Viagens à Argentina
Fotos Antes e Depois

Argentina

Argentina, Viagem na Primeira Pessoa…

Longe do tango na cordilheira dos Andes

Longe da buliçosa capital do país e das suas convulsões sociais e económicas, há uma outra Argentina, menos conhecida mas não menos interessante: ao longo da fronteira com o vizinho Chile, a cordilheira dos Andes é um dos mais belos cenários naturais do país. Ana Isabel Mineiro (texto e fotos) passou por lá e trouxe memórias inesquecíveis.

Pampas a perder de vista, calor, arbustos ressequidos que se levantam da planície sem fim. Ao longo da estrada, inúmeras “alminhas” dedicadas à “Difunta Correia”, onde os automobilistas mais crentes vão depositando garrafas de água numa homenagem a uma mulher que morreu de sede, em fuga por este território quase desértico.

Os Andes surgiram ao descermos uma pequena colina, fazendo imediatamente correr uma brisa fresca que parecia vir dos cumes nevados. A cidade mais importante desta zona é Junín de los Andes, uma vila pacata cujas ruas em ângulo recto desenham quadrados bem sombreados por uma floresta que desce das encostas mais próximas. Vim aqui de propósito para conhecer os Andes argentinos, para fugir à trepidante Buenos Aires, ao caos cíclico da política e da economia a que o país parece não conseguir escapar. Aqui é um pequeno mundo à parte: o sossego e a pureza dos ares, a extraordinária beleza das montanhas, atraem os “fugitivos” das cidades quando o dia-a-dia se começa a parecer demasiado com um fado – ou um tango, neste caso.

Subindo o curso do rio Chimehuín, fervilhante de trutas, encontra-se o grande lago Huechulafquen e o magnífico vulcão de cone nevado e, felizmente, pacífico, que dá o nome ao Parque Natural que o protege: o Lanín. As águas azul transparente da multiplicidade de lagos de origem glaciar – o Huechulafquen é apenas o maior -, e as araucárias muito altas a misturarem-se com uma selva cerrada de árvores e arbustos de bambu, recriam o equilíbrio natural de há alguns séculos exibindo toda a beleza da floresta andina, que chegou a cobrir áreas extensíssimas. A paisagem é fantástica e exuberante, com o pico branco do Lanín a lembrar um pouco o Kilimanjaro, escondendo-se e aparecendo acima do verde intenso do bosque, onde as bandurrias, uns passarões de bico comprido, espalham estranhos sons metálicos. Não fora o frio – a diferença de temperaturas entre a sombra e o sol é extraordinária -, e bem que poderíamos dar um mergulho nestas águas límpidas. Contentámo-nos em regalar a vista neste jogo de azuis transparentes onde se reflectem as montanhas.

A “Estrada dos Sete Lagos”

Saindo de Junín em direcção a S. Martin de Los Andes, e daí até Bariloche, uma pequena Meca do turismo sul-americano, percorremos a chamada “Estrada dos Sete Lagos”. Às hordas coloridas de esquiadores sucedem-se os mochileiros de Verão, sempre prontos para acampar em qualquer lado, transbordando alegremente pela fronteira do Chile, onde continuam os Andes e os lagos. E não haja dúvida de que esta zona nos presenteia com uma verdadeira exposição destes pequenos mares fechados entre montanhas. Há para todos os gostos: pequenas poças pardas, longos e filiformes, redondos, de águas turquesa, verde ou azul. O Espejo é largo e calmo, com margens de musgo verde; o Escondido mal se consegue ver, aninhado entre árvores frondosas e arbustos densos; o Villarino, muito popular, cheio de campistas nas bordas, o Falkner, o Traful e, finalmente, o Nahuel Huapi, azul petróleo com margens de seixos brancos, debruado pela cidade de Bariloche e por um cordão de picos que marcam a entrada no Chile.

