Coma Induzido

Antes de saber o que é o coma induzido, convém uma explicação sobre a definição de coma.

Quando um indivíduo está em coma, isso significa que ele perdeu a consciência parcial ou integralmente, o que reflete em sua capacidade de responder perante os eventos externos.

Coma Induzido

Existem diversos níveis de coma. Mesmo em coma (em estado de inconsciência), o indivíduo pode responder bem aos impulsos que produzam dor.

O coma também é analise de acordo com sua profundidade. Para isso, os especialistas utilizam a escala chamada “Glasgow“.

Dentre dos parâmetros estabelecidos para a escala são levados em consideração o nível de resposta motora e verbal, além do tempo que o paciente leva para abrir os olhos quando chamado, e do intervalo necessário para que ele se manifeste com relação aos estímulos dolorosos. Os testes são simples. O objetivo é verificar como o paciente reage mediante incentivos sonoros ou dolorosos.

A escala “Glasgow”, que tem uma pontuação que vai de 3 a 15, tem o intuito de determinar qual é o patamar de consciência do paciente. Quando o indivíduo não se manifesta diante de nenhum estímulo, isso significa que ele está em coma profundo.

Logo, nesse estado ele só receberá 3 pontos, que é a pontuação mínima da referida escala. Já os 15 pontos (pontuação máxima) só são atingidos por pessoas que não sofreram qualquer nível de perda de consciência. Na verdade, esta pontuação serve apenas como critério do que é considerado plenamente normal.

Geralmente, o estado de coma resulta de situações nas quais o sistema nervoso central sofreu algum trauma, mais precisamente no tronco cerebral, região responsável por gerenciar a consciência.

Ocasionalmente reversíveis, o coma pode ser causado em diversas circunstâncias. Dentre as principais delas estão o traumatismo craniano, a presença de tumores no cérebro, intoxicação (coma alcoólico), AVC (acidente vascular cerebral), hipotireoidismo avançado, hipoglicemia, insuficiência renal crônica, hiperglicemia, e a meningite.

Qual é o risco de se perder a consciência?

A periculosidade do estado de coma reside no fato de que nessas condições o indivíduo se torna incapaz de preservar o bom estado das vias aéreas, o que pode induzi-lo a aspirar secreções, ou até mesmo provocar ser asfixiado pela língua.

Inconsciente, o indivíduo não consegue tossir ao engasgar, e nem consegue engolir saliva normalmente. Além disso, o paciente fica propenso a aspirar qualquer substância que esteja na cavida oral, seja água, saliva, ou vômitos.

Essa consequência é denominada broncoaspiração e pode ocasionar uma parada do sistema respiratório devido ao bloqueio que ocorrerá nas vias aéreas, ou ainda uma pneumonia.

Por todos esses motivos, quem apresentar uma pontuação inferior a 8 na escala “Glasgow” precisa ser entubado a fim de efetuar a respiração de forma mais fluida e sem chance de efetuar a broncoaspiração.

Definição de coma induzido

O coma induzido é caracterizado por uma sedação farmacológica mantida plenamente sobre controle. Em outras palavras, o indivíduo é mantido em estado inconsciente mediante administração de medicamentos que possuem esse fim.

É importante salientar que durante o coma, seja ele induzido ou não, o cérebro jamais tem suas funções suspensas. Sem o cérebro em funcionamento, atividades substanciais à manutenção da vida, como a gestão sobre o batimento cardíaco e frequência respiratória, seriam interrompidas. O estado de consciência é somente uma das atribuições concedidas ao sistema nervoso. Portanto, o coma induzido não causa qualquer interferência direta sobre o cérebro.

Qual é o objetivo do coma induzido?

Há várias ocasiões em que sedar o paciente se torna a medida mais eficaz. Em resumo, pode-se afirmar a sedação do coma induzido é efetuada com o intuito de gerenciar a ansiedade do paciente, conservar o bem-estar e mantê-lo em segurança, suavizar os efeitos causados pelo trauma psicológico (provocando amnésia), tranquilizar o paciente de uma forma geral, e criar condições para que todos os procedimentos seguintes possam ser realizados sem trazer riscos à vida do indivíduo em tratamento.

