Cistite

Publicado por Equipe Editorial a 12 de fevereiro de 2015 - Atualizado em 15 janeiro 2018

Geralmente provocada pela ação da bactéria Escherichia coli (E. coli), a cistite é a denominação clínica de um tipo de infecção urinária que afeta a uretra e a bexiga.

Muito frequente, essa infecção costuma se desenvolver em mulheres durante a fase adulta.

A terapia usada para tratar a cistite não contém nenhuma complicação e é baseada na administração de medicamentos com função antibiótica especificamente direcionada à bactéria causadora do problema.

cistite

Definição de cistite

Primeiramente, é preciso ressaltar que a infecção do trato urinário é considerada um problema de saúde muito recorrente, essencialmente entre as mulheres.

Calcula-se que, aproximadamente 60% das mulheres adultas apresenta uma ocorrência desse tipo de infecção no decorrer de suas vidas.

Em segundo lugar, deve-se esclarecer que a infecção urinária possui três vertentes: uretrite (quando afeta diretamente a uretra); pielonefrite (quando prejudica os rins); e a cistite (quando afeta a bexiga e a uretra).

Em tese, a cistite é designada como a infecção urinária responsável por gerar um processo inflamatório na bexiga, mas não raro ela também acomete a uretra.

E embora essa infecção bacteriana detenha uma opção de tratamento simples, ela tende a provocar dores e se tornar extremamente desconfortável para o paciente.

O problema se agrava quando as bactérias causadoras da cistite se locomovem até os rins. Caso isso aconteça, a infecção evolui, passando a ser chamada de pielonefrite – conforme descrito há pouco.

Nestas circunstâncias, o alerta é acionado em torno do paciente, uma vez que a pielonefrite costuma causar a sepse (infecção generalizada do organismo), o que por sua vez pode levar o indivíduo à morte.

Causas da infecção urinária

Como dito no início, a bactéria E. coli é a grande vilã e causadora das infecções urinárias. A participação dessa espécie ultrapassa 80% dos casos.

Ocorre que as bactérias E. coli são uma das espécies que povoam o intestino. A infecção se inicia quando elas saem da área intestinal e chegam ao entorno da vagina, colonizando-a.

Esta é, por sinal, a primeira etapa para que a cistite aconteça. Isso porque, ao chegarem na vagina e se fixarem nela, as bactérias passam a ter livre acesso à uretra, atingindo a bexiga.

Deve-se enfatizar que as bactérias E. coli são totalmente inócuas quando se limitam às dimensões do trato intestinal, de onde nunca devem sair.

O problema só se inicia caso essas bactérias comecem a se deslocar e atinjam outros órgãos.

Além disso, a E. coli não é a única bactéria causadora da cistite. Existem outras espécies que, uma vez estabelecidas sobre a região vaginal, podem igualmente trazer complicações para o organismo.

Dentre as outras bactérias com elevado potencial para ocasionar a cistite estão a Klebsiella pneumoniae, e a Proteus mirabilis.

Características da cistite nos homens e nas mulheres

As características do corpo feminino favorecem a ocorrência da cistite e de quaisquer outras infecções que envolvam o trato urinário.

Isso acontece devido à localização da uretra da mulher, bem mais exposta que a do homem, situando-se nas proximidades do ânus, que é uma região de alta concentração de bactérias.

Some-se a isso o fato do comprimento da uretra feminina ser bem inferior com relação à masculina, fazendo com que a as bactérias alcancem a bexiga da mulher de forma muito mais rápida e fácil.

Portanto, o corpo da mulher possui características bem peculiares e propícias para o surgimento de infecções urinárias, diferentemente do corpo masculino.

No entanto, os homens não estão totalmente isentos dessa possibilidade, já que determinadas circunstâncias também acabam promovendo a cistite neles. Eis algumas delas:

Doenças vinculadas à próstata

Como se sabe, a próstata amplia progressivamente seu tamanho conforme os homens envelhecem.

Ao atingir determinada dimensão, a próstata pode oprimir a uretra e, por conseguinte, impedir o devido escoamento da urina.

Urinar é uma maneira de prevenir o desenvolvimento da cistite, já que esse líquido contribui para a remoção das bactérias que presentes sobre a uretra, ou alocadas na bexiga.

Devido ao bloqueio (seja total ou parcial) exercido pela próstata sobre a uretra, a bexiga passa a abrigar um determinado volume de urina, condição oportuna para que as bactérias consigam proliferar.

