Belém do Pará – Brasil

Belém do Pará é a grande porta de entrada na região amazónica. Os portugueses foram os primeiros a perceber isso e por essa razão instalaram-se lá em 1616, com o objectivo de travar os impulsos expansionistas de espanhóis, franceses e holandeses no delta do Amazonas. O clima é húmido todo o ano, com temperaturas médias acima dos 26 graus, e a selva está ali à porta, imensa e verde.

Manaus é habitualmente considerada a grande cidade do Amazonas, mas Belém pode ser uma boa surpresa para o visitante. Antes de mais porque é uma cidade mais bonita e arrumada do que a capital do Amazonas, e depois porque a paisagem em redor é mais diversificada.

Uma boa proposta para quem visita Belém é fazer a viagem de 96 horas por barco, rio acima, até Manaus, por cerca de 100 euros. A embarcação dispõe de camarotes bem apetrechados, mas quem tiver mais espírito de aventura (ou pouco dinheiro) pode sempre aproveitar para dormir embalado numa rede. Quem não puder dispor de tanto tempo pode optar por ir de barco até Marajó (apenas três hora e meia) ou Santarém (60 horas).

As mangueiras, mandadas plantar por um governador português, dominam a paisagem no centro da cidade, a maior do mundo na zona equatorial, que nos últimos anos teve muitos dos seus monumentos históricos recuperados. Hoje, Belém é uma cidade cujo interesse não se esgota no rio Guamá (afluente do Amazona), mas que tem uma variada oferta cultural e de lazer.

Circula-se a pé sem grandes problemas de segurança na área que vai da Praça da República até à Estação das Docas, mas certas zonas mais periféricas são de evitar ao cair da noite. E absolutamente imperdível é a zona da cidade velha, onde permanecem de pé muitos casarões mandados erigir nos tempos áureos da indústria da borracha, quando o dinheiro corria mais rápido que o Guamá. Ali misturam-se os sobradões portugueses de fachadas em azulejo com prédios Arte Nova, numa profusão de estilos que é marca desta cidade, geminada com a portuguesa Aveiro.

Hoteis

Hilton Belém Hotel – Praça da República, (amazon.com.br/hilton) – O Hilton Belém Hotel é o melhor hotel de Belém e um dos mais bem situados. Fica em frente ao Theatro da Paz e a cinco minutos a pé da Estação das Docas. Tem todas comodidades de um cinco estrelas a preços que começam em 300 reais, ou seja cerca de 100 euros.

Hotel Sagres, Avenida Governador José Malcher – Menos bem localizado do que o Hilton mas muito mais em conta. Diárias a partir de 120 reais, cerca de 40 euros.

Hotel Aviz, Rua dos Mundurucus 1014 – O preço barato (a partir de 30 reais, cerca de 10 euros por noite) é o seu maior atractivo. fIca um pouco fora de mão.

Restaurantes

Restaurante Lá Em Casa, Avenida Governador José Malcher, – Considerado o melhor restaurante de cozinha paraense do Brasil pelo Guia 4 Rodas, o Lá Em Casa é obrigatório. Tem uma sala climatizada com temparatura polar, e um muito mais simpatico alpendre à sombra de árvores gigantescas, com um tecto amovível. O pato à Tucupi e a Maniçoba são os trunfos da casa, que tem também um leque alargado de sobremesas com frutas amazónicas.

Restaurante Casa das Onze Janelas, Lusitânia Feliz – O Casa Onze Janelas vale pelo ambiente. Paredes de pedra, música ao vivo, pouca iluminação e comida aceitável. Nas traseiras tem uma esplanada com vista espantosa para a baía de Guajará.

Restaurante Na Telha, Rua Siqueira Mendes, Icoaraci, – Icoaraci é uma pequena povoação ribeirinha a meia hora de carro de Belém (um pouco mais se optar de ir de barco) que merece uma visita, quanto mais não seja porque tem um dos melhores restaurantes do delta do Amazonas. Instaldo num prédio antigo com vista para o rio, o Na Telha tem uma cozinha de excepção a preços mais do que razoáveis, recomendado-se o “filhote na tellha” (peixe de rio) e a caldeirada paraense. Em Icoaraci pode aproveitar ainda para comprar artesanto indígena no Marivaldo (Travessa da Soledade, tel. 227-1807), especialmente a colorida cerêmica marajoara. Marivaldo entrega as peças na Europa por um pequeno acréscimo no preço.

Quando viajar para Belém

Todas as alturas são boas, mas convém saber que chove muito de Dezembro a Maio. No resto do ano são frequentes os aguaceiros ao fim da tarde. Em Outubro decorre o famoso Círio de Nazaré e a cidade transborda de visitantes. Aconselha-se tomar a vacina da febre amarela antes de ir (tem uma validade de 10 anos) e a fazer a prevenção da malária se vai andar pela selva.

