Cidade do Cabo, África do Sul | Turismo e viagens à Cidade do Cabo
Fotos Antes e Depois

Cidade do Cabo – África do Sul

Atualizado em 13 Janeiro 2018

Cidade do Cabo – Um Passeio pela Europa Luxuriante da África Austral:

O ambiente na Adderley Street, durante o dia, sugere um formigueiro multicolor. Nos passeios largos, junto aos prédios espelhados da alta finança e aos grandes armazéns de pronto-a-vestir, os yuppies engravatados e os clientes Mark and Spencer cruzam-se com zulus semi-nus, dispostos em círculo, dançando para os turistas.

A rua é o coração da cidade, onde todos os contrastes se juntam. A “nação arco-íris” – expressão inventada pelo arcebispo Desmond Tutu, um dos filhos pródigos da terra, para definir a África do Sul – luz com brilho incomparável na baixa da Cidade do Cabo. Quem por lá passa, nunca mais esquece as avenidas largas, a vegetação luxuriante, a arquitectura victoriana, o ar perfumado. A vibração cosmopolita.

Seguindo em direcção à inconfundível montanha da Cabeça do Leão, que se ergue ao fundo, no sentido oeste, surge o Greenmarket Square. A praça de traça colonial alberga diariamente um típico mercado africano. As tendas de pano, onde se vende desde artesanato africano a marijuana, contrastam com os respeitáveis edifícios victorianos em redor.

Os turistas e as adolescentes brancas sul-africanas que se acercam das bancas não saem da mira dos meninos de rua, que lhes tentam sacar dinheiro através dos truques mais variados, do simples puxão da carteira a um qualquer lamento que instigue comiseração (alguns dizem que pertencem a um clube de futebol falido, sem dinheiro para a próxima deslocação ao campo adversário; se o adepto não se mostra sensibilizado perguntam-lhe a nacionalidade e começam a discorrer sobre os jogadores da selecção; não se admire se referirem a técnica de Figo ou a elegância de Rui Costa…).

As esplanadas dos bares com vista para a praça, poiso de artistas e intelectuais, são o local ideal para retemperar forças para a próxima caminhada.

Percorrer a cidade a pé é dar um passeio pelo mundo. Mil metros separam-nos dos povos orientais do Índico – caminhando no sentido Sul, deparamo-nos com o Bairro Malaio. É aqui que vive a comunidade islâmica, com as suas casas rasteiras e humildes, muito bem pintadas, muito bem preservadas, alternando tons fortes de amarelo, azul e vermelho. O rigor muçulmano nada deve à Palestina: as mulheres vestem burqas e a partir das cinco da tarde as ruas enchem-se de orações do Corão. Pequenas mercearias vendem o melhor caril do Cabo.

Um exemplo de como a Cidade do Cabo é aberta e tolerante é o facto de ao lado da austeridade religiosa do Bairro Malaio, situar-se o bairro gay, arrumado e limpo, com bares e restaurantes de design sofisticado. Não há outro sítio do mundo, à excepção de, talvez, Nova Iorque, onde a mistura de culturas e subculturas, de raças e nacionalidades, seja tão descontraída.

Os ingleses, os holandeses e os alemães, e os franceses são os europeus melhor representados, mas há uma quantidade de imigrantes de todo o continente africano e asiático difícil de destrinçar para um ocidental. Esta miscegenação fez inclusive nascer uma nominação própria, o “mulato do Cabo”, que mais não é que o produto da mistura entre negros e asiáticos.

E depois a cidade é o resultado disto. Uma variedade de culturas, de sabores, de cheiros, uma polifonia de músicas e sons, que hora conflui e se torna híbrida, ora radicaliza a separação e se torna orgulhosamente indígena, tribal.

Uma das razões deste “melting pop” releva da geografia que assaltou Bartolomeu Dias, em 1487 – o encontro do Índico com o Atlântico. A rota das especiarias é ainda hoje a mais concorrida entre os caminhos marítimos que unem o Ocidente ao Oriente, e o Cabo o ponto de confluência dessas culturas.