Por esse motivo, o homem deve ficar muito atento ao seu corpo, pois caso ele seja acometido por mais de uma infecção urinária é bem provável que haja alguma alteração grave da próstata, ou que a bexiga esteja lesionada.

Sexo anal sem preservativo

A proteção anatômica natural que o homem detém pode desaparecer por completo se ele realizar sexo anal ativo (seja com parceiros do mesmo sexo, ou do sexo oposto), por exemplo.

Ao penetrar o ânus, o pênis acaba ficando plenamente vulnerável a várias infecções, pois nesses casos o referido órgão fica exposto ao contato de uma série de bactérias do intestino. O sexo anal facilita o deslocamento da E. coli através da uretra masculina, percorrendo-a até alcançar a bexiga.

Nesses casos, a única forma de se precaver quanto a uma possível infecção é proteger o pênis com uma camisinha. Caso contrário, essa relação sexual sempre será um atalho para o desenvolvimento da cistite.

Por outro lado, mesmo mantendo a prática constante do sexo anal a maioria dos homens não chega a desenvolver uma infecção do trato urinário. Isso acontece porque existem outros detalhes do corpo masculino que continuam dificultando a ação das bactérias, por mais que elas consigam se depositar sobre a uretra. A uretra dos homens é circundada por uma região significativamente mais seca comparada à uretra feminina. Logo, a colonização das bactérias se torna bem mais difícil no primeiro caso.

Outro ponto a favor dos homens é a típica liberação de líquido prostático durante a execução do ato sexual, uma vez que esse líquido é constituído por alguns compostos que possuem ação antibacteriana.

Como prevenir as infecções urinárias

Infelizmente, existem alguns conceitos equivocados com relação ao surgimento da infecção urinária. Muitas pessoas, erroneamente, acreditam que a cistite é uma doença comum em pessoas que não mantêm hábitos de higiene saudáveis. Esse raciocínio é pautado na tese de que basta ostentar uma limpeza profunda e constante da região vaginal para que as bactérias causadoras da infecção urinária sejam aniquiladas. Ledo engano.

Na verdade, dentro dos fundamentos biológicos, o excesso de limpeza da região ocupada pela vagina acaba sendo mais um fator favorável ao desenvolvimento da cistite. Afinal, a vagina também possui seus próprios grupos de bactérias. Quando as bactérias do ânus invadem a área pertencente ao órgão reprodutor feminino, aquelas que já haviam se estabelecido na vagina entram em combate contra as invasoras. Essa batalha é denominada competição interespecífica, caracterizada pela disputa de duas, ou mais espécies, pelo mesmo espaço e alimento.

Assim, quando a mulher efetua limpezas intensificadas na região vaginal, esse processo acaba aniquilando as bactérias que poderiam impedir a propagação das demais, especificamente aquelas que podem provocar a cistite, como a E. coli.

Como se vê, a cistite não tem uma relação única com a falta de higiene. Se a limpeza inadequada da região afetada contribui para o surgimento da infecção urinária, a higienização profunda tem um efeito ainda pior.

Em contrapartida, existem algumas medidas eficazes que podem ser tomadas para evitar infecções urinárias que afetam a bexiga:

  • A primeira delas diz respeito exatamente à higiene íntima, que deve ser efetuada sem exageros. A atenção deve estar mais voltada para determinadas situações, como a higienização necessária após defecar. Nestas situações, no caso de se usar papel higiênico, o movimento de limpeza deve partir da região mais próxima da vagina para cima.
  • Após urinar, a mulher jamais deve jorrar um jato d’água sobre a vagina, haja vista que essa ação acaba impulsionando as bactérias para a bexiga, criando assim um estímulo ao desenvolvimento da cistite. E mesmo que a ducha na região do ânus esteja liberada, a recomendação é para sempre tomar um banho depois de defecar.
  • Outra dica se refere ao tipo de banho usado. Deve-se priorizar a utilização dos chuveiros em detrimento das banheiras.
  • Deve-se ter máximo cuidado com relação ao uso de produtos de limpeza, como desodorantes em spray, que possam causar irritação à região vaginal. Se houver inflamação da vagina, ela estará muito mais propensa a abrigar as bactérias.
  • Uma vez que o ato sexual tenha sido concluído, o ideal é urinar logo em seguida. Sexo com penetração promove a introdução de bactérias na uretra. Neste caso, a urina atua como um repelente, fazendo com que as invasoras sejam excluídas do local.
  • Seguindo a mesma linha de pensamento do item anterior, recomenda-se que a mulher consuma doses generosas de líquidos durante o dia visando urinar periodicamente.
  • Antes do ato sexual com penetração, orienta-se consultar as informações contidas no rótulo do produto, evitando as versões que venham com agentes espermicidas. Além dessa linha de preservativos não ser mais eficaz, ela ainda amplia as chances da cistite. A mesma recomendação se aplica ao uso de diafragmas.
  • Tomar medicamentos antibióticos de maneira desregrada pode causar profundas modificações da flora vaginal, criando um ambiente propício à cistite. Para evitar esse tipo de problema, a única solução é jamais se automedicar, pois cada antibiótico é desenvolvido para determinado fim.
  • As mulheres que já estiverem na fase da menopausa precisam aplicar soluções preparadas com estrogênio a fim de inibir a desidratação da mucosa vaginal, situação na qual a área fica mais vulnerável às lesões, abrindo caminho para a aderência das bactérias.

