Cápsula Endoscópica - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

Cápsula Endoscópica

Atualizado em 13 Janeiro, 2018

Nova tecnologia ao serviço da saúde: Microcâmaras percorrem o aparelho digestivo (Cápsula Endoscópica).

A gastrenterologia, área da medicina que se dedica ao diagnóstico e tratamento de doenças do tubo digestivo, tem vindo a sofrer avanços progressivos com o desenvolvimento das técnicas de endoscopia digestiva. Desde o início da era endoscópica que os médicos pretendem obter a visualização do tubo digestivo em toda a sua extensão, desde o esófago até ao recto. De facto, facilmente observamos hoje o tubo digestivo alto e o intestino grosso através, respectivamente, da endoscopia alta e da colonoscopia. No entanto, o intestino delgado tem permanecido um órgão de difícil acesso por estas técnicas, pelo facto de ter uma localização intermédia, estar distante de orifícios naturais de comunicação com o exterior, ser muito longo e ter uma configuração complexa.

Apesar de terem surgido endoscópios maiores e cada vez mais sofisticados e dos médicos se terem aperfeiçoado muito no desempenho das técnicas endoscópicas, a verdade é que, até há bem pouco tempo, só era possível explorar as primeiras e últimas ansas do intestino delgado por endoscopia. Assim, para estudar o delgado, os médicos têm utilizado habitualmente um exame radiológico convencional, o trânsito intestinal, que sendo útil para a detecção de lesões protuberantes para o lúmen, como sejam as lesões polipoides e os tumores volumosos, tem fraca sensibilidade para a detecção de lesões malignas planas e de menores dimensões, bem como de malformações vasculares, erosões, ulcerações, entre outras.

Outros exames têm sido utilizados para estudar o delgado, como a tomografia axial computorizada e a ressonância magnética nuclear, mas são exames muitas vezes difíceis de tolerar, que sujeitam o doente a radiações e de difícil interpretação. Na forte suspeita de lesão do intestino delgado, por vezes os médicos têm mesmo que optar por métodos cirúrgicos com morbilidade e mortalidade não desprezíveis. Por tudo isto, é fácil compreender que o intestino delgado tenha permanecido um “local misterioso”, provavelmente responsável por muitos sintomas referidos pelos doentes e que, dado o relativo desconhecimento deste órgão, permanecem por tratar adequadamente.

Nos últimos anos, no entanto, novos horizontes se abriram para a exploração do intestino delgado e para o adequado estudo de patologias deste órgão. No ano 2000 começou a comercializar-se uma cápsula equipada com uma câmara e que foi posta à disposição dos médicos juntamente com uma estação de tratamento das imagens recolhidas pela câmara. Desde então, tem tido ampla aceitação graças à sua elevada eficácia diagnóstica para o intestino delgado, sendo muitos os grupos que trabalham para um melhor conhecimento e aproveitamento desta técnica. Portugal e Espanha têm tido o mérito de participar activamente nestes grupos, com a realização anual de reuniões Ibéricas desde 2003. No entanto, só um grupo ainda restrito trabalha com esta técnica em Portugal, pelo que é uma das áreas da gastrenterologia muito promissora, justificando o interesse actual.

Para a realização deste exame é necessária a cápsula específica, um gravador e uma estação de trabalho. A cápsula é um cilindro com 11x26mm, com peso aproximado de 3,7gr, que é ingerida facilmente pelo doente, como quem ingere um simples comprimido, após 12 horas de jejum. A cápsula capta 2 imagens por segundo e tem uma bateria activa para cerca de 8 horas. As imagens são recolhidas por um conjunto de sensores que se colocam sobre a pele do abdómen do doente e transmitidas para um gravador. Depois das 8 horas de gravação o sistema de sensores e o gravador são desconectados e transfere-se a gravação para uma estação de trabalho, sendo o exame posteriormente visualizado por um especialista. Durante o exame, o doente pode realizar a maior parte das suas actividades diárias, incluindo profissionais, com poucas restrições. A cápsula ingerida é arrastada pelo tubo digestivo de forma passiva pela gravidade e peristaltismo e, depois de inactiva, é naturalmente eliminada com as fezes. Este exame tem assim a vantagem de ser fácil, seguro, indolor, sem necessidade de anestesia, radiação ou preparação prévia e praticamente isento de complicações.

Por tudo o que foi dito, facilmente nos apercebemos que o exame endoscópico por cápsula veio revolucionar o estudo das doenças do intestino delgado. No entanto, esta aventura de exploração do tubo digestivo por cápsula não parou e, rapidamente, outras cápsulas surgiram, como a cápsula para estudo do esófago e, mais recentemente, a cápsula do cólon, embora esta última não esteja ainda comercializada no nosso país. Sendo assim, poderá vir a acontecer, num futuro bem próximo, que o gastrenterologista tenha possibilidade de eleger, entre as várias cápsulas que exploram diferentes segmentos do tubo digestivo, a que mais se adequa a um determinado propósito. Isto não quer dizer, no entanto, que a endoscopia por cápsula venha a substituir as técnicas endoscópicas convencionais, que seguramente continuarão a manter-se úteis, sobretudo no campo terapêutico.

O nosso conhecimento aumentou… é possível viajar hoje, com uma simples cápsula, pelos recônditos mais profundos do tubo digestivo!

Vídeo demonstrativo sobre funcionamento da Enteroscopia do intestino delgado por Cápsula endoscópica com aparelho Mirocam.

Atualizado em 13 Janeiro 2018

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