Atenas

Revisado por Equipe Editorial a 13 janeiro 2018 - Publicado a 9 de janeiro de 2011

Atenas para Além das Pedras…

Esqueçam as ruínas, o ruído e a poluição. Há outra Atenas, bem mais animada e fascinante, que seduziu Luís Maio. A Atenas dos mercados de rua, das noitadas chic ou marginais, das encruzilhadas históricas e dos caprichosos jogos de engenharia urbana. 

Atenas recebe mais de quatro milhões de visitantes anuais. É uma cifra respeitável na galáxia comunitária, mas há que relativizá-la. Porque, ao contrário de Lisboa ou Helsínquia, raramente Atenas é só por si um destino de viagem. Para muitos, eventualmente a maioria dos visitantes a capital grega é uma escala, ou mesmo um acidente de percurso, quando o objectivo é embarcar num cruzeiro pelo Mediterrâneo ou ir a banhos na Grécia insular.

Quem se aproxima da cidade, sobretudo quem chega de avião ou de barco, é primeiro confrontado com essa babilónia de betão que responde pelo nome de Grande Atenas. É o fruto de um crescimento desmesurado iniciado nos anos 50, quando na sequência da Guerra Civil a cidade foi palco de um intensivo programa de investimento industrial, financiado na maior parte pelos americanos, e em paralelo recebeu fornadas sucessivas de emigrantes das zonas rurais e mais desfavorecidas do país.

Hoje a cidade conta com mais de três milhões de habitantes, cerca de um terço da população grega, concentra metade do parque industrial e perto de metade de todos os carros que circulam no país. Daí a urbanização tentacular, os engarrafamentos sistemáticos e o estacionamento selvagem, que confluem para fazer da Grande Atenas uma das nódoas mais negras no mapa da poluição mundial. É certo que, desde o final dos anos 80, sucessivos governos têm procurado pôr ordem na construção civil e na circulação automóvel, medidas que têm contribuído para reduzir, embora não para irradicar definitivamente esses males.

Confrontados com semelhante selva urbana, muitos visitantes terão tendência a reduzir ao mínimo a sua estadia em Atenas. O que quase sempre significa concentrar a atenção no legado da Grécia Clássica, sobretudo na Acrópole e nos sítios arqueológicos nas imediações. Será a alternativa mais comum, mas porventura não a mais compensadora.

São ruínas impressionantes, sem dúvidas o que não impede que muita gente de lá saia desabafando: “Pois é, já fomos ver as pedras”. O que revela uma segura ignorância, mas nem por isso é uma reacção menos justificada. Ninguém é obrigado a ser versado em história da Antiguidade e a verdade é que se pagam 12 euros de entrada, sem direito a audiotour, a folheto, ou qualquer informação útil. Assim, de facto, o Partenão não passa de montes de pedras, que por mais monumentais que se revelem nem por isso ganham mais significado.

Umas pedras antigas no alto de uma colina e uma calamidade moderna espraiada em seu redor – esta é a imagem pouco dignificante que Atenas deixa na memória de muitos visitantes de circunstância. Mas basta passar alguns dias à margem das ruínas, explorando uma série de quarteirões históricos que se dispõem em rede no centro da cidade, para se ganhar uma experiência bem mais gratificante da capital grega. Há, para começar, um visível esforço de reabilitação patrimonial e requalificação urbana que não chegarão para fazer de Atenas uma nova Barcelona, mas que a tornam francamente mais aliciante que num passado ainda recente. Transfiguração que só poderá beneficiar com a multiplicação de obras lançadas a pretexto dos Jogos Olímpicos do ano que vem.

A transfiguração maior, no entanto, talvez esteja mais nas mentalidades que nos espaços urbanos. Ou melhor, será por causa das primeiras que os segundos estão a mudar nalguns casos tão radicalmente. Quem não visitar Atenas há, digamos dez anos, não deixará de ficar espantado com a alteração de visual e de hábitos locais. Os atenienses antes reservados, até mesmo taciturnos e algo provincianos, estão agora mais exuberantes e cosmopolitas, com especial incidência nos escalões mais jovens, decidamente convertidos ao culto da imagem e aos prazeres da “dolce vita”.