Principais fatores de risco associados à cistite

Mesmo que todas as medidas sejam seguidas e executadas à risca, existe um grupo de indivíduos que está mais propenso à ocorrência de infecções do trato urinário. Desse modo, em alguns casos as mulheres podem apresentar cistite em diversos períodos no decurso de um ano.

Dentre os principais fatores de risco vinculados ao aparecimento da cistite estão a presença de sonda vesical, vida sexual muito ativa (o risco aumenta conforme o volume de relações sexuais com penetração), diabetes melitus, problemas genéticos, troca constante de parceiros sexuais, doenças da próstata, e incontinência urinária.

Sintomas mais comuns da cistite

Ao ser infectada, a bexiga costuma emitir alguns sinais bem específicos, como disúria (sensação de ardência ou dor ao urinar), vontade de urinar por mais que a bexiga não contenha o referido líquido, sensação de peso na região abdominal, dificuldade em controlar a saída da urina, e hematúria (caracterizada pela existência de sangue mesclado à urina).

Outros sintomas que devem ser considerados são uma possível dor na região lombar e febre de baixa intensidade. Entretanto, esses dois sintomas podem ter uma relação mais próxima da pielonefrite do que da cistite. As suspeitas devem aumentar caso a temperatura da febre se torne muito elevada e seja seguida de uma sensação de desconforto generalizada, perda do apetite, e vômitos.

Apesar da crença de que o odor intenso da urina tenha relação com a cistite, ele não é considerado como fator determinante para a existência da respectiva infecção. Na maioria das vezes, a exalação de fortes odores está mais vinculada à elevada densidade da urina.

Caso a urina apresente coloração amarelada intensa e mau odor, a recomendação é para ampliar a ingestão de líquidos. Além de prestar uma valiosa colaboração para sanar o referido problema, ingerir quantidades elevadas de líquidos ainda é uma importante prevenção para a formação de cálculos renais, popularmente conhecidos como “pedras nos rins”.

Considerando homens jovens, caso eles apresentem disúria deve-se desconfiar da possibilidade de infecção causada por alguma DST (doença sexualmente transmissível). Essa avaliação se faz necessária porque, no corpo masculino, os riscos de infecções causados em virtude de uma DST são bem mais frequentes do que o irrompimento de uma cistite.

Já quanto aos homens da terceira idade, a atenção deve se voltar para as doenças atreladas à próstata, que exibem sinais similares aos da cistite. Além disso, essas enfermidades também são um dos fatores de risco associados a esse tipo de infecção.

Alguns detalhes sobre o diagnóstico da cistite

Na hora de realizar o diagnóstico da cistite, o mais comum é que o médico utilize o método clínico, sendo que a maior parte desses profissionais não chega a solicitar qualquer exame. Apenas em alguns casos e, se possível, é efetuada a coleta de urina a fim de certificar a existência de pus. Porém, esta avaliação não é uma regra.

Em se tratando de infecções urinárias, o método mais usado e eficaz para a detecção do problema é a chamada urocultura. Nesse processo, a urina do paciente é inserida em um meio propício ao desenvolvimento das bactérias. Após a identificação dos germes específicos, são realizados testes com antibióticos para se descobrir qual deles é o mais eficiente para tratar o problema.

Por ser um procedimento que demanda um tempo considerável para ser conclusivo (entre dois e quatro dias), e cada quadro clínico é repleto de subjetividades, a urocultura não costuma ser adotada para identificação da cistite. A técnica está mais presente nos casos em que a suspeita recai sobre a infecção de pielonefrite.