Se a ideia foi criar uma pequena cidade europeia, com as suas ruas animadas de peões, lojas que fazem uma espanholíssima sesta até ao fim da tarde, fotógrafos de rua com grandes cães São-Bernardo de bandeira suíça na pipa do pescoço, canteirinhos de madeira a transbordar de flores coloridas, pistas de esqui e vivendas ostensivamente anónimas à beira do lago Nahuel Huapi, o efeito foi bem conseguido: a terra está muito europeia, demasiado suíça, diria eu, com a Escola Suíça, a Casa Suíça, e as caixas dos chocolates da Avó Goye, que explicam cuidadosamente a sua ascendência, prestando homenagem aos primeiros colonizadores; há também a aldeia Colonia Suíça e o teleférico que sobe ao Cerro Otto, um nome muito pouco argentino. Aproveito a organização e profusão de autocarros e teleféricos para pôr o pé em mais alguns montes e apreciar especialmente a zona de Llao Llao, próxima do vulcão Tronador, que de vez em quando faz jus ao nome e deixa cair uns blocos de gelo com sons de trovoada. Em dias de vento, a água muda de cor e arrepia-se em ondinhas, como se a maré fosse subir, encher as praias e alcançar as povoações, galgar aqueles picos aguçados e inacessíveis cobertos de neve e cobrir a ilha Vitória, que resiste heroicamente no meio do lago.

Pela Patagónia até ao sopé de Cerro Torre

Depois de uns dias de profundo mergulho na natureza, aproveitando o sossego e a beleza das montanhas, avanço para Sul, pela Patagónia, em direcção à Terra do Fogo. Sei que aqui as condições climatéricas são mais duras, as áreas naturais mais selvagens e menos frequentadas. Mas também sei que é nesta zona dos Andes que se escondem maravilhas como o Cerro Torre ou o Fitzroy, e glaciares como o famoso Perito Moreno. Acabaram-se as cidadezinhas mimosas à beira-lago; agora as povoações parecem-se mais com aldeias de exploradores, muito menos viradas para o turismo. A mais “turística” de todas é a incaracterística vila de El Calafate, de onde se parte para visitas de um dia no Parque Nacional Los Glaciares. É daqui que se chega a El Chaltén que, se as nuvens espessas não se sumissem, não passaria de uma pequena aldeia à mercê dos ventos e de um clima imprevisível, onde só costumam chegar os amantes da escalada e das caminhadas; mas caso o céu esteja limpo, dá para montar a tenda e fazer alguns dos mais belos percursos pedestres do hemisfério sul.

Em três horas chega-se ao sopé do Cerro Torre, junto à lagoa com o mesmo nome. O silêncio é apenas perturbado pelo piar de pássaros, pela água corrente dos riachos e pelo vento que agita arbustos de folhas minúsculas e espinhosas, como bonsais gigantescos. Alguns kaikenes (gansos da Patagónia) espreitam-nos de entre as ervas. A agulha cinzenta do Cerro Torre é uma verdadeira parede de pedra onde nem a neve consegue agarrar-se. A sua forma improvável é uma surpresa ainda maior que a do monte Fitzroy (Chaltén, na língua índia local). O que parecia um cenário antigo, a preto e branco, visto da aldeia, transforma-se numa impressionante muralha de pedra com glaciares e laguinhos no sopé – e a Laguna de Los Tres, junto ao Fitzroy, é especialmente bonita. Claro que há que suportar rajadas inesperadas de vento ciclónico, frio e calor alternados e mesmo algumas bátegas de chuva, mas vale bem a pena para chegar próximo desta magnífica cordilheira, que aqui se apresenta no seu aspecto mais selvagem.

O majestoso glaciar Perito Moreno

Ainda dentro do Parque Natural fica outra espantosa criação da natureza: o glaciar Perito Moreno, com trinta e cinco quilómetros de comprimento, sessenta de altura e quatro de largura, números de pouca importância quando se chega bem perto desta enorme massa de gelo que se levanta das águas esverdeadas do lago Argentino. Viagens regulares a partir de Calafate levam-nos ao longo do lago até uma área onde varandins e degraus nos permitem progredir até ficarmos muito próximos do glaciar. Contemplo com espanto a queda aparatosa e violenta de blocos que devem pesar toneladas, as tonalidades e as formas bizarras do gelo. Há escarpas, torres, cavernas, paredes, verdadeiras catedrais de água solidificada, tudo num azul gélido de onde saem sons de craquejar ou verdadeiros tiros de canhão, que antecedem o estrondo dos pedaços gigantescos de gelo a caírem na água, dando origem a uma ondulação agitada que vem bater na margem onde nos encontramos. De resto, só há o silêncio e a brancura azulada do glaciar. Mais um lugar mágico e memorável a juntar a tantos outros. E mais um motivo para associar a Argentina a paisagens admiráveis de montanhas e gelo, em vez da tradicional imagem do tango urbano e das estepes infindáveis.

