Arquipélago dos Açores

Turismo de Habitação na Ilha dos Açores

Das nove ilhas que compõem o arquipélago dos Açores, o Turismo no Espaço Rural apenas está representado em quatro delas: Faial, Pico, São Miguel e Terceira. Ficam, assim, de fora as duas ilhas do Grupo Ocidental (Flores e Corvo), mais duas do Grupo Central (São Jorge e Graciosa) e outras tantas do Grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria).

A maior concentração de casas ocorre na Ilha de São Miguel, de resto a maior ilha açoriana. As opções são relativamente diversificadas e incluem um convento quinhentista devidamente recuperado, uma casa seiscentista com vista para o mar, uma antiga casa de morgados na Ponta da Maia, um imóvel classificado do século XVIII, duas casas solarengas seiscentistas, e ainda duas casas tradicionais que faziam parte de quintas.

Na Ilha Terceira a oferta restringe-se um pouco, mas é ainda significativa. Inclui duas casas rodeadas por exuberantes jardins, uma quinta na zona balnear, não muito longe de Angra do Heroísmo, uma outra quinta que procura recriar a ambiência rural e uma casa com nítidas influências arquitectónicas brasileiras.

Já na Ilha do Pico e no Faial, a oferta restringe-se a uma casa em casa uma das ilhas. Dito isto, refira-se que o Turismo no Espaço Rural é a forma ideal de alojamento para conhecer os Açores. Desde logo porque, através do contacto com os proprietários, o visitante toma um primeiro contacto com as tradições, o artesanato e a cultura da região. Depois, porque a localização em ambientes rurais fornece um excelente ponto de partida para passeios pelas zonas menos batidas pelos grandes roteiros turísticos, se é que se pode dizer que tal coisa existe nos Açores. Com excepção de São Miguel, todas estas ilhas parecem, pelo seu tipo de paisagem e rede de acessos, talhadas para a descoberta a pé ou de bicicleta, numa palavra, para umas férias muito diferentes daquelas a que nos habituámos.

Paisagens e Património da Ilha dos Açores

Ilha do Faial
Ilha do Pico
Ilha Terceira
Ilha de São Miguel

O mar domina as ilhas e a humidade torna a paisagem fascinante, em tons de verde, sem excessos de frio ou de calor. As suas origens vulcânicas determinaram a constituição geológica e definiram o temperamento das gentes. A pedra negra predomina, tanto na arquitectura civil como na militar, com marcadas influências das modas do Continente, seja no estilo barroco ou na influência pesada da arquitectura típica do Estado Novo. Cada ilha tem um atractivo próprio e o encanto está na diversidade.

Ilha do Faial

É dominada pela Natureza, mesmo quando as suas fúrias destroem povoados ou levam as populações a procurar futuro noutras paragens. Morros, recortes de costa, ilhéus, acidentes físicos originados por actividades vulcânicas, moinhos de madeira de tipo holandês, campos de pastagens, praias de areia fina e hortenses compõem uma diversidade paisagística marcante.

Uma enorme cratera – com cerca de dois quilómetros de diâmetro e 400 metros de profundidade – , rodeada de hortenses azuis e intensa vegetação, é um dos seus mais significativos pontos de maior interesse. Próximo, localiza-se o Cabeço Gordo, o ponto mais alto da ilha, miradouro natural sobre as ilhas do Pico e de São Jorge.

No extremo ocidental fica a Ponta dos Capelinhos, onde ainda se podem observar os efeitos da erupção vulcânica de 1957/58, com as cinzas de então a alterarem a paisagem.

É na cidade da Horta que se localiza o património monumental. Possui situação geográfica privilegiada, com a deslumbrante vista para o Pico.

Visite o conjunto de igrejas e ermidas: a Igreja de São Salvador, actual matriz, (século XVI), com retábulos seiscentistas no altar-mor; a Igreja de Nossa Senhora do Carmo (século XVIII), o Convento de São Francisco, actual Museu de Arte Sacra, ou a Igreja de Nossa Senhora das Angústias ( edificada no século XVII, sobre uma capela do século XV). Procure o Império dos Nobres, do século XVI. Conheça o museu da cidade, instalado no antigo Colégio dos Jesuítas, com mostras de pintores da região e uma importante colecção de trabalhos em miolo de figueira, e o Museu de «Scrimshaw», por cima do Café Peter’s, onde está exposta a colecção particular da arte de gravar dentes de baleia do proprietário do café.