Psiri e Exárhia

Os visitantes que só têm olhos para as ruínas, ou que fazem questão em se deitar cedo, vão por certo passar ao lado do melhor de Atenas. Que é uma dessas cidades com o dom de se transfigurar dramaticamente, ao ponto das mesmas ruas se tornarem irreconhecíveis do dia para a noite. E em nenhum lugar essa capacidade camaleónica é mais evidente que em Psiri, bairro situado entre Monastiráki e o Mercado Central. Antigo distrito dos cortumes, hoje persiste como uma zona pouco atraente de ateliers e pequenas fábricas. Isto das 9 às 5, porque desde que o sol se põe e até altas horas da madrugada Psiri transforma-se numa espécie de Cinderela hedonista.

À hora a que os negócios tradicionais encerram e a classe trabalhadora volta para casa, abrem portas cafés, restaurantes e clubes modernos, que entre si rivalizam no luxo e na sofisticação. As suas esplanadas enchem-se de actores, artistas, modelos e todo o “beautiful people” de Atenas, de corpos esculturais e roupa justa de marca, que conversam animadamente e admiram as beldades que passam, enquanto agitam os cubos de gelo nos seus copos de frappé. É a fórmula pós-moderna do novo “jet set” ateniente, uma etiqueta que deixa os estrangeiros nas suas roupas informais de férias tão surpresos, quanto embaraçados.

Se Psiri é a noite de Atenas na sua versão mais chic, Exárhia representa a sua vertente mais boémia e juvenil. E se no primeiro bairro os estrangeiros se sentem marginalizados, no segundo raramente se aventuram com receio, justamente, dos marginais. Uma má reputação que remonta aos anos 70, quando este bairro nas traseiras do Polytecknío, a universidade de engenharia e ciência, foi palco de furiosas manifestações de estudantes ditos anarquistas contra a Junta militar, que haveria de sufocar o golpe com um banho de sangue. Depois, nos anos 80, Exárhia reemergiu nas paragonas da imprensa mais conservadora como o antro de perdição de uma geração de jovens caídos nos abismos da droga e da delinquência.

Essa má fama pode manter-se, mas a verdade é que este bairro é hoje mais animado e excitante, que propriamente perigoso. Como o lisboeta Bairro Alto, Exárhia é durante o período diurno uma mistura de velho bairro castiço – com as suas mercearias antigas e cafés decrépitos onde os velhos jogam gamão – e de negócios alternativos para jovens, incluíndo lojas de vinil em segunda mão, banda desenhada e tatuagens. A noite vê iluminarem-se os terraços dos bares e clubes de decorações bizarras e música seguramente mais ruidosa e alta que em Psiri.

Monastiráki e Bazar

Lojas de postais, t-shirs e reproduções de antiguidades alternam com estabelecimentos de merchandizing dos Jogos Olímpicos 2004 ao longo das artérias mais concorridas da Plaka. Um comércio centrado no turismo que se extende pelas ruas que dão entrada em Monastiráki. São as casas de peles e as ourivesarias nas imediações da Praça das Catedrais, mas também os estendais de artesanato hippie, túnicas floridas e esponjas coloridas na rua Aeros, que parecem directamente saídos dos anos 70. À medida que se evolui no perímetro do antigo bazar turco, no entanto, a exploração turística vai dando lugar a um comércio bem mais diversificado e pitoresco em cenários urbanos não tão atraentes, mas talvez por isso mesmo mais genuínos.

