Quais os sintomas da candidíase vaginal e como tratar

Revisado por Equipe Editorial a 5 novembro 2018

A candidíase vaginal é uma infecção fúngica que ocorre quando o equilíbrio entre as populações de bactérias e fungos da vagina sofre alterações. Esta alteração leva ao supercrescimento de fungos que desencadeiam sintomas como irritação intensa, inchaço, e coceira em toda a região genital.

Os principais fatores de risco envolvidos na variação da acidez vaginal e no desequilíbrio bacteriano são, o uso de corticoides e antibióticos, a diabetes mal controlada, gravidez, maus hábitos de higiene, terapias hormonais, a toma de contraceptivos, ou um sistema imunológico debilitado.

As Causas Comuns

Uso de antibióticos

Os lactobacilos normalmente encontrados na vagina produzem um nível de acidez que inibe o desenvolvimento de bactérias. Os antibióticos matam algumas dessas bactérias, permitindo o supercrescimento de fungos.

Aumento do Estrogênio

Níveis elevados de estrogênio aumentam o risco de infecções fúngicas na vagina. Gestantes, mulheres que tomam pílulas anticoncepcionais de estrogênio em doses elevadas e as mulheres em terapia de reposição hormonal, correm maior risco de candidíase.

Imunodeficiência

Pessoas com o sistema imunológico debilitado devido à toma de corticosteróides, tratamento para câncer, infecção por HIV, ou outras causas, também correm maior risco de desenvolver infecções fúngicas.

Diabetes

A diabetes favorece o desenvolvimento de infecções vaginais. Em casos normais, as leveduras que normalmente habitam na vagina estão restritas aos nutrientes disponíveis no ambiente ácido dela. No entanto, em mulheres e meninas com diabetes, as secreções vaginais contêm mais glicose, devido ás maiores quantidades de glicose presentes no sangue. Quando nutridas por esse excesso de glicose, essas leveduras multiplicam-se e causam infecções fúngicas.

Tratamento do câncer

A candidíase vaginal é muitas vezes vista como um efeito colateral do tratamento do câncer. Os glóbulos brancos que geralmente controlam o nível de bactérias presentes na vagina e trato digestivo, podem ser reduzidos pela quimioterapia e pelo tratamento com radiação.

Os medicamentos esteróides e doses elevadas de antibióticos, ambos por vezes utilizados no tratamento do câncer, podem também levar o sistema imunológico a reduzir a sua capacidade em manter o equilíbrio, dando lugar a infecções.

Atividade Sexual

As infecções fúngicas ocorrem sem atividade sexual e, portanto, não são consideradas infecções sexualmente transmissíveis (DSTs). No entanto, o fungo também pode ser transferido através do sexo vaginal, oral ou anal. Uma forma de se proteger é através do uso de preservativo. Outro fator que pode causar infecção é quando a atividade sexual irrita a vagina, perturbando o seu equilíbrio normal e estimulando o crescimento de fungos.

Os homens com infecções fúngicas por vezes desenvolvem uma erupção na ponta do pênis. O homem corre maior risco se tiver diabetes.

Como tratar a candidíase vaginal

O tratamento da candidíase vaginal pode ter uma duração de até 15 dias e geralmente é iniciado com pomadas antifúngicas como o gino-canesten, nistatina, miconazol, itraconazol, terconazol​, cicloexilmetilamina ou o cetoconazol.

As pomadas não causam qualquer dor, e geralmente são usadas ​​como complemento ao tratamento com pessários (óvulos) ou comprimidos, quando existe a presença de vermelhidão localizada e dor ao redor da vagina e vulva.

Salvo indicação em contrário, as pomadas antifúngicas geralmente devem ser aplicadas até duas vezes ao dia, de preferência antes de se deitar, estando proibido o contato íntimo durante todo tratamento, principalmente sem o uso de proteção.

Quando é necessário o uso de antifúngico em forma de comprimidos geralmente recorre-se ao fluconazol (por exemplo, Canesten oral, Diflucan ). São extremamente eficazes, e estão disponíveis em dose única (oral) ou 3 doses, ao longo de 3 dias separados entre 72 horas.

Quando a candidíase vaginal é recorrente, recomenda-se a paciente a manter a toma do antifúngico 1 vez por semana durante pelo menos 6 meses.

Ocasionalmente, causam efeitos colaterais como náuseas e vômitos, diarreia, prisão de ventre e inchaço. Geralmente não são prescritos em mulheres grávidas ou que amamentam devido á possível teoria de afetarem o bebê.

Os pessários intravaginais (óvulos) geralmente não causam tantos efeitos colaterais como a toma de comprimidos, no entanto, eles podem ser difíceis de usar, causar irritação local ou, podem danificar alguns métodos contraceptivos como preservativos e diafragmas de látex.

O clotrimazol (por exemplo o gino-canesten ), o econazol (por exemplo o Gyno-Pevaryl ) e o miconazol (Gyno-Daktarin) todos eles estão disponíveis em forma de pessário.

As gestantes não devem usar o aplicador para inserir o pessário, pois existe o risco de causar lesões no colo do útero. Em vez disso, devem insir o pessário manualmente.

Apesar da grande eficácia dos comprimidos (via oral) os sintomas geralmente reduzem mais rápido quando o tratamento é realizado diretamente na vagina, através de pomadas ou óvulos (pessários).

