Como sobreviver ao frio - Baixas temperaturas em Portugal - Fotos Antes e Depois
Fotos Antes e Depois

Como sobreviver ao frio – Baixas temperaturas em Portugal

Numa altura em que os termómetros atingem temperaturas negativas, o FOTOS ANTES E DEPOIS fala do frio. Os grupos de risco, as consequências do clima de Inverno, as condições habitacionais para ultrapassar as baixas temperaturas e as medidas de recomendação da Direcção-Geral da Saúde são alguns temas abordados.frio em portugalA poucos dias da chegada do Inverno, dia 21 de Dezembro, Portugal esteve em alerta amarelo declarado pelo Instituto de Meteorologia. O alerta amarelo é um nível intermédio de perigo. Nestes últimos dias, o perigo foi o frio extremo que se fez sentir em todo o país. É precisamente de frio que falamos nos últimos ficheiros clínicos deste ano. Gripes e constipações parecem ser as principais ameaças causadas pelo frio. Quando esta patologia sazonal se junta aos grupos de risco, como idosos, doentes crónicos e bebés, as consequências podem ser graves, sendo, por vezes, causa de morte. Um estudo publicado em 2003 referia que Portugal tinha, entre 14 países da União Europeia, uma das mais elevadas taxas de morte causadas pelo frio. Mário Carreira, da Direcção-Geral da Saúde (DGS), em declarações ao Público, no início de 2009, afirmava que “a gripe é uma doença que mata”, mais acrescentando que “as estimativas apontaram para um número médio de 1 773 óbitos, por época gripal, no período de 1990 a 1998″. O mesmo responsável lembrou também que, “em anos mais recentes, a mortalidade anual por gripe e por causas que podem estar associadas a complicações de gripe atingiu 3 822 pessoas, em 2003”. Conhecedora destes dados e das dificuldades que as baixas temperaturas podem causar, a DGS disponibiliza em www.dgs.pt um conjunto de recomendações que podem contribuir para atenuar os efeitos adversos do frio.

DGS faz recomendações para o frio

Entre as sugestões da DGS, destaca-se um apelo para a necessidade de “colaborar nas medidas ambientais de controlo da proliferação de mosquitos evitando águas estagnadas com a presença de detritos orgânicos”.
A DGS faz também referência aos aquecimentos dos lares. O Inverno acarreta consigo problemas de intoxicação por monóxido de carbono e mesmo incêndios.
Assim, aquela instituição recomenda que “sejam respeitadas as normas e instruções dos equipamentos de queima para aquecimento, como lareiras, recuperadores de calor e salamandras”, assim como deve haver uma preocupação em “garantir uma boa manutenção desses equipamentos e usá-los correctamente”. É importante referir que a ventilação dos espaços é fundamental para manter um ambiente saudável e livre de perigos. Além dos problemas gripais, as recomendações da DGS fazem referência à hipotermia e enregelamento. Estes são pois dois problemas que devem ser tidos em atenção quando se fala de frio. O enregelamento caracteriza-se por “palidez da pele, torpor ou dor numa zona específica da pele”, a recomendação é de “abrigar e proteger a pele exposta”, assim como “não mexer nas zonas do corpo congeladas; não iniciar o aquecimento por um banho quente; e não dar a beber bebidas alcoólicas”, entre outras. A hipotermia acontece quando “o corpo começa a perder mais rapidamente calor do que aquele que pode ser produzido. A temperatura do corpo que é demasiado baixa afecta o cérebro, fazendo com que a pessoa seja incapaz de pensar claramente ou movimentar-se”. Nestes casos, aquela instituição, sugere que seja removida “qualquer peça de roupa molhada; a vítima deve ser aquecida: peito, pescoço, cabeça e tronco, envolvendo-a em cobertores; devem ser dadas bebidas quentes, excepto se a pessoa estiver inconsciente”, entre outras.

Frio afecta vida familiar

Os idosos integram os grupos de risco em épocas de frio. Os portugueses parecem dar mais importância aos bebés, também grupo de risco, do que aos idosos.