Ilha do Pico

Muitas vezes referida como a «Ilha Montanha», dominada por um majestoso vulcão com 2351 metros de altitude, o seu encanto está na sua beleza natural, por vezes rude. Possui vegetação onde ainda se fixa a flora primitiva e, na costa Oeste, onde predominam os terrenos de lava, cultivam-se árvores de fruto e vinha.

Vale a pena subir ao cume do Pico, com a ajuda de um guia, para apreciar o nascer do sol. Na zona oriental encontram-se algumas lagoas de dimensões e formas variadas, destacando-se as do Capitão, Caiado e Paul. Apresenta uma costa recortada com baías e arcos de lava. O mais impressionante, pela sua forma, é o arco do Cachorro. Como resultado das antigas erupções vulcânicas, o arrefecimento das lavas e as fugas de gases, formaram-se planícies de formas tortuosas que os locais designam por mistérios. Os mais conhecidos são o Mistério da Prainha, o Mistério de Santa Luzia e o de São João.

Quanto ao património edificado, traduz-se em inúmeras igrejas e capelas espalhadas pelas localidades da ilha. Veja-se, na Vila da Madalena, onde se localiza o porto que permite a ligação permanente com o Faial, a Igreja de Santa Maria Madalena, edifício do século XVII. Em São Roque do Pico, antigo porto comercial, vale a pena a visita ao Museu da Indústria Baleeira, à Igreja Matriz (séc. XVIII), ao Convento e Igreja de São Pedro de Alcântara, edifício barroco do século XVIII. Nas Lages, primeiro povoado da ilha, visite o Museu dos Baleeiros, instalado nas casas dos botes do século passado, onde se mostram apetrechos e equipamentos usados na captura e transformação do cachalote. Merece visita a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (séculos XVII e XVIII), e a Ermida de São Pedro.

Ilha Terceira

A mais povoada do grupo central do arquipélago, a Terceira é recortada no litoral e dividida por cerrados onde pastam vacas leiteiras. Apresenta uma grande diversidade paisagística, com os pastos verdejantes a contrastar com os picos, as lagoas e as caldeiras. Preserva uma preciosa arquitectura, o que valeu à cidade de Angra do Heroísmo a classificação pela Unesco de Património da Humanidade. Vale a pena percorrer o litoral, para ver a costa recortada, as praias e ancoradouros, ou mergulhar nas piscinas naturais, as formações vulcânicas e as grutas, os algares e as lagoas.

Na cidade, vale a pena subir – a pé ou de carro – até ao Monte Brasil, sobranceiro à urbe, de onde se tem uma vista soberba sobre o casario histórico, ou no outro extremo, ao Alto da Memória, onde um obelisco recorda a presença de D. Pedro IV na cidade. Percorrer as ruas da localidade é descobrir uma fisionomia urbanística de traça linear e encontrar o casario branco, em estilo da típica casa rural portuguesa, de um só piso e escrupulosamente caiada. Dignos de nota são os edifícios religiosos, totalmente recuperados segundo a traça original, depois do sismo.

Possui ainda alguns edifícios públicos de interesse, como os Paços do Concelho, o Palácio Bettencourt, edifício de arquitectura barroca. O Palácio dos Capitães Generais, antigo colégio dos Jesuítas, foi recebendo ao longo dos tempos um valioso recheio de mobiliário, telas, porcelanas, estatuária e pinturas, e uma colecção de azulejos holandeses do século XVII. O Solar da Madre Deus, do século XVII, destaca-se entre outros solares nobres.

O Museu da Cidade encontra-se instalado no antigo Convento de São Francisco, com um importante acervo que retrata a história militar do país e obras de artistas terceirenses. A dez minutos de carro fica Praia da Vitória, a cidade onde nasceu Vitorino Nemésio. Possui uma elegante Igreja Matriz, com portal gótico do século XV e portal manuelino do século XVI, e a Igreja do Senhor Santo Cristo.

