Castelo de Alenquer – Santo Estevão, Alenquer

Dada a sua localização quase inexpugnável numa elevada acrópole de declives acentuados e de difícil escalada, o Castelo de Alenquer foi na Idade Média uma fortaleza de grande valor estratégico na linha dos Castelos que defendiam a margem direita do Tejo. Sofreu depois da Época da Reconquista algumas alterações. No entanto, no século XIV e na sequência dos acontecimentos da Crise de 1383-85, Alenquer que foi terra de refúgio da Rainha D. Leonor Teles, viu os cunhais da sua Torre de Menagem destruídos por ordem de D. João 1 como represália pelos actos de traição praticados pelo alcaide de Alenquer, embora a sua população apoiasse a causa do Mestre de Avis.

A propósito, cabe transcrever aqui o testemunho de Guilherme Henriques: «Até ao último quartel XIX, as muralhas, embora muito arruinadas em alguns sitios, estavam à vista em todo o seu comprimento, excepto nas trazeiras da igreja da Mizericordia, aonde ,devido ao terreno ter aluído, se achava um lanço completamente desmoronado. Depois, pegado com os antigos Paços do Município, havia a porta de Carvalho com seu arco e torres, ainda em pé, e, passado o edifício da Câmara, o Açougue e a rua, havia os restos de uma torre rectangular, na qual, ainda em 1870, havia um coreto armado para a philarmonica da terra tocar em dias festivos.

Aqui a muralha virava para o nordeste, formando angulo quasi recto, e um pouco adiante havia uma porta pequena que dava para a encosta, e para a qual se descia encostado à face interior da muralha. Esta porta ainda tinha arco de cantaria e pedras com as competentes cavidades para receber as couceiras da porta. A torre e toda esta parte da muralha desapareceu quando se alargou a praça e a rua em consequencia da edificação dos novos Paços do Município, e hoje o sitio d’ella deve estar alguns metros para dentro do actual muro de supporte da rua e praça. Entre a porta da encosta e a porta da Conceição tenho lembrança de haver vestigios de duas torres, em sitios aonde o declive era menos abrupto, mas já não existem. Virando outra vez, em angulo recto, no sitio d’esta última porta, a muralha começa a formar curva e subir, sendo reforçada com torres rectangulares, entre duas das quaes se conhece ter havido um postigo ou pequena porta, que sempre conheci tapada com alvenaria. D’este ponto até ao angulo que fazia por traz da Mizericordia, a muralha se conserva quasi ininterrupta, e em soffrivel estado de conservaçao.

Da Torre de Menagem, que ficava a alguns 108 metros acima do nível do mar, apenas um resto de parede existe. A apparencia da parte da muralha, ao pé da porta da Conceição, que foi derrubada para dar saida à variante por dentro da villa, parece-me indicar que a primeira fortificação foi uma muralha de menor espessura, sem cubellos nem adarve, e que estes foram addicionados depois; porque vê-se que estam encostados á muralha, sem haver pedras grandes que prendessem aquellas obras supplimentares á muralha primitiva.» Pouco resta desta velha fortaleza: o tempo e os homens foram destruindo as suas torres e muralhas; os únicos sinais visíveis são alguns fragmentos de parede e a Porta da Conceição, restaurada há pouco mais de quarenta anos.

Localização:
2580 ALENQUER

Distrito: Lisboa
Concelho: Alenquer
Freguesia: Santo Estevão

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Última atualização da página em 13/01/18 por:

Dra. Alice Wegmann (Clínica Geral)

Licenciada em Medicina Geral e uma apaixonada por Medicina Alternativa, Aromaterapia e Fitoterapia.

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