Amamentar, o prazer, o carinho, a técnica

Amamentar, o prazer, o carinho, a técnica

O biberão foi moda pela primeira vez no início deste século. Até então, quase todos os bebés mamavam no peito da sua mãe ou de uma substituta, uma ama, pelo menos até aos dois ou três anos. No entanto, a mortalidade de crianças alimentadas com leite artificial atingiu taxas muito elevadas, e os primeiros pediatras tentaram remediar esta situação, equilibrando ao mesmo tempo a composição do leite e o horário das mamadas.

Estudaram-se as necessidades calóricas do recém-nascido, mediuse a capacidade do seu estômago e uma precisa divisão permitiu calcular de quanto em quanto tempo se teria de encher o «depósito»: de quatro em quatro horas. O tempo que o estômago do bebé levaria a esvaziar-se depois de beber leite de vaca, muito mais indigesto. A coincidência acabou por convencer os indecisos.

Também se descobriu que o estômago dos bebés que mamam no peito se esvazia em apenas hora e meia: os especialistas não tardaram a recomendar imediatamente o peito durante 10 minutos de quatro em quatro horas. Durante milhares de anos, as mães deram o peito aos seus filhos em completa liberdade.

Como poderiam os médicos aconselhar um horário rígido, que chocava com o que observavam no dia-a-dia? De início, muitos médicos não acreditaram na nova teoria e aceitaram os horários rígidos com bastantes reservas. Antes da guerra, as normas eram mais permissivas: as mães alimentavam os seus filhos cada duas ou três horas, com mamadas que se podiam prolongar a 15 ou 20 minutos.

A moda dos horários não resultou grandemente e depressa se transformou num fracasso. A maioria das mulheres continuavam a dar o peito quando o bebé pedia e não iam ao pediatra. Antes, preferiam seguir os conselhos da avó. Quanto à alta burguesia, há muito tempo tinha deixado o aleitamento nas mãos de amas, profissionais com experiência que não se deixavam impressionar pelos conselhos dos especialistas.

A fome não usa relógio

Porém, o factor que mais facilitou a aceitação dos horários rígidos talvez tenha sido uma confusão entre causa e efeitos. Os bebés não mamam 10 minutos cada quatro horas. É mais provável que mamem 10 ou 12 vezes por dia, distribuídas de forma irregular. Às vezes, surpreendem-nos dormindo cinco horas seguidas, e outras pedem o peito apenas meia hora após terem mamado.

Desde sempre houve crianças que estão meia hora ou mais em cada peito («e porque eu o tiro de lá, senão continuaria»), parece que estão sempre esfomeadas e ao cabo de pouco tempo voltam a pedir. E não o fazem ocasionalmente. Muitas vezes este estado dura dia e noite, um dia após o outro, com eles sempre a chorar e a vomitar o leite que beberam. Neste caso, as mães, ficam com os peitos gretados e inchados…

Hoje sabemos que estes sintomas podem indicar uma posição incorrecta, muitas vezes provocada pelo uso de chupetas e biberões, e que se solucionam facilmente colocando o bebé ao peito numa posição correcta.. Contudo, quando não se conhecia a importância da posição, estas mães acabavam por abandonar a amamentação por causa da dor nos peitos, por cansaço ou porque pensavam que não tinham leite.

Os médicos do princípio do século entenderam-no ao contrário: acreditaram que era o mamar demasiado rápido ou vezes demais que causava as gretas, os vómitos ou a falta de peso, e disso resultava que a amamentação acabasse mal. Quando, nos meados deste século, o horário restrito conseguiu impor-se, a aleitação materna não tardou a cair em desuso.

Para tornar tudo mais difícil, em vez de dar de mamar aos bebés logo que nasciam, faziam-nos esperar de 12 a 24 horas a água com açúcar (soro glicosado) e biberões. E apenas lhes davam o peito depois da «subida do leite» (quer dizer, quando os peitos estavam tão inchados que o bebé tinha uma enorme dificuldade em agarrar o bico do peito).

Devido à falta de sucção, os peitos inchavam demasiado e ficavam como pedras (hoje em dia, muitas mães quase não notam a subida do leite, porque os seus peitos se vão esvaziando regularmente graças ao aleitamento sem horário rígido).

Eles devem permanecer junto da mãe

Era usual levarem o bebé ao quarto da mãe apenas de quatro em quatro horas, e deixarem-no aí exactamente 20 minutos. O bebé, claro está, já tinha chorado bastante antes das quatro horas e a mãe passava boa parte dos 20 minutos a tentar acalmar o seu filho, ou a acordá-lo e convencê-lo a mamar.

Mal começava a mamar era hora de o levarem. « Não se preocupe: com as pesagens antes e depois de mamar, saberemos quanto tomou e quanto lhe falta.» Na visita seguinte, era normal a mãe receber a seguinte informação: «Como só tomou 20 minutos de peito, deu-se-lhe 40 de biberão».

E o bebé, que tinha criado um laço com a tetina grande e rígida do biberão ou da chupeta e o peito suave e adaptável da mãe, ia esquecendo como mover a língua e cada vez lhe custava mais mamar. Mamava com a boquinha fechada, como se de um biberão se tratasse (como no primeiro exemplo que ilustra a posição incorrecta, na página da direita). Com esta disposição, o peito dorido, o bebé confuso e uma amostra gratuita de leite de lata na mão, era como a mãe regressava a casa com o seu rebento.

Assim, quem estranha que tão poucas mães conseguissem dar o peito além de algumas semanas? Em vez de reconhecer que os horários rígidos eram um erro e tornavam o aleitamento materno impossível, era preferível atirar com a culpa para cima da mãe «egoísta», que não se esforçava o suficiente. Em 1941 alguém escreveu : «Toda a mãe tem o dever de dar o seu leite ao seu filho, princípio que, do ponto de vista moral, é obrigada a cumprir».

Menos apelos ao «sagrado dever» e mais informação útil é o que as mães tinham necessitado! Por sorte, as coisas mudaram muito. Nos hospitais mais modernos, os recém-nascidos começam a mamar ainda na sala de parto, permanecem dia e noite com a mãe, e mamam quando querem, sem biberões, soro glicosado ou chupetas.

Estes são alguns dos requisitos que cumprem os chamados Hospitais Amigos das Crianças, título atribuído pela Organização Mundial de Saúde e pela UNICEF.

Portanto, se está grávida, pergunte qual é prática concorrente no que diz respeito à amamentação nos hospitais da sua localidade. Você tem o direito de escolher o melhor.

Guia da Gravidez

Informações que lhe podem ser Úteis:

Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Última atualização da página: 13/01/2018 às 3:08 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)