Alimentação para curar mais rápido

Existem alimentos que contribuem para o desenvolvimento de infecções fúngicas recorrentes. Os fungos adoram açúcar. Para evitar isso reduza o consumo dos seguintes alimentos:

  • Farinha branca e arroz;
  • Alimentos ou bebidas fermentados com leveduras;
  • Alimentos á base de açúcares simples

Apesar da redução destes alimentos ajudar, sabemos que é uma dieta difícil de manter. Não precisar eliminar completamente estes alimentos para ver efeitos positivos. A redução de pequenas quantidades já ajuda bastante.

Aumente a ingestão de proteínas e gorduras saudáveis, bem como a ingestão de frutas e vegetais com baixo teor de amido. Realizar uma dieta pobre em açúcar não significa que tenha que passar fome; apenas precisa ingerir mais alimentos de outros grupos alimentares.

Os Probióticos podem ajudar

O consumo de probióticos pode ajudar a equilibrar as boas bactérias do corpo. Boas fontes de probióticos são:

  • Iogurte com culturas bacterianas vivas;
  • Alimentos fermentados, como kimchi, kefir, kombucha, chucrute e picles;
  • Suplementos que contêm Lactobacillus ou acidophilus.

Algumas mulheres têm sucesso na prevenção e tratamento de infecções fúngicas apenas ao consumir iogurte (ou um suplemento probiótico) regularmente.

Outra forma de curar naturalmente a candidíase é bendo água com limão, sem açucar, durante o dia, e colocar iogurte natural dentro da vagina.

Tratamento caseiro para candidíase vaginal

Um excelente remédio caseiro para candidíase vaginal é a lavagem da vagina com uma mistura de vinagre de maçã e água (8 colheres de vinagre de maçã para 1 litro de água. Estes benefícios são conseguidos uma vez que o vinagre possui compostos que ajudam a expulsar espécies microbianas patogênicas da vagina. Conheça outros excelentes remédios naturais em: 10 Remédios Caseiros para Infecção Vaginal por Fungos Candida Albicans.

Adote também algumas mudanças no estilo de vida para prevenir a recorrência de candidíase vaginal. Uma boa higiene é a melhor forma preventiva, e inclui:

  • Mantenha uma boa higiene íntima. Use apenas sabonetes íntimos sem perfume, para manter a região limpa e livre de irritações.
  • Escolha melhor a sua roupa interior. A calcinha deve ser de um tecido que mantenha a área genital seca. Roupa interior de algodão é uma boa escolha. Dormir sem calcinha também pode ajudar.
  • Depois de usar o banheiro, limpe sempre a vagina da frente para trás para evitar a disseminação de fungos ou bactérias entre o ânus, trato urinário e vagina.
  • Não use roupas de banho por mais tempo do que o necessário. Usar um maiô molhado durante muito tempo promove a propagação de fungos, porque mantém o local molhado.
  • Não use roupas apertadas. As roupas muito justas mantêm os genitais mais quentes e úmidos.
  • Substitua os tampões e absorventes regularmente.
  • Evite duchas vaginais e qualquer tipo de sprays perfumados, pós ou tampões.

Vagina Saudável E Vagina Com Candidíase

Sintomas da candidíase vaginal

A candidíase vaginal geralmente causa vários sintomas perceptíveis, que ocorrem quando o sistema imunitário está debilitado. Os sintomas são os mesmos para mulheres grávidas e não grávidas. (1)

  • Vermelhidão, inchaço e coceira ao redor da vulva (a abertura da vagina)
  • Corrimento de cor branca ou cinza e espesso, que se parece com queijo cottage, mas não tem mau cheiro;
  • Corrimento esverdeado ou amarelado também semelhante a queijo cottage ou leite coalhado;
  • Sensação de ardor ao urinar ou dor, ardência, e desconforto, durante a relação sexual.
  • Erupção vulvar (234)

A maioria das infecções vaginais não produz odor vaginal forte. Os odores vaginais a peixe podre são mais comuns em casos de vaginose bacteriana (5).

Infecções fúngicas graves também podem causar vermelhidão e lágrimas ou rachaduras (fissuras) na parede da vagina. ( 6 )

Sempre que a mulher apresenta estes indícios deve consultar o ginecologista para a realização de um exame à vagina (papanicolau) e iniciar o tratamento indicado.

Os testes de análise mais comuns são o Exame de Cultura de Secreção Vaginal e o teste de KOH.

Outras causas de coceira na vagina

Uma das principais manifestações de candidíase vaginal é a coceira na vagina, no entanto, este é um sinal que também pode sugerir outros problemas ou serem provocados por:

  • Uso de produtos irritantes (como o papel higiênico perfumado poe exemplo)
  • Doenças de pele, como a psoríase e eczema
  • Vaginose bacteriana
  • Doenças sexualmente transmissíveis (clamídia, verrugas genitais, gonorreia, herpes genital, tricomoníase)
  • Vulvovaginite
  • Vaginite atrófica na pós-menopausa
  • Mulheres que estão passando pela menopausa
  • Enterobíase ou Oxiurose
  • Estresse físico e emocional
  • Uretrite
  • Câncer vulvar
  • Distúrbios de ansiedade generalizada
  • Síndrome de Sjogren
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