Saindo um pouco do ambiente técnico, o fato é que caso as mulheres jovens que estejam sentindo ardor ao urinar são prontamente diagnosticadas como portadoras de cistite. Esta é a primeira conclusão dos médicos, a menos que haja algum outro indício que aponte para outro tipo de infecção urinária.

Está comprovado que, em cerca de 99% dos casos, a prescrição de antibióticos para tratamento de infecções do trato urinário resolvem o problema, mesmo que o médico não solicite qualquer tipo de exame. No entanto, quando a cistite se torna extremamente repetitiva, afeta homens, ou existe alguma incerteza quanto ao diagnóstico, o método da urocultura se faz necessário.

Com exceção das mulheres gestantes, os indivíduos que não apresentem nenhum sintoma de infecção urinária não devem passar pela urocultura. Essa medida existe porque existem grupos de pessoas que detêm bactérias na urina mesmo que não cheguem a apresentar a cistite. Tal quadro clínico é bem específico e é denominado bacteriúria assintomática.

Assim, ressalte-se que em casos assintomáticos os pacientes não devem receber qualquer tipo de tratamento e exame de urocultura. Nestas circunstâncias, a indicação do tratamento tende a ser não só inócua como estimulante para a proliferação de bactérias que tenham desenvolvido resistência aos antibióticos. A única exceção corresponde às mulheres grávidas.

Tratamento para a cistite

Sempre que houver a identificação da cistite, ela deverá ser tratada através da ministração de medicamentos antibióticos. Isso é feito com o objetivo de evitar reincidências e, principalmente, uma possível evolução da doença para e perigosa pielonefrite. Geralmente, o período de medicação é de três dias.

Dentre os antibióticos mais utilizados estão uma alternativa derivada da penicilina ou nitrofurantoína, norfloxacina ou ciprofloxacina (antibióticos quinolonas), e o Bactrim, que possui como princípio ativo uma mescla entre trimetoprima e sulfametoxazol. Apenas ressalte-se que os antibióticos quinolonas e os derivados da penicilina apresentam períodos diferenciados de uso, sendo sete e cinco dias, respectivamente. Além disso, os homens infectados devem manter o tratamento durante uma semana.

O tratamento completo da cistite consiste na sua eliminação, o que só é possível mediante a adoção de antibióticos. Entretanto, também existem outros remédios que, embora não detenham ação antibiótica, são receitados com o intuito de suavizar os sintomas causados pela cistite. Os mais comuns são o Pyridium, e o Cystex.

Como descrito anteriormente, existem mulheres que apresentam predisposição a terem cistite repetidas vezes. Trata-se de um problema genético. Em alguns casos, os médicos podem recomendar a dosagem de um comprimido antibiótico depois do ato sexual. Porém, o número de reincidências das infecções urinárias pode ser ampliado, tornando-se um grande transtorno ao longo da vida. Para estes casos, a ingestão de antibióticos deve ser bem mais longa que o habitual, podendo perdurar por todo o ano.

Considerando as alternativas de cura naturais, existem estudos científicos que atestam a eficácia do cranberry (fruta típica da América do Norte) quanto à diminuição das chances de infecção urinária. O consumo pode ser realizado por meio de sucos ou através de comprimidos.

Por último, outro recurso interessante para evitar a cistite é receber o Uro-Vaxom, um tipo de vacina que atua contra 16 diferentes vertentes da E. coli. Contudo, além do remédio ter de ser ingerido durante três meses para que surta o efeito desejado, ele só é indicado para os casos confirmados de infecções muito reincidentes causadas por bactérias E. coli. Caso a cistite esteja ocorrendo em virtude da ação de outras bactérias, a respectiva vacina perde sua eficácia.

Cistite em mulheres gestantes

Quando as mulheres gestantes apresentam infecção urinária, existe o risco de parto prematuro, ou do recém-nascido exibir um peso muito abaixo do ideal. Devido à gravidade inerente a essas circunstâncias, as grávidas são consideradas uma importante exceção e precisam ser tratadas sob qualquer hipótese, ou seja, mesmo nos casos em que seja constada a bacteriúria assintomática.

Os antibióticos norfloxacina e ciprofloxacino, pertencentes à família dos quinolonas, não devem ser consumidos no decorrer do período de gestação. O mesmo se aplica ao Bactrim, substancialmente durante os primeiros três meses de gravidez. Para as gestantes, os antibióticos mais recomendados são o fosfomicina, o nitrofurantoína, ou o ácido clavulânico em conjunto com a amoxacilina.

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