O que fazer

A Estação das Docas é o sítio ideal para começar a noite, que depois pode prosseguir com uma deslocação a uma das discotecas onde reina a música Brega. A mais famosa é a Pororoca, e não há motorista de táxi que não saiba onde fica. Prepare-se para uma noite absolutamente arrasadora, num espaço do tamanho de um hangar. Durante o dia há locais de visita obrigatória, mas absolutamente imperdível é uma saída de barco pelo rio Guamá, para visitar as comunidades indígenas.

O barco parte do bairro do Guamá (informações podem ser obtidas nas recepções dos hotéis), a duração da viagem depende do tipo do bilhete, cujo preço é muito em conta. Uma das comunidades mais interessantes é a da Boavista, onde é possível sentir já o cheirinho da selva que ali começa.

O que comprar

No mercado Ver o Peso encontra-se de tudo. Mas tudo mesmo. Desde as poções amazónicas, à fruta da selva, até aos mais sofisticados objectos electrónicos, passando por CD’s (5 reais) e DVD’s (10 reais) pirata, com os êxitos do momento. E muito artesanato.

Dez Locais de Visita Obrigatória em Belém do Pará

Theatro da Paz

Inaugurado em 1871, na época áurea da borracha da Amazónia, o Theatro da Paz de Belém do Pará viveu sempre na sombra do mais famoso Teatro de Manaus, o que é uma pena, pois trata-se de uma das mais bonitas e funcionais salas de espectáculos do Brasil. Restaurado em 2001, o teatro tem uma traça neoclássica e foi inspirado no Scala de Milão. Por lá passaram as melhores companhias de ópera e de bailado do mundo, com especial destaque para o Ballet Kirov, presença habitual. A restauração preservou móveis e pinturas originais, e recuperou o famoso pano de boca de cena, pintado pelo artista francês Carperzart, representando a república brasileira. Com escadarias de pedra e cadeiras de palhinha muito confortáveis, o teatro é um oásis de frescura no meio da cidade

Mercado de Ver o Peso

É, provavelmente, a maior atracção de Belém do Pará e um dos mercados mais antigos e conhecidos do Brasil. Deve o seu nome ao tempo em que os portugueses obrigavam a que todas as mercadorias trazidas da selva fossem pesadas sob o olhar atento dos fiscais da Coroa, para evitar a evasão fiscal. Ali desaguam todas as manhãs as frutas e plantas trazidas de barco da selva e o peixe fresco pescado nos muitos rios da região, com destaque para o saboroso pirarucu.

Encostado a uma das margens do rio Guamá, com mais de mil barracas espalhadas por 26.500 metros quadrados, o Ver o Peso é formado pelo conjunto de dois mercados construídos em ferro entre o final do século XIX e o princípio do século XX. O chamado Mercado de Ferro, que foi trazido em peças de uma siderurgia escocesa e depois montado no local, serve hoje de mercado da carne e tem a estranha particularidade de afastar as moscas, facto que os locais atribuem a um despacho (feitiço) de macumba feito pelos comerciantes.

No Ver o Peso encontra-se literalmente de tudo, desde comida a discos e DVD piratas, mas são as poções feitas com produtos da Amazónia que mais sucesso fazem entre os visitantes. Há de tudo, em garrafinhas seladas: poções para evitar a queda do cabelo, para devolver (ou potenciar) a virilidade masculina, para atraír mulheres, para afastar o mau olhado, etc.. O sagrado e o profano misturam-se também harmoniosamente, sendo possível encontrar bonequinhos de plástico para usar em “despachos” de macumba, estatuetas do Diabo ou figurinhas de anjos e santos. Em tempos era um sítio onde se podia comprar animais trazidos da selva, mas hoje o IBAMA (Instituto de Conservação da Natureza) fiscaliza ostensivamente o lugar, impondo multas (e até prisão preventiva) muito altas aos prevaricadores

Estação das Docas

Os paraenses gostam de dizer que a Estação das Docas “é coisa do Primeiro Mundo” e não estão enganados. No espaço dos antigos armazéns de ferro da Companhia Docas do Pará, virado para a baía de Guajará, nasceu em 2001 um espaço de lazer e de cultura de primeira qualidade. Esplanadas, restaurantes, salas de exposições e até um teatro, o Maria Sylvia Nunes, uma homenagem à criadora da Escola de Teatro da Universidade Federal do Pará.

O melhor das Docas (que faz lembrar o portuguesíssimo Cais de Gaia, ou as esplanadas do Parque das Nações) são os restaurantes com mesas virados para o rio, a música tocada ao vivo e o ambiente de total descontracção. Com uma área de 32 mil metros quadrados, a Estação tem na Amazon Beer, uma fábrica de cerveja instalada numa das pontas, uma das suas maiores atracções. À noite, a marginal bem cuidada atrai centenas de “garotas de programa” que caminham incansavelmente ao pares para cima e para baixo, tentando atrair a atenção de potenciais clientes. É a única nota negativa num lugar de eleição.