Em 2003, o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) realizou o estudo ECOS (Em Casa Observamos a Saúde) e, uma das conclusões retiradas, é a de que, “para as famílias portuguesas, o frio parece ser um factor que pesa na vida familiar”. O objectivo do estudo era, como explica o INSA, “conhecer as condições dos agregados familiares perante o frio, caracterizando as casas portuguesas perante a ocorrência do frio e das queixas de saúde nos agregados familiares; estudar a alteração dos hábitos alimentares; analisar o consumo de bebidas alcoólicas fortes; caracterizar as precauções das famílias perante situações de frio e os equipamentos e procedimentos usados pelas famílias para fazer face ao mesmo. Por outro lado, pretendeu-se também caracterizar a saúde dos indivíduos pertencentes às unidades de alojamento perante temperaturas baixas, estudando a procura de cuidados de saúde por motivos relacionados com o frio e aferindo se, no Inverno anterior, as pessoas do agregado familiar tiveram ou não problemas de saúde relacionados com o frio”. As épocas de baixas temperaturas “parecem fazer sobressair factores sócio-económicos, sócio-culturais e demográficos”. O trabalho de investigação foi feito através de chamadas telefónicas. Foram contactadas 1 217 unidades de alojamento, que incluíam 3 497 indivíduos. Segundo informação divulgada pelo Instituto Ricardo Jorge, “cerca de metade (49. 7 por cento) das famílias entrevistadas consideraram as suas habitações frias ou muito frias”. Durante o período de Inverno, os hábitos alimentares dos portugueses são modificados.
“A percentagem de famílias que alteraram os seus hábitos alimentares durante o período de Inverno foi de 43 por cento. Os inquiridos revelaram ter aumentado o consumo de comida quente (45. 8 por cento), de sopas (33 por cento), beberam mais chá (10. 6 por cento) e mais leite (9. 9 por cento). Apenas 6. 6 por cento dos respondentes dos agregados familiares admitiram o consumo de bebidas alcoólicas fortes nestes períodos”. O aquecimento é um elemento essencial nesta altura do ano e, à data da publicação do estudo, estimava-se que “apenas cerca de 4 por cento das famílias tinham ar condicionado quente, 14. 6 por cento possuíam aquecimento central, 51. 6 por cento tinham lareira e 65. 8 por cento estavam munidos de aquecedores eléctricos. Os aquecedores a gás, os aquecedores eléctricos e as botijas de água quente apresentaram distribuições de caracterização do seu uso muito semelhantes, ainda que mais irregular do que o observado noutros equipamentos”. O INSA verificou ainda que grande parte da população “utilizava mais roupa (99. 4 por cento) e mais cobertores (99. 9 por cento) e que 95. 3 por cento tinham acesso a água quente canalizada.
Relativamente aos problemas de saúde causados pelo frio, menos de metade, precisamente 35. 4 por cento das famílias, referiu tê-los sentido. Ainda assim, “19 por cento confessou ter procurado cuidados de saúde (15. 2 por cento foram à consulta; 4. 9 por cento foram a serviços de urgência e apenas 0. 3 por cento ficaram internados).
Os problemas de saúde relacionados com o frio afectam mais as famílias da região Norte (37. 2 por cento) do que as do Algarve (31. 2 por cento) ”. O estudo do Instituto Ricardo Jorge concluiu ainda que o frio parece atingir mais “os indivíduos do sexo feminino do que os do sexo masculino. Os problemas de saúde na época de frio associam-se ao grupo etário, parecendo que as famílias dão mais importância aos que afectam as suas crianças do que aos que afectam os seus idosos”.

Habitações não estão preparadas para o frio

No Inverno, o aquecimento pode representar um perigo, provocando incêndios e intoxicações por monóxido de carbono.o perigo das lareiras em casaEspecialistas internacionais analisaram o impacto do frio nas populações e a preparação das habitações para enfrentar as condições adversas do Inverno. A investigação, que foi publicada em 2003, analisou durante 10 anos os índices de mortalidade de 14 países da União Europeia, cruzando os dados com informação sobre os factores ambientais, estilo de vida, prestação de cuidados de saúde e gastos nesta área, desigualdades sociais e eficiência energética/isolamento das habitações. Uma das principais conclusões retiradas foi a de que Portugal é o país que apresenta a maior taxa de excesso de mortalidade no Inverno. “As nossas casas não estão nada preparadas para enfrentar o frio e de facto essa é uma das explicações que pode ser usada para que a taxa de excesso de mortalidade no Inverno seja tão elevada”, disse Cláudia Weigert, da divisão de Saúde Ambiental da Direcção-Geral da Saúde (DGS).
Aquando da publicação do estudo, apenas seis por cento das casas em Portugal tinham isolamento térmico nas paredes e coberturas e só três por cento tinham vidros duplos. A investigação sublinha que “os países com climas mais temperados tendem a ter baixa eficiência térmica nas habitações e, por isso, é mais difícil manter estas casas quentes quando chega o Inverno”. A terminar, o trabalho explica que “a alta taxa de mortalidade nos países do sudoeste da Europa poderia ser reduzida melhorando a protecção/ isolamento das casas ao frio, aumentando o investimento público em cuidados de saúde e melhorando as condições socioeconómicas da população para conseguir uma melhor distribuição da riqueza”.

DGS na senda da melhoria das habitações

A responsável pela divisão de saúde e ambiente da DGS considera que a falta de aquecimento nas habitações portuguesas pode levar ao aumento de gripes e constipações.lareira alpinosrA Direcção-Geral da Saúde (DGS) está a trabalhar, em parceria com as autarquias portuguesas, para estudar a relação entre as características habitacionais e os problemas de saúde que uma determinada população tem. Neste âmbito, a DGS desenvolveu os Planos Locais de Acção em Habitação e Saúde (PLAHS). “Os planos pretendem exactamente que cada câmara municipal, serviço de saúde, associação de moradores, todos os técnicos interessados em saber os problemas de habitação da região onde se inserem possam desenvolver estes estudos”, confessou Cláudia Weigert, da divisão de saúde ambiental da DGS. O objectivo do PLAHS é, segundo Cláudia Weigert, “diagnosticar os problemas que aquela população está a sofrer e, assim, poder tomar medidas no sentido de ultrapassar os problemas específicos”. A DGS auxilia e acompanha todas as entidades interessadas em desenvolver o plano na sua região. “Os interessados podem dirigir-se à DGS e adquirir informação gratuita sobre a forma de elaboração e implementação destes estudos”, esclareceu a mesma responsável. O PLAHS surge no seguimento do estudo LARES (Larga Análise e Revisão do Estado da Habitação e Saúde Europeia) desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde. O LARES foi apresentado em 2004, na 4ª Conferência Ministerial, sobre “o futuro das nossas crianças”. Neste encontro, ficaram assumidos compromissos para diminuir as ameaças à saúde causadas pelos diferentes domínios do ambiente.
Um desses compromissos foi o de ajudar as autoridades a criarem planos de acção que conduzissem à diminuição dos problemas que as habitações podem causar na saúde.

GRUPOS DE RISCO

Recém-nascidos e bebés
Pessoas idosas
Doentes crónicos como doentes cardíacos, vasculares, com insuficiência respiratória, reumáticos e diabéticos – (Fonte: Direcção-Geral da Saúde)

Atualizado em 23 Fevereiro 2010

Participe no Forum. Deixe a Sua Dúvida ou Comentário

Campos de Preenchimento Obrigatório marcados com *