Body Piercing – Perigos, Riscos e Complicações

Muito popular, principalmente entre os mais jovens, a técnica de body piercing é considerada como uma alternativa ou complemento das igualmente desejadas tatuagens. Entretanto, esse tipo de expressão corporal pode custar caro aos pacientes devido aos riscos inerentes ao processo. Afinal, não é todo dia que o corpo recebe uma peça metálica embutida no seu interior. Logo mais na sequência, você conhecerá todos os riscos associados à aplicação desses piercings.

Body Piercing

Antes é preciso esclarecer que não se trata de coibir a liberdade de expressão corporal. A raiz do problema está sob a falta de fiscalização quanto às pessoas que se dizem profissionais sobre a aplicação de piercings. Em quase todos os casos em que o responsável pelo procedimento não está preparado para tal, o paciente acaba ficando com sequelas.

A técnica em si já agrega riscos, mas eles são muito ampliados quando o indivíduo está a mercê de um não-profissional. Estatisticamente, aproximadamente 15% da população que passa pelo referido processo sofrem alguma complicação, sendo que cerca de 1% necessita permanecer internada.

Considerada o principal órgão de defesa do organismo, a pele é a incumbida de criar uma barreira protetora contra a entrada de milhões de bactérias no interior do organismo. Ocorre que a colocação de um piercing atravessa esse bloqueio e deixa o corpo vulnerável à penetração de germes, responsáveis por gerar diversas doenças.

Ilustrando o perigo que se corre quando a pele sofre qualquer tipo de dano ou furo, esse acontecimento equivale a dormir com as portas da residência abertas em uma área de alta periculosidade da cidade. Existe a possibilidade de que ninguém invada a casa, mas é evidente uma porta trancada diminui consideravelmente esse risco.

Além disso, cabe salientar que existem áreas do corpo nas quais os riscos de o indivíduo sofrer alguma complicação é bem maior, como a orelha, e a língua (justamente duas das regiões mais visadas por quem deseja ter um piercing).

A área da orelha ocupada pela cartilagem detém uma frágil circulação sanguínea. Desse modo, infecções nesse local são difíceis de serem tratadas devido à quantidade ínfima de sangue circundante. Afinal, uma vez que a vascularização não é forte o suficiente na região o volume de anticorpos, ou de antibióticos, chega até ela de forma muito reduzida, sendo ineficazes.

Existem casos nos quais a recuperação da orelha mediante o uso de antibióticos é bem sucedida. Entretanto, o paciente precisa conviver com o risco de ter sua orelha levemente deformada após o tratamento.

O acometimento de uma infecção (celulite infecciosa, ou erisipela) na epiderme é o problema mais comum provocado pela inserção de um piercing. Existem quadros que podem ter mais uma complicação, quando a infecção progride e se transforma em um abscesso.

Existem outras complicações. Uma delas é a constituição de queloides, ou seja, lesões fibroelásticas que geralmente ocorrem depois de inflamações bem visíveis. Por conta do seu aspecto típico, excessivamente protuberante, os queloides podem provocar deformações. Além disso, qualquer parte do corpo que tenha recebido um piercing está sujeita a essas lesões salientes.

A língua, como dito há pouco, também é muito vulnerável a infecções geradas por piercings. No entanto, ao contrário do que acontece com a cartilagem da orelha, a língua é uma região do corpo que não exibe problemas de vascularização.

Contudo, também está situada em uma parte na qual existe uma significativa concentração de bactérias: a região da boca. Devido ao intenso volume de sangue nessa área, uma infecção lingual pode rapidamente cair na circulação sanguínea e ir comprometer o funcionamento de outros órgãos.

Uma das complicações acrescidas à infecção inicial na língua, por exemplo, é o risco de formação de um abscesso no cérebro, algo que pode acontecer em algumas semanas após a introdução do piercing. Assim como o cérebro, uma vez que tenha entrado na circulação do sangue a infecção pode prejudicar qualquer órgão do organismo. Um exemplo são as válvulas do coração, que se afetadas podem provocar uma infecção intitulada endocardite infecciosa.

Qualquer área do corpo na qual o piercing seja aplicado está sujeita a apresentar infecções severas, seja umbigo, mamilos, órgãos genitais, e sobrancelhas, apenas para citar as regiões mais visadas por quem pretende usar esse metal aderido à pele.

Porém, o risco de infecção se amplifica caso não seja seguido todo o protocolo de higienização, tanto com relação ao ambiente onde será aplicado o piercing quanto do próprio profissional e dos materiais utilizados. Nos Estados Unidos, por exemplo, há registros de determinadas infecções causadas por bactérias devido à colocação de piercing em estúdios de tatuagem que não estão preparados para realizar esse procedimento, totalmente diferente do primeiro.

Outras complicações ligadas à implantação do piercing são uma profunda dor na região da aplicação, aspiração do metal pelos pulmões, hemorragia na língua, hepatites B ou C, parafimose (em alguns casos em que o piercing é embutido no pênis), HIV, infecções periodontais, e alergia ao metal utilizado (os riscos são minimizados ao adotar titânio, ouro 14 K, ou aço cirúrgico).

Por todas as razões levantadas anteriormente, cabe um alerta antes de se pensar em colocar um piercing. Assim, a recomendação dos especialistas é para que seja efetuada uma pesquisa profunda quanto ao estabelecimento onde se pretende implantar o metal, procurando descobrir dados importantes como reputação.

Além disso, é preciso frisar que a aplicação de piercing é considerada uma intervenção cirúrgica, motivo pelo qual todo o processo deve estar amparado em rígidos processos de higienização.

Por último, caso o indivíduo já teve formação de queloides, é aconselhável que ele converse com um dermatologista antes de submeter o corpo à inserção de um piercing. Afinal, existe o risco claro de desenvolvimento de deformidades, ou de sepse, que pode levar à morte.

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