Como ir

Voar para Buenos Aires, de onde saem transportes terrestres em todas as direcções. Os autocarros são excelentes e os preços razoáveis, mesmo para as viagens mais longas.

Onde comer

A comida na Argentina revela fortemente a herança italiana. Em Buenos Aires, um dos restaurantes mais populares é o Cervantes, na rua Perón. Em Bariloche, o Restaurante Mangiare foi-nos recomendado. Em El Calafate, tente o Restaurante Macías.

Onde Dormir

Em Buenos Aires não falta escolha, mas o Liberty Hotel é bastante central, na Av. Corrientes. Nos outros locais, à excepção de El Calafate, preferimos sempre um dos parques de campismo, que ficam mais próximos da natureza. Em Calafate, a Hostería Kalken, na Av. Valentín Feilberg, tem um bom pequeno-almoço.

Informações

Há vários gabinetes de turismo espalhados pelo país; em por Buenos Aires, há pelo menos um na rua Florida que pode fornecer informações frescas sobre transportes, dormidas, etc. Em Portugal, a Embaixada da Argentina fica na Av. João Crisóstomo, 8 A r/c, 1000-178 Lisboa. Tel. 217960517.

A Argentina é o país com uma das maiores variedades geográficas e climáticas da América do sul. Na Argentina podemos encontrar selvas tropicais, céus belíssimos, fauna selvagem, recantos maravilhosos e cidades modernas.

 

Localização
A Argentina fica localizada na América do Sul.

Fronteiras
Tem fronteiras com a Bolívia e Paraguai a norte, com o Brasil e Uruguai a nordeste, com o Oceano Atlântico a este, com Chile a oeste e com a confluência dos Oceanos Atlântico e Pacífico a sul.

Superfície
Tem uma extensão de 2.791.810 Kms2 (3.761.274 Kms2, incluindo o território antárctico) e encontra-se entre os países mais extensos do mundo.

População
Tem uma população escassa, de cerca de 26.000.000 habitantes. A densidade é de 7,5 habitantes por Km 2.

Principais recursos económicos
Gado bovino, ovino e porcino, milho, trigo, centeio, sorgo, batatas, cítricos, algodão, soja, amendoins, uvas e cana de açúcar.

Capital
A capital da Argentina é Buenos Aires com 6,8 milhões de habitantes.

Principais cidades:
Rosário, Córdoba, La Plata, Tucuman e Mendoza.

Documentação necessária para viajar
É necessário o Passaporte em vigor com uma validade mínima de 6 meses.

Clima
O clima da Argentina é subtropical no norte, moderado em La Pampa e frio na Patagónia. As temperaturas mais altas são em Janeiro e Fevereiro (Buenos Aires 17-38º C). e as mais baixas em Julho e agosto (3-16º C). As estações são o inverso da Europa. A temperatura média no Verão em Buenos Aires é de 25º C e 17º C na Primavera e Outono. Durante todo o ano existem grandes flutuações de temperatura, chegando a alcançar algumas vezes a diferença de quase 20º C em menos de 24 h. Os ventos do norte na zona costeira são normalmente acompanhados de altas temperaturas, ao contrário dos ventos de sul e de sudoeste que trazem consigo a descida das temperaturas.

As viagens pelas zonas tropical e subtropical do norte são aconselháveis entre Maio e Setembro. Tierra de Fuego, um conjunto de ilhas sub antárcticas situadas no sudeste da América do Sul e sudeste de Patagónia podem ser percorridas somente entre Novembro e Março. O viajante deve lembrar-se que o verão argentino coincide com o Inverno europeu. Tendo em conta o clima, a melhor época para viajar para as diferentes regiões é a seguinte:

– Buenos Aires e Pampa: todo o ano.
– La Selva de las Águas Grandes (Misiones, Corrientes, Entre Rís): todo o ano.
– Altiplano de la Puna: Março a Novembro.
– Patagonia andina: todo o ano. Esqui: Junho a Setembro.
– Patagonia central e litoral: todo o ano. Fauna: Agosto a Abril.
– Tierra del Fuego: todo o ano. Esqui: Junho a Setembro.

Moeda
A moeda oficial é o Peso Argentino. É aconselhável levar dólares americanos ou cheques de viagem, dado que é a moeda mais fácil de cambiar, em geral.

Eletricidade
A corrente eléctrica é de 220 volts. É recomendável levar um adaptador para as tomadas.