O ponto de encontro é a vasta praça Monastirakioú, cheia de bancas de fruta e de doçarias, quiosques de lotaria, vendedores ambulantes de relógios de contrabando e de CDs piratas, que concorrem pela atenção de quem passa com jovens de piercings desempenhando números de circo em troco de algumas moedas. É a antecâmara perfeita da feira da Ladra de Atenas, que se extende ao longo das ruas Adhrianoú e Ermoú. Há antiquários e bric-a-brac na praça Avyssinías, material de decoração para todos os gostos e bolsas em Artíngos, discos e roupa em segunda mão em Odhós Iféstou, e até material que parece saído do lixo desde Adhrianoú até à praça Thisíou. E à medida que se avança neste imenso bazar, nota-se a presença cada vez mais numerosa de vendedores de Leste e do Médio Oriente, um ambiente exótico que porventura mais se conotará com Istambul.

Também a Ágora moderna, o bairro do mercado a norte de Monastiráki, e assemelha a um souk oriental, logo pela distribuição dos seus negócios baratos por ruas específicas: há a rua dos electrodomésticos, a das ferramentas, a das tintas e das madeiras e por aí adiante. O centro é ocupado pelo mercado da carne e do peixe, belíssima estrutura em ferro do século XIX, que diáriamente constitui um espectáculo de animação espontânea, embora porventura não muito aconselhado aos estômagos mais delicados. É, para além disso, outro palco de contrastes de Atenas consoante as horas do dia: à noite serve de ponto de encontro aos sem abrigo, de madrugada chegam os noctivagos que vêm cozer a ressaca com um prato de sopa de tripas (patsa), finalmente substituídos pelo pessoal dos escritórios e pelos yuppies da Bolsa.

Atenas é uma cidade que se estende aos pés da Acrópole, sobranceira do Mar Egeu e às planícies da Ática,. Possui locais e monumentos deslumbrantes: o majestoso Partenon, o Templo de Ahena Nike, os Teatros de Dionísios e Harod Atticus, a antiga Agora e uma infinidade de outros monumentos antigos, Bizantinos e modernos.

Deambule pelo encantador bairro antigo de Plaka, com as suas pitorescas e tortuosas ruas, ladeadas de esplanadas ou descubra as típicas tabernas que proliferam junto aos cais de Zea e Mikrolimano onde poderá saborear deliciosos pratos de peixe e bons vinhos gregos. Do Porto Pireu, partem barcos diariamente com destino às encantadoras ilhas gregas.

Berço da civilização ocidental e escola de pensadores, na Grécia a magia do sol, do céu azul e o Mediterrâneo estão sempre presentes. É um país onde se fixou uma grande cultura , influente para todo o Mundo ocidental, e que apresenta uma variedade de características que deslumbram o visitante mais exigente. Caracterizada por uma geografia variada, desde as suas escarpadas ilhas, as suas praias brancas e finas, os seus vales verdes e frondosos, as hipóteses de escolha são muitas. Terra dos deuses e dos heróis mitológicos, está ao alcance do comum dos mortais.

Em qualquer Estadia em Atenas de acordo com a modalidade escolhida na agência de viagens a nossa sugestão é que faça uma visita por toda a cidade, passando pelos locais e Monumentos de maior interesse, com destaque para a Acrópole, onde poderá admirar o Parténon, o Erecton e o Museu com os seus tesouros artísticos.

Para além de Atenas tambem pode e deve conhecer Micenas e Nauplia. Embarque num “Tour Clássico” em autopullman, orientado por um guia local. Conheça o Canal e a cidade de Corinto, mas, sem nunca esquecer Micenas, um local arqueológico localizado a cerca de 90 km a sudoeste de Atenas, no nordeste do Peloponeso, uma das Acrópoles mais famosas da civilização clássica. Deslumbre-se também com as muralhas, a Porta das Leoas, o recinto e túmulos Reais e o Túmulo de Agamemmon.

Prossiga depois para Epidauro, numa breve visita ao Museu e Santuário de Asklepios, famoso pela sua extraordinária acústica do Teatro Epidauro, obra única do Séc. IV a.C..

Guia de Viagem a Atenas:

Gastronomia de Atenas
O Que Visitar em Atenas
O Que Comprar em Atenas
Kolonáki
Plaka

Fotos de Atenas:

Acrópole com o Partenon no topo.

O Parlamento da Grécia.

Universidade de Atenas.

Templo de Zeus Olímpico, Atenas.