Como Combater uma doença crónica - Fotos Antes e Depois
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Como Combater uma doença crónica

Como Combater uma doença crónica – “As doenças crónicas tratam-se com múltiplos instrumentos, o maior dos quais é o próprio doente”
Existe um número crescente de pessoas afectadas por doenças crónicas que não está a receber o tratamento mais indicado, sobretudo, porque a maior parte desses doentes não tem um papel activo no seu tratamento.
“O profissional de saúde que gere a doença crónica nunca pode ter a ilusão de que está tudo nas suas mãos”, afirma Francisco Sobral do Rosário.
Esta é a chamada de atenção lançada pelo Guia do Cidadão na Doença Crónica, publicado no passado dia 4 de Março, que propõe que os doentes passem a ser activos no controlo e tratamento da doença para que obtenham uma maior eficácia dos cuidados prestados. Da autoria de Jean Philippe Assal, o lançamento do livro no País é da responsabilidade de José Manuel Boavida, Presidente do Grupo Europeu de Estudo da Educação na Diabetes e Coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes, e de Francisco Sobral do Rosário.
Este endocrinologista da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e do Hospital da Luz apresenta a associação e explica de que forma o médico de família pode intervir no combate à doença crónica.

A APDP já conta com mais de 80 anos. O que representa esta associação?

A APDP é a mais antiga associação de doentes do mundo não per tencente ao Estado, cujos órgãos de gestão são eleitos por assembleia de membros. Dedica-se à prestação de serviços a pessoas com diabetes, quer serviços clínicos quer com incentivo à investigação e a tudo o que se refere ao controlo da diabetes. Temos uma grande quantidade de doentes que é cá seguida, cerca de 18 mil, o que representa cerca de 50 mil consultas por ano.

Que tipos de apoio prestam aos doentes?

Dentro da associação temos consultas médicas, quer no campo da Diabetologia, da Oftalmologia, da Cardiologia, da Nefrologia, Cirurgia Vascular, quer consultas de ensino de enfermagem ou consultas de nutrição. Também temos um laboratório próprio onde são feitas as análises, temos consultas de grupo de ensino dos mais variados temas para doentes, com diabetes tipo 1 ou tipo 2, cursos de ensino de início de insulinoterapia, cursos avançados para profissionais de saúde em termos de nutrição e de cuidados para médicos, enfermeiros, nutricionistas.
Além disso, temos programas de apoio a escolas com informação sobre o que é a diabetes.
As equipas da APDP deslocam-se a todo o lado, sempre que é feito esse pedido, e há acordos nesse sentido.
Também temos equipas que dão apoio de referenciação ou quando nos é pedida ajuda de centros de saúde.
Portanto, há áreas de acção dentro da associação e um “braço externo” que procura ser o mais eficaz. Por exemplo, a Sociedade Portuguesa de Diabetologia promoveu um grande rastreio da prevalência da diabetes tipo 2, em Portugal, que foi feito com a colaboração da APDP.

“No contexto de uma doença crónica que está expandida e que é uma autêntica pandemia nos tempos que correm, há necessidade de promover educação terapêutica a larga escala”, defende o especialista.
Como é financiada a associação?

A associação tem as quotizações dos sócios e tem acordos de pagamento, por cada consulta que é feita, consoante o subsistema de saúde.

Quais as maiores dificuldades que enfrentam?

Desde logo, a sobrevivência. Passamos muitas vezes por um esforço assistencial exagerado devido ao facto da associação depender da actividade clínica quando, num contexto de doença crónica como é a diabetes, talvez as actividades de ensino pudessem ser mais ampliadas e não podem porque temos constrangimentos em termos económicos.

Que projectos reservam para o futuro?

Há um projecto de aumentar muito a escola de educação terapêutica e será essa uma das funções primordiais da associação. No contexto de uma doença crónica que está expandida e que é uma autêntica pandemia nos tempos que correm, há necessidade de promover educação terapêutica a larga escala. Queremos ainda continuar e melhorar os níveis assistenciais que a associação tem.

No Guia do Cidadão na Doença Crónica é referido que a maioria das pessoas com estas doenças não recebe o tratamento adequado. O que é que tem falhado?

A doença crónica é algo que escapa a apenas uma abordagem médica, tem de ser feita uma abordagem multidisciplinar que não apenas do médico, tem de haver ensino de enfermagem, acompanhamento domiciliário, aspectos de nutrição, de exercício físico. E realmente as necessidades que as pessoas têm no seu quotidiano inserido no seu meio cultural são, muitas vezes, diferentes das necessidades quando estão em meio hospitalar. Todo o paradigma terapêutico assenta ainda muito na doença aguda e no tratamento em hospital. O passo a seguir, aquilo que tem de dar maior amplitude à terapêutica das doenças crónicas está precisamente em ultrapassar essas limitações de tratar apenas uma doença para perceber que a pessoa doente é mais que um doente, é uma pessoa que está inserida na sua dimensão cultural e as suas necessidades têm de ser compreendidas nesse ponto.
Apenas uma pessoa que conhece a sua doença, e sabe tratar e vigiar, é que pode ter bons resultados. O profissional de saúde que gere a doença crónica nunca pode ter a ilusão de que está tudo nas suas mãos. Só dando educação terapêutica ao doente e aos seus familiares é que é dado o conhecimento necessário para que seja feito um bom controlo e a pessoa tenha melhor qualidade de vida possível. Há uma epidemia tão grande de casos de doença crónica, como a diabetes, a hipertensão e a asma, que só capacitando as pessoas para se tratarem é que a consegue controlar.
Este passo não significa uma perda de direitos por parte da Medicina, é antes de mais cumprir um dos seus objectivos: dar mais qualidade de vida aos doentes. As doenças crónicas tratamse na comunidade, com o nosso apoio, mas com múltiplos instrumentos, o maior dos quais é o próprio doente.

Segundo o endocrinologista, “o médico de família tem o papel fundamental e decisivo no seguimento da doença crónica”.
Qual o papel do médico de família no combate à doença crónica?

O médico de família tem o papel fundamental e decisivo no seguimento da doença crónica. Ele é que pode, no terreno e mais perto das pessoas, perceber com maior sensibilidade quais é que são os problemas e que tipo de intervenções devem ser feitas.
No entanto, o médico de família tem o problema de muitas vezes não ter os canais de comunicação correctos à sua disposição.

Como se melhora a comunicação entre o médico de família e o especialista?

Isso tem de ser muito bem articulado, não basta haver só disponibilidade porque a disponibilidade pessoal muitas vezes acaba por se diluir. Tem de haver acordos entre estruturas e tem de ser muito bem combinado entre as chefias das várias instituições de forma a se conseguir arranjar canais que sejam correctos. Isto tem de ser protocolizado, não pode depender das boas vontades.

Atualizado em 01 novembro 2016

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