Diferencia horária de Portugal
No Inverno a diferença horária é de menos 2 horas. No verão é de 4 horas menos.

Idioma
Espanhol.

Transportes
O transporte nas cidades é realizado de autocarros. Em Buenos Aires existe também o metro e táxis.

O que vestir. Deve levar-se calçado cómodo e impermeável.
O que levar. loção anti – mosquitos.
Gorjetas. As gratificações foram oficialmente abolidas pela lei nos restaurantes, mas os bagageiros esperam sempre uma gratificação. Por norma, costuma dar-se 10% do total da conta ainda que esta já esteja incluída no serviço. Costuma também gratificar-se os taxistas, porteiros, etc…

Compras
Artigos de pele, alpaca e jóias de prata.

Gastronomia
Não se pode imaginar um almoço ou jantar sem carne. Churrasco (bife grelhado), carne de cavalo (bife com ovos fritos), batatas (batatas doces), são alguns dos pratos mais importantes. Para acompanhar as comidas bebe-se vinho ou cerveja do país. O brandy de cana de açúcar é uma das bebidas fortes mais típicas. As sobremesas, frequentemente muito doces, são excelentes (queijo e doce, doce de leite).

Especialidades: Puchero (estofado com carne, repolhos, cabaça, batatas doces), queijo e doce (queijo com marmelada), churrasco (filete de boi grelhado), parrillada (boi, salchichas de porco), churros e empanadas (de carne e peixe).

Água: Potável nas grandes cidades. Beba água engarrafada nas zonas rurais ou nas pequenas cidades.
Restaurantes: Na Argentina encontramos restaurantes decorados com mesas privadas chamadas Munichs. Em Buenos Aires é típica a cozinha francesa, inglesa, escandinava, judia, chinesa e árabe.

Visitar

Buenos Aires: Cidade moderna e dinâmica que convive com a tradição de velhos cafés, Buenos Aires é a cidade mais europeia das Américas.

A Selva de las Aguas Grandes: Na zona de Misiones, terra vermelha e selva verde, situam-se as Cataratas do Iguazú, a “Agua Grande” dos índios guaraníes. Um completo sistema de trilhos leva o visitante próximo de uma cascata de onde 275 quedas de água se lançam ao vazio. Uma das maravilhas do mundo. Um cenário de exuberante beleza que forma parte do Parque Nacional Iguazú. Milhares de palmeiras e orquídeas, tucanos, louros convivem em harmonia junto com os jaguares, num dos pulmões da terra.

A Patagónia Atlântica: Pinguins, baleias, elefantes e lobos do mar. Península Valdês, uma das reservas de fama marinha mais importante do mundo, para desfrutar de um espectáculo aquático único. Cada ano, centenas de baleias brancas chegam às tranquilas águas do Golfo de San José para procriar. Apassiveis, como inteligentes e sensatos mamíferos que são, as baleias deixam-se querer.

A Patagónia andina: Bosques, lagos e glaciares: Os Andes Patagónicos, com montes nevados reflectidos em águas cristalinas. Em Bariloche uma infinidade de trilhos, permitem percorrer a pé, em bicicleta ou a cavalo, rotas de montanha de inigualável beleza. No Inverno austral, nada menos que de Junho a Setembro, as estações de esqui agradam ao desportista mais exigente. A Patagónia é uma região imensa de grandes contrastes. As planícies sem horizonte, superfícies sem medida. O Perito Moreno, importante glaciar ao alcance da mão, já no confim austral.

Fotos da Argentina

Cueva de las Manos, uma dos mais antigas expressões humanas da América do Sul.

Buenos Aires logo depois de sua fundação, em 1536.

Bairro Jesuíta e Estâncias de Córdova.

Casa de Tucumán, local onde foi declarada a independência da Argentina.

Fiesta Nacional del Inmigrante em Oberá, Misiones.

O general Juan Domingo Perón, representante do populismo na Argentina.

Monumento à Guerra das Malvinas no Ushuaia.

Cristina Fernández de Kirchner, na presidencia em dezembro de 2007.

Mapa topográfico da Argentina.

Lago Nahuel Huapi na região da Patagônia.

Tempestade no oeste da Argentina.

Buenos Aires, capital e maior cidade do país.

Córdova

Catedral de La Plata.

Casa Rosada em Buenos Aires, sede do governo argentino.

Congresso da Nação Argentina, em Buenos Aires

Atualizado em 13 Janeiro 2018

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