Ilha de São Miguel

É a mais turística do arquipélago, com a incontornável lagoa das Sete Cidades, uma caldeira de 12 quilómetros de perímetro com duas lagoas geminadas, uma de água verde outra de água azul. Visite as lagoas do Carvão e do Canário, e a do Fogo, com vegetação primitiva compondo a reserva natural classificada, ou a Caldeira Velha. Suba ao pico do Carvão, com amplos horizontes sobre o mar e o centro da ilha e, nas proximidades, as lagoas do Carvão, do Canário e da Rosa, além de outras de mais pequenas dimensões. Perto, a lagoa do Congro. A Este da ilha, o Vale das Furnas, com enorme caldeira e o viçoso jardim do Parque Terra Nostra, cuja construção foi feita no século XVIII, pela mão do inglês Thomas Hickling.

A capital da ilha e sede da Região Autónoma dos Açores, Ponta Delgada, é uma urbe cosmopolita com arquitectura erudita evidenciada no designado «barroco açórico». Possui importante conjunto de edifícios religiosos e civis, dos quais se destacam as Portas da Cidade, a quinhentista Igreja Matriz, a barroca Igreja de São Pedro, a Igreja de São José, com sua talha dourada, o Convento da Esperança com azulejos do século XVIII, onde se guarda a imagem do Senhor de Santo Cristo, o Cine-Teatro Micaelense e o conjunto de arquitectura residencial, no centro histórico, com casas solarengas dos séculos XVII e XVIII. Nas restantes vilas e cidades predominam as construções barrocas, com alguns exemplares de estilo gótico. Não deixe de subir aos melhores miradouros e de experimentar as praias de areia fina.

Artesanato Açoreano

O artesanato açoreano é um retrato vivo do quotidiano do arquipélago, constituído por ilhas voltadas para o trabalho do campo e para a pesca, que durante séculos, perseguiu as baleias dos mares Atlânticos. Nas ilhas do Pico e Faial, esta actividade piscatória proibida na década de 80, deixou peças de arte construídas em osso do cachalote, segundo a tradicional técnica de Scrimshaw e delicadas miniaturas de baleeiras, produzidas por antigos tripulantes. É ainda ao mar que as gentes vão buscar os materiais para os trabalhos em concha e escamas de peixe, transformadas em delicadas flores.

Dos campos emerge a inspiração que de folhas de milho faz bonecas e do miolo dos ramos de figueirafaz flores.

Ainda que cada ilha tenha as suas formas de expressão artesanais, nos Açores merecem igualmente destaque as coloridas cerâmicas da Lagoa em São Miguel, os bordados com motivos tradicionais e rendas de São Miguel, Terceira, Pico e Faial, as colchas de tear ou de ‘ponto alto, vulgares em São Jorge e na Terceira e as típicas violas de arame.

Arquitectura Tradicional

Casa Açoreana

Descrever a arquitectura típica açoreana não é fácil pois o perfil das casas varia um pouco de ilha para ilha. Há, no entanto, aglomerados de casas rurais que merecem especial destaque. Na Terceira, por exemplo, as povoações são denunciadas pelas barras de cor das portas e janelas, que sobressaiam nas paredes brancas, e pelas pitorescas chaminés, cuja dimensão denuncia a origem algarvia ou alentejana dos seus povoadores.

Característicos são também os ‘aventais’ de pedra lavrada, que cercam as janelas, terminando em forma de flor de lis ou em bico.

As casas rurais de São Jorge regra geral, têm planta rectangular e são cobertas por um telhado de duas águas. As fachadas são simples e caiadas de branco. A habitação está quase sempre ligada a parcelas de terreno cultivado com produtos complementares da economia doméstica, onde se encontram também as adegas. As casas mais modestas são construídas com pedra solta sem reboco nem caiação.

No Picoas paredes das casas são escuras, construídas com pedras de lava e cobertas de telha. Para contrastar com o negro das paredes, os habitantes pintam com cores vivas as portas e janelas, conferindo um ar pitoresco às casas, que reflectem a adaptação do homem ao meio em que vive.

A arquitectura é também um elemento original em Santa Maria, onde cada povoado pinta as ombreiras das portas e janelas com a cor específica, que varia de terra para terra segundo a tradição que vêm de longe.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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Esta matéria tem 1 Comentário
  1. Reply

    ILHA dos Açores como título???? Qual delas?
    Fartam-se de repetir no texto “Arquipélago” e nada de alterarem o título do texto!

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Última atualização da página: 13/01/2018 às 4:39 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)