Catedral Metropolitana de Belém

Também conhecida como Igreja da Sé, é dali nque parte a procissão do Círio da Nazaré, que em Outubro atrai à cidade cerca de 1,5 milhões de pessoas. Imponente, começou a ser construída em 1748, e a sua traça mistura os estilos barroco, colonial e neoclássico. No interior apresenta um autêntico museu com pinturas do italiano Domenico de Angelis. O altar-mor, todo em mármore lusitano, é do escultor Garamini. Ao fim da tarde, a Catedral atrai centenas de crentes, que escutam o terço, fazem fila para as confissões ou simplesmente se abrigam dos aguaceiros que costumam cair àquela hora.

Bosque Rodrigues Alves (Parque do Marco da Légoa)

São 150 mil metros quadrados de área verde em pleno coração da cidade, constituindo uma importante reserva natural de espécies vegetais da floresta de terra firme do estuário amazónico. Abriga animais em cativeiro e em liberdade, contando com um aquário com várias espécies originárias da Amazónia. Para além do património natural, possui ainda obras muito interessantes, como a estátua dos legendários guardiões da floresta, Mapinguari e Curupira, bem como o belo Chalé de Ferro e o Quiosque Chinês.

Museu de Arte Sacra do Pará

Inaugurado em Setembro de 1998, o museu é considerado um dos mais importantes do Brasil pela riqueza do seu acervo. Instalado na igreja de Santo Alexandre, antigo templo dedicado a São Francisco Xavier que, curiosamente, foi construído pelos jesuítas, o museu guarda alguns tesouros de arte sacra, sendo obrigatório visitar os púlpitos de Santo Alexandre, onde o padre António Vieira terá proferido alguns dos seus mais cáusticos sermões.

A execução dos púlpitos é atribuída ao jesuíta austríaco João Xavier Traez, com a colaboração de artesão índios. Aberto de terça a sexta-feira, das 13h00 às 18h00, o museu cobra 4 reais pela entrada, excepto às terças-feiras, quando a visita é gratuita. Crianças até sete anos e maiores de 65 anos não pagam. Telefone para marcação de visitas guiadas: (91) 219-1165.

Forte do Castelo

Inicialmente denominado Forte do Presépio, é o marco zero da cidade. Foi construído pelos portugueses que desembaracram em Belém com a intenção de proteger a região das invasões holandesas, inglesas e francesas. A actual construção data de 1878, mas foi recuperada recentemente. Os canhões de ferro continuam virados para a baía, ameaçadores, mas hoje são só um elemento decorativo. A entrada custa 2 reais.

Feliz Lusitânia

Fica no prolongamento do Forte do Castelo e surge como um bom exemplo do trabalho de recuperação das zonas históricas encetado nos últimos anos em Belém. É uma verdadeira janela para o rio, pois está situada no berço da cidade, onde há 388 anos ancorou a frota do português Francisco Caldeira Castelo-Branco. Para além do Museu do Forte do Presépio, inclui a célebre Casa das 11 Janelas, construção do século XVIII que foi residência do governador português, hospital e instalação militar.

Hoje é um excelente restaurante de comida paraense, com música ao vivo e uma decoração que concilia muito bem os traços de modernidade com as sólida paredes de pedra. Nas traseiras, debaixo do largo alpendre, fica uma esplanada com vista para a baía que é um dos pontos de encontro preferidos da juventude paraense. As paredes estão decoradas com painéis de azulejos representando escritores portugueses, nomeadamente Fernando Pessoa.

Museu do Círio

Funciona no Complexo Feliz Lusitânia e possuiu no seu acervo seis colecções que reúnem peças ligadas à história da grande procissão do Círio, que é uma festa mais importante em Belém do que o Natal. Passar por lá ajuda a entender a devoção dos paraenses. Aberto de terça à sexta-feira, das 13 às 18 horas e ainda nos sábados, domingos e feriados das 9h00 às 13h00. A entrada custa 2 reais, e à terça-feira é gratuita.

Paris Na América

Fica numa das ruas comerciais da Cidade Velha e é uma jóia dos tempos áureos da borracha. Chegou a ser a grande casa de modas da Amazónia, recebendo a alta-costura europeia, com os modelos a serem apresentados por manequins idos de todo o mundo. Arquitectonicamente é impressionante, com um pé-direito enorme, pilares de ferro forjado, uma escadaria imponente, soalho de madeiras preciosas e espelhos gigantescos manchados por fungos tropicais. Tem um ar decadente-chique muito interessante.

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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Esta matéria tem 1 Comentário
  1. TELMO MARINHO Reply

    Vc se esqueceu de falar na Vila de Icoaraci, bairro de Belém com sua orla fluvial, e o melhor peixe para se comer, com movimento constante e intenso as sextas, sábados e domingos, tem as Ilhas (Cotijuba) e um pouco mais distante Algodoal e a bela Salinópolis. Também já competindo com o Hilton Hotel há o Crowney Plaza Hotel na Av. Nazaré com Rui Barbosano centro de Belém. Telmo Marinho advogado Belém Pará

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