Beira Alta (Portugal)

Que tal passares uns dias pela Beira Alta e visitares aldeias históricas com castelos, fazer longas caminhadas ao longo do Douro por uma linha de combóio fantasma ou visitar as figuras rupestres? Um programa em cheio.

Caso não saibas, toda esta região da Beira Alta teve uma importância chave na defesa de Portugal face a uma hipotética invasão espanhola. Através do tratado de Alcanises determinou-se que as terras à direita do rio Côa passavam para Portugal. A partir de então, passaram a ser conhecidas como terras de Riba Côa e, como estavam mesmo na fronteira, era necessário que as defesas aguentassem as investidas do inimigo. Por isso é que vais encontrar tantos castelos na região.

Almeida

Começamos por Almeida, que é uma autêntica jóia da arquitectura militar portuguesa. A sua muralha hexagonal tem 12 pontas e um enorme fosso que a separa da muralha interior. Lá dentro vais descobrir uma pequena e alegre vila, muito bem conservada com ruas estreitas e casas de dois pisos caiadas de branco. Sem exagerar, podes arriscar dizer que é bonita, é à confiança. Fora das muralha continua a vila, porém não tem a mesma graça, pois tratam-se de casas modernas já do século XX, sem muita história para contar. Terminada a visita, faz-te à estrada pelo bonito planalto beirão à descoberta de mais terras do Riba Côa enquanto aprecias a paisagem, meio agreste, meio selvagem.

Castelo Rodrigo e cia.

No topo de um cabeço a 820 metros de altitude, vais encontrar a aldeia histórica de Castelo Rodrigo e o que sobrou do castelo que pertenceu ao Marquês Cristóvão de Moura. Ao que parece o cavalheiro era um confesso apoiante dos reis espanhóis durante o domínio dos Felipes. Só que, após a restauração da independência o povo não gostou de tais simpatias e resolveu incendiar a casa do nobre. Ficaram as ruínas do que antes tinha sido um belo castelo. Felizmente, os arqueólogos já lançaram mãos à obra há alguns anos e recuperaram muita coisa pelo que, hoje em dia, este é sem dúvida, o local mais interessante da aldeia que podes visitar.

Entras e vais até ao pátio com chão de terra batida que lembra uma arena romana rodeada pelos muros das paredes que resistiram ao fogo. O vento sopra por todos os lados fazendo ecos e assobios diversos. Mas a vista é que é excelente. Olhas para o vale e vês perfeitamente lá em baixo a vila de Figueira Castelo Rodrigo, assim como o famoso Cristo da Marofa, (sim, o mesmo dos programas do prof. Hermano Saraiva), uma réplica mais pequena do Cristo Rei feito em pedra que olha para Castelo Rodrigo do alto da Serra da Marofa.

A seguir, dás uma volta pela aldeia, aprecias as casas típicas de granito e se tiveres vontade de gastar algum dinheiro, ainda podes comprar algum artesanato nas inúmeras lojas que por ali encontras.

Depois, desces até Figueira de Castelo Rodrigo, onde encontras de tudo um pouco. Se estiveres com fome, restaurantes, bares e cafés, onde podes matar a fome e a sede é o que não falta por aqui. E, se estiveres com saudades dos amigos que deixaste na tua cidade, resolves o problema indo até à Câmara Municipal onde está a CASA da JUVENTUDE, e onde tens Net à disposição, assim como uma biblioteca interessante. Fazes o que tens a fazer e a caminho que há muito mais para ver.

Almendra

Das aldeia históricas é a que terá menos para ver, tanto a nível de património como em relação à arquitectura das casas. Bem, mas encontras marcas da história interessantes como o enorme lagar de azeite à entrada da aldeia, fruto de uma época industrial que já acabou. É que nesta região até Miranda do Douro, existiam dos maiores olivais de Portugal que rivalizavam com o Alentejo, e por isso, os lagares de azeite foram aparecendo por todo o lado.

Se gostas de comboios e não te importas de andar, corta à direita na estrada que vai para Foz Côa e desce até à estação de comboios de Almendra. É um casebre abandonado, onde ainda vês alguns azulejos e linhas cobertas de capim, com o Douro mesmo ali ao lado.

A pé pela linha

Se quiseres investigar mais e tiveres algum tempo disponível, experimenta mesmo o passeio a pé até à estação de Barca D’Alva, por entre túneis e pontes de ferro fundido, em pleno vale do Douro sempre vigiado pelas íngremes encostas. Aqui já não é região demarcada dos famosos vinhos do Porto, mas mesmo assim também vês muitas vinhas pelo caminho. O passeio pode ser muito divertido e, o mais assustador que podes encontrar é algum morcego a dormir nalgum túnel, o que é normal. Nada de pânico se o “primo” do Batman bater as asas e mudar de poiso, mantém a calma. Aproveita para desfrutar do passeio, afinal só são cinco quilómetros a pé ou dez, se comprares bilhete de ida e volta, por isso força nas canetas.

Quando chegares a Barca D’Alva, aí sim, encontras uma enorme estação praticamente intacta, com cocheiras e oficinas. Mas há muito mais para ver, a começar pela última barragem navegável do Douro, até visitares a vila que apesar de pequena é até bem simpática. Esta já foi a última fronteira de Portugal com Espanha quando a linha do Douro ligava directamente o Porto à Europa, o que infelizmente já acabou.

Foz Côa

Finalmente o destino ansiado, Foz Côa, que ficou no mapa por resistir à barragem por causa das figuras rupestres. Se calhar também andaste a manifestar-te em prol da cultura. Se não, dá igual, mas o bom é que aproveites para conhecer o Parque das Figuras Rupestres. Vale a pena ver o que os nossos antepassados andaram a rabiscar nas paredes escarpadas ao longo do vale do Côa há muitos milhares de anos atrás.

De volta à vila, vais encontrar alguma animação no centro, como uns cafés ou o salão de jogos. Discotecas já houve, mas mudaram de ares. Se gostas de abanar o capacete pergunta, porque não muito longe vais encontrar algo com certeza. E como tudo isto dá uma trabalheira imensa, para descansar nada melhor que a Pousada de Juventude. Tudo de primeira e com uma vista paradisíaca sobre o Douro. É preciso mais?

E lembra-te que sem um automóvel é difícil fazeres esta volta que te sugerimos, pois há muito poucos transportes nesta região. E, agora que já sabes, divide a gasolina com os teus amigos e, a caminho.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

Esta matéria tem 1 Comentário
  1. Odete Almeida Reply

    Conheço a maior parte das Aldeias da Beira Alta,algumas desde que começaram a sofrer restauro.Impecáveis.Recomendo uma visita a quem gosta de paz,sossego,belas paisagens,otima gastronomia e de ouvir falar do país dos seus antepassados.

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Última atualização da página: 13/01/2018 às 4:12 horas por: Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)