Na maioria das vezes, a decisão de sedar o paciente surge quando há a necessidade de execução da chamada ventilação mecânica. Sempre que o indivíduo demonstrar qualquer dificuldade para aspirar oxigênio plenamente os respiradores artificiais devem entrar em ação. Situações como esta são típicas em casos de infecção pulmonar.

Caso um dos pulmões esteja gravemente afetado, ele não conseguirá oxigenar o sangue da maneira adequada, o que pode provocar um quadro de insuficiência respiratória.

Os casos em que houver traumatismo craniano são outro bom exemplo da necessidade de se adotar a ventilação mecânica.

A sedação se faz obrigatória em todos esses casos por razões muito simples, pois caso o paciente seja mantido “acordado”, a tendência é que ele entre em atrito com o fluxo de ar direcionado durante a ventilação mecânica. O processo só é eficaz quando ele, de fato, respira pelo paciente, inclusive com uma velocidade maior, se preciso for.

Evidentemente, a ventilação mecânica é somente um exemplo, haja vista que existem outras circunstâncias que também exigem a sedação do paciente. É o caso de pacientes que estejam reclamando de uma dor muito aguda, seja em virtude da ocorrência de vários traumatismos simultâneos, ou quando o corpo sofreu queimaduras profundas e graves.

Outra situação bem comum em que convém manter o paciente sedado ocorre quando ele é internado em estado de completa agitação. Neste caso, a sedação se faz bem oportuna para que o indivíduo não remova cateteres. Além disso, a realização de procedimentos delicados, como endoscopias, e biópsias, jamais devem ser concretizadas se o paciente estiver em um estado fora de controle. Apesar de nestes casos a sedação ser mais suave, ela não é menos necessária.

No decorrer de procedimentos cirúrgicos que exijam anestesia geral, os pacientes permanecem o tempo todo sedados e respirando com a ajuda de ventiladores mecânicos. Nesta situação, o paciente não sofre dor (em nenhum nível), não consegue se movimentar, e permanece inconsciente até o término da cirurgia.

O tipo de sedação utilizada em cirurgias é preparado com compostos de ação curta, já que o intuito é fazer com que o paciente acorde após a conclusão da cirurgia. Ocasionalmente, após a finalização do procedimento cirúrgico, o paciente é incapaz de conseguir ostentar um bom fluxo de oxigênio sozinho.

Nestes casos, é comum que ele seja mantido no ventilador mecânico até consiga se recuperar e respirar sem a ajuda do aparelho. Porém, ressalte-se que situações como esta costumam acontecer com pacientes que estão em estado grave, que tenham manifestado alguma doença pulmonar, ou que sejam idosos. Já os pacientes jovens conseguem ser liberados da ventilação sem grandes problemas.

Diante de tudo o que fio exposto, cabe inferir que o coma induzido é um protocolo médico utilizado com frequência em situações nas quais tratamentos delicados precisam ser realizados a fim de salvar a vida de um paciente em estado grave.

Níveis de sedação

Conforme mencionado mais acima, cada caso exige um tipo de sedação distinto. De modo similar à escala “Glasgow”, o sistema de sedação também segue uma série de critérios para que o médico saiba exatamente qual sedação usar e com qual intensidade. Uma das escalas mais utilizadas é a “Ramsey”, que possui 6 níveis.

Desse modo, de Ramsey 1 a Ramsey 3 o paciente é considerado consciente.  Contudo, no primeiro nível ele apresenta agitação ou inquietude. Já na Ramsey 2 ele coopera com os procedimentos, recebe as orientações, e age tranquilamente.  Enquanto isso, na Ramsey 3 o paciente se limita a responder aos comandos.

