Aprender a gerir as Emoções - Como lidar com elas
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Aprender a gerir as Emoções

Aprender a gerir as Emoções

Medo, cólera, crise de lágrimas. Para cada uma situação uma dada emoção. Descubra as chaves que lhe permitirão compreender as suas reacções, para melhor as enfrentar

“A emoção age como água lançando-se contra um molhe”, escreveu o filósofo Kant. Palpitações, congestionamentos, crises de lágrimas ou de riso tolo, qualquer um de nós já foi, uma vez por outra, submergido por uma destas manifestações súbitas e independentes da nossa vontade.

Se não é desejável nem possível controlar as nossas emoções, podemos pelo menos aprender a compreendê-las e a geri-las. Façamos um pequeno apanhado das situações mais comuns para evitar situações descontroladas e se sentir nas nuvens.

Se o medo a deixa paralisada

“Quando o meu patrão me dirige a palavra fico aterrorizada”, queixa-se Clara. “O seu olhar paralisa-me e fico incapaz de alinhar duas palavras”, acrescenta. “Falar em público, é-me insuportável”, assegura Noémia. “Sinto um medo pavoroso, transpiro.” Por que será que Clara e Noémia reagem assim?

Porque, inconscientemente, consideram os seus interlocutores inimigos potenciais, o que espoleta reflexos de sobrevivência. O medo é uma reacção instintiva, que nos preserva da dor ou da destruição. Deste modo, são duas as atitudes possíveis: o imobilismo ou a fuga.

Sob o terror, tanto as hormonas quanto a adrenalina, libertam-se e aumentam as possibilidades físicas. O medo pode ser benéfico e, um dia, poderá salvar-vos a vida. Mas as suas manifestações são constrangedoras e desagradáveis quando não existe perigo real.

Então, que fazer em caso de pânico?

Se for possível, prepare-se para enfrentar a situação. Feche os olhos e tente visualizar o que se vai passar. Por exemplo: vai fazer a apresentação de um trabalho diante de um grupo de colegas; existem duas soluções possíveis: ou adopta o método Coué, afirmando para si mesma que tudo irá correr bem, ou imagina um cenário catastrófico, irá perder o fio condutor das suas ideias, um colega irá colocar-lhe uma questão a que não saberá responder… Antes de mais questione-se. “Será que isso é assim tão dramático?”

Perceberá, então, que os seus receios são exagerados. Se o medo se fizer sentir, enfrente-o, controlando as suas manifestações. Para diminuir as palpitações cardíacas, respire lenta e profundamente. A sensação de garganta apertada pode desaparecer, se se esforçar por acreditar.

O olhar do seu interlocutor intimida-a?

Em vez de baixar os olhos, fixe um ponto entre as suas sobrancelhas. Deste modo, adoptará um comportamento menos submisso e ganhará rapidamente segurança.

Se a irritação a atinge

“Fervo em pouca água”, admite Irene. Quando me irrito, não consigo controlar-me e as minhas palavras ultrapassam, na maior parte das vezes, o meu pensamento. Depois reflicto no que disse, mas o mal já está feito.” A cólera responde a um reflexo arcaico de sobrevivência.

É uma reacção instintiva de defesa. Perante o perigo, o corpo prepara-se para atacar. Inconscientemente, grita-se, cerram-se os punhos, enchem-se os pulmões, avança-se para intimidar um potencial adversário. Paralelamente, as substâncias hormonais libertam-se. Acentuam o poder e permitem uma diminuição da dor.

Felizmente, na maior parte das vezes, refreamos a fúria e nunca chegamos a agredir-nos fisicamente. Mas soçobramos e delapidamos a nossa energia. A cólera é uma resposta mal adaptada a um contexto particular.

Aquele sobre o qual a lançamos mais não é do que um bode expiatório que nos permite descarregar frustrações e tensões. Por exemplo: durante o dia fomos chamadas à atenção pelo nosso chefe ou fomos apanhados num engarrafamento ao sair do emprego, stressadas, ao chegar a casa e por uma coisa de nada, transformamo-nos numa malvada e insultamos toda a gente.

Para prevenir a irritação, esforce-se por exprimir o que sente, antes que tal se torne insuportável. Diga: “Gostaria que me ajudasses a fazer as limpezas”, em vez de “nunca fazes nada!” Se se sentir enervada e prestes a explodir, pense numa pessoa reputada pela sua calma e pergunte-se: “Que faria ela no meu lugar?”

Este simples exercício permite fazer uma pausa e ter tempo para recuar. Poderá, igualmente, descarregar as suas tensões, respirando profundamente e massajando suavemente a nuca.

Se as lágrimas a acometem

“O meu pai morreu há um mês”, conta Maria, “desde essa altura sinto-me muito mal e choro constantemente.” Esta jovem tem uma reacção “normal”. Diante de uma perda real (uma morte, uma separação) ou simbólica (uma esperança destruída), a tristeza favorece o trabalho de luto.

