio Minho, correndo forte entre penedos e ilhotas rochosas. Para visitar a igreja românica que sobreviveu à destruição do convento, peça a chave na loja junto ao cruzamento para Roussas (letreiro da Portugal Telecom).

Tome a direcção Alcobaça / Adedela e cinja-se ao itinerário principal sem cortar à esquerda, tendo em atenção que a estrada estreita e com precipícios. Vistas soberbas, com o rio Trancoso, que faz fronteira com Espanha, a correr no fundo do vale, à esquerda. No encontro com a EN 202-203, corte à esquerda para visitar Castro Laboreiro e seu castelo medieval. Regresse pela mesma estrada e corte à esquerda para Lamas de Mouro. Veja a ponte medieval e visite o Centro de Interpretação do Parque Nacional da Peneda Gerês. No próximo cruzamento: junto ao restaurante e à placa do Parque, corte à direita para estrada alcatroada e estreita, sem placas de direcção (deixando à esquerda a estrada para a Senhora da Peneda e Arcos de Valdevez).

Na ponte sobre o rio Pomba, tem à esquerda um caminho pedestre para o penedo da Meadinha donde se avista o santuário da Senhora da Peneda (1 hora a pé). No entroncamento, deixe à esquerda o acesso à Gavieira e vire à direita para Monção / Melgaço (o estradão em frente segue para a Portela do Mezio).

A estrada percorre um planalto onde se situam as aldeias típicas de Aveleda e Vale de Poldros, avistando-se à esquerda a serra da Peneda. Depois começa a descida para Riba de Mouro. No cruzamento, ao fundo da aldeia, corte à esquerda e mantenha-se na estrada principal até Valinha (a 10 km), onde deverá cortar à direita (direcção Melgaço) para regressar ao cruzamento de Sá da EN 202. Pelo caminho, encontrará, à direita, dois ramais para outras tantas capelas: Senhora da Vista, após Riba de Mouro, e Senhora da Graça, antes de Valinha.

Conselhos e Sugestões

Onde comer
Actividades ao ar livre
Vinhos
Compras
Termas
Feiras e Romarias

O Alto Minho é terra de lindas paisagens, bons vinhos e boas comidas. É ainda famoso pelas suas festas e romarias. Para saber onde comer, que comprar, como praticar actividades de ar livre ou quais as principais festas, aqui ficam algumas sugestões.

Onde Comer
A lampreia será provavelmente o mais famoso dos pratos do Alto Minho. Mas seria injusto não referir os enchidos de Castro Laboreiro, a solha frita de Caminha, o cabrito de Monção, o arroz de debulho de sável de Vila Nova de Cerveira, a truta de Paredes de Coura ou o Cabrito à Sanfins, de Valença. Para provar estas e outras iguarias, consulte a lista que se segue.

Actividades ao ar livre
Numa região de serras e rios (as Serras da Peneda e do Soajo fazem parte da zona norte do Parque Nacional a Pene-da- Gerês), propostas de aventura e descoberta da natureza não faltam. Eis algumas.

Vinhos
Se o Minho em geral é a terra do vinho verde, Monção e Melgaço são a capital do Alvarinho. Branco, gasoso e frutado, tem uma legião de apreciadores. Locais para o provar ou adquirir não faltam, como pode ver em seguida.

Compras
Das necessidades da sobrevivência nas regiões serranas nasceram as lãs e os tecidos grossos para enfrentar o frio. Alguns artesãos das Serras da Peneda ou do Soajo perpetuam as artes e ofícios tradicionais. Para saber onde os encontrar e ainda para saber onde adquirir o fumeiro regional, contacte por exemplo os postos de turismo de Melgaço e Arcos de Valdevez. Quanto aos afamados cães de Castro Laboreiro, não há como procurá-los na localidade homónima, recorrendo ao saber do padre Aníbal Rodrigues.

Termas
Nesta região há dois estabelecimentos termais em funcionamento: Monção e Peso (Melgaço). Em ambos decorrem obras de beneficiação que deverão estar concluídas aquando da saída deste Guia e que poderão permitir alargar o período de funcionamento para além do habitual (Junho a Outubro). As águas minero-medicinais de Monção são quentes alcalinas e radioactivas, sendo recomendadas para reumatismos e doen-ças de pele. O balneário do Peso é um belo exemplar de arquitectura termal do princípio do século, rodeado por um parque verdejante. As águas respectivas têm efeito sobre as doenças do aparelho digestivo e metabólico-endócrinas.

Romaria de S.João de Arga Feiras e romarias
A Festa da Coca, em Monção, celebrada por ocasião do Corpo de Deus, será, talvez, a mais original das festividades da região. Gira em torno da encenação do eterno combate entre o Bem e o Mal, simbolizados, respectivamente por São Jorge (um cavaleiro) e a Coca (um dragão de madeira, animado por uma série de homens). O combate ritual só termina quando o arcanjo corta uma orelha ao monstro, privando-o dos seus poderes (para os minhotos a palavra «coca» é sinónimo de maldade).

Outras romarias afamadas são as de São João d’Arga (na serra homónima, sobranceira a Caminha) a 28 de Agosto e da Senhora da Peneda (a meio caminho entre o Soajo e Castro Laboreiro), levada a cabo a 1 de Setembro. Quanto a feiras e mercados, realizam-se à quarta- feira em Caminha e Arcos de Valdevez (sendo esta última quinzenal) e ao sábado em Vila Nova de Cerveira e Paredes de Coura (neste último caso quinzenalmente). Em Monção e Melgaço a feira é semanal, respectivamente, à quinta e à sexta-feira. Refiram-se, ainda, as feiras do Soajo (no primeiro domingo de cada mês) e de Castro Laboreiro (no dia 15 e no último dia do mês).

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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Última atualização da página: 13/01/2018 às 4:10 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)