Na Ramsey 4 o estado do paciente é superficialmente inconsciente. Entretanto, ele consegue responder a estímulos sonoros com alto volume, ou ainda ao ter sua glabela pressionada com os dedos. Continuando a escala, nos níveis Ramsey 5 e 6 o paciente está inconsciente. Todavia, no primeiro ele ainda consegue apresentar uma resposta devagar a um estímulo auditivo com som alto, e ainda sente a glabela ser tocada com os dedos. Já no último nível o paciente permanece com os movimentos inalterados a qualquer tipo de estímulo.

Por que, mesmo em coma, o paciente é sedado?

É muito comum que pacientes sejam sedados após entrarem em estado de coma. Quando há traumatismo generalizado, por exemplo, é bem provável que o indivíduo apresente algum nível de inconsciência. Contudo, ela pode não ser tão profunda ao ponto de o paciente receber o ventilador mecânico sem tentar respirar juntamente com a máquina.

Essas circunstâncias requerem que o coma do paciente seja aprofundado para que ele esteja apto a receber o tratamento adequado. Somente após alguns dias o paciente é retirado do estado letárgico para que os médicos, enfim, possam analisar qual é o real dano causado sobre o cérebro.

Quanto tempo um paciente permanece em coma induzido?

A resposta a essa pergunta é, de certa forma, subjetiva, além de agregar alguns fatores importantes, como: utilização de drogas com efeito sedativo prolongado, utilização contínua de drogas sedativas, utilização de doses elevadas de drogas com efeito sedativo, pacientes idosos, ou portadores de doenças graves, ou que contenham alguma lesão do sistema nervoso central, ou que apresentem insuficiência renal.

Cabe lembrar que existem casos em que o coma é profundo e nos quais o paciente pode permanecer inconsciente para sempre. Geralmente, situações como essa são consequência de um grave traumatismo craniano, de uma parada cardíaca longa, ou de um acidente vascular cerebral hemorrágico.

Quando houver possibilidade de dano ao cérebro, as sequelas poderão ser determinadas somente após certo tempo em que a administração das drogas sedativas ter sido interrompida. Isso porque qualquer concentração de medicamentos na corrente sanguínea dificulta uma verificação mais minuciosa.

Pacientes em coma podem ouvir parentes e amigos?

Dúvida frequente, essa pergunta não é tão simples de se responder. Afinal, para saber se um determinado paciente em coma consegue ouvir as falas de parentes, ou amigos, ou mesmo o próprio médico, é preciso recorrer à análise da capacidade responsiva do paciente com relação aos sons.

Porém, caso seja confirmado que o paciente consegue ouvir o som das vozes humanas, isso não significa que ele esteja em condições de compreendê-las. Quando o coma, ou a sedação, estão em um patamar superficial, tudo leva a crer que o paciente consiga distinguir alguns timbres de vozes de pessoas íntimas, e que entenda algumas frases. Mas, nada muito distante disso.

O maior empecilho a esse tipo de reconhecimento é a ação amnésica inerente à maioria das drogas utilizadas para sedar os pacientes. A indução da amnésia é algo que complementa o tratamento, uma vez que ajuda o paciente a absorver melhor tudo o que está ocorrendo à sua volta.

Dessa forma, além de contribuir para aliviar a tensão do momento, a amnésia ainda ajuda a evitar que o paciente sofra traumas psicológicos. Por essa razão, conversar com o paciente sedado é totalmente em vão, pois mesmo que ele ouça, ele se esquecerá daquele momento em breve.

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Esta matéria tem 1 Comentário
  1. Maria Manuel Biléu Reply

    O meu irmão acordou do coma induzido, ou melhor da sedação, está entubado, não consegue falar,começou agora a mexer pouco as pernas e um ombro. Ainda está muito inchado 🙁 Isto é normal? Ele tem leucemia e precisa urgentemente de seguir o tratamento. mas apanhou uma infecção no Hospital dos Capuchos e transferiram-no para o Curry Cabral. Estou com muito medo que ele não aguente ou fique com sequelas. Por favor ajudem-me a compreender isto. É normal ele querer falar e não poder?

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