Bartolomeu desprezou o paraíso

Cerca de 45 minutos separam a Cidade do Cabo do extremo Sul do continente negro. Assim que deixamos para trás a Long Street, rua que corta a cidade em direcção à Signal Hill, aparecem-nos os campos de fynbos, planta arbustiva da família das proteáceas. Não é por acaso que o Cabo é conhecido por ser o território com o maior número de espécies de plantas diferentes.

Apesar de estar classificada como reserva natural, a Signal Hill entra pela cidade dentro, merecendo um pequeno desvio no trajecto. A vista é magnífica, com a Cabeça do Leão mesmo ali ao lado e, em baixo, a cidade como um lençol branco ondeando no sopé do trio montanhoso, que lhe dá colo até ao mar. (O miradouro é digno de uma visita nocturna. As luzes amarelas tornam a terra incandescente, como carvão em brasa, numa extensão impressionante. )

Retomando a estrada que recorta a costa Atlântica até ao sul do Mundo, passa-se no subúrbio rico de Camps Bay, um bairro de vivendas luxuosas e muros altos com placas a ameaçar “Resposta Armada” a quem ousar saltar. É ali que mora a sociedade branca rica da cidade. A paisagem é deslumbrante, com baías de areia branca e águas transparentes. O cenário repetir-se-ia até à Reserva Natural do Cabo da Boa Esperança. Casas de sonho, com jardins de sonho, em paisagens de sonho. A beira-mar lembra ilhas paradisíacas do Pacífico, mas os vinhedos pelas faldas das colinas são do Sul da Europa, pertencem ao Mediterrâneo.

Continuando no sentido Sul em busca do Cabo de Bartolomeu, a cerca de 30 quilómetros da Cidade, mas já na costa do Índico, fica Simmon’s Town. A antiga vila piscatória inglesa mistura a arquitectura holandesa com o estilo vitoriana do século XVIII. O restaurante Bertha’s, na marina, é o sítio ideal para se almoçar uma salada grega seguida de um peixe fresco pescado à linha por gente da terra. Um grupo coral zulu costuma distrair os clientes, competindo com as acrobacias das focas que performam junto à esplanada.

Do porto da vila, banhado pela Baía Falsa, saem todos os dias barcos para ir observar baleias ou os tubarões brancos, que ali se diz serem pacíficos. Se preferir pinguins, prossiga caminho de automóvel e a cinco quilómetros encontrará uma praia onde a espécie é protegida.

À medida que nos aproximamos do Cabo da Boa Esperança, o vento torna-se mais forte e as falésias mais íngremes. A entrada do Parque Natural, uma enorme reserva onde coabitam babuínos, zebras, a perigosa cobra do Cabo, entre muito outros animais, é assinalada por um “checkpoint”.

A partir daí, a estrada rectilínea corta o manto florido de fynbos sem mais sinal de civilização. O alcatrão segue até ao extremo do cabo, onde apenas existe uma loja de artesanato e bugigangas. O vento sopra com força impressionante, mais de 80 nós, capaz de desequilibrar um homem. O mar escarpado atira ondas gigantes contra a rocha.

Quem quiser subir até ao farol, cem metros acima, tem que apanhar um teleférico. Lá em cima, é o fim do Mundo que aparece ao turista cheio de memórias e histórias das Descobrimentos. Na base da falésia, do lado direito, está o Atlântico; do lado esquerdo, o Índico. O mundo, que é tão grande, resolve uma das suas divisões geográficas mesmo ali, numa rocha a 50 metros distância.

Um letreiro a dizer email, à entrada de uma pequena casa, dá um ar moderno ao fim do mundo. Por quinhentos escudos, os turistas podem mandar uma fotografia com uma mensagem pela Internet a quem quiserem. “O Cabo é lindo. O Bartolomeu Dias ia cego quando por aqui passou. É tudo grande e é tudo muito e está tudo cuidado. Não me vão esperar ao aeroporto. Beijinhos”.

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