Consentimento informado e adesão à terapêutica - Fotos Antes e Depois
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Consentimento informado e adesão à terapêutica

Nos dias de hoje, a prática clínica já não é o que era. Perdeu grande parte do subjectivismo (o que lhe amputou alguma eficácia) passando a basear-se em dados objectivos, obtidos através de tecnologia cada vez mais sofisticada e complexa, vertiginosamente evolutiva e insustentavelmente dispendiosa. Esta evolução da Medicina tornou menos efectiva a relação médico-doente e a intervenção de terceiros, quer dos diversos sistemas de saúde que se regem por estatísticas e critérios economicistas, quer o marketing e os mass media cujos objectivos nem sempre coincidem com a ética médica, contribuíram para que tenha diminuído muito a confiança entre o doente e o seu médico.
O enfermo de hoje, melhor dizendo, o utente dos serviços de saúde, já não consulta o seu médico convicto de que este fará tudo o que estiver ao seu alcance para o curar, confiando-lhe às vezes segredos que não compartilha com mais ninguém. O doente padrão de hoje vai ao médico confrontá-lo com diagnósticos e soluções terapêuticas cujo significado, muitas vezes, não percebe muito bem, mas que lhe foram sugeridos ou pela pesquisa que já fez na Internet ou por conversas com pessoas que gostam de se dar ares de entendidos e exige que o médico lhe prescreva os exames e os tratamentos, se possível os mais sofisticados, que permitam objectivamente confirmar um diagnóstico, muitas vezes encriptado (por exemplo, AIT, DPCO, HIV, EAM, H1N1, AVC, IRT…) e dificilmente compreensível, mas acerca do qual sabe que tem o direito de ter uma opinião determinante.fotoDiversos estudos observacionais têm demonstrado menor ocorrência de complicações nos aderentes à terapêutica e, curiosamente, o mesmo se tem verificado, embora em menor escala, com a utilização de placebos, o que demonstra a complexidade da validação dos dados estatísticos.motivarPara melhorar a adesão à terapêutica, há que motivar o doente, dando-lhe a conhecer os benefícios que se procura alcançar sem esconder alguns riscos que porventura existam.

Este sistema, embora com inegáveis virtudes, tem, no entanto, muitos pontos de conflito que se traduzem num número crescente de reclamações médico-legais, fruto da quebra de confiança e da interferência poderosa e determinante de terceiras entidades, quer políticas quer económicas.
Assim sendo, a Medicina, como ser abstracto, abrangente e moderno, resolveu defender-se introduzindo na sua prática aquilo a que se chamou consentimento informado, a fim de “envolver o doente e a sua personalidade, desejos e subjectividade nestas decisões… e que este seja devidamente informado, pois assim poderá contribuir consciente e empenhadamente, com base nos seus valores, hábitos, sonhos e cultura específica, para a escolha do melhor caminho (terapêutica) a adoptar (por vezes com menos custos para o sistema!) (a) Como utopia está perfeito! Como clínico, receio, no entanto, que este mito não consiga resolver um outro ponto de conflito do sistema cuja importância não cessa de aumentar e que de há muito é designado por não adesão à terapêutica. Intencional ou não, a não adesão à terapêutica resulta em geral de múltiplas causas que a Organização Mundial de Saúde classifica em cinco categorias: Causas relacionadas com o doente como, por exemplo, a depressão, deficiências cognitivas ou sensoriais e a idade muito jovem; Causas relacionadas com a doença: tem-se verificado maior taxa de abandono da terapêutica em doentes crónicos assintomáticos ou de risco elevado mas silencioso; Causas relacionadas com a terapêutica, principalmente quando esta é complicada, com vários medicamentos em várias tomas e um calendário complexo de monitorização; Causas relacionadas com o sistema de saúde, ao qual o doente tem acesso difícil e condicionado, criando por vezes quebra de confiança não só nos agentes terapêuticos como no próprio sistema; Causas sócioeconómicas, tais como o custo elevado dos medicamentos, baixo nível educacional das populações e apoio social insuficiente.
Raramente se poderá atribuir a não adesão à terapêutica a uma só destas categorias e são necessários mais estudos para se ter um conhecimento mais fundamentado da sua importância na prática clínica.
Num estudo publicado por Jackevicius et al. em 2002 no JAMA, constatava-se que mais de metade dos doentes, dois anos após um síndrome coronário agudo, não estava a tomar estatinas e num outro trabalho publicado em 2006 na Circulation, por Newby et al., que cerca de um quarto dos doentes com o mesmo diagnóstico, já não cumpria a medicação prescrita aquando da alta hospitalar, uma semana depois.
Diversos estudos observacionais têm demonstrado menor ocorrência de complicações nos aderentes à terapêutica e, curiosamente, o mesmo se tem verificado, embora em menor escala, com a utilização de placebos, o que demonstra a complexidade da validação dos dados estatísticos. No entanto, é indispensável prosseguir na investigação que nos permita compreender melhor estes fenómenos e urgente reduzir as taxas de não adesão. O primeiro passo consiste em não desvalorizar o problema, identificar as causas e monitorizar as terapêuticas. Depois, há que simplificar, reduzindo sempre que possível, tanto o número de tomas como de formulações, balanceando bem o custo/benefício.
Há ainda que motivar o doente, dando-lhe a conhecer os benefícios que se procura alcançar sem esconder alguns riscos que porventura existam. Finalmente, há que alertar os dirigentes políticos para que, sendo a Saúde, segundo a definição da OMS, uma situação de bem estar físico e mental, o seu âmbito ultrapassa em muito os problemas de adesão à terapêutica ou do consentimento informado, tendo que ver sobretudo com as condições ambientais, sócioeconómicas e culturais das pessoas.

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