Qualquer pessoa que se encontre em estado de angústia em consequência de um choque emocional, necessita, durante algum tempo, de hibernar, para se proteger e reencontrar forças. Fisiologicamente, a dor manifesta-se através do desempenho de actividades lentas: o rosto está menos expressivo, o passo mais lento, a voz ganha um tom mais baixo e o discurso torna-se mais vagaroso.

Paralelamente, as lágrimas exercem uma acção benéfica sobre o corpo. Permitem, graças às hormonas que contêm, libertar o organismo de substâncias químicas resultantes do stress e reduzir as tensões. Se se sente triste, não oiça aqueles que a aconselham a secar as lágrimas.

Para apaziguar os seus sofrimentos, procure reconforto. Após um desgosto, as pessoas lançam-se instintivamente sobre os braços. Não tenha receio em se entregar à tristeza, como uma criança, e de se deixar embalar por alguém de confiança. Tome banhos quentes e aproveite o sol.

O calor ajuda a libertar endorfinas que asseguram uma sensação de bem-estar. Antes de se deitar, adquira o hábito de beber um copo de leite morno. Esta bebida reenvia-a, inconscientemente, para a segurança materna. O consolo e o conforto estão, assim, assegurados.

De qualquer modo, se o seu desgosto persistir e se tiver perdido o gosto por tudo, melhor será consultar um médico que, provavelmente, lhe diagnosticará uma depressão e, consequentemente, a tratará.

Se a alegria a invade

“Quando recebi o meu diploma, fiquei tão contente que beijei todas as pessoas que estavam ao pé de mim”, recorda, rindo-se, Isabel. Ao contrário do medo, da cólera ou da tristeza, a alegria é uma emoção muito agradável. Liberta hormonas que causam certo prazer. Assemelhando-se aos efeitos do álcool, euforiza (como se costuma dizer, fica-se “ébrio de felicidade”) e desinibe.

É, igualmente, muito comunicativa. As sucessivas vitórias da equipa da selecção nacional durante o euro 2004 são um bom exemplo desta euforia colectiva que invadiu Portugal. Constitui um excelente exercício que faz trabalhar os músculos do maxilar, do diafragma e dos abdominais.

Esta actividade muscular desenvolve uma massagem interna que amacia o tubo digestivo. Permite, por outro lado, a descarga de tensões. Dez minutos de riso repartidos pelo dia equivalem a vinte minutos de descontracção.

A crise de riso descontrolado, que faz lembrar o tempo em que éramos estudantes, pode tornar-se inoportuno em certas ocasiões. Para a interromper aperte com força ou morda o interior das bochechas, cerrando, ao mesmo tempo, os punhos. Mas, para além deste inconveniente menor, deixe-se submergir pela alegria e consuma-a imoderadamente.

3 perguntas a Manuela Cruz, Psicóloga Clínica

O que é uma emoção?

As emoções ou afectos são estados internos que surgem subitamente e são de controlo difícil. Existem detonadores internos e/ou externos de emoções. À estas estão ligados pensamentos, sensações, reacções fisiológicas e comportamentos expressivos específicos.

Se estamos ansiosos o coração bate com mais força e temos sensações de perigo ou medo. Se estamos felizes sentimo-nos bem e seguros. O padrão de resposta às emoções também varia com múltiplos factores como, por exemplo, a idade, o sexo, a personalidade e experiência de vida.

Por que razão certas pessoas são mais sensíveis do que outras?

A sensibilidade está ligada à expressão das emoções. Avaliamos a expressão das emoções examinando várias componentes: o elemento subjectivo em que entram cognições e sensações, o comportamento e a fisiologia.

Há pessoas que aprenderam a exercitar mais as cognições e estão sempre a pensar e a racionalizar os seus actos. O pensamento controla a emoção. Outras, pelo contrário, aprenderam a reger a sua vida pelas emoções. Estas dizem-se, em linguagem comum, mais sensíveis.

Estes diferentes aspectos da personalidade de cada um estão relacionados com múltiplos factores biológicos, sociais e psicológicos, que se interligam entre si.

Quando somos muito emotivos podemos ficar doentes?

Tudo o que é em excesso é prejudicial à nossa saúde física ou psicológica. Por isso, as cognições desempenham um papel importante na manutenção e moderação de emoções.

O nosso cérebro tenta manter um equilíbrio emocional óptimo entre cognição e emoção no sentido de reduzir a intensidade dos sentimentos fortes, positivos ou negativos. Se a ansiedade é intensa, se a tristeza é intensa, se a alegria é intensa, podemos adoecer. Há doenças a que chamamos distúrbios afectivos caracterizados por tristeza excessiva, ou pelo seu oposto: excitação excessiva…

One Comment

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  1. Muito boa essa matéria… sempre é bom esclarecimentos sobre o que sentimos,
    Digitei no google os sintomas que estou desenvolvendo por lidar com o público.
    Sou deficiente física, e, estou saindo de um emprego no qual não consigo mais
    me obriga a ficar. Pode até ser depressão…. Por isso vou procurar um especialista.
    Este site já ficará em meus favoritos.

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